O Poder Das Gémeas
11 Capítulo 11
Notas iniciais
(brunadanih revira os olhos logo depois de ler a frase em cima)
Boa leitura!!
Capítulo 11
Estavam nuvens no céu, por isso, a noite era escura, dentro de Hogwarts todas as velas estavam acesas. O cenário era assustador, os alunos não trocavam palavras a caminho do grande salão, nem mesmo entre os da sua equipa. Parecia que uma força os prendia a todos sem excepção. Não havia misturas. À frente, Gryffindor e Slytherin iam lado-a-lado, porém, com uma distância de um metro entre as equipas.
- Bem vindos ao verdadeiro Hallow'en. – Snape estava erguido da sua mesa de director, falando assim que todos os alunos entraram.
- Oh, que bom, era mesmo duma festa que precisávamos. – Neville disse entre dentes, a sua cara vermelha de fúria.
- Tem calma, Neville. – Luna caminhou para eles. – Vamos dar-nos uma pausa, nós não podemos dar nas vistas agora.
- Tens razão. – Neville observou em seu redor. – Isto está diferente! – Ginny e Luna concordaram.
- Diferente como? – Perguntou Irina curiosamente. Ela queria saber mais sobre a antiga Hogwarts, podia ser bom para a investigação sobre Dumbledore.
- Isto era uma festa, sabes? – Luna explicou sonhadora, os olhos a passar pelo céu. – Antigamente parecia que as estrelas nos davam as boas-vindas, eram elas que iluminavam grande parte da festa. Elas ajudadas por abóboras gigantes e iluminadas que voavam pelo Salão, por vezes, a bater nos alunos mais distraídos, mas ninguém se importava, porque era linda a risada à volta, a própria abóbora se ria… Era lindo, Irina, o Dumbledore, ele dançava connosco, ele curtia a música e muitos de nós, nessas vezes, chamavam-no maluco, sem ter bem a noção do grande homem que ele era. Agora, sabemos que lhe devíamos ter dado mais valor…
- Pois eu tenho a certeza que ele era feliz assim, porque ele vivia para esta escola, ele vivia por vocês. – Irina disse seguramente. – Ele vivia também por mim, mesmo nunca me tendo conhecido, ele vivia por pessoas que amavam este mundo, que tinham um pouco de loucura dentro delas, um pouco da criança pequenina e sonhadora, da criança que apenas vê um mundo belo.
- Mas a festa, Irina, ela era tão aguardada por nós… Nós adorávamos isto, todos os anos era diferente, mas sempre divertida, não parecia um funeral como isto. Afinal, onde estamos nós? – Ginny perguntou, olhando ao redor. Abóboras mais pequenas iluminavam as mesas redondas. A um canto, podia-se ver Trelawney rodeada por um fumo branco e com uma bola de cristal na mão. – O que é que ela está a fazer? – Perguntou a ruiva com os olhos escancarados.
- Vocês querem ir ver? – Perguntou Neville, começando a andar em direcção à mulher. As três raparigas seguiram-no.
- Então, Rouchouse, se não estás aí a fazer nada, podias não atrapalhar? – Elle virou-se para Malfoy que não vinha acompanhado por ninguém. Elle estava em pé no chão.
- Tens muito espaço à tua volta, Malfoy. E quem disse que eu não estava a fazer nada? É que eu estava. – Elle respondeu.
- Ah, sim? A fazer o quê? A apreciar a festa? – Malfoy perguntou retoricamente. – Provavelmente é melhor ires para o centro. Sempre há mais pessoas. – Elle estava a um canto do Salão.
- E quem disse que para apreciar uma festa, é preciso pessoas? – Elle perguntou.
- São as pessoas que fazem as festas. – Malfoy olhou para os lados, vendo se estava a ser observado e fazendo Elle sorrir, a imagem era realmente importante para ele e Malfoy não queria a sua reputação por terra só por falar com ela.
- As circunstâncias também. – Disse ela algo melancólica, a festa estava horrível, era um bocado difícil não reparar nisso.
- Então e como é que era lá? – Malfoy perguntou indiferente.
- Em Pahtellons? – Malfoy acenou levemente. – Nada de especial. – Ela não podia mostrar como tinha saudades de França e das amigas do colégio. – Havia música ao vivo e alegria. – Disse ela sem emoção.
- Ah, estou a ver… — O loiro olhou a festa, parecendo não a ver realmente, mas como podia Elle dizer isso se nem sequer sabia no que ele pensava?
- Enfim, nada de especial.
- Ok, isto é estranho. – Irina falou assim que chegou ao pé da mesa onde Trelawney estava. A professora tinha os olhos esbugalhados.
- Ela sempre foi muito estranha. Nunca gostei de Artes Divinatórias. – Ginny bufou irritada. – Ela previu a morte do Harry no terceiro ano, que estupidez!
- Em França, há sempre alguém para ler o nosso futuro, ou o nosso passado, eu só fui lá uma vez. Foi… interessante, mas soou-me um pouco falso. No entanto, tive Artes Divinatórias, para ver como aquilo era, não podemos julgar quando não conhecemos, não é verdade? – Irina piscou o olho direito e sentou-se na mesa. Depressa os olhos do Salão voltaram-se para a mesa, vendo um pouco do que se passava, algumas pessoas foram-se aproximando ainda antes de Trelawney se aperceber dela.
- Minha filha, por aqui? Vieste ver o que o futuro te reserva? – A professora perguntou.
- Acha que o consegue fazer? – Trelawney olhou-a com má cara. – Bom, sim, pode ser… Então, com bola de cristal, ou será melhor com os meus sonhos? Não, bola de cristal é melhor.
- Está bem, então. – Trelawney rodeou a bola com as suas mãos. – Eu vejo um caminho muito escuro para ti, Irina. Parece que estás em perigo eminente, minha querida.
- Bom, em primeiro lugar, eu gostaria que me tratasse com o mínimo de educação, como entre aluna e professora. – Irina pediu. – E, em segundo, aqui só para nós, que ninguém nos ouve… — Irina estava sarcástica, pois a mesa estava rodeada. – É óbvio que eu estou em perigo eminente.
- Sim, é verdade, mas eu vejo um homem no seu caminho… — Trelawney continuou como se nada fosse.
- Só um? Oh, que tristeza! – A voz era sarcástica, alguns alunos riram-se ao seu redor.
- O que é que se passa ali? – Malfoy olhou para a mesa das bolas de cristal. – Oh, parece que a tua querida amiga de Pahtellons está a dar espectáculo.
- Oh, claro, ela sempre quis atenção. Ela tem sorte por as nossas famílias serem amigas, somos puros, temos que estar unidos. – Elle falou olhando para a multidão que rodeava a amiga.
- Então, e vocês nunca se deram mesmo bem? – Malfoy perguntou mais descansado pois todos olhavam atentamente a cena tentando percebê-la.
- Em pequenas, competíamos muito. Depois fomos para a escola e fingiamos dar-nos minimamente bem. Queríamos continuar a competir. Aliás… — Elle encolheu os ombros.
- Eu não estou aqui para brincar, minha menina. – Trelawney afirmou convictamente. – Vejo um homem que te vai dar bastante que pensar. Vais repensar todo o mundo à tua volta. Vais sentir coisas que nunca sentiste e, se tudo correr bem, no fim, serás feliz.
- No fim? Então, e no princípio, no início? Eu não quero ser feliz só no fim. Nós precisamos de uma pitada de felicidade sempre. E no fim de quê? Quando ele morrer? – Irina olhou para Ginny e Luna.
- Fale mais desse homem, professora. – Pediu Luna curiosa. – Como é ele?
- Então, vocês competiam mesmo? Desde pequenas? E agora? – Ele perguntou. Elle rolou os olhos.
- Achas mesmo que eu preciso de competir com aquilo? – Ela perguntou apontando para Irina. – Agora que eu estou nos Slytherin e ela nos Gryffindor, é óbvio quem é melhor. Não é que eu alguma vez tenha tido alguma dúvida, claro.
- Eu acho que se tu mostrasses quem realmente és – Elle olhou-o seriamente com um nó a formar-se na garganta. Será que ela não tinha sido suficientemente convicente na sua mentira? – ali, no meio do salão, podias fazer com que não olhassem tão desconfiados para ti.
- Acho que isso é uma missão impossível, Malfoy. Pelo menos, agora.
- Eu não vejo muito bem o aspecto do homem, a bola de cristal está com muitas sombras. – Trelawney respondeu à pergunta de Luna. – Mas posso dizer que vais sofrer muito. Por ti, e principalmente pelos teus amigos. Os teus dias serão pesadelos ainda maiores do que os que já tiveste e viveste.
- Já viste?! – Perguntou Elle. – A primeira vez que vais ter um homem no teu caminho, as sombras estão presentes. – Irina olhou para Elle com um olhar irritado, percebendo a encenação.
- Não me digas que queres vir tu para aqui para saber o teu futuro? – Ela levantou-se encarando a amiga de frente. – Sabes, não é preciso. Eu consigo advinhar o teu futuro só de olhar para ti. É num sítio qualquer com um homem qualquer que se aproveitará da tua estupidez.
- Pelo menos, eu terei um homem. Tu estarás rodeada de… — Elle olhou com desprezo para os gryffindor que rodeavam a amiga. – Sabe-se lá do quê. Vendo pelo teu presente, deixa-se muito a desejar. Talvez mais tarde te apercebas do erro que estás a cometer.
- Ah!, erro! Pois eu acho que aqui o único erro és tu. – Irina respondeu.
- Não me digas! – Elle disse irónica. – Talvez te pareça isso porque tu é que vives rodeada de erros. É natural, quando se vive muito tempo com o lixo, acaba-se por não conseguir distinguir o que é o bom.
- Mas quem é que tu pensas que és para criticares as pessoas da minha equipa? – Irina perguntou fingindo-se cada vez mais furiosa.
- Eu? Eu sou Elle Rouchouse, um exemplo que devias seguir. Faço justiça ao meu nome e à minha família e ao meu sangue. – Elle disse erguendo a cabeça, superior.
- Pois eu acho que tu és um desastre ambulante. – Neville respondeu, defendendo Irina.
- Uh… Precisas de defensor, ãa? Que bonito. Já olhaste bem para ti, Longbottom? Tu é que és o desastre ambulante. A tua avó não deve nada orgulhar-se de ti. – Elle disse cruel. – E tu, não precisas de chamar a atenção para ti. Nunca vais chegar aos calcanhares de ninguém. – Ela virou-se para Irina. – Ou então… Talvez consigas chegar ao dos teus… amigos tão ordinários.
- Ordinários? Eu não permito que chames ordinários aos meus amigos, sua cabra. – Irina avançou rapidamente com a varinha em riste, mas Ginny e Luna impediram-na e afastaram-na da multidão que comentava a cena.
- Calma, ela não vale a pena. – Luna disse encarando-a nos olhos.
- Devíamos dar-lhe uma lição. – Ginny disse profundamente irritada.
- Não. – Irina disse calmamente. – Por muito que me custe a Luna tem razão. Não devemos dar nas vistas, este não é o melhor momento. E de qualquer maneira, eu já estou habituada. E ela não é um assunto de grande significância. Neste momento temos coisas mais importantes com que nos preocuparmos.
- Sim, tens razão, têm razão. Mas eu detesto ver os slytherin a terem essas atitudes de se mostrarem superiores quando são uns ratos de masmorra. – Ginny disse olhando para Neville que se aproximava.
- Não gosto nada dela. Eu soube que ela não era de confiança desde que a vi no comboio. Sempre a observar as pessoas, a apontar-lhes defeitos, de certeza. – Neville sentou-se à mesa também. – Já viram? Tem mesmo personalidade slytherin. Convencida por causa do sangue puro que já se deve ter cruzado com muggles que simplesmente foram apagados da árvore genealógica.
- Deixa para lá, Neville. – Pediu Luna. – Não nos vamos preocupar com esta insignificância.
Elle voltou para o canto assim que Irina se afastou com Luna e Ginny fingindo-se contente pela vitória. Só queria que não tivesse feito algo que a amiga não tivesse gostado mas quando Malfoy lhe disse que poderiam desconfiar menos dela, Elle achou que seria uma boa altura para mostrar que era "igual" aos slytherin que tanto desconfiavam de si. Como Irina tinha percebido a intenção, foi mais fácil para ela, mas ela não queria ter insultado a melhor amiga e por isso estava preocupada.
- O que é que foste fazer? – Malfoy perguntou.
- Já estava farta daquela cena de advinhação. Oh, por favor! Ela precisava de ouvir das boas. – Elle cruzou os braços. – Tens algum problema com isso?
- Oh, não. Eu não tenho problema nenhum com isso. – Draco olhou para o grupo onde Irina se encontrava. – Devem estar a odiar-te.
- Ainda melhor. Prefiro ser odiada por eles do que amada. Mas de qualquer maneira, eu acho que eles já me odiavam, portanto não mudei grande coisa. – Elle riu e Draco acompanhou-a.
- E achas que mereces? – Draco perguntou-lhe. – Achas que mereces ser odiada? – Aquilo era uma pergunta com rasteira, certo?
- Sinceramente, eu acho que não. Eu tenho tudo para ser amada por toda a gente. Mas eles não sabem distinguir a escumalha… Portanto, deles prefiro o ódio. – Elle olhou em volta. Se antes as outras três equipas desconfiavam dela, agora olhavam-na torto. Por outro lado, a sua equipa continuava a desconfiar dela mas via-se que já não tinham a certeza de terem que o fazer.
- Bom, Rouchouse, Saint-Claire é uma família muito importante de puro sangue. – Malfoy enfrentou.
- Uma das mais importantes de França, a mais importante é mesmo a minha, mas Saint-Claire é uma boa família, tiveram azar com a filha, sempre a querer fazer a diferença, quando nem se apercebe que não vale a pena ser diferente como ela, porque ela só faz porcaria. Quem, no seu juízo perfeito, defenderia os Muggles? Nós devíamos revelar-nos e mostrar a esses seres insignificantes quem merece estar no comando. Estarmos escondidos é uma humilhação, eles é que merecem ser humilhados. Nós somos imensamente superiores a eles. – Elle olhava para o chão, a sua voz era convicente, não precisava dos olhos para confirmar o que dizia, até porque não tinha a certeza se conseguiria suportar as suas palavras com os seus olhos. Não depois de ter feito o que fez e não acerca de humilhar os Muggles, ela amava o mundo e os não-mágicos faziam parte do mundo que ela amava com todo o coração. Ela admirava-os bastante, eles conseguiam viver sem magia duma maneira prática e inteligente.
- Acho que agora isso está mais claro. – Disse Malfoy, erguendo-lhe a cabeça com a mão no seu queixo. Ele queria analisá-la, Elle percebeu.
- Ah, Malfoy, os meus pais sempre me ensinaram o certo e o errado, assim como os pais da Saint-Claire, só que há pessoas tão atrasadas que não entendem o que lhes ensinam. A Saint-Claire é assim, sempre foi estúpida. – Elle encolheu os ombros.
- Estou a ver que sim. – Malfoy disse, olhando para Irina que continuava sentada com o grupo de amigos. – Parece que sabemos bem de que lado eles estão.
- Assim parece. – Elle disse, analisando Draco.
- Sabem o que devíamos fazer? – Perguntou Luna, levantando-se empolgada.
- Procurar aquela gaja e espetar-lhe doce de abóbora em cima. – Neville respondeu, a sua mão fechada de raiva.
- Ãaa… Não. – Luna respondeu. – Devíamos ir dançar. – Os três olharam-na surpreendidos e chocados. – Porquê esse olhar, gente? Nós estamos numa guerra, mas temos que ter pequenas alegrias, é a maior guerra de todos os tempos, mas nós temos que fazer isto por todos os que arriscam a sua vida lá fora, é o certo a fazer.
- Mas… — Ginny foi interrompida por Irina, que já estava recomposta:
- Tens razão, Luna. – Irina ergueu-se de uma rajada. – Ela tem razão, malta! Vejam, olhem para o Snape e para os Carrow. – Eles assim fizeram. – Eles podem ter metido música para o ambiente, mas não estão à espera que nós dancemos realmente, isto só aumenta o medo, vocês sabem que assim é. E nós temos que derrotar o medo o mais que pudermos, percebem? Vocês sabem que o medo domina as pessoas e é nas coisas mais pequeninas que nós temos que começar a derrotá-lo. Além disso, estaríamos a ir contra a vontade deles – Irina disse apontando com a cabeça para Snape e para os Carrow – mas eles não podem fazer nada porque foram eles a meter a música.
- É isso mesmo. – Luna apoiou, puxando-a para dançar uma música mais mexida. Ao início, todos ficaram chocados por elas, mas foi apenas Ginny e Neville se juntarem que mais pessoas ganharam coragem para dançar.
- Bem, eles devem mesmo achar-se melhor do que todos. – Alguns Slytherin comentavam, estando imóveis.
- A tua amiguinha sabe como ser uma estúpida perfeita. – Malfoy comentou para Elle, que olhava chocada para a cena à sua frente.
- Deixa muito a desejar, não achas? – Ela perguntou indiferente.
- Mas o que é que se passa com os alunos? – Perguntou McGonagall para Flitwic, que olhava a cena horrorizado. – Eles deviam saber que não deviam dançar…
- Talvez eles queiram mostrar que têm algo a dizer. É um desafio, Minerva. – Flitwic respondeu, olhando para Snape que falava com os irmãos Carrow, todos eles furiosos. – E parece estar a funcionar, mas os alunos não são burros, sabem que eles nada podem fazer, ninguém disse que dançar era proibido.
- Mas estamos a viver uma guerra, eles sabem isso. – McGonagall insistia horrorizada.
- Ora, Minerva, já passaste por uma guerra, de menor dimensão, é verdade, mas pelo mesmo motivo, sabes muito bem que o medo tem de ser superado. Essa é a maneira deles para o superar. Quem os pode julgar? Neste momento, desejo, com todas as minhas forças, ir para o pé deles e dançar e conviver com eles. E é isso que eles querem: transmitir-nos força.
- Tens razão, Flitwic. – Minerva concordou, sorrindo. – Ah, Sibila, estou a ver que já chegaste. – Exclamou a chefe dos Gryffindor assim que viu a professora de Adivinhação subir para se juntar aos restantes professores.
- Claro, Minerva, só foi à mesa uma rapariga, depois mais ninguém quis saber do seu futuro. – Ela respondeu.
- Claro que mais ninguém quis ir à tua mesa, Sibila. Ouviste o que disseste à Miss Saint-Claire, quem quereria ouvir mais barbaridades como aquela? – Perguntou Snape perigosamente. Trelawney apressou-se a sentar no seu lugar, mas não parou de dizer: "Eu só contei aquilo que vi".
- Foi uma óptima ideia, Luna. – Congratulou Irina com um sorriso na cara. – A energia positiva dá-nos mais forças que a energia negativa.
- Concordo perfeitamente. – Disse Neville. – Até já estou aqui a pensar no que fazer para enfrentar estas pessoas maldosas… Nós temos que chegar aos Carrow pelas aulas que eles leccionam, ou fingem leccionar, dependendo do ponto de vista.
- Óptimo, é mesmo de ideias que nós precisamos. – Ginny falou com um sorriso de cumplicidade. – E então, o que queres fazer?
- Isso sou eu que decido, eu quero enfrentá-los de vez, nem que receba maldições, eu tenho de ter força para lutar pelo que eu acredito. – Neville era o mais decidido de todos, ele sabia bem o que queria, queria justiça, justiça acima de tudo!
- Ok, eu já estou farta disto. – Carrow disse. – Faz alguma coisa, Snape!
- Também acho, Snape, achas que o nosso senhor iria gostar de saber que os alunos dançaram na festa de Halloween?
- Não me desafiem vocês os dois. – Snape aconselhou perigosamente. – Nem tenham a arrogância de imaginar como o senhor das trevas reagiria a isto. Será que estão a dizer que o nosso senhor não é bom para o cargo que ocupa?
- Não. – Os dois responderam cheios de medo.
- Eu não farei nada, por agora. – Snape afirmou. – Eles foram muito espertos. Não lhes dissemos que não podiam dançar. E eles aproveitaram o deslize. Mas assim que fizerem mais alguma coisa, terão o seu duplo castigo. Isto – Snape cuspiu a palavra. – não será esquecido.
- Muito bem. Da próxima vez que eles fizerem alguma coisa, chama-me. – Carrow afirmou perigosamente.
- Estarás tu a insinuar que eu não sei castigar? – Snape olhou-o com ar superior. – Eu sou o director desta escola, escolhido pelo nosso senhor. Eu próprio darei o castigo.
- Eu sei. – Ele disse com medo. – Mas se precisares de uma mãozinha podes chamar-me. Eu adoraria poder castigá-los pelos meus próprios métodos. Eles nunca mais fariam nada como isto, se sobrevivessem.
- Não sejas idiota. As duas que começaram pertencem às mais importantes famílias puras. Elas podem não corresponder a padrões, mas não queremos as suas famílias contra nós. Pensa da maneira mais inteligente, Carrow. Afinal, só os inteligentes chegam longe. – Snape afirmou superior.
- Achas que o director vai fazer alguma coisa quanto a este momento deplorável? – Perguntou Elle para Malfoy.
- Penso que ele nada pode fazer. Não fomos avisados que não podiamos dançar. Espertos, não achas? – Ele perguntou olhando a cena de frente. Cada vez dançavam mais pessoas, que tinham sorrisos na cara e que eram contagiados por uma boa energia que lhes daria força para, pelo menos, mais um mês. Elle sorria por dentro. A amiga estava a ajudar quem precisava de mais apoio, e ela estava feliz por haver alguma coisa a poder ser feita.
As pessoas dançavam cada vez com mais afinco e energia. Transmitiam forças uns aos outros. Nunca a escola estivera mais unida, excluindo uma equipa que estava parada a comentar a cena de forma superior, Slytherin. Mas de resto, as outras três equipas agora lutavam pelo mesmo objectivo. Fazer frente a uma guerra em que participavam de maneira indirecta, mas com o mesmo afinco de acabar do que quem estava fora dos portões da escola.
De uma maneira ou de outra, eles sabiam que aquela guerra não ia durar para sempre, apenas não sabiam que lado venceria. Desejavam profundamente que fosse o lado do bem, o seu lado. Mas não eram tolos, eles sabiam que o inimigo estava forte e que toda a ajuda era precisa. Irina cruzou os seus olhos com Elle, dando-lhe um sorriso enorme que só ela percebia que era dirigido para si. Elle percebeu a intenção da amiga. Irina queria apoiá-la, sabia que agora ela precisava de mais força que nunca. Se a abordassem, teria que corresponder à imagem que eles queriam, e que provavelmente, compuseram por causa daquelas palavras.
- De qualquer maneira, eles já estão mesmo marcados depois de terem tentado roubar o gabinete do director. – Elle disse olhando para Draco. – Não vão ser poupados. É uma sorte se…
- Se vais insinuar que podem ser expulsos, acho que só num caso extremo. A não ser a Weasley, claro. Ninguém grama a sua família. Mas mesmo assim, não precisam de mais motivos para os outros fazerem frente. O Snape é inteligente, Rouchouse, ele não fará isso assim. – Malfoy falou observando Snape que continuava a conversar com os Carrow. – E agora, vamos apenas comentar isto.
- Eu acho que não. Vamos falar de espectáculos como estes? Não vale a pena. – Elle olhou para as mesas onde membros da sua equipa estavam sentados a comentar uns com os outros os que dançavam.
Irina olhou em volta. Ao seu redor, as pessoas dançavam sem parar e com grandes sorrisos. Ginny aproximou-se dela e de Luna.
- Vocês tinham razão. Dançar está a ser bom, está a animar muita gente. Agora, qual acham que devia ser a nossa próxima jogada? – Ela perguntou com mais esperança.
- Eu acho que por agora não devemos fazer nada. – Irina disse. – Mais tarde, agora não é o melhor momento. Nós começámos a dançar quando eles não queriam. Somos um alvo a abater, Ginny. Não nos podemos esquecer que se formos expulsos, não podemos fazer nada. Aí já não há remédio possível.
- Claro, Ginny! – Exclamou Luna. – Agora, vê se continuas a dançar.
- Bom, meninas, eu sei que ainda é muito cedo, mas eu estou um pouco cansada. Vou para o dormitório. – Irina avisou a Ginny e Luna, que dançavam com ela.
- Queres que eu vá contigo? – Perguntou Ginny, olhando para a amiga.
- Ah, não, não é preciso, eu acho que sei o caminho. – Brincou Irina, piscando-lhe o olho e começando a andar para a saída.
Estava perdida, não havia agora dúvida alguma disso. Como é que depois de tanto tempo ela ainda não sabia onde ficava a torre de Gryffindor? Ela, Irina Saint-Claire, que tinha um sentido de orientação invejável? Como podia ela ter-se perdido ao ponto de estar num sítio onde nunca estivera antes? Burra, era o que era por ter negado a companhia de Ginny, pelo menos, com a amiga ela tinha a certeza de que não se perderia.
- Sou mesmo estúpida. Afinal que sítio é este? Não parece ser muito usado. – Irina falou em francês. Tinha que admitir que Hogwarts era uma escola muito limpa, arrumada e organizada, mas aquele sítio, apesar de razoavelmente limpo, não era como os outros em que Irina passava. Vistas bem as coisas, como tinha ela chegado aqui? Sempre ouvira dizer que Hogwarts era uma escola misteriosa e cheia de segredos, talvez aquele fosse só um sítio que apenas os que se perdiam podiam encontrar, mas essa ideia era ridícula… muito ridícula. – Ai, Irina, por onde é que hás-de ir?
À sua frente prolongava-se um corredor, um corredor escuro, Irina teve que usar Lumus para ter a certeza de que ele se prolongava. Havia portas em cada lado do corredor, ela não saberia precisar quantas e tinha que tomar uma decisão: seguir em frente, esperando que desse a um sítio que ela conhecia, ou voltar para trás, tentando apanhar o sítio no qual ela começara a se perder. Sempre aprendera que se devia seguir em frente, mas ela tinha mais chances se voltasse atrás, mesmo não sabendo bem onde tinha começado a errar caminho. E havia sempre a possibilidade de arranjar problemas se fosse em frente, porque ninguém lhe garantia que aquele lugar era permitido a alunos. E se um dos Carrow aparecesse? Seria o fim dela ali, Snape avisara que se houvesse mais alguma coisa… Bye, bye, Hogwarts!
- Mas se eu seguir em frente, ao menos, sempre posso conhecer mais alguma coisa. – Ela e a sua curiosidade, os pais sempre lhe disseram que ela havia de morrer por causa da sua enorme curiosidade, Irina nunca os levara a sério, é claro, mas agora isso até parecia fazer sentido.
Sem pensar muito mais no assunto, seguiu em frente, o corredor era realmente muito grande e demasiado silencioso, ela estava no alto de Hogwarts, por isso não devia estar longe da sua casa, mas aqui até os seus passos ouvia, ela tinha de aprender urgentemente a ser mais silenciosa.
Era estranho, todas as portas estavam fechadas, mesmo ela demorando tempo a tentar abri-las, o que será que as salas que elas guardavam possuíam? Ela podia usar o Alohomora, mas e se um dos Carrow a ouvisse? Isso não seria muito bom para a sua folha.
Ao virar a esquina do grande corredor, Irina estancou, empalideceu, quase desmaiou, estava agora num corredor totalmente iluminado, mas... Não era verdade, não podia ser verdade. Mas ela tinha a certeza de quem estava a ver ali, em pé, no meio do corredor, era Albus Dumbledore, sem dúvidas nenhumas. Ora, quantas vezes Elle lhe mostrara o rosto do velho homem? Era aquele rosto, ela tinha a certeza! Era ele, mas ele estava morto, não estava vivo. O homem olhou para ela, mas muito rapidamente, e muito rapidamente também todas as tochas que iluminavam o corredor se apagaram. Demorou cerca de dez segundos para as acender de novo, o suficiente para o homem ter desaparecido, mas não da sua memória, dessa não. Caramba! O que se passara ali? Não era um fantasma, e não fazia sentido nenhum alguém se disfarçar de um feiticeiro que toda a gente sabia estar morto. Sem pensar de novo, Irina percorreu as portas do corredor, tentando ouvir o mais ínfimo barulho, não se atreveu a tocar nelas, estava com receio de algo mau acontecer, mas ela não ia esquecer o que viu! Porém, tinha de voltar, o baile estava prestes a acabar e a cabeça dela estava um caos, tão desorientada, ela não conseguia ver por onde andava, era impossível com a sua horrível dor de cabeça.
Ela não soube como conseguiu chegar à torre, misturando-se com os Gryffindors que regressavam. Ginny reparou nela:
- Então, só agora?
- Tu nem vais acreditar no que te vou contar. – Irina falou seriamente. – Eu perdi-me. – Ginny riu gozadora, despedindo-se da amiga que caminhou para o seu quarto, enfiando-se logo no banho, precisava de relaxar urgentemente. E precisava de contar o que vira a Elle.
Notas finais
O que acharam da discussão? Foi só para manter a farsa, hein... Convenceram? E da festa? Da Trelawney? E da pessoa misteriosa? Será que Irina está certa? Hum...
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brunadanih e CR
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