Notas iniciais
Oi, esperemos que gostem deste novo capítulo.

Elle saiu para o jardim depois das aulas. Gostava do frio e de poder aquecer-se com um crepitar de uma chama. Talvez por isso se tenha sentado num local resguardado, encostada a uma árvore, coberta por uma manta e com uma pequena lareira a aquecê-la. Enquanto isso, lia um livro sobre feitiços bélicos, que ela encontrara na Área Restrita. Estava satisfeita consigo própria por se estar a superar. Nunca na sua vida se sentira tão destemida perante uma contrariedade, mas na verdade ela nunca tivera uma contrariedade daquele tamanho.

— Então, Rouchouse, decidiste esconder-te de toda a gente? – Quando ouviu a voz de Malfoy escondeu o livro com o livro de Transfiguração que tinha por baixo. Elle sorriu-lhe percebendo que ele não se apercebera do seu gesto. Tinha que estar mais alerta quanto aos movimentos à sua volta. Devia ter conseguido ouvir aproximar-se.

— Acho que não fui muito bem sucedida. Tenho que conhecer melhor o castelo. – Ela encolheu os ombros. Malfoy sentou-se ao seu lado. – Estava a estudar Transfiguração. A professora McGonagall não vai muito com a minha cara e eu não quero baixar o meu Brilhante.

— Tu és muito boa aluna e a McGonagall não mistura as suas emoções com a avaliação. – Malfoy olhou para a chama à sua frente. – Estás com frio?

— Por acaso… Mas estou aqui de propósito para fazer isto. – Respondeu ela referindo-se a si. Malfoy não parava de olhar para a pequena lareira.

— É incrível como algo tão pequeno pode mudar o estado das coisas. – Elle olhou-o analisando a sua expressão enquanto fitava o fogo. – Esta chama, apesar de muito mais pequena que o frio, consegue afastá-lo. Está-te a aquecer, está-me a aquecer e está a aquecer o ambiente à sua volta. Devagar, mas devagar se vai ao longe. – Elle arrumou os livros na sua mala. – Devias ter ido para a Sala Comum. Está mais quente, aqui está muito mais frio, ainda ficas doente.

— Queres partilhar uma manta comigo? – Elle perguntou levantando a sua manta e fazendo ele cobrir-se. – Bom, assim sempre aqueces mais depressa.

— Sim. – Draco estendeu as suas mãos aquecendo-as nas chamas. – Então, tu gostas de acender fogueiras em jardins? – Elle riu com aquela pergunta.

— Sim, gosto. E também gosto de me cobrir com uma manta. Normalmente tenho também uns bombons ao meu lado para comer, mas os que tinha já os comi todos. – Elle respondeu ajeitando a manta.

— Eu posso resolver isso. – Malfoy disse, tirando uma caixa de bombons fechada da sua mochila. – A minha mãe mandou-ma ontem por correio. – Elle não deixou de reparar que a caixa não estava remexida. Malfoy abriu a caixa e estendeu-lha. Elle agradeceu e tirou uns bombons. – São os meus preferidos. São belgas.

— Hum… É delicioso. – Elle aprovou. – Tens muito bom gosto quanto a bombons, Malfoy. Posso tirar outro?

— Diz-me uma coisa! – Ele pediu enquanto lhe estendia a caixa e ela tirava outro bombom. – Quantos bombons costumas tu comer por cada vez?

— Uma caixa inteira. – Ela respondeu prontamente.

— Ah, então é melhor ir embora, antes que devores a minha caixa de bombons preferidos. – Malfoy fechou a caixa.

— Não. – Elle segurou no braço de Malfoy com um sorriso. – Partilhar é bom. E eu deixo-te ficar com a maior parte da caixa.

— Mas eu não gosto de acabar logo com eles. – Ele respondeu.

— Mas se tu gostas tanto deles, deves sentir bastante desejo em comê-los. – Malfoy concordou com a cabeça. – Sabes que a melhor maneira de se acabar com um desejo é entregando-se a ele? – Elle tirou-lhe a caixa e abriu-a. – Olha aqui os bombons a chamarem por ti: Draco, Draco, come-nos… — Malfoy riu e tirou-lhe a caixa comendo um bombom. – E eles também dizem assim: Draco, Draco, partilha aqui com a nossa amiga Elle, ela gosta tanto de nós e dos nossos irmãos.

— Toma. – Eles riam-se com aquela conversa. – Mas sabes que não é assim tão fácil ceder a tentações. Temos sempre a mania de, em primeiro, contraliá-las. Queremos sempre saber quem é mais forte: se o nosso desejo ou a nossa razão. E a razão… Bom, eu prefiro a razão.

— Mas nem sempre a razão é boa. Ela pode-nos fazer viver uma vida toda na amargura porque não fomos suficientemente fortes para nos entregarmos ao desejo sem pensar em mais nada. – Elle respondeu tirando outro bombom.

— Estou a ver por que razão aceitaste esse desafio idiota de fugires da escola sem ninguém descobrir para ires a uma festa. Não aguentaste o teu corpo a pedir uma animação. – Malfoy disse, analisando-a.

— Bom, na verdade, era mais do que isso. – Elle respondeu. – Eu tinha um rapaz à minha espera. Não podia deixá-lo pendurado, não a ele. – Malfoy acenou com a cabeça.

— Então, deixaste um namorado em França? – Ele perguntou observando-a a comer outro bombom.

— Na verdade, não. Acho que não posso dizer que tive realmente algum namorado, agora que penso nisso. – Elle respondeu olhando para a chama. – Se calhar, para ter namorado, é preciso mais do que o que eu tinha. Acho que o sentimento não era de namoro.

— Acho que sei o que queres dizer. – Malfoy disse indo tirar outro bombom mas não encontrando nenhum. – E comeste mais do que eu quando disseste que eu ficava com a maior parte. – Ele disse atirando a caixa para as chamas, que se alimentavam agora.

— Não, não. Eu disse que te deixava ficar com a maior parte da caixa e eu deixei. – Elle respondeu. – Eu nunca quis mesmo a caixa, mas sim os bombons. E tu é que atiraste a caixa para a fogueira. – Malfoy olhou-a indignado.

— Ah, está bem. – Ele disse. – Mas fica sabendo que nunca mais te dou nada. – Elle encolheu os ombros. – E a partir de agora passarei a falar contigo em inglês. Tu é que vieste para cá, tens que falar a nossa língua.

— Pronto, desculpa. – Elle disse com um sorriso na cara. Aquela cena estava a diverti-la bastante. – Olha, fazemos assim. – Elle aproximou-se de Malfoy que a olhou também divertido. – Eu pago-te duas caixas dessas e depois ainda posso dar-te uma manta igual a esta, que eu sei que estás a gostar bastante dela. Eu prometo. E, se quiseres, posso ajudar-te com alguma coisa. Eu prometo. – Malfoy pegou-lhe pela cintura e deitou-a no chão colocando-se em cima dela.

— Não faças promessas que não podes cumprir. – Ele disse levantando-se de seguida e indo para dentro. Elle começava a ter bastantes dúvidas sobre o que haveria de pensar de Draco Malfoy. E Irina não a ajudava nada ao dizer que ele era simpático para ela.

No dia seguinte, Elle e Irina encontraram-se de novo na sala do costume, Elle apercebeu-se logo do estado de nervosismo da amiga.

— O que se passa, Irina? – A morena olhou-a com um sorriso calmo, conseguindo esconder agora o nervosismo.

— Eu sei que te devia ter contado antes, mas eu fiz uma promessa e tu sabes como eu sou com as promessas. – Elle abanou a cabeça positivamente, mas esperando a amiga falar o que tinha para falar. – Lembras-te de eu te ter dito que um dia eu iria entrar por aqui e dar-te uma boa notícia, mesmo que pequenina?

— Sim. – Elle respondeu, ela lembrava-se de todas as conversas.

— Pois eu tenho uma boa notícia. – Elle sorriu contente. – Eu sou uma Animagus. – Irina revelou sorridente. – Transformo-me numa gata. – Mal disse isto, ela transformou-se à sua frente.

— Fantástico, Irina. – Elle mostrava-se entusiasmada. – Como conseguiste? – Irina voltou à sua forma, o seu semblante sério.

— Lembras-te de eu procurar o Dumbledore por Hogwarts depois de eu o ter visto no dia de Hallowe’en? – Elle fez que sim com a cabeça, tentando acompanhá-la.

— Então tu não encontraste o Dumbledore nessas procuras, mas encontraste o que te permitiu seres uma Animagus? – Elle perguntou.

— Não, Elle, eu encontrei o Dumbledore. – Elle arregalou os olhos, por um minuto pensando que a amiga estava fora de si, mas ela tinha tanta certeza no olhar. – Eu encontrei-o na véspera de Natal, ele está numa sala localizada num corredor que há muito não é usado. Ele está escondido porque não está bem.

— Mas ele morreu…

— É o que toda a gente pensa menos ele e eu. – Irina falou decididamente. – Ele forjou a sua própria morte, Elle, porque ele tinha uma maldição que fez com que ele ficasse sem poder mágico. Ele está a tentar recuperá-lo e, com o tempo, conseguirá, mas não pôde revelar-se, porque…

— As pessoas ficariam esperançadas com ele por perto. – Percebeu Elle, sorrindo.

— Ele só conseguiu forjar a sua morte, porque ainda tinha poder mágico. Ele conseguiu enganar o V. – Irina revelou. – Eu estou a ajudá-lo a recuperar e ele ajudou-me a ser uma Animagus.

— Isso é fantástico. Foi por causa dele que melhoraste no xadrez e que estás silenciosa, não foi? – Irina confirmou a suspeita da amiga com um aceno de cabeça. – Uau, isso é muito bom. Significa que nós somos mais espertos, que o Bem é mais esperto que o V.

— Exatamente. – Irina concordou. – Eu não te contei antes porque lhe tinha prometido não contar a ninguém, mas ele autorizou-me a fazê-lo quando, ontem, eu lhe falei sobre ti.

— Tu vais vê-lo todos os dias?

— Sim. Tu irias adorar conhecê-lo verdadeiramente, Elle, o Albus é uma pessoa fantástica. – Irina tinha os olhos a brilhar.

— Tu tratas o Dumbledore por Albus, por tu? – Elle perguntou surpreendida.

— Sim, nós somos amigos. – Irina respondeu com um sorriso tímido.

— Mas… — Irina susteve a respiração. – E o Snape?

— O que tem esse estúpido? – Ela perguntou raivosamente. – Eu a falar-te de um grande homem como o Albus e tu mencionas esse devorador da morte?

— Desculpa, Irina, mas qual é o envolvimento do Snape em tudo isso? – Elle perguntou.

— Envolvimento? Elle, o Snape é um Devorador da Morte que deu provas ao Albus que o fizeram confiar nele. – Irina respondeu, tentando não mentir.

— Mas como conseguiu o Dumbledore forjar a sua morte sem o “assassino” saber? – Elle perguntou.

— Ah, estás a falar disso… — Irina falou calmamente. – Ele é um homem brilhante, Elle, tu sabes disso muito bem.

— Mas o Snape…

— Ai, Elle, pára de falar do Snape! – Irina falou rapidamente. – Ele é um estúpido que não quer saber do bem estar de ninguém. Eu tenho dúvidas que ele se importe com ele mesmo, acho que ele é um nojento que merecia que ninguém confiasse nele. Ele não gosta de ninguém a não ser de uma pessoa.

— Ele próprio? – “Não, eu estava mesmo a falar do Albus”, pensou Irina.

— Pronto, é melhor falarmos de outra coisa. – Mas Elle queria saber mais acerca de Dumbledore e Irina contou o máximo possível. – Mas agora já chega de falar disso. Então, e tu?

Notas finais
Beijos, e comentem please