Engulo em seco. Não sei o que responder. Sem motivo algum, eu fico nervosa. Tenho uma vontade repentinamente instintiva de colocar a mão no mais profundo dos bolsos, para tocar e proteger a pedra. Obviamente, não o faço, por medo de que alguém pergunte o que estou fazendo.

O senhor de frente para mim é profundamente intimidador. Minha garganta e boca estão secas, e minha mente está bloqueada para poder pensar em qualquer coisa.

Abro a boca, mas de lá sai apenas um som sem sentido. Marcos me olha por um breve instante, mas sua atenção logo se volta para o senhor. “Olá, Guepard”, diz ele. “Estávamos justamente indo chamá-lo. Esta é...”, ele não termina a frase.

“Kiria, eu sei. E sei também que vocês precisam de um lugar para descansar até Smok. Tudo bem, podem entrar”, diz Guepard.

Os dois se movem em direção à grande porta de ébano com detalhes grandiosos em dourado, mas o olhar de Guepard não se desvia de mim. Com essa pressão sobre mim, começo a segui-los, sem ao menos saber como estou tirando energia e coragem para me mover.

O lado de dentro da mansão é o que mais se parece com a minha ideia de palácio. Por dentro parece maior do que por fora. O chão, que parece não ter fim, é de um mármore profundamente negro. Paredes bastante altas, de um creme que parece perolado. Janelas grandes, com cortinas imensas, de um veludo vermelho e macio. Móveis detalhados, cheios de curvas e símbolos, espalhados pelos cantos, nada fora do lugar.

“Você ficou a madrugada toda nos esperando?”, pergunta Marcos. “Quando percebeu que nós viríamos?”.

“Faz mais ou menos duas horas desde que tive a visão de que vocês estavam vindo. Eu estava preparando meu chá, quando a imagem de vocês caminhando apareceu de repente no meio de minha cozinha. Não fique surpresa”, acrescenta Guepard, ao olhar para mim. “Isso acontece quase o tempo todo. Tem sempre alguém precisando de ajuda”.

Apesar de Marcos ter dito que Guepard é “uma graça”, não é o que me parece. Ele, assim como esse lugar, aparenta transmitir um certo ar intimidador. Como se eu tivesse que provar que valia a pena ser o alvo de seu olhar, que eu merecia ao menos colocar os pés em seu território. Não que eu realmente me sinta merecedora disso, mas essa sensação me causa arrepios, e então me atrevo a admitir, mesmo que não em voz alta: estou sim com um pouco de medo.

“É claro que eu adoraria conversar com meus caros visitantes agora mesmo, como dizem por aí, ‘colocar o papo em dia’”, ele continua, “mas bem sei que os dois devem estar extremamente exaustos pela caminhada. Bons tempos estão por vir, e eu não seria um bom anfitrião se os deixassem aí, quando precisam tanto descansar... E, me desculpem, mas claramente precisam de um banho. Minha filha, Doralice, vai arranjar acomodações para vocês. Mas onde está ela...” ele se vira, procurando. “Ah, sim, aqui está ela”.

A garota, Doralice, sai das sombras de uma entrada ao longe, como se tivesse se materializado no meio delas, e vem andando calmamente. Seu cabelo é escuro e está preso em uma trança grossa, que cai sobre o ombro direito e vai até a cintura, com fios prateados enrolados. Usa um vestido lilás, bem claro, que é esvoaçante, caindo até o chão. Andando, ela bem poderia se misturar com o vento. Sua pele é muito clara, de um rosa bastante pálido. Seu rosto, assim como seu andar, é extremamente calmo, mas... Estou enganada ou vejo um ligeiro traço de tristeza?

“Doralice, eu gostaria que você...”, começa o senhor, mas Doralice o interrompe.

“Eu sei, eu sei, pai. Eu ouvi o senhor dizendo da primeira vez”. Sua cabeça está baixa, e a voz sai com um tom beirando o tédio. “Por favor, sigam-me”. E assim fazemos.

Enquanto Guepard permanece parado no meio do salão de entrada, Marcos, Doralice e eu seguimos para uma escada em uma espiral larga em direção ao segundo andar, no canto direito.

“Espero que vocês dois não se importem, mas terão que dividir um quarto. Eu sei que a casa de meu pai é enorme, e tem muitos quartos, mas infelizmente meu pai irá receber muitas pessoas amanhã, e estão todos ocupados com malas e outros objetos”, diz ela, olhando rapidamente para nós enquanto caminha.

“Eu não me importo. Com certeza absoluta, não me importo”, diz Marcos, olhando maliciosamente para mim. Então me lembro de que, não faz muito tempo, ele insistiu que eu não sou uma garota.

“Não se preocupem, há um quarto com camas separadas. E vocês terão onde depositar essas suas... Coisas”, ela completa, olhando para a espada que Marcos está carregando. Estranho Guepard não notar, ou ao menos não falar nada sobre isso.

O sangue que cobre a lâmina da espada – sangue de Melina, não consigo esquecer – está quase seco, formando uma extensa casca escura. Não consigo olhar para ela sem sentir vontade de vomitar, mas também não consigo não olhar, então me controlo. Mas a vontade permanece, e a morte que a espada carrega continua a preencher minha visão em flashes, de tempos em tempos.

Estamos então no segundo andar, e eu digo: “Você fala da casa como se também não fosse sua. Por quê? Você não mora aqui?”.

Doralice para de repente, e quase esbarro nela. Ela se vira, e vejo desespero em seus grandes olhos violetas. E então sussurra: “Eu não aguento mais ficar aqui. Não aguento, não consigo suportar mais... É Doralice isso, é Doralice aquilo... Mas não é exatamente por isso, pois não me importo em servir as pessoas, não mesmo... Até gosto de me sentir útil... Mas meu pai... Por favor, eu imploro: tirem-me daqui. Tirem-me, e então farei o que vocês quiserem, sem reclamar. Mas me levem daqui...”.

Marcos e eu nos entreolhamos. Vejo que ele também não faz a menor ideia sobre o que fazer. E claro que me surpreendo por conseguir ler tão facilmente o olhar de uma pessoa que mal conheço.

“Mas por que você quer sair daqui? Qual é o problema? Da última vez que vim aqui você parecia estar bem...”, diz Marcos.

“Você não faz ideia, você não faz a menor ideia do que acontece aqui. E, por favor, fale baixo”.

“O que há de errado, então?”, pergunto. “O que há de tão errado com seu pai?”.

Ela me olha. “Não posso, não posso dizer. Se eu falar alguma coisa, ele me mata. Mas, por favor...”.

“Seu pai, Guepard, não vai se importar se levarmos você?”, pergunta Marcos, calmo.

“Ele com certeza vai arranjar algo ou alguém para me substituir. Posso ser filha dele e minha função poder ser a de servir as pessoas, mas ainda sim sou um espírito livre, e os tempos estão mudando... Não há como ele me impedir, sendo ele mago ou não. Mas não diga seu nome em voz alta”.

Caminhamos até o fim do corredor, e Doralice abre uma porta. Atravessamos a passagem e entramos em um quarto. Duas camas, como ela disse, cada uma encostada em um extremo do quarto, uma cômoda e um armário. Marcos coloca minha mala ao lado de uma das camas e a espada em cima da cômoda.

“Como assim você é um espírito?”, pergunto.

Doralice abaixa a cabeça. “Sou uma ninfa. Crio coisas, controlo coisas. Sou livre, mas gosto de servir aos outros. Não é tão incomum uma ninfa ser filha de um mago, pelo menos não por essas terras. Vocês vão me ajudar, não vão?”.

“É claro. E eu sou de negar ajuda a pessoas legais?”, Marcos cruza o quarto e abraça Doralice com apenas um braço. Ela abre um sorriso tímido. “Não é o seu caso, Kiria. Você não parece ser uma pessoa legal”.

Obviamente, ignoro o comentário.

“Estou... Surpresa. Ninfas existem, então”, eu digo, por estar mesmo surpresa. Melina sempre disse que esse tipo de coisa era só imaginação dos outros, era só mito.

“Você ainda tem muita coisa para ver”, diz Marcos. “Seja benvinda a Encantriz, um reino fora do mapa e fora do tempo”.

“Vou preparar o banho de vocês. Por favor, descansem enquanto isso”, anuncia Doralice, e depois sai.

Viro-me para Marcos. “Como assim ‘fora do mapa e fora do tempo’?”, pergunto.

“Pessoas comuns não conseguem nos ver, nem de seus incríveis satélites ultramodernos, mesmo que nossa ilha seja mais ou menos do tamanho da Austrália, bem no meio do Pacífico. Mas é bom ser invisível com o poder que temos aqui. É capaz de o mundo inteiro querer nos destruir para conseguir o que temos se eles soubessem”.

“Mas o que faz com que o mundo não veja?”.

“Uma magia profundamente antiga, feita por povos mais antigos ainda, que percorre cada quilometro do reino desde que o primeiro humano pousou os olhos nessa maravilha que é meu país”. Marcos coloca as mãos sobre o peito, profundamente orgulhoso. “E estamos fora do tempo por que... Bem, não exatamente fora do tempo. Seguimos a ordem cronológica dos anos do resto do planeta naturalmente, mas enquanto todos estão com seus celulares e computadores da última tecnologia, a outra parte daqui pode muito bem se vestir e agir como se ainda estivéssemos na Era Medieval”.

Não insisto muito nesse assunto, mesmo ainda não entendendo direito e achando esquisito. Quer dizer, uma coisa é você não ter acesso à atualização do mundo, por não ter condições – e me encaixo nessa categoria, por questões um pouco óbvias. Isso também não quer dizer que eu não recebia notícias e via com os meus próprios olhos até que ponto a capacidade criativa do mundo tinha chegado.

Mas ainda assim, escolher por vontade própria um estilo de vida fingindo que isso ainda está há anos luz da capacidade humana? Não sei, não sei, estranhíssimo.

Lembro que a minha casa, há muito tempo atrás, também não era tão avançada. Mas meus pais não eram tão ignorantes quanto a isso, acho. Eles apenas preferiam não exagerar, não ficar presos a esse mundo em constante mudança, que impedia as pessoas de se concentrar nas coisas boas e reais da vida. Quando uma vez perguntei à minha mãe por que eles pensavam assim, ela disse: “Vemos essas pessoas por aí usando essas modernidades, e de tanto ficarem vidradas nessa novidade ou outra, esquecem e não aprendem sobre o contato físico. Sobre o que é verdadeiro. Quando algo, que não é de sua época, é colocado de frente a eles, eles ignoram, julgam aquilo por obsoleto, por inútil. Preferem o irreal. Não é que não admiramos essas tecnologias inovadoras, Kiria. Mas precisamos do passado, do passado real, para saber viver o presente”. E concordo. Claro que concordo.

Mudo de assunto. Abaixo a voz e pergunto: “Marcos, o que você acha que está acontecendo?”.

Ele está sentado na cama, e ergue o olhar para mim, pensativo. “Realmente não sei. Não dá para confiar totalmente em magos, principalmente os sábios. E falar que eles fazem coisas estranhas não é lá uma novidade, concorda?”.

Magos. Eu tinha deixado isso passar. Ninfas e magos. O que mais deve haver aqui?

A pergunta de Marcos não é do tipo que precisa de resposta, então fico em silêncio, encarando a porta. Eu estou cansada, e quero muito me sentar, me apoiar em algo. Mas permaneço em pé, com medo de que, se eu fizer isso, não me movo mais.

Depois de um breve tempo, Doralice retorna. Ela reaparece na entrada do quarto, e olhamos para ela. “O seu banho está pronto, Marcos. É na segunda porta, à esquerda”.

“Obrigado, Lis. Já disse como você está gata hoje?”, Marcos passa por mim e abraça Doralice com um braço, plantando um beijo no alto de sua cabeça. Ela revira os olhos e o afasta. Ele sai dando risada.

“Eu já prepararei o seu banho, senhorita...”, ela se interrompe, confusa.

“Kiria. E não precisa me chamar de senhorita”. Tento dispensar o excesso de educação ao qual não estou acostumada e nem me sinto bem com isso com um gesto de minhas mãos, mas ela balança a cabeça.

“Insisto. Os tempos estão mudando, e o respeito com as pessoas é necessário”.

“Não entendo... Como assim os tempos estão mudando? O que vai acontecer?”.

“Dizem por aí, e é possível sentir, que o poder da antiga rainha irá se libertar, e então tudo voltará ao seu lugar”.

“Que rainha?”.

“Drinaia, do sangue do dragão. Ela reinou por essas terras há milhares e milhares de anos atrás, e ela voltará. Mas não é hora de falar disso”. Ela respira fundo e olha para a minha mala, que ainda está no chão. “Eu posso lavar suas roupas, senhorita?”.

“Mas elas estão rasgadas e velhas... Eu não me importo de deixá-las assim. Você não precisa se incomodar com isso, de jeito nenhum”.

“Não é incômodo nenhum, senhorita. Deixe que eu lavo, e conserto se quiser. Mas posso fazer roupas novas também. É tudo com mágica, não se preocupe. Eu até te daria algumas roupas minhas, mas eu sou baixinha...”, e comparada à mim, era mesmo. Não com muita diferença, e o problema também não seria se a roupa cabe ou não, pois sou muito, muito magra. Mas realmente não me imagino ficando ao menos apresentável com as roupas dela. Ficaria estranho,errado, se fosse em mim. Ela é muito linda, de um jeito que eu nunca seria. “Imagino que vocês dois devem estar extremamente exaustos, e dormiriam o dia inteiro, então dá tempo para as suas roupas ficarem prontas a tempo. Por favor, deixe-me fazer isso. Eu gostaria muito”.

Seus grandes olhos violetas se enchem de uma verdadeira esperança, e não me vejo em condição de negar. “Tudo bem. Mas eu realmente não quero te dar trabalho... E nem sei como eu poderia agradecer”.

“Oh, não precisa agradecer, e você não me dará trabalho algum. Você é uma boa pessoa, sinto isso. E vocês me tirarão daqui, e então serei eu que não saberei como agradecer. Mas, venha, o seu banho está pronto... Só preciso ajustar a temperatura. Dê-me seu pulso”.

Estendo o braço direito, e ela pega minha mão, subindo um pouco as mangas. Tocando a pele de meu pulso, algo estranho acontece...

Seus olhos, assim como sua pele, ficam totalmente brancos, como se ela fosse um fantasma. Seu cabelo fica ainda mais escuro do que o possível. Ela não tem nenhuma expressão no rosto.

Cubro a boca com minha mão disponível, para não gritar de medo.

A cor de Doralice volta ao corpo, e ela olha para mim. “O que foi?”.

“Você... Você ficou...”, gaguejo, achando impossível terminar a frase.

“Completamente branca? Não fique com medo. Isso acontece às vezes. Eu estava apenas marcando na memória a temperatura que a senhorita consegue suportar, que é confortável para você. Está frio, mas a temperatura tem seus limites. Venha”, ela sai do quarto, e, hesitante, eu a sigo. Andamos pelo corredor e passamos por uma porta em que, eu juro, escuto Marcos cantando. Mas não presto muita atenção nisso. Está frio, sim, e ao me lembrar disso um arrepio percorre meus braços. Pergunto-me se ela também não sente o ar gelado, estando de vestido. Mas não digo nada.

Entramos por uma porta no fim do corredor. As paredes são brancas com algumas linhas circulares em azul claro e escuro. Mais símbolos. Uma enorme banheira está posicionada no canto da esquerda, cheia de água. Um espelho no canto da direita. Olho para o reflexo e me assusto. Faz muito tempo que eu olhei meu reflexo exato pela última vez. Quase não me reconheço.

Meus olhos castanhos e ligeiramente puxados parecem não ver uma cena verdadeiramente feliz há séculos. Sei que os herdei de minha mãe, mas não me pareço com o rosto que consigo raramente lembrar. O cabelo, castanho e ondulado, cai pelo meu ombro, sujo. Minhas roupas estão muito velhas, gastas. Pouco se diferem de trapos. Meu rosto, fino e um pouco arredondado, assim como minhas mãos, está sujo, e me sinto envergonhada. Por baixo de camadas e camadas de roupas, sei que não possuo curva alguma. Sou apenas pele e osso. Vejo o quanto cresci. Encolho-me e paro de olhar meu estranho reflexo.

Doralice está olhando para mim. “Eu sei que ninguém notou, eu sinto isso. Mas estamos sozinhas agora, e ninguém pode nos escutar, se o que a senhorita quer é guardar segredo. Vejo que há um volume em seu bolso. Posso me atrever a perguntar o que é?”.

Sinto meu coração vacilar pela segunda vez em menos de uma hora, e, novamente, não consigo formular uma resposta na hora. Hesito, tentando pensar e repensar minhas palavras, para não saírem de ordem. Não tenho nada a esconder que seja tão sério, não mesmo. Quer dizer, pelo menos penso que não.

“Não é... Não é nada demais”, consigo dizer.

“Posso ver?”, sua voz é totalmente inocente, como uma criança curiosa.

“Não”. Minha resposta sai mais rápida e arrogante do que pretendia. E não pretendia parecer arrogante. Doralice parece recuar, e cubro minha boca com a mão, envergonhada. “Desculpe”, eu digo, “mas é pessoal”. E é, não minto.

Ela acena com a cabeça. “Tudo bem. Desculpe-me por minha curiosidade. Não costumo ser assim”.

“Ninguém se desculpa por ser curioso. Não precisa se desculpar”.

Novamente, Doralice assente em concordância, e caminha em direção à banheira. Mergulha a mão na água, e faz aquela coisa estranha de novo: fica completamente branca. Depois de passados alguns segundos, ela se ergue. “A temperatura da água está ajustada de acordo com o que sua pele parece preferir. Shampoo, sabonete e toalha estão ali naquele armário, no canto. Vou buscar uma roupa para a senhorita, e levar as suas para lavar. Sinta-se à vontade, por favor”.

“Obrigada”. Ela caminha até a porta. “Doralice”, eu a chamo, e ela se vira. “Você disse algo sobre a rainha Drinaia, sobre ela voltar... Eu acho que já ouvi sobre ela. Se estou certa, é sobre ela, Klaus e...”.

“... e Turah, sim, é essa mesmo”, ela completa. “Ela com sangue de dragão, Klaus com sangue de tigre e Turah, de cobra. Surpreende-me saber que você conhece essa história. É sobre esse reino, fato de muitos anos atrás, e ninguém a conta nos Continentes Comuns – ou o resto do mundo, chame como quiser”. Doralice me olha curiosa.

“Conheço bem pouco, creio eu, mas achei que fosse apenas uma história de contos de fadas, ou algo assim. Melina contou-me sobre ela... Melina cuidava de mim”.

“Não é conto de fadas, é real, assim como minha... espécie. Se essa tal Melina conhece essa história, é provável que tenha nascido aqui, ou que tenha passado por aqui e conhecido nosso povo. Há mais chances de ser a primeira opção, já que, por não ser conhecida, poucas pessoas sabem sobre essa grande e acolhedora pátria”.

“Eu... Eu queria saber mais sobre Drinaia. Realmente me interesso muito pela história, e ela é tão bonita...”, eu digo, mas Doralice balança a cabeça.

“Drinaia era linda, há muitos quadros que retratam seu rosto. Klaus era realmente um amor de pessoa, muito bom para o reino. Turah nem sempre foi mal, é preciso saber isso. Mas a história só parece realmente bonita se você a vê de longe. Foram tempos difíceis para todos, e você pode perguntar para os sábios mais velhos que meu pai, que por si só já é de outra Era, e não minto. Senhorita Kiria, o amor conserta e o amor arrasa. E quando o amor arrasa com as pessoas, não há como consertar, se o verdadeiro mal foi plantado. E nem todos são bons o tempo todo, não é mesmo?”. Ela para, respirando fundo. “Se quer conhecer a verdade, precisa procurar além da história falada. Smok contém as respostas”. E então sai, deixando-me sozinha.

Notas finais
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