O Preço De Um Adeus
15 Epílogo
Como é frio aqui... Nunca pensei que morrer fosse assim. Ainda o ouço me chamando. Aff... O que estou pensando, isso é impossível, não tem como alguém estar... Água? Lágrimas? Tem alguém chorando? Mas quem?
...
Uma luz esverdeada começou a invadir por entre as pálpebras fechadas daquele corpo inerte. Era um brilho estranho, mas de certa forma nostálgico.
_ Onde estou? – as palavras finalmente saíram de sua boa e ele se assustou ao ouvir mais uma vez o som da própria voz.
Um calor, seguido de pingos gelados fizeram-no abrir os olhos para perceber que uma pessoa o estava abraçando enquanto chorava pesadamente.
_Yui... – esse nome saiu-lhe da boca involuntariamente e ele notou então que aquele estranho não era nada menos que aquele garoto manhoso e assustado.
_ Porque estou aqui? Como? – Ele agora passava a mão pela região que deveria haver um buraco em seu peito, ou na melhor das hipóteses apenas uma cicatriz.
Nesse instante seu sangue gelou e ele entendeu por fim o que aquele ambiente fantasmagórico representava.
Ele agarrou Yui pelos dois braços e o balançava com força.
_ Por que você fez isso? Por que me ressuscitou? – Ele sentia vontade de abraçá-lo, mas o medo lhe descia pela garganta como navalhas.
Yui apenas sorriu e vermelho como sempre, como se nunca tivesse mudado, beijou Allan abraçando-o forte.
_ Eu suportei durante um ano, mas nunca tive a chance de te dizer o quanto te amava!
O calor do corpo de Yui começou a passar para o de Allan e ambos ficaram ali abraçados por alguns minutos.
_ Não quero te matar! – Allan finalmente falou, expôs o que seu coração temia.
_ E você não vai! – disse confiante Yui.
_ A verdade é que eu não quero te deixar – Allan fez uma breve pausa nas palavras, mas concluiu olhando nos olhos dele. – Porque eu te amo.
Yui estremeceu e seus olhos se encheram de lágrimas.
_ Foi preciso você morrer pra me dizer isso? – falou Yui com um ar irônico enquanto lavava o rosto com lágrimas.
Allan baixou a cabeça, mas como de costume sorriu – Acho que sim...
O moreno levantou e deixou o outro ajoelhado no chão, pegou uma espada e a jogou em frente a ele.
Allan olhava sem entender.
Yui pegou uma espada para ele e fez sinal para que o outro levantasse.
_ Acha que um pirralho como você pode me vencer?
Yui sorriu.
_ Já estou mais alto que você! – fazendo um sinal com a mão esquerda representando a altura de Allan, um pouco exageradamente baixa.
Allan ficou irritado e começou a atacar sem muita misericórdia.
Após uma dúzia de golpes empatados, nenhum dos dois se dava por vencido e por fim Allan derrubou Yui no chão.
_ Renda-se – ameaçou ele com a espada encostada no rosto de Yui.
_ Jamais! – Allan ficou um pouco espantado com as palavras que acabou por forçar um pouco demais a lamina sobre a pele do outro e finalizou por causar-lhe um corte superficial, mas que gotejou sangue.
Allan se assustou e largou a espada, se ajoelhou e afundou a cabeça no chão em um pedido de desculpas.
Yui riu.
_ Nunca imaginei ver você assim!
E pela primeira vez quem ficou vermelho foi Allan, esquecendo completamente sua postura autoritária.
Allan se aproximou de Yui que ainda estava no chão e lambeu sobre a ferida, tirando todo o sangue.
Allan aproximou sua boca da orelha direta e sussurrou.
_ Não sei se é a melhor hora para dizer que eu adoro quando você fica assim?! – Yui naquele momento ficou mais vermelho que o normal e sentiu seu coração quase sair-lhe pela boca.
Allan passou sua língua pela lateral do rosto do moreno e beijou-o sobre os lábios levemente e desceu pelo queixo do rapaz, distribuindo beijos suaves que o fizeram ficar com cada poro existente em destaque.
_ Porque você foi sozinho? – Yui voltara a chorar.
Allan mordeu-lhe o bico do peito esquerdo o que o fez gemer e parar as lágrimas do garoto.
_ Não queria que você corresse perigo! – ele falou e aguardou até o momento em que Yui fosse responder para deslizar a língua sobre o mamilo e causar-lhe cócegas e fazê-lo calar.
_ Você é cruel! – contorcia-se o moreno em contato ao chão frio enquanto o outro brincava com os lábios.
Após algum tempo de provocação ambos já estavam ofegantes e no ápice de seus desejos.
_ Ahh... Eu não vou agüentar muito tempo. – gemeu Yui que já estava sendo provocado pelos dedos de Allan.
_ Não se atreva a ir antes de mim! – falou Allan no ouvido antes de morder a ponta da orelha dele.
_ Mas... – Yui já não conseguia quase respirar, seu corpo suado agora de pé contra a parede gelada sob aquela luz verde tornava seus olhos mais lindos e a cada expressão de prazer Allan chegava mais no ponto.
_ Allan por favor... – suplicava a voz do garoto.
_ Só mais um pouco.
Ambos chegaram ao cume de seus desejos em um gemido simultâneo, antes que esbaforidos ambos caíssem sobre um amontoado de roupas sobre o chão.
Enquanto Yui se recuperava, Allan o beijou e repetiu inúmeras vezes “eu te amo” antes que os dois caíssem no sono.
Já estava por amanhecer quando os dois saíram daquele lugar, Allan acompanhado de Yui foram até o novo dormitório do moreno, onde uma carta endereçada a Allan o aguardava.
Allan a abriu.
Querido irmão
Gostaria de vê-lo novamente. A muito não recebo notícias suas e nem onde estas a viver, então decidi endereçar essa carta ao rapaz que te conhece melhor que eu! Hehe
Prometo não apresenta-lo a minhas amigas!
Mas queria que você soubesse que estou à espera de um filho!!!
Sim, você é tio!!!
Beijos
Ann
Allan baixou a cabeça e apenas uma lágrima caiu sobre a carta antes que ele olhasse diretamente para Yui.
_ Ela ainda não sabe! – o moreno baixou a cabeça cúmplice de uma tentativa esconder a morte dele.
Allan sentiu por um momento seu sangue ferver e um desejo incontrolável de matar sem motivo algum. Ele engoliu em seco, abraçou Yui, beijando-o pela última vez e dizendo em seu ouvido que o amava mais que tudo, finalizando com um Adeus antes de sumir frente ao garoto, deixando-o mais uma vez sozinho.
Yui entendeu o recado e, embora seu coração doesse, ele suportaria aquelas palavras, por tantas outras ditas naquela noite.
....
Horas depois no meio do caminho para a casa da irmã, atravessando a mata ele vislumbrou ao longe a familiar imagem da garota que procurava sentada sobre o galho de uma árvore com os braços erguidos e olhos fechados meditando ou recitando sem dar-se conta do grande felino negro que espreitava por entre galhos superiores pronto para pular sobre ela. Correu arranhando-se e machucando-se nos galhos até que um grito e uma repentina rajada de vento o fizeram parar.
Ficou espantado com a visão indescritível da fera flutuando suavemente até o chão antes de correr para se esconder em meio ao mato. E o sorriso da moça que o fez entender que ela queria apenas ajudá-lo.
Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas foi silenciada pelo barulho do galho cedendo ao peso da moça. Antes mesmo que a mente dele pudesse processar Allan já estava com aquela figura franzina em seu colo e o toco aos seus pés.
Enquanto organizava seus pensamentos ela arrancou das mãos dele a carta, lendo-a e com um sorriso nos lábios, abraçando-o.
_Eu sabia que chegaria! – Ele retribui o abraço, ainda meio espantado pelo súbito movimento. E com um mínimo sorriso falou em não mais que um sussurro.
_Eu disse a ele que o amo... – Ela sufocou-o em seus braços mais uma vez.
Finalmente, ao deixá-la no chão, foram apanhados por uma nova rajada de vento e a garra monstruosa do demônio estava a milímetros de meu coração.
_Achou que iria fugir de mim?
Allan engoliu em seco, mas sentiu um alivio vindo de seu peito, pois assim sabia que não seria ele um monstro. Ele virou-se segurando a garra com as mãos:
_Mais um minuto, deixe-me falar com ela.
_Nunca esperei ouvir um pedido assim, de uma pessoa como você.
Ele se virou para olhar a face apavorada dela, que questionava com o olhar “O que está acontecendo?”, enquanto segurava um grito ou talvez soluços com as mãos sobre a boca, vertiam-lhe lágrimas sobre a face.
De ímpeto abraçou-a no chão e num murmúrio disse-lhe:
_Adeus... Meu tempo acabou. – Deixando-a no chão, se aproximou da morte de braços abertos, esperando que a garra finalizasse seu caminho pelo meu peito.
Apenas depois de sentir um tremor na terra, atreveu-se a abrir os olhos e ver a mão deitada a sua frente e com um olhar entendeu que não precisaria passar por aquilo mais uma vez.
Sentou-se aos dedos do demônio que o carregou rapidamente, deixando para trás as lágrimas e um grito estridente cujo nome uma vez fora seu.
E como um sopro ele sussurrou suas ultimas palavras, antes de desaparecer por um buraco negro que se materializou frente a ele e a criatura.
_ Yui, Ann... Desculpem-me e Adeus!
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