O Príncipe Sapo
1 O Sapo, o Cravo e a Fera.
Notas iniciais
Há muito tempo atrás, existia uma princesa. Ela era feliz, e tinha tudo o que poderia querer. Um dia, seu reino recebeu a visita de um certo príncipe, tão belo quanto os deuses retratados nos livros que ela amava ler.
E apenas observando-o à distância, a princesa se viu apaixonada. Era um sonho! Mas ao se aproximar, veja só!, o príncipe, na verdade, era um sapo. Era tão grosseiro e desrespeitoso, egocêntrico e ao mesmo tempo inseguro. Parecia gostar de colocar a princesa para baixo, embora usasse palavras doces para confundir quem via de fora.
A princesa não se abalou. Amava-o! Amava-o mais que a si mesma. E tinha lido, em todos os seus contos fantásticos, que com amor, até mesmo o mais horrendo dos sapos se transformava em um príncipe.
Então o amou com todo o amor que tinha. Dava tudo de si. Era uma batalha, mas parecia à princesa que sempre ela se feria. Não desistiu. Amava-o! Amava-o tanto quanto a si mesma. Um dia contaria essa história para as duquesas e condessas, baronesas e marquesas, de como se manteve forte e no fim o amor venceu a batalha, transformando uma pedra bruta em uma bela joia lapidada, um sapo em um príncipe de contos de fada.
Então o amou o quanto pôde. Ignorava as farpas trocadas quando estavam à sós, ignorava o desconforto que sentia quando lhe diziam: “Vocês formam um belo casal! Que lindos filhos terão!” A princesa sentia que era hora de parar de lutar sozinha, ele também precisava se esforçar. Então o enfrentou.
“Eu o amo como nunca amei antes, mas você me faz mal! Não quero desistir de nós dois, mas precisa começar a mudar, ou me perderá para outro melhor!”
O príncipe, com seus belos olhos de deus, sorria.
“Dou o meu melhor. Faço o que posso. Acho até que é você quem não se esforça o suficiente, e do jeito que está, nenhum outro irá te querer, muito menos alguém melhor do que eu.”
Imediatamente, a princesa se arrependeu. Tinha sido egoísta, pensando em toda a sua luta, quando seu príncipe também batalhava em nome do amor dos dois. Então perguntou-lhe como poderia melhorar, como poderia se esforçar mais.
“Você ri alto demais, pensa muito nas coisas. Podia ficar sempre calada quando encontro meus amigos. Não gosto quando você sai para montar ou ler ou conversar com suas amigas e me deixa aqui sozinho. Disse que me ama, mas parece que não sou suficiente para você. E seu trono é muito enfeitado, quando nos casarmos vamos fazer algumas mudanças para que ele não atrapalhe a visão do meu.”
A princesa se entristeceu. Montar a cavalo, ler e conversar com as amigas eram as coisas que mais gostava de fazer. Mas ele tinha razão. Tinha que provar que o amava, e que ele bastava.
Então o amou, mas só quando tinha disposição para o fazer. Não dava mais tudo de si, pois, exausta de se privar para agradá-lo, não tinha forças para amá-lo em tempo integral. Amava-o, sim! Amava-o, mas não tanto quanto amava a si mesma. Seu romance sempre foi uma batalha, mas antes parecia que ela e seu príncipe lutavam juntos pelo final feliz, e agora parecia que ela lutava contra o príncipe, por um final feliz infeliz.
O príncipe estava certo em um ponto. Ele nunca a perderia para outro. Perdeu a princesa para ela mesma. Quando percebeu que o amor não devia ser desgastante, e sim prazeroso, não acusador, e sim compreensivo, a princesa percebeu que sapos não viravam príncipes. E percebeu que, mudando-se na tentativa de transformar um sapo em príncipe, apenas conseguiria perder tempo, energia e a felicidade que já tinha sozinha.
As duquesas e condessas, baronesas e marquesas sussurravam entre si sobre a princesa louca que deixou um homem como o príncipe fugir.
Mas a princesa não se abalou. Amava-se! Amava-se mais do que a qualquer outro, embora tenha demorado para notar. Só ela sabia o que a faria feliz, e viveria o resto da vida sem se arrepender de ter deixado um homem como o príncipe sapo partir.
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