O Poder Das Gémeas
8 Capítulo 8
Cinco dias depois, Elle estava na aula de Transfiguração e McGonagall perguntava aos alunos como corriam os trabalhos.
- E o vosso trabalho? – Perguntou virando-se para Elle e Draco.
- Está a correr bem. – Elle respondeu.
- Óptimo e estão quase a acabar? – Ela perguntou.
- Estamos no mesmo ponto que os nossos colegas, professora. – Draco respondeu.
- Hum… — Minerva olhou para Elle. – Espero que o seu primeiro trabalho lhe corra bem. – Elle abanou a cabeça. – Eu sou muito mais exigente que Madame Derite, e creio que o Brilhante que tirou na minha aula possa passar para um Excede as Espectativas. – Elle sorriu levemente. A campainha tocou e eles começaram a arrumar as coisas. – Esperem! Precisa de alguma coisa, Miss Elle Rouchouse, tem alguma dúvida?
- Oh, professora, a minha colega de trabalho é muito inteligente! Ela não precisa de alguma coisa de si e se precisar de ajuda tem os seus colegas. – Draco disse. – Vamos, Rouchouse? – Elle levantou-se.
- Obrigada pela oferta, professora, mas não necessito de ajuda. – Elle saiu atrás de Draco. – Ela odeia-me, não odeia?
- Pode-se dizer que ela não simpatiza muito contigo. – Draco virou-se para ela assim que sairam da sala. – Temos que continuar o trabalho. Que tal hoje, no mesmo sítio, à mesma hora?
- Eu não sei onde é que estivemos ao certo. – Ela disse. – Ainda não me sinto muito à vontade no castelo. – Draco sorriu. – Sou nova aqui e não é que alguém me tenha feito uma visita guiada, não é?
- Muito bem. Hoje, à saída da nossa casa, depois vamos para algum sítio. – Elle abanou a cabeça e Draco seguiu o seu caminho enquanto que Elle se sentou num banco ali perto para ler o livro que Rita Sketer tinha escrito sobre Dumbledore. Não sabia se aquilo era verdade mas em nada mudava a sua opinião sobre Albus Dumbledore.
Elle estava há meia hora à espera de Draco à saída da casa e começava já a desesperar quando ele saiu.
- Eu pensava que tinhas dito que era à mesma hora. – Ela repreendeu.
- Rouchouse, não digas nada. – Elle olhou-o. – Vamos. – Eles foram para uma sala.
- Sabes, eu estive à espera durante meia hora. – Elle sentou-se e tirou as coisas da sua mochila.
- E achas realmente que isso me interessa, que me importo por tu teres esperado? Por favor… — Elle começou a escrever no trabalho. – Espera, o que é que estás a escrever?
- O trabalho, Malfoy, o que mais poderia ser? – Elle perguntou rectoricamente.
- O trabalho é para ser feito por nós dois. – Draco disse. – Pára, senão eu farei com que pares.
- Estás a ameaçar-me? – Ela perguntou censurando-se logo de seguida.
- O que é que achas? – Ele perguntou. Elle não queria olhá-lo. – Parece que estava, tanto que estás com medo.
- Ao contrário do que pensas, eu não tenho medo de ti, Malfoy. – Ela continuou a escrever.
- Eu acho que devias ter. – Draco agarrou-lhe a mão fazendo-a parar de escrever.
- Boa, conseguiste estragar o trabalho. – Elle tirou a varinha e usou-a para limpar o borrado.
- Eu sei que estás chateada por teres esperado um pouco por mim, mas eu não tenho que levar com essa disposição porque toda a gente se atrasa. – Elle riu.
- Oh sim, eu estou chateada por causa disso, é isso que me importa. – Ela disse irónica. – É muito importante para mim que não te atrases. Malfoy, por favor eu tenho outras coisas com que me preocupar.
- Como, por exemplo…
- Acho realmente que isso não te interessa. – Ela disse olhando-o finalmente. – Estou aborrecida com esta escola, Malfoy, é tudo tão diferente. – Ela disse supirando.
- Percebo. Deves sentir muitas saudades… — Ele disse.
- Sim, principalmente de ouvir o francês, falar o francês. – Ela disse. Era realmente uma coisa que sentia saudades, falar com Irina agora que ela estava de castigo.
- Oh, não seja por isso! Eu falo francês contigo. – Elle riu-se ouvindo-o falar a sua língua. – O que foi? Falo assim tão mal o francês? – Ele também se riu.
- Não, até falas bem. – Ela disse. – Vá, vê se está bem, a segunda fase. – Ela deu-lhe a folha de papiro. – Então, que achas?
- Está bom. – Ele disse.
- Por que demoraste tanto? – Ela perguntou.
- Ao contrário de ti, eu tenho outras coisas para fazer. – Ele disse sério e Elle olhou para o trabalho, sem coragem para o encarar. De repente, tudo lhe passou na cabeça. Ela estava ali com um Devorador que planeou durante um ano a morte de Dumbledore, a pessoa que ela mais idolatrava.
– Sabes uma coisa? Malfoy, em francês, significa má fé. – Ela disse rindo.
- Ah, já que estamos a falar de nomes, Elle à letra significa ela. Eras assim tão estranha em bebé que os teus pais queriam que ninguém tivesse dúvidas que eras uma menina? – Elle riu-se com ele.
- Sabes, isso é estúpido. Eu era uma bebé linda. E quando olhas para um bebé não consegues distinguir se é menino ou menina. – Elle disse sorrindo.
- Uma bebé linda?... – Draco disse escrevendo numa outra folha. – Imagino…
- O que é queres dizer com isso? Não achas que sou atraente? – Ela perguntou arrependendo-se no minuto seguinte. Ela não fazia essas perguntas aos rapazes, normalmente eles diziam que ela era atraente sem ela dizer algo quanto a isso.
- Atraente? – Draco sorriu olhando-a. – Na minha opinião…
- Não preciso dela, obrigada. Não precisas de responder. – Elle disse tirando-lhe a folha da mão. — Acho que isto está bom. Vou escrever no trabalho. – Ela começou a escrever.
- Acho que sim, que és atraente, mas acho que aqui, em Hogwarts, não vais ouvir mais ninguém a dizer isso. – Elle abanou a cabeça.
- Ninguém gosta de mim, pois não? – Ela perguntou rectoricamente.
- Pois...
- Também não me interessa. Não preciso que as pessoas gostem de mim para viver. – Ela disse continuando a escrever. – Já está. Chega por hoje?
- Sim, acho que sim.
- Irina, não, estás a fazer tudo mal. – Hagrid disse, acudindo a francesa que acariciava um unicórnio adulto. – Não lhe deves dar carinho, estás aqui apenas para o tratar. Assim, ele vai-se apegar a ti e isso não é bom.
- Por que não? – Perguntou a francesa. Neville olhava-a risonhamente como sempre fazia desde o primeiro dia. – Ele gosta de mim, Hagrid, e ele já estava a ficar aborrecido por não receber nenhum carinho.
- Ele não se importa. Os unicórnios, Irina, são animais muito únicos. – Hagrid afastou-os do animal. – Eles detectam a áurea da pessoa e ele achou que a tua era especial. Estás a fazê-lo apaixonar-se por ti, e, tratando-se de um unicórnio, isso é mau. O melhor é passarmos para os centauros.
- Mas eles não querem a nossa ajuda, Hagrid. – Ginny gritou. – Eles fogem sempre que nos vêem. Já estamos aqui há quase duas semanas e eles ainda não cederam.
- Tentaremos mais uma vez. Não é fácil ser guardador dos campos de Hogwarts. A Floresta Negra é um lugar assombrado, uma lembrança muito escura do anonimato do mundo mágico. – Hagrid começou a andar. – Não sei se alguma vez pensaram nisso, mas esta floresta nem sempre foi assim. Eu gostaria de ter vivido no tempo em que os Muggles conviviam connosco como amigos, companheiros, habitantes do mesmo mundo.
- Por que é que os centauros são assim? Por que é que eles abominam tanto os feiticeiros? – Perguntou Neville.
- Eles são considerados seres de inteligência menor que os humanos, mas isso foram eles que decidiram. Os centauros foram ditos como nós, mas eles não queriam compactuar com esta diferença de seres mágicos. Foi escolha deles. E talvez sejam eles os que melhor vêem esta injustiça social. – Hagrid defendeu. – Eles podem ser realmente simpáticos, mas nasceram no meio desta escuridão, não têm culpa.
- Hagrid, eu acho que está na hora de irmos. – Irina falou, olhando para o relógio. – É meia-noite, e eu sei que nós somos obrigados a ficar cá se assim quiseres, só que eu tenho que fazer um trabalho para Herbologia ainda.
- Podes copiar por mim. – Ofereceu Neville. – Eu já o fiz há séculos.
- Obrigada, Neville, por me fazeres sentir uma completa irresponsável. – Irina agradeceu ironicamente.
- De nada. – Todos se riram.
- Então, vamos, eu levo-vos. – Hagrid começou a percorrer o caminho de volta a Hogwarts seguido pelos três.
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