O Poema Dos Surdos

6 Estrofe II (Parte 2)


Notas iniciais
"Sabes sorrir Sabes chorar Sabes...É claro, Te expressar!" (Parte 2)

Acordei com uma grande dor de cabeça. Coloquei as mãos no rosto tentando controlar aquele sofrimento, mas era muito óbvio que isso não iria funcionar. Levantei e fui atrás de algum remédio que fizesse aquela dor ir embora, e quando eu estava procurando nas gavetas, eu me dei conta de que Matthew não estava do meu lado quando eu acordei.

Eu fiquei desesperado por poucos segundos antes de sair correndo pela minha minúscula casa à sua procura. O encontrei na sala, lendo um jornal. Ele me viu, sorriu, e me desejou “Bom dia” em língua de sinais, e por educação, eu respondi da mesma forma. Me viro e vejo que a mesa do café já estava toda posta, então fui tomar meu café, mas de olho naquela pequena criatura. Ele estava mais alegre que o convencional. O mais estranho é ele está alegre depois da noite anterior.

Tentei prestar atenção em seu rosto, e me deparo com bolsas vermelhas na parte debaixo dos olhos. Percebo que seu nariz também estava avermelhado, e que em sua mão direita ele segurava um lenço de papel. Mas independente do quanto ele tenha chorado, ele parecia realmente alegre. Queria esquecer de ontem para não formular muitas perguntas para ele, mas era inevitável. Quem era essa garotinha? Por que ele carregava o nome daquelas pessoas se eles não eram seus pais? E que história era aquela que ele estava para morrer? Já estava perdido em meus pensamentos até que eu senti suas mãos encostarem em meu ombro.

Como prometido, todo dia ele estava fazendo os mesmos sinais. A frase que eu iria desvendar assim que aprendesse a língua de sinais. Atualmente, eu só compreendia meu nome datilologado e o “obrigado” no fim. Toda vez que ele fazia isso, eu balançava a cabeça em negação e voltava para o que eu estava fazendo. Voltei para meu café, e em poucos segundos, ele me joga um papel para que eu leia.

“Você gostaria de saber da história completa?”

xXx

“Jogado em algum canto da cidade, a figura de longos cabelos loiros estava toda suja e extremamente magra. Acordou no fim da tarde, já esperando que sua fuga da realidade ainda estivesse ao seu lado. Colocando a mão nos dois bolsos que tinha, e não encontrando a pequena pedra branca que estava enrolada em um lenço de pano, Francis entrou em desespero.

Mesmo estando, absurdamente magro, ele correu para pegar um pouco mais da pedra que lhe trazia um pouco de prazer. Ele ficava passando a costa das mãos no nariz o tempo todo, demonstrando todo o vício que ainda tinha por ela. Ele correu tanto que chegou na porta de uma casa, relativamente grande, que dividia com os amigos. Ele quis abrir, mas estava trancada, e sem ter muita paciência, ele começou a gritar o nome de Arthur e Alfred para que abrissem a porta.

Depois de tanto gritar, Alfred abriu a porta, mas não o deixou passar. Francis viu que ao lado dele, tinha uma enorme mala. Ele não compreendia o que estava acontecendo, mas ele só queria ir para seu quarto e pegar um pouco mais da maldita pedra branca. Alfred se enfureceu e empurrou Francis para o chão.

— Seu viciado... Nunca mais volte aqui! – ele apenas pegou a mala e a jogou para fora – Peguei suas coisas e coloquei aí dentro. Espero nunca mais vê-lo. – Alfred se afastou e fechou a portar com muita força.

Francis começou a berrar e xingar Alfred e Arthur dos piores nomes possíveis. Mas ele precisava entrar, precisava pegar mais dela. Ele ficou batendo na portar por algum tempo até ouvir um assobio vindo da janela de cima. Era Arthur, segurando a caixa com suas pedras.

— Você não conseguirá mais disso aqui nessa casa.

— Me devolva isso, Arthur! Eu preciso!

— Você precisa ir embora e se tratar! Filha da puta viciado! – ele fechou a janela.

O grito do desespero foi incessante. Francis pegou aquela mala e saiu do lugar aos berros e palavrões. Jurando que iria conseguir suas pedras de volta.”

xXx

Eu vi uma folha de papel enorme nas mãos de Matthew, e algumas outras em sua pasta. Ele me entregou a folha, e no título dela se encontrava escrito “Como eu estou vivo...?”, e isso me despertou muita a atenção. Parei para ler aquela redação pessoal e a cada parágrafo, eu me emocionava mais e mais com o psicológico de Matthew. Retirei todas as minhas dúvidas lendo aquilo, e senti vontade de voltar ao cemitério e fazer minhas próprias homenagens.

Maddie era uma garotinha forte, e seus pais tão amáveis quanto ela. Olho para Matthew e percebo que ele está prestes a chorar. Escrever aquele texto de manhã cedo, lembrando de cada coisa que aconteceu com ele deve ter sido muito pesado. Logo em seguida, ele pega a sua pasta e retira umas fotos dela. Eram fotos de Maddie e seus pais, várias fotos. Algumas ele estava presente, mas eram poucas. Mas em nenhuma deles era possível ver uma foto de Matthew e Maddie juntos, e percebendo esse fato, eu me ponho a chorar.

Senti os braços de Matthew em volta de mim, tentando me acalmar. O cheiro que eu senti na noite anterior se fez mais presente. Era agradável, e de fato, eu me acalmei. Não queria mais que coisas ruins acontecessem com ele, e é por causa disso que eu deveria me controlar. Não quero machucá-lo por causa dos meus vícios, mas não sei quanto tempo eu aguentaria em abstinência.

“Eu não quero machucá-lo...”

Vejo agora, o quanto eu preciso aprender a me comunicar com ele. Preciso aprender, para falar tudo que está preso em minha mente. Somente escrever não está mais adiantando. Eu necessito estudar língua de sinais. E talvez, desse modo, eu acabe curando o meu problema também. Peguei outro pedaço de papel e comecei a escrever.

“Por favor, me ensine a língua de sinais.”

Matthew tinha ficado bem animado após ler aquilo, e saiu correndo para perto do sofá pegar alguns livros e apostilas. Acho que iriamos sair da parte histórica e aprenderíamos a prática a partir daquele momento. E foi nos pronomes que eu realmente comecei a aprender aquela nova língua. Eles eram complicados, mas eram interessantes de se aprender. Mas o mais interessante era ver o rosto de felicidade dele ao ensinar.

Notas finais
* Os pronomes pessoais na Língua de Sinais é uma coisa engraçada, afinal, eles não tem, como uma regra fixa, uma diferenciação para o "masculino e o feminino". Normalmente se aponta para uma pessoa para indicar o gênero. A diferenciação é só se não estiver uma pessoa do gênero que você quer indicar na conversa. Um exemplo: se existe um grupo de pessoas onde duas são mulheres e dois são homens, a pessoa surda vai apontar para a mulher se quiser indicar que é "ela" e vai apontar para o homem se quiser indicar que é "ele". O sinal dos pronomes pessoais é o ato de "apontar". Eu aponto para mim se estiver dizendo "eu". Eu aponto para mim (em meu ombro), e em seguida, para todos se estiver indicando "nós". E no caso do "nós", pode ter apenas uma pessoa falando comigo, mas eu faço o mesmo sinal se eu estiver falando de muita gente. Sinal dos "Pronomes Pessoais": https://www.youtube.com/watch?v=IxjNwa6lMrk ----- xXx ----- Peço perdão novamente por não ser tão informativo esse capítulo, mas eu digo a mesma coisa que antes: preciso desenvolver a história. Depois de postar esse capítulo, estou indo editar o vídeo que eu e minha amiga fizemos para a aula de Libras, e se estiver tudo certo depois, a professora vai permitir que postemos no YouTube~ E sobre a redação que o Matthew escreveu... tenham paciência :'D Eu não vou postá-la agora, mas ao menos, eu contei um pouco da história do Francis antes dele ser preso. E pra quem ainda não sacou qual é a droga que eu falei, eu vou responder: é o crack. Eu dei alguns sintomas delas durante a fic (falta de peso, falta de fome, agressividade...). E lá vai eu adicionar as tags da fic também. Aviso: Quem não se sentir a vontade lendo alguma coisa relacionada a drogas e tal, pode parar de ler se você se sente incomodado. Não se preocupe, não vou lhe culpar se seu desejo é parar de ler a fic. Cada um com seus gostos ~ Até o próximo capítulo~