O Plano da Conquista - Perina
4 Talvez
Notas iniciais
Pedro
Ter sido aprovado foi algo que eu não esperava, eu sabia que eu era bom, mas não a esse ponto.
—Parabéns Pedro- Nando me cumprimentou.
—Obrigado- acho que a ficha não caiu ainda, nunca havia ganhado nada nessa vida e agora passar nesse teste.
—Eu sabia que você ia passar Pedro, eu te disse.
—Então você será o novo guitarrista da banda?!-uma garota morena, se aproximou.
—Ér...é...-eu não havia parado pra pensar em que se eu passasse no teste eu seria o novo guitarrista da banda.
—É ele mesmo, o Pedro- João falou por mim e eu achei melhor não dizer nada mesmo.
—Então me passa seu número para que a gente possa entrar em contato com você para ensaiar e tudo mais- o tal Nando me pediu.
—Eu...a...
—Ele não tem celular- Johnny me cortou na hora.
—Cara você não tem celular- a garota me perguntou surpresa- Nossa, em que mundo você vive?
—Eu nunca precisei de um...
—Até agora né meu querido, mas telefone fixo você deve ter.
—Tenho.
—Pois anote o número aqui, que a gente entra em contato com você.
Anotei meu número e sai com o Johnny até a minha casa.
—Johnny porque você disse que eu iria fazer parte da banda?-perguntei quando mos aproximávamos da minha casa.
—Cara você passou no teste pra ser o guitarrista, ou você queria ser o vocalista da banda?-falou irônico.
—Muito engraçado né Johnny, mas cara é sério, eu não imaginava entrar na banda, quando eu concordei em fazer o teste nem passou na minha cabeça isso, quer saber eu vou voltar lá agora e dizer que não dá- falei indo em direção a Ribalta.
—Nem pensar, você vai sim fazer parte daquela banda- falou autoritário.
—Mas Johnny não dá, que horas eu vou estudar por exemplo?-tentava de tudo para convencer esse meu amigo cabeça dura.
—Cara é por isso que garotas como a K, não olham para garotos como você. Eu não falei que ia te ajudar, então faz o que eu to te falando, garotas gostam de garotos que tocam em alguma banda, mesmo que nem faça sucesso.
—Mas os populares lá da escola não tocam em nada e tem várias garotas aos pés deles.
—Pedro- ele respirou fundo e tocou no meu ombro me conduzindo até a entrada da minha casa onde nos sentamos- garotas gostam de caras, bonitos, que praticam algum esporte, ou tocam algum instrumentos em alguma banda, ou que sejam apenas bad boys como o Cobra ou seja os que sabem brigar- ele falava indicando nos dedos as "qualidades" que um garoto deve ter- Como você não pratica esporte algum, não é nenhum tipo de bad boy e digamos que não é o tipo galã, sobrou apenas ser o guitarrista, quer que eu desenhe agora?!-perguntou irônico.
—Não precisa- respondi ironicamente.
(...)
No dia seguinte fui pra escola junto com o Johnny e pra nossa surpresa a Karina também estava no ônibus, sentamos afastados dela e ficamos lá no fundo, eu não parava de encará-la, já nem ouvia mais o que o Johnny falava, mas aquela garota era realmente linda.
—Ei cara- João estalava os dedos a frente dos meus olhos, chamando a minha atenção.
—Ah...oi?!-falei o encarando.
—Ihhh, tava no mundo da lua né, ou melhor, a alguns bancos à frente.
—Quer saber Johnny, esse é o último ano e eu quero fazer diferente, eu aceito sim a sua ajuda pra tentar namorar a Karina.
—Bom cara, namorar a Karina eu não sei, mas eu vou te ajudar sim a chamar a atenção dela.
(...)
Não seria nada fácil conquistar a Karina, mas eu estava disposto e caso tudo fracassasse eu teria uma válvula de escape, o ano terminaria e eu não teria mais a escola para ser o lugar principal das zoações, com certeza passaria para uma boa faculdade e me veria livre de todos.
—Cara eu vou pensar em um jeito de te ajudar e quando eu já tiver um bom plano eu te aviso, mas enquanto isso, você vai sim fazer parte da banda- Johnny falava como se fosse meu conselheiro, acho até mesmo que foi isso que ele se tornou, meu conselheiro.
—Entendido senhor- falei fazendo continência.
Quando chegamos na escola avistei os populares todos juntos, balancei os trabalhos que continham em minha mão e afirmei com a cabeça que já havia finalizados, Cobra e Lírio se aproximaram de mim e eu entreguei para eles.
—Muito bem boca metálica, fez o seu dever direitinho- Cobra falava folheando o trabalho.
—Isso mesmo nerd, se superou dessa vez- Lírio falava se referindo ao prazo em que entreguei.
—Bom, fiquei sabendo que o professor de biologia vai passar um trabalho hoje, então você vai fazer- Cobra falou.
—O meu também- Lírio completou.
—Meus caros colegas- Johnny se aproximou deles tocando seus ombros- Não vai da.
—E quem é você, pra falar isso, por acaso é você que vai fazer os trabalhos?-Cobra perguntou de forma grosseira.
—Não sou eu que vai fazer os trabalhos, eu só estou querendo avisar que o Pedro não vai poder, ele vai ensaiar com a banda dele.
—Banda?-perguntaram os dois juntos.
—E ele toca o quê, triângulo?-Cobra perguntou caindo na gargalhada logo em seguida.
—Guitarra- respondi seco.
—Então o nerd toca guitarra?!-Lírio questionou.
—É o que parece- respondi irônico.
—Olha que o boca metálica está petulante- Cobra tirou onda.
Pra minha sorte o sinal tocou senão eu entraria numa fria, eu já não estava mais aguentando as provocações daqueles dois.
—Cara você tá maluco? Quando eu falei que ia te ajudar, eu não quis dizer que ia te transformar num lutador.
—Eu sei cara, mas eu já não aguento mais aqueles caras me provocando.
—Olha Pedro eu sei que é difícil, mas você tem que ignorar, por que com certeza eles acabariam com você em dois toques.
O Johnny tinha razão, eu não poderia perder a cabeça com aqueles caras, se eles se irritassem, eu nem sei o que poderia acontecer.
(...)
Quando o sábado chegou, foi marcado o primeiro ensaio da banda comigo como guitarrista. Como sempre o Johnny me acompanhou, a galera até que é legal, foram os únicos até agora que não me zoaram, talvez seja aqui que eu me encaixe, talvez não tenha sido uma má ideia ter entrado na banda.
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