O Preço De Um Adeus
6 Capítulo 6
_Vamos fugir daqui! – ele pegava as mãos dela delicadamente, aquele cabelo azulado cobrindo a testa e esvoaçante na pequena corrida até a entrada principal da casa naquela noite de lua cheia fez os olhos prateados do garoto ficarem mais lindos ainda, Ela timidamente balançou a cabeça e ambos se lançaram para o frio da noite, deixando para trás uma porta balançando com a leve brisa. Quando no alto da colina na última olhada ao seu lar a garota sentiu um frio na garganta e as trevas preencherem seu olhar, dando início a primeira vítima dentro das fronteiras.
Aquela manhã estava em alvoroço, alguém havia sugado a vida de mais uma pessoa.
_ Monstros... – choramingava uma mãe desamparada do outro lado daquela tela quadrada. – Minha filha nunca fez nada de mal a ninguém! É tudo culpa desses bruxos! – ela apontava para uma equipe da Central que examinava a área, a câmera focou Yui ao fundo com uma feição de espanto, antes que a capa negra de Allan cobrisse seu rosto.
_ Não os deixe fazer o que quiserem com a sua imagem! Esse pessoal não passa de um bando de hienas doidas por uma carcaça mal escondida. – falava serio enquanto via as lagrimas de crocodilo de pessoas que nem ao menos conheciam a vítima almejando chamar mais atenção que a própria notícia.
_ Eles chegam a ser tão nojentos quanto as criaturas que matamos! – uma voz diferente acabou com abraço fraternal entre os dois e ambos voltaram suas atenções para um rapaz que não lhes era familiar.
Vendo a dúvida em seus rostos, ele apresentou-se – Kaito – esticou a mão até perceber que seria inútil – cof.. – em uma tosse forçada ele tentou quebrar o gelo.
_ Estou preocupado, como uma dessas coisas poderia entrar aqui?
_ Não entrou! – por trás apareceu encarando pelas lentes dos óculos, Alice.
O silencio parou o momento e foi interrompido pela voz do jovem estranho.
_ Como assim não entrou? – olhou incrédulo.
_ Você já deve saber, — ela olhou-o pelo canto, enquanto se afastava indo ao topo da colina, — Esse monstro foi invocado aqui!
_ Isso... – ele começou tentando revidar até ser mais uma vez interrompido, dessa vez por uma quinta pessoa.
_ Impossível... Você ia dizer? – Flame entrou em cena, deixando o garoto de olhos prateados sem ter como responder – Estamos falando de coisas impossíveis em um mundo que quase não nos pertence mais! – ela olhou desafiadora, fazendo-o recuar alguns passos.
_Pelo que sabemos a porta foi aberta ontem!
_ E já sabemos de quem se trata? – Ambas se encarava, uma escutava atentamente enquanto a outra falava.
_ Ainda não, mas acredito que ainda esteja na forma humana!
_ Muito bem, temos que encontrar o responsável! – a ruiva fez uma mesura e saiu em uma caminhada reta ao carro, quando foi puxada por Allan que já ficara impaciente com tantas informações incompletas. Ela olhou sobre seu ombro para o estranho mago que parecia lhes seguir com o olhar e fez sinal com a cabeça para Allan entrar no carro.
Sentados em pleno silencio eles se analisavam.
_ Acredito que você saiba como tudo isso começou!
_ Claro... quem não conhece a história do casal?
Ela deu uma leve risada.
_ Você acredita naquela versão romântica? Pois bem, vou lhe contar!
Ele olhou intrigado.
_ Muito tempo atrás foi dado aos mortais a chance de dizer Adeus, um último dia de existência a aqueles que já haviam partido. No fundo do cemitério tem uma entrada para aquela escadaria circular que todos contam na história, ela é real, mas seu poder agora está corrompido.
Aquele casal da história, bom ele existiu, mas o marido não queria apenas um Adeus, e tentou brincar com a realidade, dando uma vida extra a esposa, que realmente viveu, mas ela começou a matar pessoas sem o conhecimento do marido, até o dia que deixou sua forma humana, nesse meio tempo muitas outras pessoas já haviam voltado, dando origem a esses monstros deformados e fortes que temos que caçar, quanto mais forte o desejo de matar, maior a força e mais estranha a criatura. As sombras são humanos recém acordados que não mataram e voltam a ser almas e estão sedentas por corpo e sangue. Mas temos as Quimeras, cujos desejos concretos distorcem sua forma humana e viraram demônios de fabulas, com chifres, garras, e muitas vezes mais fortes que muitos magos.
_ E o que isso ... – apontou com a cabeça pela janela do carro a colina – tem em relação?
Ela ia responder, mas fechou a boca e com um sorriso baixou a cabeça e balançou.
_ Você nunca entenderia!
TOC...TOC...
Yui estava ali batendo na janela com um rosto assustado. Allan abriu a porta. – ELA disse que teríamos que matar um monstro!
Bagunçou um pouco os cabelos brancos, incrédulo com a inocência do garoto. Allan olhou para o carro.
_ Talvez mais do que você imagina...
E saiu com o outro agarrado ao seu braço como um casal.
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