O Poeta da Lei
3 Cap. III
Serei breve; o meliante atingiu Otto em cheio, na cabeça... Sem sangue, gritaria, choro ou trocação de tiro. Pulemos esta parte. Equipes do resgate chegaram rapidamente e prestaram os primeiros socorros, mesmo que inúteis, pois o tiro havia sido letal, mas só estavam cumprindo com o seu dever, como todo bom profissional deve fazer. Tendo feito isto, acionaram o Rabecão (IML) e levaram o corpo. Seis funcionários do posto, incluindo um segurança noturno e a atendente do caixa da lojinha de conveniências foram levados como testemunhas para a 18ª DP para prestar depoimento. Não tive acesso a muitas informações do caso, mas parte de um depoimento dado por uma das testemunhas me foi primordial: ''... O policial deu um chute na porta que já tava aberta, era só ele empurrar e entrar. Ele estava assustado e gritou para o ladrão abaixar a arma, que era um três-oitão. (Taurus, Calibre 38) O ladrão ficou parado, tremendo, então o Policial ao invés de apontar uma arma, apontou um caderninho e uma caneta para ele, dai ele deu um tiro no Policial... Meu Deus... Foi horrível! O ladrão já ia sair correndo quando o André (segurança do posto) agarrou ele e tomou a arma.'' Toda a PMRJ comentava sobre o inusitado caso. Uns discutiam por que motivo Otto abordara o meliante, desarmado. Outros policiais idiotas faziam troça, outros, mais politicamente corretos, criticavam a displicência que era botar um único homem para fazer a ronda, e assim ia. O Delegado Falabela recebera em seu escritório os pertences do nosso triste poeta. Uma parte do pessoal da IML, e a outra do seu pessoal. Entre estes pertences, algo que lhe chamou muito a atenção foi uma pistola com a numeração raspada e uma folha de papel que trazia no topo a seguinte descrição: ''Devolução de arma irregular''. Achou aquilo muito estranho e resolveu ler o papel que contia as seguintes anotações:
Notas finais
T. O.
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