O Poder das Estrelas - Interativa
1 Capítulo 1 (Piloto) - Terra e Mar
Notas iniciais
Uma realidade paralela à nossa, existe um mundo onde as coisas começaram a desandar “misteriosamente”. Algumas pessoas começaram a ganhar habilidades, sentidos, poderes sobrenaturais ou não, mágicos ou não, e isso começou a desestabilizar tudo e gerar novos tipos de pessoas, conceitos, culturas e afins.
Em uma ilha um pouco distante dos Estados Unidos, chamada Maquiavéla, alguns cientistas curiosos com a mudança repentina das coisas construíram um colossal centro de pesquisa genético. Não tinha nome. Não era registrado em lugar nenhum. Fugia de toda a nova burocracia. Um local abandonado da sociedade. Os gritos de dor e socorro não chegavam a lugar algum. Gritos de crianças, adultos, idosos e até animais. Cientistas sem um pingo de compaixão, fé e dó. Vilões usando a máscara da ciência usando o conhecimento como arma de fogo.
Entre todas as crianças, duas eram especiais. As duas estavam sendo torturadas para uma pesquisa de regeneração celular. Uma sala com várias mesas, com várias ferramentas. Quatro paredes com respingos de sangue. Janelas grandes atrás de cortinas negras.
Joanne: Pare! Pare com isso! Socorro!! Socorro!! Eu não estou aguentando mais!
Os cortes superficiais em suas costas e os médios choques em seu pescoço a faziam gritar de dor. Ao seu lado, segurando sua mão furtivamente, o menino tentava consolar a garota de oito anos.
Troye: Calma, Joanne. Calma. Vamos sair daqui um dia. Vamos nos vingar desse lugar e colocar essa merda abaixo. Tenha força. Vamos arranjar um jeito de sair daqui.
Quando era a vez de Troye, o cientista que estava trabalhando pegava mais pesado. Um grande bastão branco com uma esfera metálica cheia de spins subia e descia suas costas. Tentando mostrar força para encorajar a resistência de Joanne, Troye só deixava as lágrimas cair e alguns gemidos de dor eram soltos de maneira espontânea.
Os dois já estavam ofegantes. O cientista tirou suas luvas e se direcionou à uma sala que tinha uma janela de vidro fumê, onde conseguia enxergar as duas cobaias. Pegou o telefone, digitou um número absurdamente grande e começou a falar:
Estenio: Alô? É do escritório da chefe? ... Fala para ela retornar essa ligação? ... Ela está do lado? Tô esperando então... Oi, boa noite, patroa. Eu queria dizer que os testes com os indivíduos H-147 e M-179 foram realizados e eles não passaram. A hipótese é de que eles não possuem qualquer tipo de habilidade ou mutação, como a senhora gosta de dizer... Não, eu não tenho nenhuma utilidade para eles... Sim, sim. Descartá-los? Como a senhora preferir.
Mal sabia Estenio que, enquanto estava no telefone, Joanne tinha acabado de despertar a sua mutação.
Joanne: Eles vão matar a gente. Ela quer que eles nos descarte. – Joanne começou a derramar mais lágrimas que já estava derramando.
Troye: O-O quê? Como você sabe? Você está ouvindo isso? Consegue ouvir ele falando no telefone? Está muito longe daqui. – Troye olhava para trás para ver se Estenio estava vendo eles cochicharem.
Joanne: Eu não sei. Só consigo escutar. Vamos morrer. Ele desligou o telefone e está digitando outro número. – ela esperou um pouco para poder escutar a próxima conversa. – Ele está encomendando dois caixões. Não consigo ouvir mais nada. Estou quebrada demais. Escutei algo relacionado à mar e terra. Nada mais.
Joanne não aguentou as dores e caiu inconsciente no chão. Troye tentava se aproximar, mas as correntes grudadas nas paredes não o deixavam se aproximar. Estenio chegou ali.
Estenio: Ela já está morta? Que bom para ela. Vou ter que jogar vocês fora e não tenho mais nenhuma seringa daquelas. Você se importa de ser enterrado vivo?
Troye: Enterrado vivo? O que? Você é um monstro!! Eu vou me vingar de você! Vou destruir todos vocês!! Esse lugar vai cair!!
Estenio começou a rir e um soco na cara da criança indefesa foi o suficiente para adormecê-la.
***
Joanne estava sendo carregada por alguns cientistas. Estava em uma maca. Adormecida, mas eles achavam que ela estava morta. Sem dó e nem misericórdia, e sem averiguar se ela realmente estava sem vida, arremessaram ela no mar – de um penhasco de trinta metros de altura. Ela caiu entre as espumas das fortes ondas que batiam contra as paredes rochosas lá de baixo.
Estenio: Está feito. Uma já foi. O que vocês fizeram com aquele garoto?
Patrícia: Enterraram ele, como o senhor disse.
Estenio: Ele tentou resistir?
Patricia: Ele é uma criança. Nem precisou de sedativo.
O sorriso no rosto de Estenio ao ver Joanne afundando era explícito. Patricia olhava a reação do colega de trabalho e sentia um remorso, porém era seu ganha pão e ela já não podia fazer mais nada.
Patricia: Você não tem dó dessas crianças?
Estenio: É tudo em nome da ciência. O conhecimento que sair desse lugar, ainda sem nome, poderá salvar vidas. E talvez eliminar de vez essas aberrações da nossa sociedade.
Patricia: Eles não eram aberrações. Você mesmo disse que não passaram nos testes.
Estenio: Cuide do seu trabalho. Vá lá terminar de abrir seus macacos e cortar os rabinhos dos gatos. Só para isso que você presta. – Ele debochou do serviço dela e saiu, comandando todos a se retirarem. Patricia resolveu ficar. Sozinha.
Sentindo a força do vento que fazia aquele mar ficar irritado, Patricia se ajoelhou. Sozinha naquele lugar, minutos depois dos cientistas assassinos saírem dali, ela começou a sua oração.
Patricia: Jamais triste. Nunca louca. Nem má. Eu sou apenas uma trabalhadora que precisa de tudo isso. Desde quando descobri esse poder, eu fiquei em silêncio. Nunca contei para ninguém o poder das minhas palavras, mas eu imploro. Se houver tempo. Se houver chance. Salvem essas crianças. Faça com que a força do vento leve essas duas vidas para longe desse lugar de morte... Com o amor para com estrelas eu termino minha oração.
Relâmpagos e trovões responderam Patricia, que começou a chorar de felicidade. Ela saiu dali para ir trabalhar. O que ficou foi o milagre, as ondas e o vestígio do poder das estrelas.
Doze anos se passaram...

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