O Plano B
19 XVIII - Illusory Deed.
Notas iniciais
Eu sei, eu sei. Vocês devem estar pensando: um mês sem att. e essa tia vem apenas com "Yo, minna-sama?". É, pois é. Gomenasai. :CC Há vários motivos para eu ter demorado tanto para escrever esse capítulo... Acho que o primeiro deles foi eu ter arranjando um *caham* , por falta de palavra melhor, namorado. Sabe quando você só tem cabeça pra pensar em uma única coisa? Então, lá me via eu pensando no baka enquanto tinha que escrever OPB e... enfim, sou podre. e-e'
Outra coisa é que a fic tem muitos, muitos detalhes, e eu tenho que deixá-los organizadinhos num roteiro, para que não fique nada fora de sua devida coerência, e isso dá preguicinha. :/
E o último fator, foi a minha falta de inspiração para lemon que, mesmo assim, espero que não tenha danificado o conteúdo do capítulo que vocês tiveram que esperar tanto para poderem apreciar... DD:' Apesar de eu ter achado meio... argh, e nem ter relido, a Bell leu e aprovou e eu confio nela. (: qualquer coisa, vcs a processem!
Então, sem mais delongas, e com um agradável pedido de desculpas, despeço-me de vocês. E, como estou de férias, prometo que não vou voltar a demorar tanto assim :3
Beijitos no s2
L.B.
Raito empurrou o detetive contra a parede adjacente às bancadas de mármore, prensando-o ali sem medir violência. E antes que pudesse ponderar sobre o quanto aquilo serviria ou não para avivar suas suspeitas, roubou o lábio inferior dele com os dentes. Lentamente... Irresistivelmente.
Era quase como se a provocação de L tivesse conseguido fazer Kira emergir por sob suas máscaras impecáveis, pois não havia nada de gentil em seus gestos, apenas uma sede crescente e desesperadora, que o fazia segurar os braços dele de uma maneira grosseira, arranhando sua pele e desejando deixá-lo com marcas. Estava apenas farto dos olhos negros querendo despir sua alma, e essa era a melhor maneira de barrá-los.
Puxou e sugou o lábio de L como se fosse um brinquedo, apreciando os vestígios de seu paladar adocicado, mas foi realmente frustrante perceber que seu reflexo ainda estava lá, expresso na íris dele; as pálpebras mal cedendo, quase como se se divertisse à custa de sua tentativa.
Mas Raito jamais desistiria, e para isso aproveitou para colar seu corpo ao dele, dessa vez unindo suas bocas em um só laço.
Nem se L quisesse poderia ter se esquivado, e ele definitivamente não queria. O cansaço de resistir era quase palpável.
Raito era irresistível.
Mas por alguns segundos seus lábios ficaram apenas imóveis, como se estivesse estático. Ainda era difícil absorver a ideia de que não precisava, de verdade, resistir, pois acabara de contribuir com o que faltava em seus sentimentos, isentando-se de qualquer responsabilidade. Além de ser interessante demais deixar Raito frustrado. Só não mais interessante do que fechar os olhos, sem nenhuma leveza, e deixar a língua dele se fundir a sua, como se tivessem sido projetadas para isso.
Logo que os negros cederam, os castanhos os acompanharam em comemoração. Sentir era algo especialmente profundo com os olhos vendados, e o beijo daquele maldito detetive era uma das poucas coisas no mundo que Raito achava que valia realmente a pena serem sentidas.
Às vezes se perguntava como era possível ele ser tão inexperiente, mas mesmo assim, investir de maneira tão enlouquecedora. Ou ele era realmente um ótimo aprendiz ou Raito o desejava tanto, que tudo, desde as carícias macias e quentes da língua dele contra sua, até os movimentos de seus braços querendo ser livres, já que o garoto os segurava com força, assumia dimensões magníficas.
Talvez um pouco dos dois.
Deixou de trancafiá-lo entre seus braços para poder abrigar a cintura de L, suas pernas confusamente se entrelaçando. L correspondeu de maneira satisfatória, usando as mãos recém-libertas para puxá-lo pela gola, destruindo completamente quaisquer noções de espaço remanescentes.
O beijo parecia cada vez mais intenso, mas L acabou perdendo o fôlego, ou foi o que pareceu quando ele se afastou para o lado, desviando o rosto, e puxando uma enorme quantidade de ar em seguida.
Por alguma razão, isso fez com que Raito sorrisse largamente, abrindo os olhos e saboreando o que restara do gosto do beijo.
Ainda envolvia o corpo dele, e não queria que isso mudasse tão cedo.
–Posso fazer uma confissão, Raito-kun? –L perguntou, em meio a sua terceira respiração ofegante.
–Vá em frente, detetive.
Os olhos espelhados estavam um pouco místicos agora, numa indecisão que deixava Raito cheio de curiosidade.
–Quando nós instalamos as câmeras na sua casa... – L passou a fazer alguns desenhos com os dedos em torno dos botões de sua camisa, e depois começou a soltá-los, um a um. –Eu realmente gostava de assistir você...
Ele mordeu o próprio lábio inferior, e a pressão fez o sangue contrastar com sua pele impecavelmente branca, de maneira quase...
Tentadora.
–Pervertido. – Raito fez questão de acusar o detetive, balançando a cabeça de um lado para outro, como se ele tivesse dito algo completamente censurável, embora suas partes baixas nitidamente não concordassem...
Por que ele não podia andar logo com aqueles botões?
–Isso é o que Amane diria. – L pontuou, a contragosto, com os dedos ainda mais relaxados. –Você também parecia gostar de ser assistido...
–Hm. Não exatamente.
L, de alguma maneira, devia estar ciente do quão provocante estava.
Caso contrário, não teria frisado esse “você”.
–Oh. –Ele ergueu o olhar dos botões, como uma criança que acabara de ser pega em alguma pilantragem. –Então você de fato sabia que elas estavam lá.
–Eu... Eu o quê?!
–Você sabia da presença das câmeras no seu quarto, Raito-kun.
Maldito detetive, aproveitando-se de seus momentos de fraqueza.
–Ahn...
–Não tem que ficar assim tão pálido. –L franziu os lábios no que poderia ser um sorriso sarcástico. –Eu sempre achei que você soubesse disso. Não somos idênticos, mas somos iguais. Seria insultar a minha própria inteligência achar que você não seria capaz de perceber. –Ele fez um gesto de indiferença parecido com um dar de ombros. –Eu perceberia.
Mas não, Raito não era idiota o suficiente para cair naquilo. Tinha que ter algum truque. L usara o pretexto de fazer uma confissão, e acabara por arrancar uma confissão sua... Ele não poderia agir como se fosse algo completamente natural. Não só pelo fato de serem iguais.
–Mas... Você gostava mesmo de ficar me assistindo? –Decidiu desviar a atenção dele, apenas por enquanto, para seu próprio bem-estar.
Mas não era como se essa pergunta também não estivesse atormentando sua alma.
–Não é isso que você está pensando. –De fato, Raito pensara em coisas realmente comprometedoras quando seus ouvidos deslizaram naquelas palavras. –Não era como se eu fizesse qualquer coisa. Seu pai via os vídeos comigo.
A imagem de L sentado daquela maneira esquisita, entupindo-se de açúcar, enquanto sentia as calças formigando, ao observar, ao lado do Sr. Yagami, Raito em sua rotina diária... Era uma imagem definitivamente traumática.
–Isso é... Horrendo!
–Por quê? Você não gostava mesmo de ser observado? –L parecia não entender qual era o motivo do drama do mais novo.
–Ora, claro que não! É algo totalmente contra as leis e-
–Você sabia que tinha alguém te olhando. –Argumentou o detetive. –Sabia que poderia ser L. E mesmo assim não se privava... De certas liberdades. Por quê? Por acaso você é um exibicionista, Raito-kun?
–Não! –Raito pareceu se indignar com a mera sugestão do fato. Ou talvez fosse aquela voz provocante dele que o transtornasse. –Eu apenas quis agir como se não fizesse diferença alguma e...
–Gosta que os outros apreciem você? –L fez de conta que não havia ouvido a explicação.
E "sem querer", deslizou com força os dedos pelos botões restantes de sua camisa, fazendo-os explodirem por todos os cantos possíveis, enquanto alisava seu físico todo.
–Hm. –Raito observou os gestos do detetive com certo grau de perplexidade. –Bem. Eu gosto quando você me aprecia... – Desceu suas mãos e tateou as coxas dele, levantando-as e colocando-se entre elas, fazendo-o sentar-se da maneira que mais detestava na bancada, numa vingativa resposta àquela ousadia recém-adquirida diante de sua camisa. –Pode fazer isso agora, L. Em vez de ficar dialogando...
–Tire-me dessa posição. –O detetive passou a fitá-lo seriamente, seu ar sacana sendo indiscutivelmente substituído por seu ar ameaçador.
–Não.
–Mas eu detesto me sentar assim. Minhas capacidades dedutivas...
–Você não precisa delas para deduzir o que isso significa. –A mão do Yagami acidentalmente escapuliu para dentro das calças de L, apertando com força sua masculinidade, e o detetive, completamente despreparado para o repentino estímulo, só pode fazer grunhir e enrijecer. –Não é...?
–Mnn.... –Não dava para mensurar qual era o prazer de ver as expressões tão congeladas de L se derretendo sob um toque tão banal quanto aquele ou o de apreciar a rigidez dele nos dedos, existente somente porque eram os seus dedos. –Eu preciso... –Raito pressionou-o ainda mais forte, e dedilhou-o até alcançar a parte da glande, sabendo que isso poderia logo fazê-lo mudar de opinião. –... Sim! Eu preciso sim.
Era assim que se fazia um argumento sério se transformar em redenção.
–Não precisa, não. –Calou-o com outro beijo, e dessa vez L não hesitou em ceder, já previamente domado pelas preliminares que o mais novo tinha a lhe oferecer.
Raito beijava-o, estimulava-o, e com a outra mão, concentrava-se em abrir suas calças e abaixá-las, para ter suas pernas à vista e a mercê de sua vontade.
Não foi um processo exatamente fácil, pois L não queria cooperar com o ato, ou talvez não entendesse o significado de cooperação diante das carícias que o amante começara a distribuir ao longo do falo, surpreendentemente capazes de derrotar sua sanidade.
Ele migrara a boca dos lábios para o seu pescoço, e ela era tão macia, tão quente, tão molhada...
–Espere, Raito-kun... –Ele pediu, num súbito momento de lucidez, mas Raito continuou com seus maneios torturantes, tentando arrancar a roupa íntima dele, que era potencialmente insignificante e impedia de tornar os toques ainda melhores. O detetive olhou para baixo, confuso, sem fazer a mínima ideia de como havia ficado sem seu jeans e como estava prestes a ficar também sem a cueca, embora estivesse bem ciente do quanto estava gostando. –Eu acho que Amane-san não vai precisar de mais nada disso daqui. –Obrigou-se a arranjar forças para falar, antes que Raito o fizesse decair para outro nível, e foi aí que ele finalmente olhou em seus olhos, parecendo subitamente interessado. –Eu acidentalmente apertei um dos botões sob o azulejo que tinham como função encher a jacuzzi.
O Yagami olhou para os lados, como se não acreditasse no que L estava dizendo, mas só então pareceu notar o suave barulho de água escorrendo, e o embaçado que estava se formando no canto dos espelhos pela corrente de vapor que emanava da enorme banheira do centro.
–Acidentalmente, foi? –Não conteve um sorriso. L assentiu. –Hm...
A noção dos planos futuros do detetive fora apenas um impulso para que Raito quisesse despi-lo ainda mais depressa... E dessa vez conseguiu um pouco de colaboração no processo. L, no entanto, foi obrigado a ocultar seu ar desconcertado diante do olhar que o Yagami desferiu em seu membro descoberto, sem nenhum pudor — quase salivando, com as pupilas ainda mais dilatadas.
Não era como se não fosse ainda mais excitante ou enchesse seu ego, mas... Aproveitou que ele estava entre suas pernas e vingou-se por Raito ter feito seu cérebro sair do crânio para parar lá embaixo, fazendo-o ficar literalmente embasbacado ao envolvê-lo com as pernas e puxá-lo para si, incapaz de desviar o olhar. Até mesmo quando escorreu seus dedos aracnídeos por toda a extensão do tórax dele, até poder investir contra a fivela de seu cinto.
Simplesmente driblou-a, arrancou as calças do Yagami, usufruindo-se dos próprios pés como auxílio, já que era impossível para elas somente deslizarem pelas pernas devido a uma certa gigantesca elevação naquelas regiões de Raito. E como este se vira incapaz de fazer qualquer protesto, inconsciente de que havia momentaneamente perdido a dominância, L aproveitou-se para também livrá-lo da peça íntima -mas não com os pés ou com as mãos, ou de qualquer maneira usual.
Eis que um de seus aperitivos favoritos se escondia por detrás daquela camada de tecido vermelha e nada era mais óbvio do que ir caçá-lo com a boca.
Continuou mantendo o mais novo preso, perto, hipnotizado, mas inclinou-se o suficiente para se curvar e deslizar os lábios na região do baixo-ventre dele, beijando e sugando sua pele morna, até morder o elástico do tecido e ir arrastando-o para baixo, aos poucos.
Trapaceou com os dedos apenas porque estava ansioso demais para a parte boa, e não foi exatamente um arrependimento conseguir arrancar um suspiro embebido de desejo de Raito, quase um gemido, ao chegar bem próximo de onde tencionava.
Ele estava rijo e pulsante, deveras tentador, mas quando já se via livre de impedimentos e prestes a abocanhá-lo, foi surpreendido com algo — os dedos dele- puxando seu cabelo e o obrigando a se reerguer.
–Não. Eu não disse que era a sua vez de brincar, detetive.
–Ah, Raito-kun... –L era o reflexo da inocência, ainda que Raito soubesse que ele estava fazendo de propósito: tentando-o até que perdesse a postura, igual acontecera com aqueles malditos morangos. –99% de chances de que você fosse gostar dessa minha "brincadeira".
–100% de chances de eu gostar mais dessa brincadeira aqui... –O Yagami quase conseguiu arrancar uma exclamação de surpresa do detetive, quando passou um de seus braços musculosos por debaixo das axilas dele e aproveitou das pernas previamente enlaçadas em si para tirá-lo da bancada, levantando-o sem nenhuma dificuldade. –Segure firme no meu pescoço...
–O que diabos você acha que está fazendo, Yagami?! –L imediatamente protestou, com um tom de voz caloroso o suficiente para gerar uma calota polar, enquanto sentia o ar frio abraçá-lo. –Ponha-me no chão agora mesmo.
–Não.
–Isso era uma ordem.
–Ótimo. Contrariá-la vai fazer você aprender a deixar de ser tão mimado.
Tudo o que Raito fez -ou melhor, continuou a fazer- foi começar a caminhar lentamente, na direção de onde a jacuzzi estava, e o detetive não teve opção, para não se desequilibrar, que não fosse abraçá-lo -e segurar firme-, ainda que sua vontade mais crua fosse a de chutá-lo e ou de malhar sua maravilhosa cabeça na parede.
–Eu não sou mimado, Raito-kun.
O fato da ereção de L estar roçando em si já era suficientemente excitante, mas Raito sentiu o sangue esquentar com pequenos choques ao escarnecer da expressão de desnorte incontida nos traços dele, somada a uma imensa insatisfação que nem mesmo sua impassibilidade impecável conseguia esconder, devido à humilhação de estar sendo carregado por um suspeito, que além de ser um egocêntrico prepotente e hormonal, era aproximadamente sete anos mais novo do que ele.
–Ora, é claro que é. É pior que uma criança. Não é à toa que mereça ser tratado como uma...
Como que para acentuar o que estava dizendo, Raito subiu os degraus marmóreos e repousou-o cuidadosamente sobre a borda da jacuzzi. Ao sentir que não corria riscos de colidir com o chão, ou de cair sobre a porção de água que estava às suas costas, se se esquivasse violentamente, L não hesitou em fazê-lo, e esboçou a pior expressão de desgosto que conseguiu.
–Isso não foi nem um pouco gentil, Raito-kun.
O Yagami só sabia fazer sorrir.
–Hm. Prepare-se, porque isso aqui também não vai ser, nem um pouco...
Se L tivesse percebido meia fração de segundo antes o ar ameaçador do gesto que Raito desviou em sua direção, talvez pudesse ter bloqueado o golpe certeiro antes de ser fatalmente atingido.
Infelizmente, talvez por seu nível crescente de excitação, aquilo passara por seus reflexos como algo inicialmente inofensivo, e foi assim que acabou sendo empurrado de costas para dentro da água escaldante da banheira, respingando e provocando um enorme ruído de colisão que foi não tão felizmente abafado pela água que de imediato entrou em seus ouvidos — e em seus olhos, e em seu nariz, e em sua boca.
É claro que também foi assim que sua mente instantaneamente foi ativada na seção de planos perversos, enquanto afundava, e fez-se uma promessa silenciosa de que iria se vingar por aquilo da pior maneira que conseguisse, porém, naqueles segundos, depois de emergir, estava ocupado demais tentando livrar seus pulmões da água.
E poderia jurar que estava ouvindo sons de riso.
"Mas não por muito tempo."
Subitamente, teve uma ideia.
Começou a tossir e se engasgar com a água, quase como se não conseguisse recobrar o fôlego. Já estava com o fôlego totalmente restaurado, afinal, não fora uma queda tão horrenda assim, mas os ruídos que conseguia produzir com a boca eram traumáticos, e foram se tornando cada vez piores, à medida que os risos foram morrendo e seu falso desespero e engasgo tornaram-se crescentes.
–Ahn... Ei, Ryuuzaki, você está bem? –Não era o tom de voz que estava querendo, mas para alguém com tantas chances de ser Kira estava mais do que suficiente. L fechou os olhos com ainda mais força, caso contrário eles poderiam denunciar o teatro, e continuou fingindo se engasgar e se desesperar, quase compulsivamente. –Não era para estar tossindo assim... –Abriu só uma pequena fresta nas pálpebras só para que pudesse visualizá-lo assim que se aproximasse. Tossiu, tossiu. Demorou apenas mais alguns segundos até que ele contornasse toda a borda da jacuzzi e se debruçasse onde L estava. –Nossa. Até parece que você nunca deu um mergulho e...-
O que quer que Raito fosse dizer depois de "e" ficaria perdido no passado como um mistério até o fim dos tempos, pois foi nesse exato segundo que o detetive se preparou para atacar, cerrou seu teatro e agarrou o pescoço dele, para seu arregalar de olhos, puxando-o violentamente, e enterrando-o na água da jacuzzi de uma maneira muito mais brutal da que ele fizera consigo anteriormente.
"Splash."
Incomensurável a satisfação de vê-lo emergindo da água, segundos depois, como um filhotinho inofensivo, balançando a franja que lhe ficara grudada na testa e esfregando os olhos sensibilizados pela água.
Aquela era uma das raras ocasiões que L considerava sensato rir ou como que quer que se pudesse chamar o som maléfico e esquisito que lhe escapou do canto do lábio.
–Uma vez é uma vez. –Enunciou, audível o suficiente para que o Yagami enganado o ouvisse.
Era uma pena que não tivesse uma corrente atando-os ainda, já que a frase era nostálgica, e naquele dia não puderam terminar de se enfrentarem por conta de um telefonema ridículo de Matsuda.
Seria interessante ver até que ponto Raito chegaria com sua frustração, só porque afirmara estar desanimado com a possibilidade de suas deduções estarem incorretas, e ele não ser Kira.
Se bem que havia maneiras muito mais prazerosas de se enfrentarem, isso era verdade.
–Eu sabia que você estava fingindo! –Raito voltou-se para o detetive, depois de alguns momentos de recuperação, os olhos ainda meio avermelhados. –Seria impossível engasgar daquele jeito com meio metro de água morna!
–Ah. Não exatamente impossível. Minhas suspeitas aumentaram, Raito-kun. Eu poderia realmente ter me engasgado e morrido com o que você fez. E com certeza Kira iria apreciar essa situação.
–Aham, certo. E seguindo a mesma linha de raciocínio, eu poderia ter morrido agora mesmo, Sr.Gênio. Isso também significa que você é Kira?
–Não. Eu estou plenamente convicto de que não sou Kira, Raito-kun. Você, por outro lado...
–Ok, tudo bem. Esteja preparado psicologicamente para ser propriedade de Kira, então. –O garoto avançou pela água, impacientemente, até chegar à margem onde estava L.
Expulsou brutalmente o indicador que ele, de modo involuntário, conservava na boca e empurrou os ombros dele até que ambos afundassem sob o calor da água, se encaixando um no outro, gesto pelo qual ele pareceu indiferente, até Raito se inclinar para começar a dar mordidas em seu pescoço.
–Posso encarar isso como uma confissão? –L perguntou, num tom de voz ingênuo, permitindo que seus dedos se embaraçassem no molhado dos cabelos dele e conservando esperanças de que, ao relevar a pergunta com seu desejo e seus chupões, o Yagami pudesse responder que "sim", e aí, quem sabe, com uma confissão, o grande detetive L burlasse a Justiça e arranjasse uma pena que assistisse melhor a Kira do que a de morte.
–Não... Não tenho nada para confessar.
Mas Lawliet não acreditava em contos de fada. Pelo contrário. Sabia analisar com perfeição o comportamento humano, que tanto divergia do seu próprio, ainda que também, feliz ou infelizmente, pertencesse à espécie humana. E sabia que o "e viveram felizes para sempre" das famosas histórias que contavam às crianças não passava de uma farsa, da mais vil e enganosa. Talvez o mundo funcionasse melhor se dissessem friamente que a Branca de Neve comeria a maçã envenenada e jamais despertaria. Ou talvez não: o mundo precisava de suas ilusões.
E L fazia parte do mundo.
Esses toques, esse vício, esse amor... Por mais reais que fossem, sempre seriam ilusórios. Era tal como se a possibilidade de ele ser inocente fosse nula, como se sua mente conhecesse a verdade por detrás de todos os véus, e como se fosse por conhecer a verdade que ultrapassara seus limites e deixara se envolver por aquele sentimento.
E sendo tal possibilidade nula, tudo isso era uma ilusão. A punhalada que ia dar nele, quando o revelasse e o condenasse como Kira, ainda que tivesse sido amenizada pela ideia que tivera de contar a ele sobre os riscos que aquele relacionamento possuía, ainda seria uma punhalada.
E sangrenta.
Dera-lhe a oportunidade de revidá-la, para não ser tudo tão sujo e desprezível, contando para ele, ainda há pouco, que ele corria perigo. Mas era até provável que ele sequer percebesse ou ligasse para o fato.
Tudo estava bem, e assim estaria até não estar mais. Era melhor deixar-se levar pela ilusão. Era mais fácil...
–Ahhh, Raito-kun. –Os dentes dele se apregoaram a um de seus mamilos, e ele não gostava ou não fazia questão de ser delicado, mesmo que a sensibilidade da área já o deixasse rijo. –Comporte-se...
–Não. Nem pensar. –Como se tivesse percebido que a voz de L não estava suficientemente embargada, Raito agarrou a ereção dele com a mão direita, delicadamente, mas prolongou o gesto numa carícia que aos poucos foi se tornando mais veloz.
A água, estando por alguma razão antecipadamente repleta de sais e de espuma, ficava escorregadia, fazendo suas peles facilmente deslizarem uma contra outra. E talvez fosse por isso que o detetive gemesse impudicamente de prazer, e não de dor, mesmo com uma masturbação naquele grau de velocidade. Mas ele impediu o mais novo de torturá-lo com a boca, puxando seus cabelos e prendendo seus lábios nos dele. Também o fez para abafar os próprios ruídos de prazer, é claro, beijando-o de maneira dominante.
Os dedos de Raito afrouxaram-se; talvez pela repentina investida de sua língua, e L não podia deixar uma oportunidade daquelas passar.
Entre eles, sempre seria um jogo, não importavam as circunstâncias.
Agilmente liberou-se da pegada -não que não gostasse dela, mais por um lapso de orgulho- e firmou a mão na masculinidade de Raito duas vezes mais violentamente do que ele fizera.
Ele teve um pequeno espasmo com o toque, e o detetive logo ficou disposto a provar que também conseguia fazer o cérebro dele migrar de cabeça para cabeça, talvez até com mais eficiência. Passou a sugar seu pescoço, ao mesmo tempo, já que ficava com uma aparência particularmente apetitosa quando envolto pela água.
Raito respirou profundamente, tentando não gemer ou corresponder de forma positiva àquela dominância. Eventualmente, L parou de ministrá-lo, para fitá-lo com olhos minimamente irritados, ainda que carregados de malícia. Quase passou pela cabeça do Yagami deixá-lo fazer o que quisesse consigo, apenas corresponder e gemer, já que aquelas ônix eram extremamente capazes de mesclar suas verdadeiras vontades e intenções.
Mas apenas quase. Embutindo um sorrisinho gentil, beijou o detetive, que inicialmente desconfiou do gesto, já que o Yagami não estava nada para gentilezas naquele dia.
Mas foi aí que acabou novamente cedendo a ele. E em poucos minutos, L distraiu-se com a leve sensação de dormência e prazer que a temperatura da água e o atrito de suas peles provocava. Despertou apenas quando sentiu uma mão correr por suas costas, e outra em algum lugar muito perto de sua entrada...
Só que desta vez estava excitado e inebriado demais para resistir, e a água só intensificava a magnitude deliciosa dos toques... Quando ele começou a acariciar o canal, sua boca já deixara de controlar os gemidos, e quando ele ousou introduzir o primeiro dedo por completo, seu coração acelerou tanto que chegava a doer no peito cada batida.
–Estou ouvindo isso, L... E também estou sentindo você.
Era lento... Mas ele sabia como fazê-lo. Sabia como alcançá-lo. Não era apenas os sais ou a umidade... Ele sabia invadi-lo paradoxalmente privando-o da sensação de invasão, ou mais precisamente transmutando-a num deleite avassalador, que o deixava pulsante e quase à beira do orgasmo.
Ele era... incrível.
–R-Rait0-kun... menos... l-lento...Eu preciso... aggnn...
–Não. Eu dito as regras do jogo e eu quero que seja bem devagar... –Ele fez questão de murmurar ao pé de seu ouvido, aplicando um pequeno beijo na região, e começando um vai e vem realmente bem vagaroso, somente para assistir às expressões imutáveis de L tornando-se em pálpebras cerradas e mordidas de lábio, um show que nunca iria se cansar de ver.
–Eu nun-nunca... permiti... que fosse desse jeito... uhhn... Bastardo.
–Você disse alguma coisa, L... chan?
–Eu...A-ah...Ahhh! –O detetive gemeu e suspirou, perdendo totalmente a consciência, quando Raito, com um girar de dedo, encontrou sua próstata. Ele apenas riu sadicamente, passando a investir somente naquele ponto, e à medida que o alargava foi introduzindo, em doses lentas, um outro dedo, até que aquilo que L chamava de respiração fossem ofegos e ele precisasse fincar as unhas em seus braços, com extremo desejo.
–O que você quer, detetive? –Raito questionou, dobrando-se para beijar o rosto dele, fascinado pelo modo como ele parecia quase um brinquedo em sua posse, com os cabelos encharcados e o rosto contorcido de agonia, enquanto empurrava e inseria mais um dedo, abusando de seu ponto G sem o menor rastro de piedade.
–V-Você. –L tentou formular a palavra, em meio a um suspiro imenso.
Mas sua voz tão entontante soava quase como um sussurro diante daquilo.
–Não entendi. –O garoto murmurou de forma dócil, tanto que se lhe pusessem aureolas ele pareceria um anjo, e o mais velho grunhiu, e só pôde apreciar uma leve injeção de alívio quando ele retirou os três dedos. Alívio este, que logo se transformou em tortura no momento em que ele os introduziu com o dobro da força, fazendo suas costas se arquejarem e um grito irromper por sua garganta, numa mescla de prazer e dor. –Você pediu alguma coisa?
–Agora! –L tentou restaurar o que sobrara do seu orgulho depois do lamento que dera, deixando-se abrir as pálpebras para lançar um sobreolhar de imponência, junto com o tom de voz de ordem. Ainda não havia aprendido que não era para dar ordens. Por isso a tortura somente aumentava. Se Raito pudesse cultivar uma expressão mais sádica, seria melhor não estar ali para ver. –Mnn...Vamos, Raito-kun, pare de ser um completo miserável e... Ahhnnn!! –Os olhos de L choramingaram de prazer, involuntariamente, quando os dedos dele escaparam de si e ele usou as mesmas mãos para conduzi-lo de forma rude entre água, até a borda da jacuzzi, na qual podia apoiá-lo e enjaulá-lo, aprofundando ainda mais seus encaixes e movendo a ereção até que a glande ficasse por roçar em seu ânus. Bastou um vislumbre da íris dele para que reconhecesse suas intenções, a partir de então. –Não, Raito-kun. Dessa forma não. É sério. N-não ouse... fazer... Isso!
Como se ainda não houvesse aprendido a lição, bastava que L desse uma ordem para que o Yagami desobedecesse. Ou melhor, para que fizesse exatamente o contrário do que ela ditava.
Ele penetrou o detetive de uma vez só, com força, no lugar que sabia ser o certo, sentindo os próprios olhos girarem de prazer enquanto segurava firme na borda, com o lábio inferior já previamente mordido para que não gritasse ao sentir o interior tão familiarmente quente e delicioso se apertar em volta de si.
Jamais, jamais, em hipótese alguma, algo seria tão intenso ou magnífico quanto aquilo; o formigar que o corpo de L provocava em seu baixo-ventre era surreal, e era simplesmente incompreensível o fato de não estar tendo uma ejaculação prematura apenas com aquele gesto.
L gemia alto, tentando assumir algum controle sobre o próprio corpo, embora este houvesse sido completamente arrancado por Raito. Queria apenas conter-se um pouco mais, e por isso levou a própria mão -a que não estava fincada na pele do mais novo tão forte que provavelmente lhe causava um ferimento- até a base de seu membro, apertando-a com força, somente para impedir que chegasse ao orgasmo naquele instante.
–K-kira... Está me m-matando. –O detetive acusou, verdadeiramente concernido a respeito das sensações que seu corpo experimentava e desconhecia. Raito riu baixinho baixinho, roucamente, experimentando se mover de maneira lenta, e trazendo a ambos um deleite descomunal. –E-esta é a prova viva da sua culpa, Raito-kun...
–Dane-se, não vou parar. –O Yagami anunciou, iniciando um vai e vem rápido e bruto, talvez apenas não tão bruto por conta da corrente de água que os abarcava.
L deixou-se gritar, e Raito abriu a boca num grito silencioso, cerrando os olhos com força, e sentindo espasmos dos pés a cabeça, aos quais jurava não ceder, e prometia não se entregar.
Sempre havia aquela corrente elétrica, aquele magnetismo inexplicável, mas ele não estava mentindo quando dissera que queria que as coisas fossem devagar, e durassem bastante.
Ao menos o bastante para se tornarem inesquecíveis.
Por isso esperou alguns segundos, antes de entrar e sair de dentro do corpo dele, mais uma vez, com uma violência inerente.
E fez bem em fazê-lo.
Ambos gemiam de maneira lasciva, hora arranhando a pele alheia, hora mordendo-a, porém conseguindo lidar com as reações precoces, que outrora eram tão incontroláveis.
O detetive se movia abaixo de si, e acompanhava seu ritmo como se já estivesse familirizado com ele. Como se fosse uma parte sua ou parte de algo que queria pertencer, fazendo o mais novo ter eventuais ápices de delírios, entrando e sendo recebido com uma sincronia que só podia ser tida como perfeita.
Os sons que escapavam dos lábios de L eram tão belos que Raito tinha que sorvê-los com os próprios lábios; era praticamente uma necessidade.
Encaixar e desencaixar, hora lentamente, hora velozmente, e em cada estocada grunhir algo ininteligível, ou suspirar de desejo, ou ter espasmos ou contorções, ou tudo isso junto, entre cenários de realidade e algo que lembrava vagamente o paraíso.
Foi assim que a sinfonia continuou, por mais que alguns longos minutos, muito além do que se poderia denominar de inesquecível.
Não era como se fosse possível olvidar do momento em que, em meio ao colapso carnal, os dois abriram os olhos ao mesmo tempo, e ambas as íris sorriram uma para outra, cintilando em êxtase.
E muito menos do instante em que, com as últimas estocadas, as contrações no canal de L se tornaram mais fortes, apertando Raito e o enchendo de deleite, enquanto ele se desfazia em apenas uma nota, apenas uma palavra, que, coincidentemente, era o seu próprio nome.
E numa realidade alternativa, o Yagami também poderia ser conhecedor do nome de L, para gemê-lo em seu último abismo de insanidade, e para marcá-lo como uma promessa de tudo aquilo que estava sentindo naquele instante e queria poder armazenar para sempre; a sensação de inundá-lo, e ao mesmo tempo, ser inundado por ele.
Mas....
Isso apenas em uma realidade alternativa.
Apenas lá.
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