O Poder De Uma Lenda

17 Capítulo 17 - Amor verdadeiro


Notas iniciais
Bom dia gente bonita! Capítulo enorme já vou avisando, mais bem legal!

ANGÉLICA



Corri para meu quarto aos prantos. Por que ele tinha gritado comigo daquele jeito? Então era assim que os lobos tratavam os vampiros? Como sanguessugas! E que sentimento foi aquele que tomou todo o meu corpo de tal maneira que eu nem me importei em me aproximar? Eu estava louca? E se ele tentasse me matar? Ozires me preveniu para ficar sempre afastada dele mais aquele cheiro, aqueles olhos, mesmo com um enorme sofrimento me encantaram profundamente.

Comecei a sentir raiva dele, quem ele pensa que é? Eu não sou uma vampira, pelo menos não completamente. Eu sabia que no momento que me mandaram pra cá que eu teria problemas, mais já que estava aqui faria tudo direito.

Passei o resto da tarde trancada no meu quarto e quando a noite chegou não quis sair para comer. Tomei um banho rapidamente e me deitei. E o olhar furioso dele não saía da minha cabeça. Ao mesmo tempo em que eu estava furiosa eu estava curiosa. Eu sabia o por que dele estar aqui, e sinceramente senti pena no começo, mais agora depois que o conheci eu não sentia mais nada, só raiva.

Demorei a pegar no sono e quando aconteceu fui envolvida em um sonho perturbador. Eu andava por uma praia, um lugar que eu só conhecia pelos livros e revistas que eu lia. Sentia a agua do mar molhando meus pés e a brisa do mar inebriar meu rosto. Então ao longe vi um lobo gigante correr em minha direção. Eu tentei correr mais amarras surgiram na agua do mar e me mantiveram presa. Eu gritava por socorro mais não via ninguém. Quanto mais perto o lobo chegava mais eu ficava desesperado. Abracei meu corpo e fechei os olhos quando senti que ele ia me matar. Então o lobo parou a corrida e calmamente se aproximou de mim, senti seu focinho quente cheirando meu cabelo.

– Por favor não me mate! Eu implorei.

Então o lobo falou comigo.

– Como poderia matar aquela que me salvou, aquela que eu amo!

Obriguei meus olhos a se abrirem e o estranho do jardim estava lá de pé no lugar do lobo. Ele sorriu lindamente e beijou meu rosto. Meu corpo ferveu só com aquele simples toque.

– Obrigado por me salvar! Ele disse antes que eu acordasse suada e aflita.

Olhei para o relógio na parede e ainda eram cinco da manhã, eu não tinha dormido nada e sabia que não dormiria mais então levantei e comecei a caminhar pelos corredores da casa. Tudo era muito luxuoso mais muito sombrio. Aquilo nunca seria um lar como nos contos infantis que eu lia. Um lar era afetuoso, caloroso, amoroso com parentes felizes entrando e saindo dele, com risadas enchendo cada canto de vida e felicidade. Eu nunca tive isso.

Continuei a caminhar e no final do corredor ouvi um rosnado baixo. Meu coração acelerou, mais minha sempre curiosidade me fez continuar até a porta de onde o som saía. Novamente ouvi o rosnado mais agora ele se seguiu de um sussurro de dor. Queria abrir a porta e saber o que tinha lá dentro, mais fiquei com medo de ser repreendida.

Encostei minha mão na porta e ela abriu, não estava trancada. Novamente aquele cheiro inebriante me dominou, e fiquei paralisada com a visão que se seguiu. Ele estava dormindo nu, deitado, encolhido como um bebê, e falava em meio ao seu choro.

– Pai, me ajuda pai! Ele parecia uma criança assustada.

Senti minhas pernas se moverem para perto dele e quando percebi já estava na beirada da cama chorando com ele. Por que eu me sentia assim? Por que a dor dele me machucava tanto?

Ele novamente uivou e começou a falar. – Liz me perdoa, por favor! Seth eu não sabia, me perdoa!

Ele chorava cada vez mais. Minha vontade era de abraça-lo, consola-lo, dizer que o... meu Deus eu ia pensar isso mesmo? Eu o amava?

Me movi rapidamente e ele se mexeu. Sai correndo do quarto e a porta bateu, pude ouvir pela parede ele acordando assustado perguntando quem estava ali.

Voltei para o meu quarto e meus pensamentos estavam naquele estranho que de alguma maneira louca, eu já amava.

Quando o sol nasceu eu já estava na cozinha tomando meu café, uma vampira loura com os olhos vermelhos de sangue se aproximou.

– Venha vou dizer o que você tem que fazer.

– Bom dia! Tentei ser educada.

Ela me olhou com desprezo. Todos sempre me olhavam assim. Uma meia vampira que não tem poderes nenhum e que só está viva por que foi prometida para o mestre. Era isso que eu via sempre no olhar deles. Me apavorava pensar que um dia eu teria que me entregar aquele vampiro nojento!

A loira me guiou ate a floresta atrás da casa.

– Você vai trazer o mestiço pra cá e assim que Ozires aparecer...

– Meu irmão vem pra cá?

Antes que eu pudesse piscar ela me esbofeteou.

– Nunca mais me interrompa!

Senti meu corpo ferver de raiva, mais eu era só a escrava, o que mais eu podia fazer? Engoli minhas lagrimas que teimavam em sair e abaixei a cabeça.

– Melhor assim, ela disse.

– Quando seu irmão aparecer você volta pra casa, duas horas depois você voltará para a floresta e trará ele de volta. Quando for a tarde você o buscará no quarto e o vigiará até ao anoitecer, quando eu levarei o jantar dele no quarto e você estará dispensada. Entendeu?

– Sim senhora.

O vendo dela correndo para a casa passou por mim e me permitir chorar. Até quando eu teria essa vida? Por que não me matavam logo?

Fiquei mais algum tempo ali mais tinha que voltar para começar minha nova rotina. Voltei para o quarto e me troquei, de alguma maneira eu queria estar apresentável pra ele. Sai do meu quarto e vi quando a loira vez sinal para que eu entrasse no dele. Meu coração acelerou e ela sorriu.

– ele não vai te matar mestiça, seu irmão o mantêm sob controle! Ainda bem que a idiota não podia ler minha mente, se não ela saberia o por que do meu coração acelerar tanto. Antes mesmo de eu abrir a porta seu cheiro maravilhoso já me acendia. Entrei e ele estava de costa pra mim.

– Vamos? Ele se virou e sorriu.



WILLIAM



Sonhei com meu pai a noite passada, ele corria, gritava por mim mais parecia que uma venda o impedia de me ver. Via minha mãe e minha irmã abraçadas e chorando. Pedia perdão mais elas não respondiam. Chorei, gritei mais nada. Vi Seth se aproximar e leva-las pra longe.

– Seth me perdoa, eu não sabia!

Mais ele também me ignorava. Meu lobo uivava de dor e senti como se ele saísse do meu corpo. De repente o pesadelo foi ficando aconchegante, caloroso e uma sensação de paz me invadiu. Senti aquele cheiro delicioso novamente e ela apareceu sorrindo pra mim. Eu ia gritar mais minha voz não saiu. Ela se aproximou e tocou meu rosto. Minha cabeça me mandava fugir, mais meu coração pulou de alegria com aquele toque.

– Tudo ficará bem meu amor! Tenha força, logo sua agonia vai acabar!

Por um momento me deixei levar pela esperança, mais ela sumiu rapidamente e eu despertei com um baque na porta do quarto.

Levantei assustado e o cheiro dela continuava no ar. Ela só pode estar tentando me manipular, esse deve ser o dom dela. Sanguessuga nojenta! Meu lobo era mesmo um idiota por se deixar envolver novamente pela mesma ilusão, mais eu não permitiria.

Me levantei e me vesti, eu não queria que a nº 1 me visse nu. Religiosamente as oito horas ela entrou trazendo o café, como de costumo deixou sobre a mesa e saiu. Não sabia se a nova nº 2 me seria apresentado hoje e se eu voltaria ater aquelas ausências. Eu odiava aquilo! Eu sabia que lutava com alguém, minhas marcas era visíveis, mais por que? E com quem? Era o que queria saber.

Quando terminei de tomar meu café fui em direção a janela perdido em meus questionamentos. Ouvi a porta se abrir e olhei para o relógio na parede, nove e meia. Novamente o cheiro dela me invadiu e quando pensei que não podia ficar pior, ouvi sua voz.

– Vamos! Ela disse tão lindamente que meu corpo tremeu. Involuntariamente eu sorri, nunca nesses três anos a nº 1 e a nº2 me dirigiram a palavra.

Parei assustado por que pela primeira vez ouvi seu coração bater, ela não era uma vampira, era hibrida como minha mãe. E aqueles olhos, aquele corpo, nossa como ela era linda! Sei olhar meigo e assustado misturados a sua pele clara e seus lindos cabelos negros acentuavam ainda mais suas lindas expressões.

Não! Gritei interiormente, não posso deixar ela me vencer, isso é outra ilusão!

Tentei controlar o fogo que percorria meu corpo e caminhei em sua direção. Percebi quando seu corpo tremeu. Ela realmente queria me enganar, mais eu seria mais esperto, fingiria que estava novamente apaixonado e quando tivesse uma chance a mataria!

Meu peito doeu com meu plano e mandei meu lobo calar a boca.

Continuei me aproximando e sorri como a muito tempo não fazia, sorri como eu fazia na época e que conquistar garotas era minha única preocupação.

– Olá eu sou William! Ela não me respondeu.

– Me desculpe, mais pensei que você falaria comigo, já que me chamou! Ela parecia tentada a responder.

– Estou aqui a três anos e nunca nenhuma das sangue...

Ela me encarou com raiva.

– Desculpe, ninguém nunca falou comigo. Você agora é que vai me levar para a floresta? Ela simplesmente assentiu. Sorri e fomos caminhando ate o quintal.

Ela parecia nervosa e me deixei envolver rapidamente pelo martelar do seu coração, era um som impressionante, excitante até. A muito tempo que o desejo não existia em mim, mais agora ele voltará com força total.

Chegamos até a floresta e meu corpo tremeu em antecipação ao que viria, olhei para ela e tudo se apagou.



ANGÊLICA



Por que ele tinha que ser tão lindo!? E por que sua voz tinha que me excitar tanto! Eu nunca desejei um homem e as sensações que aquele transmorfo estava me causando me deixavam louca!

William era o nome dele. Quando sua voz entrou em meus ouvidos pensei que fosse desmaiar, meu coração parecia estar tendo um ataque.

Fiquei com um pouco de raiva quando ele começou a me chamar de sanguessuga. Ele viu minha cara feia e se desculpou antes de terminar de falar. Ele não parecia mais o homem insano que me insultou no dia anterior. Era calmo tranquilo e ate doce. Então ao chegarmos na floresta seu corpo desfaleceu. Corri para acudi-lo então senti o cheiro de Ozires se aproximando.

– Irmão algo aconteceu a ele! Eu tentava me controlar mais estava apavorada.

– ele está em transe mostrinha! Ele se aproximou e beijou o alto da minha cabeça.

– como assim, em transe?

– se afaste e você verá.

Deixei William caído na floresta e fiquei atrás de Ozires me protegendo.

– Levanta lobo! Meu irmão gritou e o corpo do William começou a convulsionar, como se estivesse lutando. Ele se levantou e explodiu em um lobo branco gigantesco.

Apertei meu irmão com força e ele sorriu tranquilizador.

– Ele não pode me ferir, se o fizer ele morre.

Eu estava perplexa. Os olhos do lobo estavam tão brancos quanto o seu pelo. Ele obedecia meu irmão como um cachorrinho. Então do nada dois vampiros apareceram e começaram a ataca-lo.

– Não, vocês vão mata-lo! Gritei e novamente meu irmão sorriu.

– Veja! Lobo ataque!

Um único comando fez com que ele atacasse os vampiros e os desmembrasse rapidamente. Eu continuava parada e apavorada. Então a brisa mudou de rumo e soprou meu cheiro em direção a ele. O lobo uivou em desespero e correu em minha direção. Meu irmão saltou me levanto com ele no momento em que o lobo ia ataca-lo. Me senti sento colocada no chão e no segundo seguinte o lobo se retorcia em dor com o toque de meu irmão.

– Animal imundo! Você ia me atacar? Ia ?

O lobo gemia de dor. Era doloroso vê-lo sofrer assim.

– Por favor irmão, pare! Você vai machuca-lo!

– Cale a boca Angélica! Pare com essa mania de sentir pena de tudo! Parece ate humana! Esse mestiço nojento ia matar você entendeu! A cada grito dele o lobo gritava também.

– Tudo bem, Ozires eu estou bem agora, pare, por mim, pare!

Depois de mais alguns segundos de agonia o lobo se acalmou e dormiu.

– Leve-o para casa, sua força conseguira carrega-lo. E não esqueça fique longe dele!

– tudo bem.

Meu irmão já havia partido e eu corri para cuidar do lobo. Não demorou para seu corpo começar a voltar a forma humana e o carreguei para casa. Ele não pesava pra mim, mais era um pouco constrangedor carregar um homem nu nas minhas costas.

Subi para o quarto dele e o coloquei na cama. Ele tinha marcas de arranhões e sua costela parecia quebrada. Desci para encontrar algo para cuidar dele e quando voltei suas feridas estavam curadas.Então por isso que ele era tão importante para o mestre! Ele além de incrivelmente forte se curava rapidamente. O soldado perfeito!

Ele começou a se mexer e sai do quarto. A loira estava parada na porta esperando por mim.

– Tudo certo?

– sim senhora.

– Ótimo, desça e espere até que ele almoce, depois você o levará para o quintal e ficará com ele ate o anoitecer. Tremi novamente e ela como sempre sorriu.

– Você o viu?

– Sim.

– É incrível como um bicho que fede tanto possa ser tão forte. Não respondi nada.

– E como sua forma humana é bela! Vi a luxuria gritar em seus olhos e subitamente me senti enciumada.

– Vá, espere até que eu te chame.

Três horas depois eu estava na cozinha tentando absorver tudo o que eu tinha visto. Ele era lindo até na forma de lobo, e aquele sorriso!

Fechei meus olhos com força lembrando do calor que emanava dele mesmo adormecido em minhas costas. Ouvi meu nome sendo chamado e voltei ao andar de cima.

– Leve-o para o quintal, e não saía de perto dele.

– Sim senhora.

Bati na porta e me arrependi na mesma hora. Ele era um prisioneiro não um convidado, com certeza ninguém pedia permissão para entrar ali. Entrei e seu sorriso me recebeu.

– Olá novamente. Minha pulsação já estava irregular.

– Você vai me levar para o quintal? Balancei a cabeça confirmando. Ele deu um sorriso torto que fez meu coração pular uma batida.

Fomos até o jardim e ele se sentou no banco em que nos vimos pela primeira vez. Fiquei parada ao seu lado e ele tentou puxar conversa.

– Posso saber o seu nome? Não disse nada.

– Se eu adivinhar, você confirma? Continuei imóvel.

– tudo bem vou falando os nomes e quando eu acertar você pisca!

Tive vontade de sorrir mais me controlei.

– Pra ficar um pouco mais fácil, você pelo menos pode me dizer com qual letra começa?

Silêncio total.

– Ok, letra a?

Meu rosto sorriu sem minha autorização e ele riu. Era a primeira vez que eu ouvia esse som dele e foi lindo.

– Então seu nome começa com a letra a? Pois bem, Amanda? Não? Tudo bem. Arlete? Adriana? Ana? Andressa?

Ele ficou quase uma hora dizendo nomes com a e não acertou o meu.

– Acho que nunca saberei seu nome, anjo!

Tremi com a proximidade e ele percebeu.

– O que foi? seu nome é anjo? Me peguei negando com a cabeça.

Eu já estava envolvida na brincadeira e queria que ele descobrisse logo.

– Então tem a ver com anjo? Não respondi e ele ficou pensando alguns minutos. Do nada ele voltou a sorrir.

– Angélica! Seu nome é Angélica! Não contive meu sorriso e ele riu novamente enchendo ambiente de um som maravilhoso.

Os dias que se seguiram foram sempre assim. Eu o levava para ser treinado pela manhã, e a tarde ele contava coisas sobre sua vida antes de chegar ali. Ele nunca falava da Renata e percebi que isso era doloroso pra ele. Ele sempre falava do irmão Chris, e da irmã Sarah que ele as vezes chamava de Liz. Ouvia fascinada as histórias sobre uma alcateia de transmorfos onde seu pai era o líder. Ele não falava muito do pai sentia tristeza quando ele falava nele.

Todas as noites quando o levava de volta para o quarto ele me dava boa noite e dizia que esperaria ansioso pelo amanhecer. Eu não tinha mais como fugir, eu estava completamente apaixonada por um homem que eu conhecia a pouco mais de uma semana.

Tomei coragem, e decidi começar a responder suas perguntas.


Notas finais
Gigante né? Eu sei! Mais quero passar pra próxima fase desse relacionamento e não achei legal separar essa parte por capítulos. Ela tomando ciência que o amava e ele lutando contra isso. Então me digam o que acharam tá! BJS e até sexta.