Notas iniciais
Minha primeira publicação nessa plataforma com um conto original de comédia. Espero que gostem!

Uma jovem estava chegando exausta de uma balada. Enquanto subia o morro do seu bairro, ela pensava consigo mesma:

—Argh! Eu não aguento mais essa dor nas minhas pernas, olha o tanto que eu andei até aqui! Se eu tivesse a grana pra comprar um carro eu poderia ir até para aquela balada no centrão da cidade e voltar tranquila, sem precisar andar isso tudo. Fazer o que né?! Mas pelo menos eu peguei bastante! Até perdi a conta de com quantos gatos eu fiquei. Será que anotei o número de algum deles?

Satisfeita e cansada, ela chegou em seu apartamento e sem nem mesmo trocar de roupa, ela caiu no colchão e dormiu ali mesmo.

No dia seguinte, depois de uma pequena ressaca, ela acordou e se arrumou para trabalhar. No caminho ela esbarrou com uma dessas cartomantes, que imediatamente se ofereceu para ler sua mão. Mesmo estando um pouco atrasada para o trabalho, a moça não estava nem um pouco apressada para chegar ao escritório, pois era naquele horário em que estaria lá presente seu subgerente (ou ‘’o cara mais pé no saco’’ do mundo, segundo ela) e, além disso, ela era fascinada com misticismo e coisas afins, então tratou logo de acompanhar aquela senhora até uma cabine para que ela pudesse ler suas mãos.

Aquela senhora, depois de ler as mãos da moça, disse a jovem que ela ganharia um prêmio, algo que ela necessitava muito.

Com as palavras daquela senhora na cabeça, a moça estava assistindo um programa de tv, onde os participantes escolhiam uma caixa no cenário do programa e ganham prêmios que estavam dentro dela. Ela não hesitou em se inscrever para participar e logo foi selecionada.

No programa o apresentador anunciava:

‘’E está na hora da nossa participante escolher seu prêmio. Cada uma dessas caixas aqui possui um prêmio dentro, e só escolher e você leva o que tem nela. Vai lá! ‘’–ele incentivava enquanto animava o público, deixando-o também na expectativa – ‘’Caixa 1, caixa 2 ou caixa 3, participante?’’

‘’Caixa 2!’’ – A jovem respondia na expectativa de receber a chave de um carro zero.

‘’E você ganhou ...’’ – O apresentador anunciava enquanto o público assistia entretido e atento.- ‘’...Um ano de fraldas grátis da BumBabyBum™, As melhores fraldas para o seu bebê!!’’

‘’O que? Mas que porra eu vou fazer com fraldas?’’ – Ela se questionava irritada. Porém, conformada e alegre com sua participação no programa do qual era fã, ela saiu satisfeita e seguiu para casa.

Mas ao assistir ao programa, que era gravado, ela ficou nervosa ao ver que os prêmios das outras caixas eram dez mil moedas em compras no shopping mais popular da cidade e a chave um carro novinho. Mas já que estava feito, estava feito- ela pensava.

Alguns meses se passaram e ela foi sentindo uns enjoos estranhos, coisas que nunca tinha sentido, pois raramente se sentia enjoada. Era do tipo que comia de tudo que via pela frente a toda hora. Também pudera... Era taurina, né?! Mas dessa vez parecia diferente. Preocupada, ela foi ao médico e a notícia surpreendeu: ‘’É, você vai ser mamãe’’ – O médico deu a notícia sorrindo e completou ‘’E das mais sortudas ainda... Oito não é pra qualquer um não, hein?! Você o papai dessas crianças vão ter muito trabalho!’’

‘’O que? Oito?? Oito!!! Como eu vou cuidar de oito filhos? E eu nem sei quem é o pai!’’ A moça desabafou desesperada com a amiga ao telefone.

Alguns meses depois do nascimento das crianças, a jovem foi até a loja de fraldas BumBabyBum™ gastar seus cupons. No caminho de volta, carregando umas dez sacolas lotadas de pacotes de fralda, ela esbarrou novamente com a senhora que havia lido suas mãos. A velinha a parou e perguntou:

‘’Eu me lembro de você, minha jovem! E então, conseguiu o prêmio?’’

‘’Se eu consegui o prêmio? O que eu consegui foi esse cupom de fralda grátis que agora to tendo que gastar com oito, oito filhos!! –Ela enfatizava o ‘’oito’’- ‘’Se você é mesmo uma leitora de mãos tão fodona porque não previu que eu tava prenha, caralho?!’’

‘’M-Mas... Veja bem, minha querida, eu, er...Eu não faço previsões exatamente...Eu apenas leio o que está escrito em suas mãos, e estava escrito que você ganharia algo que precisaria, e não foi o que aconteceu?’’

‘’Então lê o que está escrito aqui’’ – Ela aproximava sua mão da senhora para que ela pudesse ler, mas antes mesmo que a leitora de tocasse suas mãos, a moça fez um sinal de dedo do meio. – ‘’Vai se foder, charlatona!’’- Ela saiu pisando firme e com cara de brava como quem acabara de ouvir um desaforo.

A senhora tentou aborda-la novamente:

‘’Espera! Eu consegui ver algo na sua mão agora! Você vai conseguir o que queria!’’ Ela gritava sendo ignorada pela moça, que continuava andando lhe dando as costas.

Um tempo depois, a mais nova mamãe da cidade começou a perceber que estava recebendo mais atenção do que gostaria, ou por algo que não imaginava que receberia. A cidade não parava de comentar sobre a mãe dos óctuplos, algo que era muito raro. E num dia qualquer, fazendo o almoço, ela recebeu uma ligação de sua amiga:

—Amiga... Você não vai acreditar, lembra aquele programa que você participou e ganhou o prêmio? Então, eu tenho um primo, que tem um conhecido lá da emissora e advinha: Os diretores do programa ficaram sabendo da sua história e estão loucos pra fazer uma reportagem com você! Eu disse que você era minha amiga e passei seu contato, eles devem te ligar depois!

— Amiga, não. Fala sério, eu vou lá pra que? Passar mais vergonha? Todo mundo vai ficar tipo ‘Olha a moça que ganhou fraldas de premio e depois apareceu gravida, que engraçado, que hilário, há- há- há’... Não, obrigada, tá?

—Ai, amiga nada a ver! Eles ficaram interessados na sua história, vai que eles te dão, sei lá... Uma casa, um carro...

A jovem mamãe se interessou, mas durona do jeito que gostava de bancar, ela escondeu seu interesse:

—Tá. Vou ver isso ai. Até depois, beijos.

Alguns dias depois, lá estava ela no estúdio do programa mais popular da TV local, exuberante e maquiada pela produção do show de um jeito que dava pra esconder perfeitamente as olheiras de noites maus dormidas. Seus bebês estavam com sua avó e tios. A avó empurrava quatro, dois em cada carrinho. E os tios da moça seguravam dois em um carrinho, cada um. Assistiam sua neta e sobrinha do auditório, concedendo uma entrevista sobre como era ser mãe de oito bebês na sua idade.

Com a plateia já comovida e envolvida na história da jovem e os comentários a respeito da ironia dela ter ganhado fraldas e depois ter aparecido gravida já feitos, o apresentador decidiu que já estava na hora de dar o prêmio para a mamãe.

‘’Tchã-Rãnnmm!!!’’ – Ele esticava as mãos em direção a um pequeno espaço no palco onde estavam imagens dos prêmios que ela iria receber: Uma casa (super espaçosa, ao contrario do seu apartamento minúsculo); um curso da matéria que ela desejava fazer- que na verdade já fazia, mas teve que parar pela gravidez, além dele ter sido pago, mas agora era de graça!(Inclusive ficou se perguntando como descobriram o que ela queria estudar. Provavelmente essa informação teria sido concedida pela sua amiga.); uma quantia de dez mil em dinheiro e em produtos para bebês e é claro... Um carro! O tão desejado carro.

Feliz com os prêmios e usufruindo deles, a mãe dos oito pequenos, foi novamente usar seu cupom de produtos grátis na BumBabyBum™ e no trajeto reencontrou a senhora leitora de palmas das mãos. Se aproximando da idosa a jovem a gritava:

‘’Ei! Tinha razão! Você tinha razão! Eu ganhei o que eu precisava! E ganhei o que eu queria. ’’

‘’Que bom, minha jovem.’’ – respondia a velinha com um sorriso.

‘’Essa era a lição? Tipo, ‘A gente só recebe o que precisa e não o que quer’, é isso?’’- Indagava a jovem.

‘’Não, minha querida. Nós recebemos o que queremos e precisamos, porém na hora certa e não na hora em que queremos’’- a velinha respondia com ar de serenidade.

‘’Ah...entendi...’’

‘’Mas não precisa encarar isso como uma lição, encare apenas como um acontecimento, algo que aconteceu assim porque tinha que ser assim.’’

‘’Tá...’’ – A garota retrucava com uma expressão meio desconfiada, de estranhamento mas ao mesmo tempo de ‘entendi’ –‘’Mas enfim, olha, obrigada, viu? E desculpa p...’’

—Ah, não a nada que se desculpar minha querida. Se quiser que eu leia sua mão novamente, apareça aqui, estou sempre nessa ruazinha.

A jovem agradeceu e foi seguindo seu caminho até que voltou até a senhorinha:

—Já que a senhora insistiu eu aceito mais uma leiturazinha sim. Quero saber quando eu vou arranjar um pai pros meus filhos.

—É isso que você quer?

—Ah eu queria, sabe? Um cara bem...Tipo...- Ela tentava encontrar palavras para descrever como gostaria que um possível namorado fosse.

—É o que você precisa?

Ela para refletir e responde:

— Não, acho que não. Sabe, eu to me virando bem, minha avó e meus tios estão me ajudando, minha amiga também... Não é que eu precise, eu só gostaria, mas enfim... Sabe, você me fez perceber que se for pra rolar, na hora certa rola, né isso?

—Você entendeu. – a velinha sorriu para ela como uma professora sorriria para um aluno que acabou que de compreender a matéria recém ensinada.

A jovem moça de despediu da idosa e seguiu seu caminho de volta para sua nova casa, onde iria criar seus oito filhos, que viriam a ser nada mais nada menos que...

Bem, isso já fica pra outra história, né.

—FIM.

Notas finais
Ajude a incentivar o escritor!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!