O Plano B

23 XXII- What Lies Beneath.


Notas iniciais
Olá, leitores e leitoras queridos. Cá estou eu, com mais um capítulo de o plano B. Demorou um pouquinho, mas acho que para quem esperou cinco anos vocês não devem se importar tanto assim kkk eu resolvi demorar um pouco para postar, porque além das aulas da facul terem voltado, muita gente me pediu um tempo para reler a fanfic. Ah, fiquei muito feliz em saber que ainda existem leitores fiéis a esse shipp e a essa fanfic. Muito obrigada por não terem desistido de mim! Eu falei que ia continuar a história indepedente dos comentários, mas cara, eles ajudam muito a inspiração a vir! Então, obrigada a quem comentou, foi mais ou menos 5% de todos os que leram o capítulo anterior, mas me ajudou muito! Eu me inspirei por vocês e por isso esse capítulo tem um lemon que eu nem ia por hahhahah é um lemon um pouco diferente dos outros, talvez pela minha experiência ter se esvaído um pouco nesses cinco anos sem yaoi, mas também por um outro motivo que logo vocês saberão Enfim, espero que vocês gostem! Beijinhos, Lívia Black.

Das profundezas da mente de L, um rompante de lucidez decidiu atrapalhar aquele momento romântico dos dois.

Subitamente, o detetive apartou-se de Raito, interrompendo o beijo ao empurrá-lo de maneira violenta, conforme seu corpo se retesava e os olhos se arregalavam. Sentiu a garganta apertar numa sensação que para ele, era muito pouco familiar… era uma mescla de vergonha com medo.

Sentiu os orbes castanhos do rapaz confrontando-o com um quê de hesitação, a boca semi-aberta indicando supresa com a repentina reação do mais velho.

—O espelho. — L falou, num tom de voz que não tinha vida. Era quase como se sentisse os segundos dela se esvaindo, e já não tivesse qualquer motivo para deixá-la transparecer no próprio timbre. -Eu não verifiquei o espelho. -Afirmou, de maneira tão completamente derrotada como ele mesmo se sentia. -Eu simplesmente me olhei.

L nunca achou que pudesse ser capaz de sentir tanta vergonha de si mesmo na vida. Ele tinha tantos hábitos supostamente vergonhosos, como a fixação oral e o jeito de sentar/andar, mas por mais que já tivesse surpreendido diversas pessoas, jamais sentira nenhuma sensação de constrangimento. Dessa vez, no entanto, o constragimento era tanto que o fez desejar ser engolido pelo chão. Porque aquilo se tratava de sua antecipação lógica. Algo que não devia falhar – aliás, que não podia falhar, porque era completamente vergonhoso que falhasse. E muito menos na frente de Raito.

Ainda não conseguia acreditar que o desvio havia realmente acontecido. Era novo; uma ideia completamente anti-natural.

O Yagami sorriu amarelamente.

—Eu ia mesmo explicar, antes que você resolvesse me acusar de qualquer coisa inapropriada. Tem uma sala que pode ver através do espelho, onde está instalada a segurança da loja. Os doces daqui são bem caros, sabia? Feitos com chocolates bélgicos e suíços e tudo mais. Eles recebem uma quantidade gigantesca de clientes por dia, o que os torna bem abastados. Mas a sala não está sendo mais utilizada. Depois de Kira, não houve mais nenhuma tentativa de assalto... -O detetive sentiu o corpo estremecer; a vergonha, que até então era o sentimento predominante de seu ser, foi susbtituída por ódio, um ódio intenso e lancinante. Cerrou os punhos e mordeu a parte interna dos lábios, agradecendo internamente aos céus por ter se afastado do Yagami, do contrário, era bem capaz que começasse a desferir golpes no garoto, tamanha era a raiva que sentia de si mesmo e dele naquele instante. -Kira é um assassino impiedoso, mas, se pensarmos em termos práticos, seu juízo mantém a segurança civil bastante eficiente. Mas eu mesmo me assegurei de que a sala ficasse completamente vazia e não tivesse nenhum tipo de câmeras lá dentro. Você pode verificar se quiser.

L absorveu as palavras, mal acreditando na ousadia que o mais novo tinha de, de certa maneira, referir-se a Kira como um agente eficaz na manutenção da segurança civil. Essa responsabilidade era de L, a justiça em forma de ser humano. Quem o Yagami pensava que era para pedir que ele pensasse em “termos práticos”? De que importavam os termos práticos quando milhares morriam por qualquer delito, por menor que fosse, e os crimes não haviam cessado por entendimento e respeito das leis e sim por medo e opressão? Aliás, quem ele achava que era para falar de maneira tão natural, como se não tivesse a menor chance de se incriminar? Aquele egocêntrico metido realmente estava querendo brincar com fogo. Isso sem mencionar que, não tivera que se dar ao trabalho de confirmar seus piores receios, de que poderia ser visto atráves do espelho maldito. O próprio Yagami o afirmara, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e como se fosse passar despercebido para L que ele só o fizera depois que o moreno encarara fixamente seu reflexo sem máscara nele. Todo o amor e gratidão que havia sentido por ele há segundos, dissolveram-se num rancor profundo e vingativo.

—Yagami-kun, eu estou com tanta raiva de você nesse momento que não acho que consigo ficar nesse lugar por nem mais um minuto. -Declarou num tom frio. Em seguida, pegou o celular, apertando apenas um dígito que mantinha a salvo o número que queria discar. A ligação foi atendida quase que instantaneamente. -Watari. -Começou, num tom firme e ríspido. -Se eu morrer, nesses próximos dias, o culpado é Raito Yagami. -Lançou um olhar gélido para o mais novo. Em seguida, sem se despedir, desligou o telefone. -Vamos voltar para o QG imediatamente.

Raito o encarava a distância, parecendo extremamente perplexo pelo que acabara de ouvir. Não era do feitio de L tirar conclusões tão precipitadas, que não tinham nenhuma prova substancial, mas aparentemente crescentes doses de irritação e necessidade de intimidação haviam tomado conta de todo o seu processo lógico de agir. E havia funcionado: algumas gotas de suor começaram a se acumular no canto da testa de Raito e a luz do lustre acima de suas cabeças faziam-nas se refletir ao alcance da visão de L. Além disso, ele passou a nutrir uma áurea triste e miserável.

—M-mas...Ryuuzaki, como assim?! Eu só esqueci de falar…

—Eu não me importo com as suas desculpas.

—Nós não podemos ir embora! Eu tinha planejado a noite perfeita!

—Azar o seu. Se você quisesse que nós tivessemos a noite perfeita, você não teria escolhido um lugar como esse.

—Mas eu desativei todas as câmeras. E você pode verificar o outro lado se quiser: está vazio! -O Yagami insistiu. Ele realmente parecia querer que L acreditasse nele, como se verificar o aposento fosse minar qualquer estrago, quando era óbvio que não havia remédio naquele caso.

—Vou repetir: eu não me importo. Se eu morrer, será exclusivamente por sua conta e risco.

—Você não vai morrer!

—Se você quiser não ser preso, realmente, eu não vou.

A ameaça pairou no ar por alguns instantes, enquanto os dois trocavam olhares fixos,raivosos e igualmente intensos. A tensão no ar era tanta que se tornara quase pálpavel, preenchendo a distância entre seus corpos. Um silêncio insuportável começou a se agregar a ela, e foi nesse instante que o Yagami pareceu se dar por vencido, fechando os olhos e balançado a cabeça, suspirando em seguida.

—Eu não acredito que isso está acontecendo. L, você está sendo completamente infantil. Você nunca foi de tirar conclusões absurdas e precipitadas como essa. Eu sinto muito por não ter pensado em avisar antes, eu só queria que você se visse. Era mais importante que qualquer coisa naquele momento.

—Aham. Por que eu sou muito bonito e tudo mais, não é? Acho que eu deveria substituir o verdadeiro Ryuuga Hideki! — L quase não reconhecia a própria voz com o sarcasmo que havia embutido nela. Queria machucar o Yagami, queria que seu tom de voz pudesse incomodá-lo tanto quanto ele próprio se sentia incomodado.

—Porque eu queria que você se enxergasse como eu te enxergo! -O outro retrucou, ofendido. -Eu fiquei realmente indignado com as suas palavras e não pensei racionalmente no que você se olhar no espelho poderia implicar. Mas assim que você falou sobre ele, eu não menti! Eu não teria nenhuma razão para mentir para você sobre isso. Eu te amo, seu detetive estúpido! Quantas vezes eu tenho que repetir até que você enfie na sua cabeça teimosa? Eu também me preocupo com a sua segurança! Eu te quero vivo. A salvo. E-eu...Eu quero te proteger.

A princípio, enquanto o Yagami ia falando, palavras caústicas já iam se escondendo atrás da língua de L, prontas para serem enunciadas assim que ele terminasse seu discurso fingido. No entanto, a medida que o garoto foi falando, algo, que não passou despercebido por L, no jeito dele se portar, foi mudando. Até mesmo Raito parecia estar surpreso com as palavras que saiam de seus próprios lábios e ninguém no mundo que olhasse para aqueles olhos faiscantes, enquanto enunciavam tais sílabas, poderia dizer que eram olhos dissimulados. Havia tanta transparência ali quanto numa poça num dia de verão. Aos poucos, o detetive sentiu as palavras amargas munidas por sua boca sendo deglutidas, até que ele esquecesse completamente o conteúdo delas. Ainda sentia raiva, ódio, indignação e traição, mas tudo era como se uma gigantesca nuvem com a forma daqueles dizeres estivesse embaralhando as letras desses sentimentos, aquietando-os.

Ficou simplesmente sem reação, e o Yagami aproveitou a brecha para se aproximar. Primeiro, com passos sutis. Depois, ao ver que L mantinha-se impassível, com mais agressividade. Sem pedir licença, ele pegou sua mão, que estava largada diante do corpo. O moreno não esquivou, nem demonstrou qualquer reação quando Raito começou a desenhar círculos nela com um de seus polegares.

—Por favor, não vá embora. -Pediu docemente, quase suplicando. Entrelaçou os dedos nos de L. Em seguida, aproximou-se e debruçou-se sobre ele, lenta e cautelosamente, como se tivesse medo de que o detetive fosse empurrá-lo ou chutá-lo, como parecia ser o caso minutos atrás. Mas o corpo de L parecia ser uma escultura de gelo. A única coisa que negava isso era o mínimo calor que sua pele emanava, e a pulsação ritmada que Raito sentiu ao encostar o rosto no canto da curva de seu pescoço. — Vamos comer bolo. -Sussurrou, provocando-o ao aproximar a boca de seu ouvido, beijando o que era o limite dessa região com sua nuca. — Vamos apreciar a vista desse lugar rolando naqueles tapetes até o dia amanhecer…

L não entendia o que estava acontecendo consigo. Tinha completa consciência de seu ódio por ter sido enganado com o espelho, completa noção da existência de sua vontade de castigar o Yagami, assim como de seu desejo de infringir-lhe dor, fazê-lo se sentir envergonhado como ele próprio se sentia. Mas ao mesmo tempo, seu corpo não reagia para empurrá-lo ou afastar o toque venenoso de seus lábios– como sempre, cada fibra do seu ser parecia pedir por mais, implorar por aquele contato físico, e seu coração de criança se derretia em sonhos infantis com as sensações adversas causadas por aquela declaração do mais novo de que que o amava e de que queria protegê-lo. Além disso, ele estava pedindo para que L ficasse ali. Parecia incompatível: Se Raito quisesse só ter seu rosto registrado, ele não se importaria que fossem embora agora, não precisariam ficar mais naquele lugar ou fazer todas aquelas coisas que ele estava enunciando enquanto o provocava. Tudo aquilo o fazia se sentir incapaz e triplicava seu ódio e confusão em relação aos sentimentos do mais novo e aos próprios.

O Yagami começou a distribuir beijos delicados em toda a extensão de seu pescoço, e L não podia impedir a própria pele de se arrepiar. Enquanto não sabia o que fazer, não fazia nada, e isso só piorava a situação rendida em que se encontrava naquele instante.

Felizmente, para o alívio de seu desespero interior, ele continuava sendo o melhor detetive de todos, e até podia demorar um pouco mais para virem quando estava na entorpecente presença de Raito, mas suas ideias geniais nunca o abandonavam.

Ele queria encontrar uma forma de castigar o Yagami e envergonhá-lo, ao mesmo tempo em que queria ceder aos encantos dele, e só havia um único jeito de fazer as duas coisas não se contradizerem. Agora ele sabia qual era.

Apertou a cintura do mais novo com as mãos, para a surpresa deste, que pareceu apreciar o gesto, começando a chupar seu pescoço. O detetive fechou os olhos e soltou um pequeno grunhido, encrustrando os dedos na pele por debaixo da camisa dele com a maior força que conseguiu nutrir nos próprios dedos.

Raito não pareceu se importar, a sucção na pele de L até foi impedida momentaneamente por um sorriso de criança que convenceu os pais a comprar o brinquedo mais caro da loja. Mas foi nesse seu baixar de guarda inocente que o detetive utilizou-se de sua própria força descomunal, que não se transparecia tanto por debaixo das roupas, para colocá-lo de costas para ele e pressioná-lo contra o balcão de doces, passando os braços por debaixo dos seus, prendendo-o e deixando-o completamente imobilizado.

—Mas o que ...-Raito não conseguiu terminar a frase, porque foi a vez de L começar a beijar sua nuca, eriçando cada um de seus minúsculos pelos, e colocar um dos braços por debaixo de sua camisa, esfregando seu mamilo direito com polegar. Antes mesmo que pensasse em mudar de posição, uma familiar agitação em seu baixo-ventre concordou em permanecer exatamente como estava. Além de que não achava que ia conseguir convencer o detetive a ficar com ele aquela noite, e não era bom fazer movimentos bruscos enquanto ele retribuia.

Os dedos da mão esquerda de L começaram a desabotoar a camisa do mais novo, enquanto os beijos se transformavam em sucções e lambidas, e em seguida percorreram a extensão de seu tórax, dedilhando cada canto de seus músculos com adoração. Mantinha a carícia em seu mamilo, contornando a ponta e apalpando-a. Sentia o corpo de Raito estremecer debaixo do seu e o formigamento da própria ereção começando a surgir. Mudou sua boca de posição até a altura da orelha de Raito, e a mordiscou impiedosamente.

—Eu não confio em você. -Murmurou, de repente, com a mão que dedilhava o corpo de Raito descendo para encontrar seu cinto. -Não confiava antes e agora confio ainda menos. Você não esqueceu do espelho, porque você não é do tipo que se distrai e esquece uma informação dessas. Por alguma razão, você não quis me contar dele antes que eu me olhasse, e eu não posso ignorar a relevância disso. Posso considerar que foi para me provocar, porque você gosta de me irritar com essas coisas, diz que eu sou paranoico por suspeitar tanto. Mas se uma Regra do Death Note não te mantivesse inocentado, você estaria completamente fodido, Raito. Não existe nada comprovando que você não seja um associado de Kira, já que essa Regra o impede de ser o próprio. Você acabou de elogiar os efeitos das ações dele. E é por isso que eu não aceito seu pedido de desculpas. Quaisquer que sejam seus motivos, o fato de você me amar não muda nada…

L quase sentiu-se arrepender por falar explicitamente para Raito que não confiava nele, já que o teor de seu plano para encurralá-lo era justamente demonstrar que acreditava nele, que não iria mais investigá-lo, isso pelo menos até o final do teste verdadeiro e do teste falso que seriam realizados sobre o caderno.

Mas ele queria era que mais que se fodesse tudo aquilo, estava cansado de fingir que podia acreditar mesmo nessa realidade perfeita em que o Yagami era inocente, seu melhor amigo e seu amor, que tudo que ele fazia não tinha nenhum teor de culpa, suspeita ou malícia. Era desgastante demais – eles já estavam na véspera do décimo terceiro dia, e não havia nada que Raito pudesse fazer. Desde que cometera aquela primeira vez o deslize de não demonstrar confiança no mais novo,e alertar que ele estava em perigo naquele relacionamento, tomara precauções para que, se Raito suspeitasse que ele estava testando a Regra dos 13 dias, não houvesse a menor possibilidade de ele descobrir quais eram os nomes dos suspeitos que haviam escrito no caderno para então matá-los e se inocentar.

Se por acaso ele descobrisse os nomes e resolvesse os matar, cairia numa armadilha, e o que aconteceria é que ele se incriminaria ao mesmo tempo.

Sua intenção com aquele aviso desesperado naquele dia, era consequência do desejo que, naquele lapso de seu amor devastador, Raito tivesse uma chance de fugir de suas garras furiosas de Justiça; que, caso a Regra fosse falsa, ele não se entregasse tão fácil quando fossem fazer o teste falso e conclusivo sobre a identidade de Kira, porque sem provas definitivas, ele seria apenas preso ,e não condenado à morte, que era exatamente o que o egoísmo de Lawliet queria.

Mas agora não era nem isso: o teatro apenas havia chegado no seu limite.

—Então... Você...hm.. Acredita no meu amor? — Raito falou pausadamente, porque L havia desafivelado seu cinto e sua calça agora jazia amontoada sob seus pés, e o garoto não conseguia conter o fôlego enquanto L acariciava seu membro, que parecia ter ficado ainda mais rijo depois das palavras intimidadoras dele, por debaixo do tecido fino da roupa íntima. Seu tom de voz, recheado de prazer, era de quem se sentia importante, quase como se não tivesse ouvido qualquer coisa que L estivesse falando até aquele momento exceto essa parte, que era de seu interesse. -Fico feliz por isso...

Se ele pretendia irritar ainda mais o detetive, como era de seu feitio, funcionou perfeitamente: a fúria do moreno se triplicou.

—É claro. — Acabara de enunciar sua falta de confiança, então não era esse tipo de fala e reação que estava esperando. Quando o garoto tentou se virar de frente para ele, foi a gota d’água. Decidiu intimidá-lo mais praticamente: mordeu seu ombro com força, enquanto pressionava sua ereção contra as nádegas dele. Só haviam feito uma vez daquela maneira, porque mesmo sendo prazeroso, o Yagami detestava estar numa posição submissa, e por isso mesmo L não via um momento mais perfeito para repetirem. -E vai me amar mais ainda daqui alguns minutos.

Ele finalmente entendeu o que isso significava depois que o detetive utilizou-se de um quê irônico no timbre.

—Ei, L, espera. Você não está, por acaso, achando que vai conseguir ficar por ci-O detetive apenas fez “Shhh” e calou sua boca ao pressionar sua garganta com o braço esquerdo em uma espécie de chave pescoço..

—Você parece ter se esquecido quem é que tem poder nessa relação.- O moreno comentou num tom cínico. Raito protestou balançando a cabeça, as palavras imponentes ao pé do ouvido causando-lhe arrepios involuntários, enquanto se agitava e tentava inverter sua posição vulnerável, incapaz de compreender como L conseguia ser tão forte -na verdade, não, não era uma questão de força, pois Raito também já o havia encurralado sem que ele aparentemente conseguisse se libertar; eram, sim, aquelas técnicas de luta completamente bizarras para alguém como L possuir, e que ele pouco conhecia e portanto não sabia se desvencilhar. Antes que conseguisse chegar sequer perto de bolar um plano de liberdade, o detetive tinha já lubrificado a outra mão com saliva e ele a sentiu apalpando em seu pênis enquanto o colocava para fora da calça. -Mas não se preocupe, Raito-kun. -O tom de voz dele explicitava para que Raito fizesse exatamente o contrário do que fora sugerido. -Eu vou fazer você se lembrar… — e começou uma massagem torturantentemente deliciosa em seus testículos, percorrendo em seguida desde a glande até a base, com uma habilidade que entorpecia seus sentidos e anunciava sua derrota, pois que o impedia de fazer qualquer coisa se não se render ao prazer, inebriado pelo cheiro de L tão perto dele. Era estranho, ele normalmente não gostava de estar em uma situação como aquela, e no entanto um lado seu gostava daquele L violento que lhe mostrava as garras. Quando começou a gemer, o detetive soltou a pressão em seu pescoço, e Raito presumiu corretamente que era justamente para ouvir os ruídos. Conteve-os o máximo que pôde, o que não era muito dada sua situação crítica. Mas o orgulho falava mais alto, e não importava que L estivesse furioso com ele e precisasse apaziguá-lo, ele iria retrucar.

—É claro que eu não me esqueci. Até porque, a propósito, você não ia embora?

Percebendo o que Raito queria insinuar com aquela pergunta nada sutil, mas sem conseguir formular uma resposta a altura, L apenas acelerou a masturbação. Ficou satisfeito ao vê-lo se retesar, sem antever aquela súbita mudança em seus movimentos.

—Não seja patético. Suas palavras ridículas não tiveram a menor influência na minha decisão.

—Ahaaam...mnn... s-sei...

—Eu apenas estou apenas satisfazendo um capricho pessoal meu.

—Hmmm…hum….

—Você vai ver. Ou melhor, sentir.

Sem diminuir o ritmo, L foi se agachando lentamente, percorrendo as pernas de Raito com a mão livre, até seu rosto ficar à altura das nádegas dele. Elas eram rendondas e arrebitadas, e aquela era uma visão que, apesar de L não querer admitir, ele não se incomodaria de ter todos os dias da sua vida, por várias horas, se possível. Desceu o tecido da boxer que ainda a cobria, deliciando-se com a visão da pele desnuda… ouviu Raito murmurar alguma coisa em protesto, mas em resposta jogou as caríciais mais sobre a região glande, e ouviu, satisfeito, os gemidos voltarem. Então, realizou a coisa mais instintiva que alguém realizaria se estivesse na posição que ele estava agora e desferiu pequenas mordidas intercaladas com beijos e sucções no traseiro de Raito. Tinha quase certeza de que se pudesse olhar para o rosto dele nesse momento, ele estaria corado.

Em seguida, apalpou-o, afastou uma nádega da outra e foi percorrendo os limites de sua entrada lentamente com a língua. Sabia que independente da reação de Raito ser positiva ou negativa àquilo, não iria parar.

—O que diabos você está fazendo?! -O Yagami perguntou, como se fosse censurá-lo, porém o corpo dele reagia de maneira diferente do toque de censura, inclinando-se involuntariamente mais em sua direção. Encorajado pelo gesto do mais novo, e não por suas palavras, continuou lambendo e dando selinhos na região. -N-não me diga que você vai…-Então L completou sua frase e o penetrou com a língua. -Ahhjj!

O barulho que escapou dos lábios de Raito foi digno de causar vergonha a uma atriz pornô: o moreno fez questão de memorizar o som para se divertir mais tarde com a lembrança. Sentiu o calor do líquido pré-seminal em seus dedos, o que era mais do que uma prova de que o garoto estava sentindo algo, definitivamente, muito prazeroso. Ele, por outro lado, sentia o desconforto de ter sua ereção pulsando dentro da calça, ansiosa, como se perguntasse se havia sido esquecida no meio de toda aquela discussão. Diminuiu o ritmo da masturbação, mas continuou invadindo-o. Quando sentiu que a movimentação de sua língua dentro do mais novo havia o umedecido suficientemente bem, substituiu a língua pelo seu dedo indicador. Raito, que obviamente não estava preparado para a invasão brusca de algo tão comprido como seu dedo deu um pulo.

—Eu não concordei! — Protestou, num tom de voz manhoso, devido ao fato de estar com os cinco sentidos afogados naquele mar de prazer.

L riu pelo nariz.

—Na verdade, eu que não pedi.

Continuou com movimentos de vai-e-vem na ereção do outro e também dentro dele, enquanto tentava localizar sua próstata. Apesar de L ter feito isso apenas uma vez, ele era do tipo que aprende fácil: curvou a ponta do dedo para cima e foi um pouco mais para direita e a força com que Raito apertou a mesa do balcão enquanto soltava um grunhido que só poderia ser dito de um prazer agonizante lhe trouxeram a certeza de aquele era o ponto certo. A partir desse momento, passou a estimulá-lo somente naquele local -sabendo, por experiência própria, o quanto aquilo era maravilhoso e conseguia dissolver completamente o mundo ao seu redor, e também que seria praticamente impossível que ele controlasse o orgasmo por muito tempo. Por isso não hesitou em inserir um segundo dedo.

Dessa vez, o grunhido de Raito foi mais de dor do que de prazer. Mas L não se importou muito com isso, afinal, não queria que Raito se desfizesse tão cedo e nada melhor que um pouquinho de dor para diminuir essa probabilidade. Não deixou o mais novo senti-la por muito tempo, no entanto- o prazer de ter a próstata pressionada era mil vezes mais intenso do que a dor de ser invadido, e o garoto nem foi capaz de reclamar, como da primeira vez. Passou a fazer movimentos de tesoura.

—Você está gostando, não é, Raito-kun? -Provocou, sabendo que Raito estava numa posição muito delicada para responder, com suas duas regiões mais sensíveis sendo estimuladas impiedosamente.

Num lapso de sanidade, Raito apenas conseguiu reunir forças para um murmúrio.

—N-não sei…

L adoraria poder ver o rosto dele naquele instante. Devia estar todo vermelho, seus olhos fechados, e os lábios mordidos para conter ruídos mais constrangedores que aqueles que escapavam...em resumo, um verdadeiro tesão. Imaginou que, se quisesse, poderia chegar ao ápice apenas com aquela imagem mental.

—Não minta para mim! Você está sendo um verdadeiro mentiroso hoje. Isso me irrita profundamente. -Enfiou o terceiro dedo com ainda menos cuidado do que o segundo, e devido aos movimentos de tesoura feitos anteriormente, conseguiu ter espaço para ir direto na direção próstata, enquanto segurava forte e movimentava seu membro com a outra mão.

—Ok, ok, detetive. Eu tenho que admitir que você sabe o que faz nas preliminares. Mas isso é só porque você deve ter tido anos de prática em si mesmo, antes de me conhecer. Você sabe que, quando se trata do ato em si, eu sou muito melhor que você e..

Aquela foi a gota d’água para o detetive. Ele concluiu que para um ato vingativo, já estava mimando-o demais e por isso, pressionou o corpo dele contra o balcão.

—É exatamente isso que nós vamos ver – L debochou, e em seguida o penetrou de uma só vez, antes que o garoto resolvesse continuar com aquele discurso infantil de superioridade.

Seu membro, naquele nível de excitação, era tão mais grosso e maior que os três dedos juntos, que tudo que pode sentir foi os músculos dele se contraindo ao redor de si conforme abria a passagem.

—aaaahh…

Queria poder dizer que se manteve lúcido para ouvir com clareza o ruído que escapou dos lábios do garoto, assim como observá-lo curvando-se para frente e tremendo da cabeça aos pés, mas seria mentira demais. A sensação de prazer gritante que o invadiu o fez fechar os olhos e deitar a cabeça para trás, enquanto diluia sua raiva e dissolvia todos os dilemas que passavam em sua cabeça, a respeito das atitudes reprováveis do garoto aquela noite e das suas próprias fraquezas. O torpor removeu o controle perfeito que estivera exercendo sobre Raito, até então, e seu corpo começou a mover-se contra o dele de maneira instintiva e selvagem, algo potencializado pelo canal dele começar a contrair.

—Oh...L...n-não...você não p-pode...não p-pode...eu não...ann... gosto assim…

Em algum canto de sua mente conseguia ouvir Raito protestar, mas parecia ser algo bem distante e inintelegível, diante de todo resto que sentia. Isso significa que, urgentemente, precisava se recompor. Não conseguia acreditar que já estava quase à beira de um orgasmo, mas até que fazia sentido: era simplesmente muito bom descontar toda sua raiva, luxúria, amor, ódio, e mais toda uma mescla de sentimentos controversos em estocadas longas e velozes naquele lugar estreito do seu namorado.

Mas o rapaz lhe fizera praticamente um desafio, ao dizer que era melhor nisso do que ele. L não aceitava bem não ser o melhor, e isso não valia só no âmbito intelectual. Por isso, fechou os olhos, e pensou em Misa Amane abraçando Raito, em Watari com calças legging cor-de-rosa e no pequeno Nate brincando com seus bonequinhos. Tudo isso deixou seu ápice uns bons minutos mais adiante e conseguiu abrir os olhos, encarar aquela cena que era um tesão absoluto com um pouco mais de tranquilidade.Mordeu o ombro de Raito, que gemia baixinho, mas L bem sabia que ainda não havia atingido sua próstata, e isso era simplesmente inaceitável se queria realmente castigá-lo. Estocando lentamente, mas com força, arranhou o abdomên dele e em seguida voltou a massagear sua intimidade inteiramente rija.

Masturbando-o, mudou de angulação até atingir o lugar almejado. Foi só desviar sua atenção para o assunto para conseguir achar, o que era quase um recorde, já que só havia feito isso uma única vez na vida.

Teve que conter o riso, pois a reação de Raito foi no mínimo hilária. Os joelhos dele bambearam, seus gemidos se transformaram em grunhidos e mesmo se pressionando contra ele, seu corpo parecia ter se derretido como uma manteiga, simplesmente ficando inerte.

Acelerou as investidas, deliciando-se em atingir bem aquele lugar por praticamente cinco minutos inteiros, os espamos e ruídos de Raito, além da penetração, servindo como incentivo para multiplicar por horas… Até que, repentinamente, e lutando contra os próprios impulsos de continuar a penetrá-lo com máxima intensidade, L saiu de dentro dele.

Agarrou e puxou os cabelos macios e castanhos, para alcançar seu ouvido esquerdo.

—Quem você estava dizendo que era melhor no sexo, princesa?

O menor cerrou os punhos. Demorou uns bons segundos entre respirações para conseguir interpretar o que estava acontecendo. E quando finalmente interpretou, todo o seu sangue ferveu transparecendo o quanto ele estava irritado.

—Ryuuzaki…- ainda estava arfante -Seu filho da puta.

—Uau! Que xingamento mais criativo, Raito-kun. Eu não poderia ter pensado em algo tão inovador..

—Não estou exatamente em condições de ter criatividade, caso não tenha notado, gênio.

—Ah, que pena. Eu, por minha vez, estou no auge da minha inspiração…

—Apenas cale essa boca e continue o que você estava fazendo!

—Ah, era para continuar?Pensei ter ouvido você pedir para que eu parasse. — O detetive fez uma voz de inocência, que claramente forçada.

—E agora estou mandando você continuar.

—Você disse que não gostava desse jeito.

—Pessoas podem mudar de ideia.

—Ou elas podem simplesmente mentir. -L pontuou causticamente -Como você sempre faz.

—Eu nunca minto pra você, L. —O garoto se virou para a frente de com rapidez, antes que o detetive fosse capaz de impedi-lo. Encarou-o no fundo dos olhos, por alguns segundos suficientes para perturbá-lo por completo, e falou com voz de uma certeza estarrecedora, que ressonou por todo o ambiente.

—…-Ah, mas que droga.

Tentou desviar os olhos dos dele, mas Lawliet simplesmente não deixava. Era difícil demais lidar com aquele olhar amendoado hipnptizante e recheado de sinceridade. Quisera mantê-lo de costas para descontar seu ódio nele com perfeição, porque sabia que isso não era exatamente possível se estivessem face a face.

—E nem teria porque mentir. Até porque a verdade aqui é bem óbvia -As mãos dele tomaram o rosto do detetive para si, depositando um beijo suave sobre o canto de seus lábios entreabertos e questionadores. — Eu quero você.

L finalmente conseguiu desviar o olhar, seus lábios se curvando quase num beicinho.

—Você me deixa confuso.

—Eu sei.

Vergonhosamente, demorou apenas uma fração de segundos, ou menos que isso, para que o detetive cedesse em transformar aquele sexo dominante e recheado de ódio e tensão em algo romântico e suave, como era a sutil proposta do novo beijo que Raito estava lhe aplicando naquele momento. Sem pensar em mais nada além daquela sensação de formigamento em seus lábios, aprofundou-o, bricando com selinhos e deixando suas línguas se tocarem, ao mesmo tempo em que o envolvia em seus braços.

Suas intimidadades roçaram uma na outra, causando arrepios de prazer.

Sem que ambos se dessem conta de como, deram-se por si deitados, aos beijos, no chão acarpetado da doceria.

Raito debruçou-se sobre L e suavemente inseriu o próprio corpo no dele, encaixando-se já na configuração certa para o prazer máximo de ambos, quase como se o detetive fosse um quebra-cabeça e ele, a peça que restava para completá-lo. Começaram a gemer e movimentar-se numa mistura que, apesar de não poder ser chamada nem sincrônica ou de melódica, era…. melhor do que isso. Passaram a manter o maior contato de peles possível,como se qualquer centímetro de suas peles que não se encostasse protestasse ardendo pela distância. Era um sentimento tão incrível e fascinante que essa proximidade trazia, que era quase impossível acreditar que ele existia…

E ironicamente, a prova dessa realidade era a lembrança de ambos sobre suas próprias identidades, infiltrada nos porões de suas mentes, que se sacudia e perguntava: “como foi que eu pude cair numa armadilha dessas?”