O Plano da Conquista - Perina
11 Nunca
Notas iniciais
Pedro
Quando chegamos no Catete o Johnny foi pra casa dele e eu pra minha, eu já estava cansado de estar com aquela roupa, talvez nunca me acostumasse com ela, mas pra continuar com o plano, tinha que usá-las.
Joguei a mochila no sofá e subi as escadas tirando cada peça de roupa, meus pais haviam avisado que sairiam para resolver um problema que surgiu no restaurante, então eu teria a casa só pra mim, isso era bom, poder colocar a cabeça um pouco no lugar me afastar dessa confusão toda de Plano da Conquista, como o Johnny intitulou.
Havia feito uma trilha de roupas até meu quarto e quando o abri, não soube o que fazer, Karina estava deitada na minha cama folheando uma revista e eu?
Eu estava apenas de cueca na porta do quarto.
Ela me encarou surpresa e com certeza eu estava mais vermelho que um pimentão, então fechei a porta com tudo e fui em direção a cada peça de roupa e rapidamente fui as vestindo, estava muito envergonhado para falar com ela, mais era preciso.
—Eu...não...sabia que...viria pra cá- falei entrando no quarto sem conseguir encará-la.
—Tome- ela falou vindo até mim e me entregando uma pequena caixa.
—O que é isso?- perguntei enfim a encarando.
—Abra- disse simplesmente.
—Um celular?- perguntei surpreso.
—Isso mesmo, para que eu possa manter contato com você- ela falou e desviei o olhar.
—Você comprou isso pra mim?
—Se estou te dando, lógico que é pra você- falava óbvia.
—Eu não posso aceitar- devolvi a caixa em suas mãos.
—Ah pode sim e vai, nem foi tão caro e o Johnny pagou metade.
—O Johnny tá metido nisso?
—Ele falou que já estava sem tempo de você ter um, então para de ser orgulhoso e aceita logo.
—Tá bom, eu aceito, mas da próxima vez que eu precisar de alguma coisa, eu pago.
—Tudo bem, menino prodígio- ela falava levantando as mãos em sinal de rendição- Pelo menos vai evitar momentos constrangedores novamente- fiquei completamente vermelho ao lembrar do que aconteceu a pouco- Não precisa ficar tão envergonhado Pedro- Karina sentou na cadeira que tinha na escrivaninha e me encarou- Vamos agora aos passos mais importantes.
—Que passos?
—Os da sedução- a olhei surpreso e com um pouco de medo até.
—E...e...como é isso?
—Você terá que seduzir a Jade e não é só com esse rostinho bonito que você vai conseguir não, tem que ter mais sabe?
—E que mais seria esse?
—Você tem que envolvê-la com uma dança e com as palavras certas, nada de "E ai gata" ou "Tô afim de foder você"- acho que não preciso dizer que estava roxo de vergonha com o que ela dizia- Mesmo que a garota só queira isso, ela vai se fazer de difícil, ela vai querer se valorizar, então você irá falar essas coisas, mas de uma outra forma.
—Ainda não entendi- me arrependi na mesma hora que disse isso quando vi sua expressão.
—Vamos para a prática agora, pra ver se enfim você entende- ela pegou o celular e colocou uma música pra tocar.
Tocava a música Pompeii do Bastille.
Karina dançava no ritmo da música, seus movimentos pareciam coreografados, ela parecia sentir a cada toque.
—Se aproxime Pedro- ela fez um movimento com a mão para que me aproximasse.
—Como?
—Ai garoto deixa de ser lerdo- ela falou revirando os olhos- Finge que eu sou a Jade e você chega em mim, da pra fazer isso?- assenti e fui me aproximando, meio sem jeito já que eu não sabia dançar.
—Mas eu não sei dançar.
—Vem aqui que eu te ensino- ela falou estendendo a mão, toquei sua mão e ela me puxou para perto dela.
Como dei uma enrolada começou a tocar outra música era, Eyes on fire.
Karina entrelaçou nossas mãos e as movimentavas na tentativa de me ensinar como dançar.
—A Jade é dançarina, ela sente a música, seja a música Pedro.
—Mas se eu não sei nem dançar, como vou ser a música?
—Sinta-a- Karina fechou os olhos e movimentava nossas mãos, quando ela virou de Costa acabou se aproximando um pouco mais de mim, instintivamente toquei sua cintura e colei nossos corpos, a música era envolvente, seu cheiro era bom, sem pensar aproximei o rosto de seu pescoço e senti seu cheiro mais de perto.
A virei de repente e quando abri os olhos a vi ainda de olhos fechados, ela mordia o lábio inferior e a minha vontade era de tomar seus lábios em um beijo, mas fiz diferente de tudo o que imaginei.
—O que achou?- ela abriu os olhos e me encarou ainda com o braço envolta de sua cintura.
—Ér...é...até que você não dança tão ruim, é...da pra enganar- a soltei e ela se afastou um pouco.
Queria tê-la beijado, mas talvez estragasse tudo, talvez todo o plano fosse por água a baixo, tomei a atitude mais sensata, mesmo que fosse a que eu não queria.
—E o que eu falo pra ela? -perguntei tentando quebrar o silêncio constrangedor que havia se formado.
—Você tem que elogiá-la, diga que ela dança bem- Karina não me encarava, olhava para qualquer ponto do meu quarto, menos pra mim.
—Mais alguma coisa?- tentei manter contato visual com seus olhos, mas ela insistia em não me encarar.
—Vou lhe mostrar exatamente como fazer- Karina se posicionou a minha frente e deixou nossos corpos a centímetros- Você vai dizer, "Você dança bem" fale encarando os olhos dela, morda o lábio inferior, dê um pequeno sorriso de canto, aliás e sussurre em seu ouvido, "muito bem"- Karina sussurrou no meu ouvido me provocando um leve arrepio- Aí é só aproximar seus rostos- ela ficou com o rosto a milímetros do meu- E deixar que ela complete o trajeto, até que se beijem.
—Ah...é...-me afastei- até nos beijarmos?
—É- ela falou óbvia- Algum problema nisso?
Sentei em minha cama e encarei o lado oposto ao que Karina estava.
—Tem- falei soltando um suspiro.
—E qual é?
—Eu nunca beijei uma garota, não faço a mínima ideia de como fazer.
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