O Preço da Coroa

2 O Frio que Vem do Norte



​Reino de Delavga (A Estrela do Sul): Conhecido por suas artes, clima ameno e terras férteis, mas que agora sofre com o esgotamento de suas minas e dívidas de guerra. É um reino de cores claras e arquitetura rebuscada.

​Reino de Oakhaven (O Trono de Ferro do Norte): Um reino de invernos rigorosos, montanhas ricas em ferro e carvão, e um exército imbatível. É um lugar prático, austero e imensamente rico.


​O dia da chegada da comitiva de Oakhaven amanheceu nublado, como se o próprio clima de Delavga estivesse de luto pela liberdade da princesa. O pátio do palácio, geralmente cheio de música e risos, estava mergulhado em um silêncio tenso. Guardas em uniformes de gala perfilavam-se, mas o Rei Dominic não conseguia esconder o suor frio que brotava em sua testa.

​Ao longe, o som de cascos pesados contra a pedra anunciou a chegada. Não eram cavalos de exibição, mas animais robustos, criados para o combate. À frente da coluna, montado em um garanhão negro como o carvão, estava Adrian Kane.

​Ele não usava uma coroa de ouro, mas um aro de prata escurecida. Seu traje era de couro negro e lã pesada, com uma capa de pele de lobo que descansava sobre seus ombros largos. Aos 35 anos, o Rei de Oakhaven tinha o rosto marcado por uma seriedade absoluta; seus olhos eram como adagas de gelo que pareciam ler as fraquezas de qualquer um em um segundo.

​Adrian desmontou com uma agilidade que denunciava o guerreiro por trás do monarca. Ele não esperou por apresentações formais. Caminhou diretamente até Dominic e Iara, que o aguardavam no topo da escadaria.

​— Rei Dominic. Rainha Iara — sua voz era um barítono profundo, sem qualquer traço de emoção. — Oakhaven cumpre suas promessas. O primeiro carregamento de ouro já atravessou suas fronteiras.

​— Somos gratos, Rei Adrian — Dominic respondeu, tentando manter a voz firme. — Por favor, entre. O banquete está...

​— Onde ela está? — Adrian o interrompeu, curto e direto. Ele não estava ali pela comida ou pela hospitalidade. Ele estava ali pelo contrato.

​Enquanto isso, no topo da galeria interna, escondida atrás de uma coluna de mármore, Selene observava a cena. Seu coração batia com tanta força que ela temia que ele pudesse ouvi-lo lá de baixo. Ao lado dela, Débora, sua cunhada, segurava sua mão com força.

​— Ele parece um carrasco — Selene sussurrou, a voz carregada de veneno. — Olha para ele, Débora. Ele nem sorri. Ele não quer uma esposa, ele quer um troféu para sua coleção de conquistas.

​— Selene, tente manter a calma — pediu Débora, preocupada. — Alexander está lá embaixo tentando mediar a situação.

​— Alexander se casou com você por amor! — Selene se soltou, os olhos faiscando. — Eu não vou descer. Eles que venham me buscar se quiserem me vender!

​Lá embaixo, Adrian Kane pareceu sentir o peso de um olhar sobre ele. Ele ergueu a cabeça lentamente, seus olhos encontrando o movimento do vestido azul de Selene entre as colunas do andar superior. Por um breve segundo, o olhar de ferro de Adrian cruzou com o olhar rebelde da princesa.

​Ele não desviou. Ele apenas estreitou os olhos, percebendo que a "pequena princesa" que lhe haviam prometido talvez fosse mais parecida com uma tempestade do que com uma flor.

​— Parece que a Princesa Selene não partilha da sua pressa em me receber, Dominic — Adrian disse, um canto de seus lábios se elevando em um sorriso quase imperceptível e desafiador. — Ótimo. Eu prefiro as conquistas difíceis.

​Dominic engoliu em seco. O Rei de Ferro não estava apenas ali para salvar o reino; ele estava ali para domar a Estrela de Delavga.