O Plano da Conquista - Perina
18 Sem chances
Notas iniciais
Karina
Poucos passos dei até minha casa, não era longe dali, mas vez ou outra parava tentando lembrar de algo da noite passada, mas era em vão, em minha mente havia sido erguido um muro, que me bloqueava, bloqueava cada pensamento meu em relação ao que aconteceu.
“Por céus, porque tinha que esquecer, por que tinha que ter me dado essa maldita amnésia?!”
Decidi parar de pensar um pouco nisso, entrei em casa e fui direto para meu quarto, parecia até que não havia ninguém em casa, estava um silêncio ensurdecedor, mas ao passar pelo quarto do João, vi que o nerd estava em casa, estava ocupado demais com um daqueles jogos dele, para me notar ali na porta do quarto. Resolvi ir logo para meu quarto mesmo, precisava tomar um banho bem relaxante.
A água morna percorria meu corpo inteiro, meus olhos estavam fechados, tentava imaginar o toque do Pedro, imaginava suas mãos percorrendo a minha pele, devo esta louca por imaginar isso, mas eu anseio o seu toque, é como se meu corpo necessitasse disso.
Desliguei o chuveiro e sai do banheiro, com a mente um tanto conturbada ainda, não conseguia raciocinar direito, esse garoto conseguiu me enlouquecer, me vesti rapidamente, com o pensamento longe, ou melhor, nele.
—Karina?!- acordei dos meus pensamentos com a Bianca me chamando.
—O que foi, Bianca?- perguntei fazendo sinal para que ela entrasse em meu quarto.
—Nada não, eu só estava passando e resolvi ver se já havia chegado- a Bianca estudava na Ribalta, ela queria muito ser atriz, todos que a veem não percebem quando ela está atuando, mas eu sim.
—Pode ir contando dona Bianca- me joguei na cama e esperei que ela começasse a falar.
—Não consigo esconder nada de você mesmo né?!- ela sorriu fraco e sentou-se na beirada da cama- Tem haver com o Duca- ela baixou a cabeça.
—O que aquele idiota fez dessa vez?
—Não consigo esquecê-lo, mesmo que ele tenha me enganado, que tenha me traído, eu não consigo esquecer os momentos que passamos juntos, das juras que ele fazia à mim, ele falava que me amava e me enganou, ele me fez sofrer e o pior é que continuo a gostar dele.
—Ei Bi, não fica assim, logo aparece alguém que vai te fazer esquecer ele e que vai te fazer muito bem.
—Tomara, mas mudando um pouco o foco da conversa e você?! Como é que tá esse coração aí?
—Ér...tá bem- com a Bianca eu era completamente transparente, não conseguia esconder nada dela também.
—Ah tá me engana que eu gosto- ela falou e me olhou maliciosa- Sei que passou a noite com o Pedro.
—Ai...que mente hein Bianca, não aconteceu nada e eu não passei a noite com ele, eu passei a noite na casa dele, é bem diferente, da onde já se viu acontecer alguma coisa entre eu e aquele...aquele garoto.
—Hunrum, sei, e eu sou uma adolescente de onze anos que acredita nisso, pode ir contando tudinho.
—Não aconteceu nada...
—Ah não K, eu conto tudo para você, por que não conta para mim também?!
—Mas é por que não...
—Nem vem com essa Dona Karina eu te conheço, desembucha.
—Arrrg quantas vezes eu tenho que falar que NÃO aconteceu nada entre EU e...
—Não me engana K, mentir é feio tá legal e...
—Foisóumbeijo.
—Peraí, fala mais devagar, deixa eu ver se entendi, vocês se beijaram?!- assenti abaixando logo a cabeça, não conseguia entender porque me senti tão envergonhada- E como foi?
—Nor..mal.
—Sei, mas e aí rolou mais alguma coisa?
—Não rolou mais nada- falei saindo do quarto e deixando ela ali, não queria falar sobre isso, me sentia bem desconfortável.
João
A nossa frente havia um mar maravilhoso, iluminado pela lua que estava enorme, as estrelas enfeitavam o céu, mas nada disso prendia a minha atenção a não ser a Bianca, zoei tanto o Pedro por estar todo apaixonadinho pela Karina, mas eu estou no mesmo estado, só que pela Bianquinha, eu a idealizo, sua pele alva, seus olhos castanhos, seu cabelo macio, o cheiro que emana da sua pele me embriaga, fico extasiado com a sua boca, queria tanto toma-la em um beijo, mas sou covarde, tenho medo de nem sua amizade possuir mais, e isso é bem provável, não sou do tipo de cara que as mulheres gostam, sirvo apenas para ser o amigo.
—João está tarde, acho melhor irmos embora- até sua voz me encantava, na verdade tudo nela me encantava.
—É melhor mesmo, mas me diz, está melhor?- a encarei e com um sorriso sem graça ela assentiu que sim, mas bem eu sabia que era o contrário.
Sem trocar mais nenhuma palavra fomos embora daquele lugar maravilhoso, chegamos em casa e não havia ninguém, a Bianca apenas se despediu de mim dizendo está cansada, sua boca foi de encontro ao meu rosto e por frações de segundos pensei em virar o rosto e provar seus lábios, mas a sensatez foi mais forte e me mantive estático, apreciando ao máximo o meio segundo que seus lábios entraram em contato com a minha pele, parece coisa de criança, aquele primeiro amor que só de receber um beijo na bochecha a pessoa se sente maravilhada por dentro, mas por pior ou melhor que seja, é a minha realidade agora.
(...)
Acordei bem cedo no dia seguinte, mas não queria ver a Bianca, na verdade queria, queria e não queria, sei que é bastante complicado, eu quero vê-la, mas ao mesmo tempo não, já que me sinto mal com isso, posso vê-la, mas não posso tê-la para mim, e isso me mata por dentro, é bem difícil você morar na mesma casa que a garota que você gosta, após tomar um bom banho, fiquei largado no quarto jogando videogame, era a única coisa que poderia me manter calmo no momento.
As horas passavam e eu permanecia ali, não queria sair do quarto e correr o risco de esbarrar na Bianca, ouvi a porta do meu quarto abrir, deveria ser a Karina, ela sempre tem essa mania de chegar abrir a porta e depois falar algo, certas coisas parecem não mudar, olhei para a porta, mas ela já não estava, deve estar querendo falar comigo, desliguei o videogame e saía em direção ao seu quarto quando recebi uma mensagem do Pedro, já até imagino o motivo dele querer falar comigo e o da Karina também, já me afastava dali par ir à casa do Pedro quando escuto a Bianca e a Karina conversarem.
—Pode ir contando dona Bianca.
—Não consigo esconder nada de você mesmo né, tem haver com o Duca.
—O que aquele idiota fez dessa vez?
—Não consigo esquecê-lo, mesmo que ele tenha me enganado, que tenha me traído, eu não consigo esquecer os momentos que passamos juntos, das juras que ele fazia à mim, ele falava que me amava e me enganou, ele me fez sofrer e o pior é que continuo a gostar dele.
É João, ela ainda gosta dele, sem chances para você.
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