O Príncipe Solitário.

7 Capítulo 7 - Uma Decisão.


Capítulo 7

Uma Decisão

Meu coração batia tão descompassado e minha mente parecia que iria entrar em curto a qualquer momento, eu não podia controlar o que estava sentindo, não era possível que uma simples aproximação havia me deixado naquele estado, sentia-me uma completa tola e quase uma débil-mental. Como deixei que tudo chegasse a esse ponto? Como havia permitido que ele pudesse me atingir dessa forma? Ele era a última pessoa por quem eu podia me apaixonar.

Mas o fato era... eu estava perdidamente apaixonada por Vegeta!

— ódio, ódio, ódio!!! – olhava-me no espelho do banheiro e não conseguia me reconhecer. – O que eu fiz? Como eu me apaixonei por ele?

Fazia uma semana que Vegeta havia aparecido no meu quarto para me pedir “desculpas” e desde então não o vira mais, de alguma forma não nos encontrávamos pela casa. Agora era Vegeta que “fugia” de mim. Por quê?

— Eu preciso de um tempo longe daqui.

Acabei de escovar meus cabelos e desci até o laboratório, queria ver os novos projetos de papai, porém quando cheguei, ele estava em uma conferência com um cientista de uma usina termonuclear da costa leste.

— Mas isso não pode ser evitado? – papai perguntou e sua expressão estava apreensiva.

— Se não tomarmos uma decisão urgente, temo que o pior possa acontecer, Dr. Briefs! – o cientista fora convicto em suas palavras.

— E o que sugere que façamos afinal?

— Que mande alguém especializado para solucionar o problema do reator o quanto antes!

— Pensei que os senhores tivessem pessoas preparadas para tais emergências?

— “Tínhamos” Dr. Briefs... mas estão todos mortos!

Engoli em seco com aquela resposta, o que estivesse acontecendo na costa leste fora muito grave, ao ponto dos cientistas nos pedirem ajuda.

— Preciso de tempo para escolher o melhor dos meus cientistas.

— Dr. Briefs... estou implorando por sua ajuda, se não mandar alguém logo... uma catástrofe pode acontecer! Todas as cidades da costa leste podem sumir do mapa se o reator vier a explodir!

— Por Kami-Sama!! – levei minha mão à boca. – Papai ajude-o!!

— Bulma, não vi você ai.

— Senhor o que aconteceu de fato? – aproximei-me do amplo monitor e perguntei diretamente ao cientista.

— Srta. Briefs – ele me cumprimentou e prosseguiu. – Para resumir: o reator da usina está um estado de quase fissão nuclear, se não for feito um isolamento adequado e urgente, a destruição será inevitável!

— E como deixaram que isso acontecesse?

— Por uma terrível falha no cálculo de um dos engenheiros, mas o caso é que todos que estavam trabalhando para conseguir estabilizar o reator... estão mortos!

— Qual o nível de radiação no momento?

— De 7,9.

— Droga! – fiquei surpresa com o dado.

— Fique tranqüilo, o contatarei em breve dando uma resposta – papai simplesmente respondeu.

— Sim, Dr. Briefs. Obrigado e peço que não demore muito, não temos mais a quem recorrer.

— Espere! – antes que ele pudesse desligar a conferência, o interrompi. – Eu posso ajudá-los!

— O quê? Como assim, Bulma? – papai não entendeu.

— Eu... posso resolver esse problema, papai!

— Mas isso é algo muito perigoso, sua vida pode estar em risco.

— Eu sei, mas eles precisam de nossa ajuda.

— Não, isso é arriscado demais.

Virando-me para o cientista, tomei a minha decisão.

— Eu irei ajudá-los!

— Oh, Srta. Briefs não sei como agradecer?! – o homem de meia-idade emocionou-se com a notícia.

— Dentro de um dia chego ai, mas precisarei de toda ajuda possível.

— Não há mais ninguém aqui, somente eu.

Em muitos anos não havia sentido tanto medo quanto naquele momento, mas eu ajudaria aquelas pessoas como pudesse. Aquilo fora a minha chance de fazer algo realmente importante, o momento exato de mostrar minha capacidade de cientista como nunca, mesmo que significasse minha própria morte.

— Então seremos somente nos dois. Até logo, Dr. – desliguei a transmissão.

— O que está fazendo, Bulma?

— Algo útil, papai – o encarei séria.

— Que conversa é essa, desde quando que você se acha uma inútil?

— Papai... Goku e os nossos amigos já morreram para nos salvar, já nos salvaram tantas vezes, por que não posso tentar uma vez na vida também salvar as pessoas, mesmo que seja do meu jeito?

Os olhos deles se apertaram, pois no fundo papai sabia o que eu estava sentindo.

— Mas você não um sayajin ou um guerreiro com poderes especiais, minha filha.

— Eu sei, papai... eu sei.

Por um minuto ele estudou meu rosto.

— Então... eu ajudarei no que for possível.

Sorri para ele e o abracei forte com lágrimas nos olhos, eu o amava muito.

— Obrigada, papai. Sabia que iria me apoiar.

Enquanto arrumava algumas coisas para levar, como ferramentas e outros objetos que iria precisa na usina termonuclear, mamãe entrou chorando no laboratório feito uma desesperada.

— Óh, Bulminha! Não vá, não vá!!

— Mamãe... – fiquei meio assustada com ela. – Vai ficar tudo bem, eu vou conseguir resolver o problema do reator.

— Mas se algo der errado, minha filha?

— Se der errado, mamãe... eu saberei que fiz o possível para ajudar aquelas pessoas.

Mamãe me olhou por um momento e depois abriu um berreiro quase sem fim.

— Não vá, minha filhinha!!

— Mamãe, mamãe!!! – chamei sua atenção. – Fique tranqüila, eu vou ficar bem.

Entretanto, eu sabia que se algo desse errado, talvez eu não a visse nunca mais.

— Então eu vou preparar aquela torta de maçã que você tanto gosta – enxugando as lágrimas, ela de repente sorriu.

— Faça isso, mamãe.

Somente mamãe para me fazer rir naquele instante de apreensão.

— Ah, Bulminha.

— Sim?

— Ultimamente estou achando o “Vegetazinho” tão triste, acho que algo aconteceu. Você não sabe o que aconteceu com ele?

Um calafrio subiu pela minha espinha.

— Não, não mamãe... Não faço idéia.

— Está bem então... eu vou fazer a sua torta.

Ela saiu do laboratório, deixando-me sozinha.

— Vegeta... triste?

Será que era possível? Vegeta havia ficado deprimido com nossa última discussão? Não. Impossível. Não era de seu feitio algo assim, na verdade a frieza fora sua característica marcante. Talvez eu devesse contar a ele que eu iria para a usina. Não! Isso era uma idiotice sem tamanho, o que estava pensando?

— Bulma você está cada vez mais louca.

Havia chegado o momento de minha partida para a costa leste, não fazia idéia de como as coisas de fato estavam por lá, porém tinha consciência que as possibilidades de “um não retorno” eram grandes. Papai me passava as últimas orientações e informações sobre o reator da usina termonuclear.

— Você está me entendendo?

— Sim, papai – eu colocava tudo dentro das cápsulas e as cápsulas em uma bolsa do lado do meu corpo. – Então... está na hora de ir.

— Por favor... tenha o máximo de cuidado, Bulma – ele estava nitidamente preocupado. – Use a roupa anti-radiação e depois se certifique que não está contaminada.

— Está bem, papai, eu não vou me esquecer disso.

— Eu estarei sempre lhe orientando, na medida do possível tentarei auxiliá-la pelo comunicador.

— Ok.

Parei por um instante e abracei papai forte.

— Não se preocupe, vai ficar tudo bem.

— Tem certeza que não quer peçamos ajuda ao Goku e os outros?

— Já disse que não, eles estão muito ocupados com seus treinamentos. É melhor que ninguém saiba disso.

— Ainda acho que devíamos...

— Não, papai! – fui direta. – Há certos momentos que não temos super-heróis para nos salvar.

— Está certo, querida... Eu te amo.

— Eu te amo, papai!

— Bulma querida, não esqueça da torta! – mamãe chegou falando alto com a cápsula da torta nas mãos.

— Ah... claro mamãe – ri de seu jeito destrambelhado. – Já estou indo.

— Ouu, Bulminha... não morra! – ela me abraçou quase me matando sufocada.

— Mamãe... eu não vou morrer.

Estava torcendo para isso não acontecer.

— Volte logo então.

— Eu volto.

Por fim entrei no meu aero carro, me despedi dos meus pais e olhei para a câmara de gravidade onde Vegeta treinava há dois meses.

— Tchau, Vegeta... Espero vê-lo de novo.

Uma lágrima solitária desceu pelo meu rosto sóbrio, pois optei por não usar maquiagem nenhuma naquele dia. Logo liguei o meu aero carro e fui em direção a costa leste.

Notas finais
Desculpem por demorar a postar esse capítulo, estive meio enrolada com a faculdade, mas espero que gostem e o aproveitem. Beijos!!!