O Plano B
4 III - The Other Half Of Me.
Notas iniciais
—Esta noite você ainda vai ser meu, Ryuuzaki. Exclusivamente meu.
x-x
Havia tanta informação subjetiva posicionada nos baluartes daquele ronronar possessivo de Yagami, que a única certeza que L conseguia ter era a velha socrática de sempre: não conseguiria ter certeza de nada, por mais que refletisse sobre o assunto.
É. Nem naquele instante, nem dali meia centena de anos.
Era de apenas 0,01%, nas estatísticas, a chance de Raito ter pagado para ele por conta de um secreto amor à sua pessoa, de origens e fins desconhecidos.
Somente de 0,01%.
Amor era uma “coisa” distorcida demais na mente de L. Sempre parecia se dissolver em mil fragmentos nas vezes que tentava analisá-lo, de modo que, sob aquelas circunstâncias, era demasiado difícil acreditar nele.
Por mais que Lawliet quisesse expandir essas estatísticas de 0,01% para 99,99%, tinha de ser realista. Não havia nele nenhum atrativo óbvio que pudesse despertar o interesse- ou melhor, o amor- de alguém tão extraordinário como Yagami Raito. Não podia ceder às suas vontades emotivas, pensando que, justamente por não ter atrativos, as coisas se tornavam mais platônicas, fofinhas e reais. Simplesmente não naquele mundo.
Era de 78% a chance de o ato ter sido pré-concebido por Kira numa tentativa de enfraquecer suas defesas.
78. Só não 100%, porque 0,01% estava destinado a possibilidade do patético “amor secreto” de Raito, 12% para a possibilidade macabramente estúpida daquilo ser interpretado como algum desafio particular –olhem só!, o maior detetive do mundo está de quatro por mim!- , 7,99% (seria tão bom se pudesse se agarrar na expectativa desses 7,99%!) reservados para chance de Raito não ser Kira, mas daquilo ser uma estratégia de atrair sua confiança para se livrar de eventuais suspeitas e, finalmente, 2% para outras opções.
Mesmo assim, 78 era um número extremamente grande, e o certo, agora (ou desde que aquele embate começara), era não ser infantil e não compactuar com mais nada. Ou melhor, mais nada que pudesse conduzir para o lado físico ou emocional da coisa.
Só que era fácil demais pensar. Difícil mesmo era o agir. Ou somente manter o raciocínio lógico diante do torpor ao qual havia sido humilhantemente submetido. Se aquilo era mesmo um plano, 100% de chances de Kira estar mirando o gatilho na direção certa.
Lawliet era a fraqueza de L, e sempre -foco no sempre— conseguia dominá-lo, quando o assunto migrava para aquela dimensão. É claro que, por ser assim, num futuro não tão longínquo, Ryuuzaki se entupiria de doces e se odiaria demais por ter essa fraqueza. Demais.
A única e real razão para ter compactuado com aquilo, e ter deixado que Yagami lhe roubasse o beijo, lhe arremessasse naquela mesa e lhe distribuísse carícias, era a promessa que fizera a si mesmo, mentalmente, de que não deixaria que tais gestos roubassem-lhe a frieza e o calculismo. Dessa forma, ao aprofundarem os toques, continuaria sendo o detetive, e conseguiria decifrar a verdade do que Raito dissera sobre seus pensamentos, e interpretar até que ponto aquilo chegaria, quaisquer fossem suas reais pretensões. Se ele fosse mesmo Kira, deixar as coisas esquentarem poderia ser até crucial para vencer e desmascará-lo.
Só não contava com a chance de suas estratégias serem roubadas, de repente... Não saberia dizer em que instante. Talvez quando os dedos do rapaz deslizaram para dentro de sua calça, invadindo um território desconhecido e enlouquecedor de seu repertório de experiências. Sim, pôde anotar a informação de até que ponto Yagami Raito iria rumo a seus objetivos, independente de quais fossem ...Porém, em troca disso, perdeu o controle total de sua frieza.
A partir de então, aquilo assumiu um nível bem mais... sexual. E envolver aquele setor era de fato muito arriscado. Quando deu por si, já era tarde demais...Sem a frieza, outra “grande” descoberta: havia uma parte sua (a parte Lawliet, coloquemos assim) humana e não-detetive, que sentia sérios desejos, potencialmente perigosos, por aquele jovem de olhos amendoados e inteligência brilhante, colocado à sua frente. Desejos capazes de fazer L se olvidar que esse jovem poderia ser Kira, deixando o descontrole do jogo progredir ao ponto de sua frieza ser humilhantemente pisoteada.
No final, acabou ficando com seu lado emocional afetado, seu lado físico gemendo feito uma garotinha, e seu lado intelectual -ou o que ainda prevalecera dele- obtendo, ao invés de certezas, dúvidas, que se fundiam em forma de estatísticas bagunçadas.
Agora, em meio ao torpor, Yagami vinha sussurrar coisas que Lawliet queria levar para o lado das expectativas toscas. O patético “Oh, que bonitinho, Raito me ama e agora me quer ter para si”. Mas, pelo menos, a frase servira para acordar L, e L abria os olhos com susto, absorvendo a iminente derrota, absorvendo as estatísticas que possuía...
Mas nem L sabia como reagir, naquele caso. Pois era o mesmo que escolher entre ser derrotado e ser derrotado. Se fugisse de Raito, seria derrotado. Se não fugisse, Lawliet o dominaria, e também seria derrotado.
Só podia tentar fazer um esforço descomunal para recuperar a frieza e tratar aquilo como um novo plano seu. Teria de tentar deixar que nada do que acontecesse em seguida pudesse afetar seus setores de fraquezas, ou embaralhar as estatísticas... Mas era bem grande a chance de acabar perdendo.
E droga, L odiava perder.
—Raito... -Chamou. Sabia que não era a melhor das opções para seu revide, mas não era como se tivesse opções. Talvez aquilo disfarçasse o quanto deixara-se levar pelos impulsos e por Lawliet, e fizesse soar como a procedência de um plano. Como mentir – e acreditar na mentira- de que tudo o que acontecera já estava premeditado em sua mente, e que fazia parte de uma estratégia para comprovar suas suspeitas contra Raito. Só que também havia o risco de parecer apenas um detetive fracassando. Que era o que ele era. Afinal, que tipo de melhor detetive do mundo se deixaria envolver daquela forma com seu principal suspeito? Sabia que não era nada de plano nenhum que estava fazendo com que quisesse continuar se envolvendo com Raito, daquela maneira tão...física.
—Hm? –Yagami se afastou de seu rosto apenas parcialmente, de modo que pudessem se entreolhar.
L sabia que seria complicado voltar a encará-lo com sua inexpressividade de sempre, depois daquilo, mas nunca imaginou que pudesse ser tão vergonhoso assim. No rosto de Raito, que ainda guardava vestígios do ato, estava pintado um sorriso sádico e feliz, que o incomodava –e muito, diga-se de passagem.
Irritava-se pelo fato de ser incapaz de decifrá-lo –estaria Kira feliz por fazer L sucumbir, ou Raito feliz por conquistar Ryuuzaki?-, e irritado, deixava transparecer suas emoções.
É claro que também não dava para ignorar que Yagami afastara seus rostos, mas em compensação, grudara seus corpos, posicionando-se de maneira que suas intimidades roçassem uma na outra.
O que por si só, já era demasiado constrangedor.
—No que você está pensando?
Bem, pelo menos conseguiu fazer a pergunta sem titubear ou desviar o olhar.
É claro que era esperar demais receber a verdade, mas a questão tinha um valor muito significativo –afinal, fora dela que tudo se iniciara – e as primeiras impressões que tivesse de Raito depois de pronunciá-la poderiam ajudar a deduzir alguma coisa importante. O único problema é que os risinhos de Yagami Raito podiam ter quatrocentos zilhões de significados importantes.
—Ah, estou pensando nisso aqui... –O garoto pousou as duas mãos sobre o rosto do detetive, segurando-o, e forjando um olhar tão doce ao olhá-lo, que qualquer um, no lugar de L, se derreteria. -E nisso. – Raito aproximou seus rostos, num desespero absurdo, e fez seus lábios se unirem, num encaixe tão perfeito que parecia até que suas bocas haviam sido projetadas para estarem entrelaçadas. L sentiu o coração de Lawliet disparar dentro do peito... E detestou-se por saber que Raito também sentia.— E nisso. –Agilmente, o garoto separou seus lábios e inverteu a situação em que estavam naquela mesa, pegando-o desprevenido, e fazendo-o girar o corpo sobre si, de modo que ficasse de costas para ele. Beijou seu pescoço, e encostou o membro à altura de seu quadril, de modo que não restassem dúvidas de quais eram suas próximas intenções. –Estou pensando que quero ter você só para mim, Ryuuzaki...
Incrível, como aquelas “simples” palavrinhas conseguiam fazer o mundo de L girar de ponta cabeça. Sua fraqueza, seu lado como humano, como Lawliet, ressurgindo por dentro de horizontes trancados... Droga.
—Mas eu...Mas eu nunca...
—Há uma primeira vez para tudo, L. –Raito continuou beijando sua nuca, toques arrebatadores, toques inebriantes, toques que o faziam querer fechar os olhos, ceder e implorar por mais. -Você deveria saber disso, não acha?
—Não.
Como poderia saber? Ficara anos sem mostrar a própria cara, com medo até de ver a luz do sol. Era o maior detetive do mundo, mas também era um puta de um covarde nesse sentido. Quando não queria se arriscar, simplesmente não havia uma primeira vez. Mas por que o risco parecia ser tão delicioso, naquele instante?
—O que estou fazendo?! –Perguntou mais para si mesmo do que para Raito. Gostaria de poder fazer o que quer que fossem fazer tranquilo. Queria acreditar nas palavras de Raito, mas o brilho que vira no olhar dele, quando o garoto achava que estava ocupado demais pensando em seu bolo, era o brilho dos olhos de Kira, e não o brilho dos olhos de um garoto apaixonado. Ainda não estava delirando a ponto de imaginar essas coisas. –Mas que droga!—Xingou, para os ares. Como poderia querer continuar à mercê de Raito se sabia que os 78% estavam corretos, e ele era mesmo Kira? –O que é isso?!
Yagami apenas ria de sua frustração particular. É claro, ele era Kira, com certeza era Kira, e L mesmo no lugar de Kira, riria de sua própria situação patética.
Os braços musculosos de Raito envolveram seu corpo esguio com a facilidade que alguém teria ao abraçar um travesseiro, e talvez com a mesma delicadeza. Era algo um pouco surreal demais, parecia ser um aviso que indicava que não havia mais escapatória... Era como se Raito –ou Kira- nunca mais fosse deixá-lo se libertar ou sair de dentro daquele calor aconchegante.
Mas a questão era: L queria mesmo se libertar?
—Chama-se desejo, Ryuuzaki.
Yagami explicou, e no que explicou, L sentiu o indicador do garoto tateando sua entrada.
—Ei, eu não poss...
—Não, você não pode. –Era evidente que o garoto estava farto de suas hesitações, mas era inevitável pressentir o sorriso em sua voz. –Você não pode, mas você quer... Aí é que está. –Exatamente. Ali é que estava. Como se fosse um livro aberto, Raito retirara todas as palavras de sua garganta, e as soprara ao ar. Sentia-se exposto. –Acontece, Ryuuzaki, que eu quero. E eu posso...
Agora era tarde demais para continuar resistindo ao impulso. Não importava, por mais que pudesse se arrepender mais tarde. 78%, saltando para 100%, e ainda assim, Lawliet não abria mão, e não dava à mínima para isso. O fato é que esse lado de si, que o dominava, desejava ceder à Yagami Raito quase tanto quanto seu pulmão desejava o oxigênio do ar.
Praticamente nem sentiu a dor inicial quando o garoto introduziu o dedo dentro de si, e começou a movimentá-lo. Seus primeiros gestos eram com uma cautela quase exagerada, como se sentisse medo de machucá-lo, mas, a verdade é que, com o gosto de proibido, errado e tentador que aquilo tinha, era difícil a dor ser mais inimiga do que bem-vinda. Era quase um castigo aceitável. Depois que os movimentos passaram a ser mais lascivos do que cautelosos, o sabor daquela rendição passou a ser ainda melhor...Não demorou muito para que o prazer fosse lentamente se fundindo a dor, e a medida que Yagami foi notando esse progresso, introduziu outro dedo em Ryuuzaki.
Desta vez, o detetive não pode evitar um gemido- mais de dor, do que de prazer- mas o garoto tateou em busca de um ponto mais confortável para ele, e começou a deixar chupões em suas costas para distraí-lo.
O corpo dele se retesava logo abaixo do seu, e era impressionante o quanto isso conseguia deixar Raito louco e excitado. Ainda não cria naquela compactuação, só sentia que simplesmente precisava estar dentro dele, precisava mesmo tê-lo, era mais do que uma questão de planos agora.Queria-o, e quanto mais rápido fosse, melhor.
Seu membro latejava tanto que daqui a pouco não teria nem mais forças para resistir aos impulsos físicos. Brincou só um pouco mais com a preparação, alargando-o ao máximo que podia, dando as cartas para o que pretendia. E por mais que L agora protestasse um pouco de dor por conta isso, também parecia estar gostando.
Parecia ter aceitado que era para ser assim.
—Esperei tanto por esse momento, L...
De fato, Kira havia esperado mesmo pelo instante em que L fosse se render, encontrando a paixão doentia que o levasse ao ponto de se entregar daquela forma tão humilhantemente carnal. Mas Yagami Raito sabia também que não era só aquilo. Sua felicidade, sua realização pessoal, tinha mais de meia centena de motivos além de Kira.
Afinal, aquele era L embaixo de si. L! O maior detetive do mundo!
—Você...Esperou?
Lawliet não pôde, e não quis, controlar a expectativa em seu timbre. Não tinha nada haver com dor física, ou com humilhação. Como poderia ser uma humilhação se queria aquilo? Queria Raito dentro dele, e queria que ele conhecesse essa fraqueza sua, naquele momento.
—É claro que esperei, L.
Mas será mesmo que era uma fraqueza sua não querer ser sempre aquele detetive frio e impecável? Era como se a lógica e o raciocínio ainda estivessem presentes, em sua subconsciência, mas não fizessem questão de se manifestar, pois não queriam interromper aquela sublime honra de ter aquele vazio enorme dentro de si -a parte que verdadeiramente importava- sendo lentamente preenchido.
É claro que L já experimentara antes, a sensação de ter aquele copo cheio... Só para depois assistir sem ter o que fazer, a felicidade se derreter como cinzas em sua boca. Um dos motivos de trancafiar-se naquelas suas sólidas muralhas de frieza e proteção. Mas tudo isso havia sido há muito tempo atrás... Já estava mais do que na hora para tomar coragem de encarar Lawliet e os sentimentos, novamente.
Por que, necessariamente, não podia ser desejado, querido, ou -até mesmo- amado? Por que Yagami Raito, necessariamente, tinha de estar mentindo e tinha de ser Kira? Os próprios fatos apontavam que isso não era verdade. Havia a Regra dos 13 dias, e o tempo que havia passado trancafiado entre quatro paredes, e os assassinatos ainda ocorrendo. Mas acima de tudo: Havia sinceridade no timbre de Raito quando disse que esperava por ele.
Nenhuma criatura poderia ser tão cínica, inescrupulosa e manipuladora para mentir sobre aquilo tão bem. Mesmo que ele fosse Kira, como L tinha 78% de certeza de ser, aquilo que ele estava dizendo era verdade.
Então, realmente, não importava mais.
—Você confia em mim?
Aí estava a chave de todas as dúvidas de L. Se confiar em Raito fosse confiar em Kira, então estava realmente perdido. Mas não importava, certo? Sentira a sinceridade no tom de Raito, então também havia de ser sincero.
—Raito, você pode ser Kir...Aaahhn... –Seus argumentos foram brutalmente interrompidos quando Raito girara os dedos de modo a atingir um ponto de seu interior que quase fazia L querer arrancar os cabelos de prazer. Sua ereção já havia despertado novamente, tamanha era a abastança de ser tocado nessa região.
Será que Raito sabia que era ali seu ponto sensível e esteve apenas ocultando para usar agora que queria obter uma resposta antes de possuí-lo?
Uma resposta, que agora L conseguia enxergar, não era a sincera. Era apenas A resposta.
—Confia em mim, Ryuuzaki?
—Não!
Yagami estava querendo pedir demais de si. Já não bastava não se abrir daquela forma, ser sincero, expôr Lawliet, detonar as próprias muralhas, estar disposto a se entregar, e mais um milhão de motivos que eram como cavar a própria sepultura se ele fosse mesmo Kira? Agora, Raito ainda queria jogar um jogo maldito com ele sobre confiança? Ah, não.
Uma coisa era aceitar seus sentimentos. A outra era se humilhar. Nem Lawliet se humilhava. Sempre fora tão teimoso quanto o detetive L.
O problema é que Yagami também era teimoso.
—Tem certeza? –Rodou os dedos mais uma vez, arrancando-lhe um gemido, que L fez questão de reprimir, mordendo fortemente a própria língua. Como não respondeu, o garoto provavelmente encarou aquilo como um desafio, e então removeu os dedos, num movimento lentamente torturante, só para depois posicionar algo mais denso, que só podia ser a glande, em sua entrada. Como era maldito, aquele possível Kira. -Confia em mim?
—Não mesmo!
—Haha. E agora?
O garoto começou a introduzir-se, mas era tão lento, e a cabeça, tão grande, que só fazia a dor, já premeditadamente imensa, ser ainda pior.
—Ugh...Vá de uma vez, Raito. –Protestou.
Já que tinha decidido se entregar para Yagami, por que ele tinha de ficar adiando as coisas como se aquilo fosse um passatempo divertido? Não tinha nada de divertido numa tortura lenta daquelas...Sua verdadeira consciência maquiavélica estava voltando, então se Yagami não agarrasse Lawliet para si naquele momento, era bem capaz de acabar perdendo-o para as muralhas de novo...
—Confia em mim?
—Nã.. – Maldito desgraçado! Tudo bem. Ia deixá-lo vencer –de novo- daquela vez, mas só porque a dor estava insuportável demais para continuar teimando. -.S-sim.
—Ótimo. –Raito gargalhou. -Então vou cuidar de você, detetive. Você é meu...
L era dele. Sem dúvida alguma, aquela noite seria a mais inesquecível de toda a sua vida... E também um marco de grande ascensão no trajeto de Kira.
Yagami deslizou de uma vez só para dentro de Ryuuzaki, pois além de não estar mais aguentando se controlar, sabia que era a melhor maneira de não torturá-lo demais. Não gostava de admitir, mas o detetive era forte, e logo se acostumaria àquela dor, contanto que ela fosse repentina e fácil...
Porém, o gemido que L, ao menos tentou reprimir, foi na verdade um grito gutural. Acordaria metade do prédio, se os aposentos dos outros não fossem tão distantes do salão principal do QG. Mas o lado mais sádico de Raito gostava de poder ouvir um grito daqueles, quase tanto quanto seu lado físico gostava de estar dentro de L. Era tão apertado, tão quente, tão bom , que sua pluralidade de sentidos transformava cada mínimo detalhe desse em inúmeros troféus direcionados à si.
É.
Ficou parado dentro do detetive durante alguns sacrificantes segundos, somente para que ele pudesse se acostumar com o tamanho. Mas sua fome era tanta, que logo quando percebeu que L já estava um pouco menos entorpecido de dor, passou os braços ao redor dele -para demonstrar que se preocupava- e começou a dar suaves, mas detonadoras estocadas...
Ele passou a se contorcer para frente, gemendo, sem conseguir evitar, de dor. Jazia com os pés presos ao chão e as unhas cravadas na mesa. Mas não dava para Raito se preocupar muito com o estado de Ryuuzaki quando as sensações que o invadiam eram o total oposto.
Era fato que nunca esteve tão feliz, e que nunca fora tão bom transar. Poderia permanecer naquele êxtase para sempre, sem jamais sair de lá.
Todavia, fez um sacrifício extra para se desconcentrar do próprio arrebatamento, e tocar o sexo de L, fazendo com que ele fosse submetido a mais prazer... Funcionou, mas não seria suficiente até que achasse aquele local que era o ponto frágil do interior dele. Era quase uma questão de honra e justiça proporcionar um bom momento simultâneo ao adversário, já que os seus próprios eram tão maiores e tão mais perfeitos.
Algumas estocadas iniciais suas foram mal-posicionadas, e muito provavelmente estavam fazendo o detetive se sentir partido ao meio, porém logo conseguiu recompensá-lo, finalmente encontrando o alvo, e passando a chocar com sua próstata com periodicidade.
Ficou imensamente satisfeito, sorrindo como um garotinho-que-ganhou-um-death-note-lindo-de-natal, quando os gemidos de dor do detetive se transformaram, como da água para o vinho, em algo bem mais extasiado... Aí sim, foi quando começou a dar aquelas estocadas de verdade. As do tipo que conseguiam tirar ambos da sanidade e arrancar gemidos de ambos os lábios.
Raito tapou os seus próprios aplicando beijos na pele suada de Ryuuzaki....Beijos estes que eram pequenos bônus de um sexo que nem deveria receber essa dominação, pois tratando-se de L Lawliet e Yagami Raito, aquilo não era sexo, e sim a total adjudicação.
L começou a instintivamente impulsionar seus quadris para Raito, o que só fazia o garoto querer estocar com mais força, e aumentar o ritmo, murmurando coisas que poderiam ser até doces, se L fosse realmente capaz de escutá-las.
A cada vez que Yagami ia mais fundo, Ryuuzaki experimentava da sensação de conseguir esquecer do próprio – e verdadeiro- nome.
Aos poucos, chegou-se ao ponto em que o máximo, era o máximo, mas não conseguia ser o suficiente para ambos... Gemiam e deliravam juntos... Pois não havia mais jeito. Seus corpos haviam adquirido a simultaneidade perfeita.
Mesmo que as razões para cada um, de aquilo estar acontecendo, variassem, e fossem completamente distintas, ambos pareciam ser um só enquanto compartilhavam daquele mar de lúbrico de deslumbre, que era experimentar a sujeição de pertencerem entre si.
—L...
—Raito...
E assim, no silêncio momentâneo daquele aposento, apenas enfeitado por respirações perfeitamente sincronizadas, o ápice veio. Dividido igualmente entre os dois.
Gozaram juntos.
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