Notas iniciais
Boa Leitura!

Karina

Pedro tinha lábios macios, seu toque era suave e fazia um carinho gostoso em minha cintura. Sentir seus lábios mais uma vez era uma das melhores sensações que poderia ter nesse momento, um turbilhão de sensações brigava entre si dentro de mim, era um misto de sentimentos e a única coisa que eu sabia era que eu queria estar ali, com ele, em seus braços.

Abracei-o forte, queria senti-lo ainda mais próximo de mim, eu só queria que esse momento nunca acabasse, que ele nunca se afastasse de mim.

—Karina — Pedro parecia diferente — O que foi isso?

—Um beijo — olhei sua íris castanha — Não gostou?

—Por que você fez isso? — Como assim, porque eu fiz isso?!

—Pedro eu...eu...

—Karina o que você pensa que eu sou? — Pedro parecia ofendido, mas por quê?

—Como assim Pedro? Por que está me falando isso?

—Karina — Pedro afastou-se retirando minhas mãos de seu rosto — Eu não sou um brinquedo que você pode fazer o que bem entende, eu sou uma pessoa, eu tenho sentimentos e estou cansado de você brincando com eles.

—Pedro não é isso, eu, é... me escuta.

—Eu vou chamar o Jhonny para levá-la para casa.

—Pedro por favor me escuta.

—Não Karina, eu cansei disso tudo, eu não quero mais — Pedro virou as costas para mim, ele estava indo embora, eu não poderia, não dessa vez, deixá-lo ir.

—Eu gosto de você — Pedro parou seu trajeto.

—O que você falou? – Pedro me encarava novamente

Pedro

Como assim "Eu gosto de você"?! A Karina gosta de mim? É isso?

—Pedro até que enfim eu te encontrei — Eduarda aproximou-se.

—Eduarda?! – Havia esquecido completamente dela.

—Estava procurando meu parceiro de dança -ela falava sorridente.

—Sinto muito tê-la deixado esperando, mas eu precisei...

—Eu sei, quando encontrei com o Nando ele me disse que você estava ajudando uma amiga -Eduarda encarou Karina — Você é a amiga?

—Eduarda, desculpe-me de verdade, tê-la deixado só, sinto muito mesmo.

—Não tem problema, mas será que podemos voltar para a pista, quero me divertir mais um pouco.

—Sabe o que é, eu preciso ajudar a Karina.

—Tudo bem, eu só esperava me divertir um pouco com a única pessoa que realmente conheço, entendo que precisa ajudar a sua amiga, mas ainda assim ficarei sozinha. Vou procurar o Nando, assim não me sentirei tão deslocada.

—Eduarda, por favor me desculpe, não queria deixá-la só, mas realmente eu preciso fazer isso.

—Entendo, sua amiga precisa de você, vou voltar para o salão, mas quando voltar me procura, eu serei a pessoa mais desanimada da festa — Eduarda se aproximou e tocou em meu ombro despedindo-se.

Narrador(a)

João estava um pouco alheio na festa, parecia ser bom em dar conselhos, mas não seguia nenhum. Pelo menos não quando se tratava de se divertir e esquecer os problemas.

—Perdido? – Malu aproximou-se do rapaz.

—Perdido, deslocado, eu realmente não sei o que vim fazer aqui.

—Nossa que baixo astral é esse?!

—Não estou muito animado para festas.

—Mas, podemos mudar isso e agora – Malu puxou João pelo braço – Vamos dançar.

—Péssima ideia – João tentava avisar que não sabia dançar, mas Malu na verdade não se importava.

—Você só vai saber quando começar a se mexer e eu não aceito não como resposta.

João poderia estar se sentindo deslocado, mas o entusiasmo de Malu o atingira, pelo menos um pouco.

—Você vai se arrepender de ter feito isso – João falava contendo um pequeno sorriso.

—Isso é o de menos, quando estamos fazendo coisas que gostamos, que queremos, não há espaço para arrependimentos.

—Talvez as coisas sejam mais fáceis para você.

—Ou talvez você que complique demais as coisas – Malu aproximou-se mais de João, movia-se ao ritmo da música e tentava conduzir o novo...amigo.

—Também queria pensar dessa forma, mas não consigo.

—É só querer – Malu sabia exatamente o que queria e parecia pouco se importar com as consequências, aproximou-se ainda mais de João, mas desta vez fez algo que queria há um tempo, tomou os lábios do rapaz em um beijo.

(...)

—Algum problema Bi? – Ruiva questionou a amiga que havia ficado séria de repente.

—Nada, não foi nada.

—Ih amiga, vou fingir que acredito, mas fica tranquila, você não precisa me contar, ok?!

—Desculpa, eu só não quero falar sobre isso.

—Tudo bem, mas agora Dona Bianca, se anima, estamos em uma festa, nada de baixo astral.

—Você está certa, nada de baixo astral.

Karina

—Não precisa me acompanhar, eu conheço bem o caminho e estou bem.

—Já discutimos sobre isso Karina, você não está bem.

—Estou o suficiente para ir sozinha, pode ficar com a sua amiga nova.

Essa garota vai me tirar do sério, ela nem sequer disfarça o interesse no Pedro, eu não consigo ficar mais nenhum segundo ouvindo eles conversarem, nem parecia que eu estava presente, acabei de dizer para o Pedro que gosto dele, mas a única coisa que parece que ele se importa é em pedir desculpa para essa garota, depois ainda me diz que são apenas amigos.

Eu não acredito que estou com ciúmes, como é possível uma pessoa mudar tanto por causa de outra. Resolvi não esperar que as desculpas cessassem, não conseguiria ficar ali mais um minuto.

—Ei me solta – Pedro tocou em meu braço assim que me alcançou.

—O que deu em você? –Pedro me encarava sério novamente.

—O que deu em mim? – Isso é sério?

—Olha Karina, é impossível entender você, não tinha motivos para agir dessa forma.

—E não precisava ter mentido para mim.

—Eu menti para você? – Nos confrontávamos novamente.

—Disse que a Eduarda era apenas uma amiga, mas pelo visto são bem mais que isso.

—Eu não menti para você sobre isso, ela realmente é minha amiga e só isso.

—Então é bom explicar isso para ela.

—Olha Karina, eu realmente acho que nunca vamos conseguir nos entender.

—Eu também acho. É melhor encerramos essa conversa por aqui, para evitar mais discussões.

—Essa conversa ainda não acabou – Pedro segurou novamente em meu braço, para que o encarasse — antes da Eduarda nos interromper você tinha dito algo.

—Tinha? Eu não lembro.

—Vamos lá Karina, vamos esquecer toda essa confusão, toda essa discussão por um segundo e me responda – Pedro parecia baixar a guarda – O que você quis dizer quando... – Ele hesitava.

—Quando eu disse que gostava de você?! Você não percebe? – Encarei sua íris castanha – Eu estou apaixonada por você.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até o próximo!