Notas iniciais
Eu tive a inspiração para essa fanfiction totalmente do nada, e resolvi postá-la aqui primeiro, embora pretenda fazer isso também no SocialSpirit. Gostei de escrever o primeiro capítulo e pretendo continuar, embora não tenha decidido quando ainda, visto que minha propriedade nesse momento é minha outra história.

Merlin e Zeref estavam frente a frente afinal. Após tantos anos sem se ver, a única coisa que os separava agora eram três metros de água. Em pé sobre a superfície do mar que separava Earthland e Alakitasia, os dois se entreolhavam com nada da alegria que se esperaria de dois de amigos que não se viam há muito tempo.

— Zeref. – Merlin disse, visivelmente desanimado. Com uma expressão triste, ele olhava para seu amigo de infância.

— Merlin. – A expressão de Zeref, por outro lado, era tão vazia quanto uma folha em branco. Seus olhos eram negros e não exalavam a vida que costumavam exalar quando ele era mais jovem.

— Eu não quero fazer isso, mas não posso deixar que você continue matando pessoas inocentes. – Merlin tornou a falar. Apesar de sua voz triste, ele soava determinado a fazer o que fosse necessário.

— Nós dois sabíamos que chegaria esse dia, Merlin. Nunca houve nada que pudesse evitar isso. – Zeref respondeu, novamente sem demonstrar nenhum tipo de emoção. – Então me deixe matá-lo de uma vez, ou me mate se for capaz. Não faz diferença.

Parecia enredo de filme: os dois magos mais poderosos do mundo, dois amigos de infância, se encontram frente a frente para uma batalha até a morte no meio do oceano, onde nenhum inocente sairia machucado. Os dois sabiam que não importava o que acontecesse ali, aquela batalha ficaria na história por muito tempo.

Vendo que Merlin não faria o primeiro movimento, Zeref moveu as mãos. Um segundo depois, uma esfera negra estava voando a velocidades supersônicas na direção de seu antigo amigo.

Os olhos de Merlin brilharam numa cor branca quando ele murmurou o nome do encantamento e moveu a mão; a esfera negra simplesmente se encolheu no ar antes de explodir, voltando de uma só vez contra Zeref no formato de uma rajada de energia negra.

Zeref moveu as mãos novamente e tomou controle da rajada escura, pronta para a lançar de volta. Naquele momento, Merlin apareceu na frente dele com uma esfera branca luminosa nas mãos. O mago negro arregalou os olhos e instintivamente empurrou a rajada para bloquear o ataque.

Uma luz ofuscante tomou conta da área quando os dois feitiços colidiram, gerando uma explosão tão grande que arremessou os dois para direções opostas. Normalmente, uma explosão daquelas — podia ser facilmente vista a quilômetros de distância — teria matado todos os magos próximos de uma só vez. Mas eles não eram magos comuns. Quase que em sincronia, rodopiaram o corpo no ar e tocaram novamente os pés sobre a superfície do oceano, derrapando por alguns metros ainda antes de pararem.

Nem mesmo a gigantesca onda de água que havia se formado e agora estava indo para todos os lados serviu para algo naquela batalha. Os olhos de Merlin tornaram a brilhar, e de uma só vez a onda que veio contra ele virou e se lançou na direção de Zeref.

O mago negro simplesmente moveu as mãos. Um pilar de energia negra se estendeu desde seu corpo até acima da nuvem mais alta no céu, até praticamente sumir por causa da altura, quando a água à frente de Zeref explodiu violentamente, dividindo a onda em duas partes que inofensivamente passaram dos dois lados de seu corpo. Não obstante, uma outra rajada de energia negra estava indo na direção de Merlin, rápida como um raio.

Se Merlin fosse um mago qualquer de Rank S, ele teria sido facilmente despedaçado por aquele ataque e sequer saberia o que tinha acontecido, mas felizmente esse não era o caso: ele juntou as mãos à frente do corpo e murmurou novamente um encantamento. No momento em que a rajada estava para acertar seu corpo, um escudo luminoso surgiu ao seu redor, forçando o ataque de Zeref a desviar aleatoriamente para os lados.

Merlin olhou para cima e murmurou um encantamento. Zeref já sabia o que ia acontecer e saltou para trás bem a tempo de se esquivar quando um raio cortou o céu e acertou a superfície da água. Mas Merlin deve ter previsto isso, pois no momento seguinte apareceu às costas do mago negro e seus olhos tornaram a brilhar numa cor branca. A próxima coisa que Zeref sabia era que seu corpo estava voando para longe quase na velocidade do som. Isso foi confirmado quando ele ouviu um estrondo; havia quebrado a barreira do som.

— Living Magic... – Ele murmurou e bateu as mãos juntas, expelindo uma grande massa de energia negativa pelo corpo. Dessa massa, um gigantesco demônio se ergueu e agarrou seu corpo no ar. – Lullaby.

Merlin arregalou os olhos ao ver o tamanho do monstro invocado por Zeref. Sem perder tempo, ele tratou de bater as mãos e murmurar o nome de seu feitiço. – Living Magic... – ele demorou um segundo para pensar o que deveria criar, mas finalmente se decidiu. – Kraken.

Similar ao que houve com Zeref, uma massa de energia saiu do corpo de Merlin e formou um gigantesco polvo com uma quantidade incontável de tentáculos, cada um maior que um arranha-céu. O monstro logo tratou de mergulhar no fundo do oceano.

— Lullaby, cuide do monstro que ele invocou. – Zeref ordenou, e se lançou na direção de Merlin numa velocidade tão grande que um segundo depois os dois estavam próximos o bastante para trocar ataques físicos.

Naquele momento, dois tentáculos gigantescos saíram do fundo da água e envolveram o demônio criado pelo mago negro, puxando-o para o fundo do mar de uma só vez. Merlin agarrou o punho de Zeref e desferiu uma joelhada no mago negro, que pôs o braço na frente para bloquear o ataque. Merlin arregalou os olhos ao ver os olhos de Zeref ficarem vermelhos. Sem pensar duas vezes, ele girou o corpo e, aproveitando que ainda tinha o punho de seu ex-amigo agarrado, atirou-o para o mais longe possível.

No meio do ar, o corpo de Zeref expeliu para todos os lados uma onda de energia negra em alta velocidade. Vendo que a onda chegaria até ele, Merlin saltou para trás e se deixou afundar na água, onde Lullaby e o Kraken se enfrentavam.

Living Magic... – Zeref murmurou, batendo outra vez as mãos. – Deliora!

Outra vez, um demônio de proporções colossais veio à vida no momento em que uma massa de energia deixou o corpo de Zeref. Mesmo do fundo do oceano, Merlin podia sentir aquela quantidade imensa de poder mágico tomando forma e imediatamente respondeu fazendo uso da Living Magic também. No fundo da água ele não podia falar o nome do feitiço, mas isso não importava. Um segundo depois, a água ao redor de seu corpo se agitou em grande quantidade e se lançou para cima, tomando a forma de um gigante feito puramente de água.

Naquele momento, Merlin sentiu uma quantidade incrível de magia vindo de trás de si e se virou; Lullaby estava emitindo algum tipo de música infundida com quantidades inimagináveis de poder mágico. O Kraken rugiu e fechou os olhos, seu corpo ficou mole e o monstro lentamente começou a afundar na água, liberando o demônio de Zeref.

Ele deu a Death Magic pra essa coisa... merda. Merlin pensou. Preciso conter esse monstro agora, antes que ele volte pra superfície. Sem perder um segundo a mais, ele moveu as mãos e disparou como um torpedo na direção de Lullaby.

O demônio se virou e parecia prestes a tocar novamente sua melodia, mas Merlin foi mais rápido; bateu a mão em seu corpo e canalizou uma quantidade enorme de poder mágico. Um segundo depois, o corpo do demônio havia se encolhido e tudo que restou foi uma flauta em formato macabro, onde a partir de agora estava selada a alma daquela besta.

Mas aquele não era tempo de comemorar. Uma rajada alaranjada de energia passou ao seu lado e explodiu, arremessando-o de uma vez só para fora da água: Deliora. Felizmente, uma imensa mão se ergueu do mar e agarrou o corpo de Merlin, pondo-o de volta na superfície.

— Obrigado. – ele agradeceu, ignorando a dor da explosão.

— Aí está você. – Ele ouviu a voz de Zeref. O mago negro estava parado perto do demônio restante. – Meus parabéns, Merlin. Ficou mais forte do que eu imaginava.

— Você ainda não viu nada. – Merlin respondeu, movendo novamente as mãos.

Zeref arregalou os olhos e saltou para trás de Deliora quando uma onda enorme de energia explodiu para fora do corpo de Merlin, arrebentando o corpo do gigante de água. O demônio foi atirado de uma só vez para longe dali, tão longe que seu corpo desapareceu de vista em questão de segundos, tanto quanto o próprio Zeref.

Merda, isso não é bom. Zeref rodopiou em pleno ar e se endireitou, mas já era tarde demais. Uma esfera luminosa explodiu em seu corpo e tornou a o arremessar para trás. Merlin apareceu repentinamente um pouco acima do corpo do mago negro e o arremessou para baixo com um chute.

Zeref grunhiu de dor e tentou se endireitar novamente, mas outra vez algo o golpeou e encharcou seu corpo: um imenso punho de água se ergueu do oceano e o acertou nas costas, lançando-o na direção de Merlin, cujos olhos brilhavam numa cor branca.

Antes que ele soubesse o que tinha acontecido, um clarão cortou o céu seguido por um estrondo. Zeref sentiu uma dor excruciante tomar seu corpo, atirando-o novamente na direção do oceano, o que só aumentou a dor. Eletricidade corria por seu corpo sem parar: Merlin havia invocado um relâmpago. Enquanto lentamente seu corpo começou a flutuar de volta para a superfície, Zeref tentou se mover, mas seus braços e pernas, tal como qualquer outra parte de seu corpo, estavam dormentes. Tudo que ele podia fazer agora era esperar que Merlin o matasse. No momento em que voltou à superfície, seu amigo de infância estava esperando com uma espada prateada em sua mão: Excalibur.

— Eu venci. – ele falou, mas aquela vitória não o alegrava nem um pouco. Sua expressão continuava triste enquanto olhava para Zeref.

— Então me mate. – Zeref respondeu, imóvel, enquanto olhava para a espada nas mãos de Merlin. Ele sabia muito bem que, independente da maldição de Ankhseram, aquela espada o mataria facilmente. Uma espada forjada pelo fogo de um dragão. – Minha vida é tão sem valor quanto as outras.

Merlin suspirou e ergueu a espada. Como você ficou desse jeito? Ele pensou enquanto se preparava para acertar o golpe final.

Zeref fechou os olhos e esperou pela dor do ataque, mas ela nunca veio. Após alguns segundos com os olhos fechados, tudo que ele podia pensar era: Eu já morri? lentamente, seus olhos se abriram outra vez, mas Merlin ainda estava ali. Ele tinha abaixado a espada outra vez.

— O que houve? Por que não me mata logo?

Merlin suspirou e moveu a mão. Num passe de mágica, a Excalibur desapareceu.

— Não posso. Não importa o que tenha acontecido, eu não consigo te matar. – ele respondeu, suspirando. Lentamente, o rapaz se sentou sobre a água ao lado de Zeref. – Você ainda é o mesmo Zeref que foi meu amigo há tantos anos.

— Eu não sou nada como o Zeref que você conheceu. Eu mudei. Mas você continua assim, mesmo depois de todas as pessoas que eu matei. – Zeref respondeu sem nem olhar para ele. Seus olhos estavam fixos no céu.

— Você se tornou assim por causa de Ankhseram, não por causa de você. Você valoriza tanto a vida das pessoas que convenceu a si mesmo de que a vida não tem valor, tudo isso para que a maldição não disparasse sozinha. Mas você continua exatamente igual. Eu sei disso. É por isso que não consigo te matar.

Ankhseram, o deus da vida e da morte. Há muito tempo, ele os havia amaldiçoado a tirar a vida de todos aqueles com quem se importassem. Mas, por algum motivo, Merlin era imune à maldição; ele podia usar a Death Magic, mas ela não disparava sozinha, independente do que acontecesse. Mas Zeref não teve tanta sorte. Toda vez que ele se apegava a alguém, a maldição matava a pessoa. Lentamente, Zeref foi de um dos maiores gênios de seu tempo até se tornar o mais infame mago negro da história, aquele que criou milhares de demônios e atirou o mundo ao caos. Enquanto isso, Merlin era o maior mago que o mundo já viu, responsável pela criação do Conselho Mágico e pela fundação dos Dez Magos Santos. Foi ele quem contribuiu para a criação de vários reinos e queda de outros, e foi ele um dos responsáveis por finalizar a Guerra Civil dos Dragões com sua habilidade única de controlar os dragões com sua voz.

— Eu... – Zeref murmurou, olhando novamente para o lado. – Eu mato as pessoas, Merlin. Não importa se eu quiser ou não. Por favor, você precisa me matar agora, enquanto você pode. Eu não quero mais matar ninguém.

— Eu não posso te matar, Zeref. Mas eu vou achar uma forma de você não ter mais que matar ninguém. – Merlin respondeu, sorrindo pela primeira vez desde que se encontraram.

— Como? A única forma seria se Ankhseram retirasse a maldição, e isso não vai acontecer.

— Talvez. – ele tornou a dizer. – Mas... enquanto a maldição estiver de pé... – Merlin se levantou e moveu as mãos, canalizando poder mágico. – Eu vou criar um lugar onde não haja ninguém e onde seja impossível entrar. Dessa forma, você não vai matar ninguém.

Zeref simplesmente assistiu enquanto Merlin recitava um encantamento incrivelmente grande. Lentamente, ele sentiu a água vibrando ao seu redor. Então alguma coisa tocou seu corpo, e ele sentiu que estava numa altura mais elevada do que antes. Quando olhou ao redor, tudo o que o mago negro pôde fazer foi suspirar: ele sabia que Merlin tinha ficado muito mais forte do que antes, mas aquilo era inacreditável. Tudo ao seu redor era uma floresta. Ele estava deitado sobre um chão coberto de grama fresca. Para qualquer lado que olhasse, não conseguia ver o fim daquela ilha. O mais impressionante era a gigantesca árvore bem no centro da ilha, que se estendia facilmente a uns cinquenta metros de altura, ou talvez mais.

— Ufa... – quando tornou a olhar para Merlin, ele estava de joelhos, ofegando. – Lutar com você... usar a Living Magic duas vezes... e depois criar uma ilha... isso é cansativo... – apesar do cansaço e do suor que cobria seu corpo, Merlin parecia muito bem. – Gostou?

Zeref não sabia o que dizer. O lugar era incrível. No meio do oceano, onde dificilmente alguém o encontraria.

— Eu ergui uma barreira ao redor da ilha... – Merlin suspirou, tornando a se sentar. – Assim, ela é completamente indetectável para qualquer um que já não a tenha visitado antes. Quem passar por perto nem conseguirá ver a ilha. – ele sorriu. – Ah, e não se preocupe. Você não precisa ficar aqui pra sempre, só até descobrirmos como matar Ankhseram. E eu vou ficar aqui com você, se você quiser.

Zeref continuou olhando sem dizer nada pelo que pareceram horas e horas, até que ele finalmente se recuperou do choque. Lentamente, o mago negro começou a endireitar o corpo, já não dormente — ainda que bastante dolorido -, e olhou para Merlin.

— ... obrigado... – ele queria dizer tanto, mas aquilo foi tudo que conseguiu falar no momento.

E naquele dia, o mago negro Zeref descobriu qual era o valor da vida.

Notas finais
Agradeço a todos que tenham lido até aqui. Por favor, não deixe de (se possível) comentar avaliando a história, sua opinião é muito importante para mim. Tudo de melhor sempre. Até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.