O Pior de Nós

1 Capítulo Um – Véspera de Ano Novo


Notas iniciais
Espero que gostem :)

Laura estava ouvindo musica pop em seus fones de ouvido enquanto o seu pai dirigia, do lado de fora não havia nada demais, apenas campos e mais campos, com um ou outro boi pastando, o céu quase não tinha nuvens e o sol estava em seu ponto mais alto. Chegaria na casa de seu tio Marcos dali a poucos minutos.

Ela não conseguia sinal de telefone já há alguns minutos, esperava por uma mensagem de Pedro, o seu namorado, ele e o seu irmão Felipe estariam próximos dali passando o feriado de ano novo também, sua esperança era de poder encontra-los e se sua família deixasse, passar a virada com eles.

— Estamos quase chegando – falou seu pai à sua mãe quando estavam passando por uma ponte antiga.

— Que bom, pai – Respondeu Laura, pouco animada – sobre aquilo que conversamos...

— Eu disse que não, filha – respondeu Lúcio, com uma certa rigidez em sua voz – sua mãe e eu concordamos que o ano novo é um feriado para se passar com a família, e não com um namoradinho da faculdade.

Laura bufou.

— Mas também concordamos que você poderia chama-lo para passar o dia conosco amanhã, depois ele volta para casa e passa a virada com a família dele.

Lucio pareceu que ia protestar, mas aparentemente desistiu.

— Obrigada, mãe.

Cerca de quinze minutos depois lá estavam eles, próximos ao portão da casa de Marcos. Assim como toda a propriedade, o portão tinha um aspecto moderno, era muito alto e tinha uma cerca elétrica, além de uma guarita eletrônica.

Lucio apertou num botão próximo ao portão e após alguns segundos de espera, o portão se abriu, quando o carro passava pelo portal, Laura pôde ver a câmera de segurança que os deve ter reconhecido.

Foram até a garagem da propriedade, além do carro deles, havia apenas o de Marcos, um carro conversível de dois lugares, ela mataria para dar uma volta naquela maquina.

Quando tinham acabado de estacionar numa vaga ao lado da do carro do tio, da porta da casa surge um homem baixinho e gordo vestindo apenas uma bermuda e óculos escuros.

— Veja se não é meu irmão e sua linda família

Lucio sorriu, Laura e sua mãe, Ana, fingiram sorrir também.

— Oi tio...

— Laurinha, como você cresceu, minha sobrinha – o homem falou, olhando-a de cima para baixo – quantos anos já tem?

— Dezessete, tio

— Aposto que todos os meninos devem brigar para ter um mulherão como esse lá na sua faculdade, estou certo?

Os comentários pareciam incomoda-la, mas ela achou que essa talvez fosse a oportunidade perfeita para pedir ao velho um favor.

— Por falar nisso, tio...

— Não Laura, vamos primeiro nos acomodar e depois falamos disso, o seu tio está com saudades e vamos deixar isso para mais tarde.

— Tudo bem, Ana – Disse o velho, para a surpresa da sua mãe – diga, Laura, o que você quer me perguntar?

— Então tio – começou ela, um pouco tímida, reunindo coragem para lhe pedir aquilo – a família de meu namorado esta passando o ano novo aqui perto e eu queria saber se eu não poderia chama-lo aqui para passar o dia comigo amanhã?

O homem sorriu enigmaticamente – Laura não entendeu muito bem o que aquele sorriso poderia significar, mas ele prosseguiu.

— Claro que sim, minha querida – Ele respondeu, mas depois, quando Laura já estava abaixando a cabeça para agradece-lo, completou – chame a família dele para passar o ano novo aqui conosco.

Ana se surpreendeu

— Pensei que você quisesse passar o ano novo em família, Marcos?

— Se é a família do namorado dela, também é nossa família, não é?

Laura estava muito contente, embora o seu tio fosse um pouco desconfortante, ela gostava dele porque sempre deixava que ela fizesse o que quisesse.

— Muito obrigada, tio!

— Tudo para fazer minha jovem e bela sobrinha feliz. Vá chama-lo, a senha da internet está embaixo do roteador, na sala de televisão.

Laura correu para dentro da casa, deixou as suas coisas no quarto que ficaria e correu para a sala de televisão, que ficava no mesmo ambiente que a de estar.

Era uma sala enorme, a televisão parecia com uma tela de cinema de tão grande que era, ela foi até o roteador e conectou seu celular com a internet. Mal havia conectado e haviam chegado as mensagens de Pedro

Chegou já, meu amor?

Conseguiu convencer os seus pais?

Ela achou que talvez fosse melhor liga-lo para dar aquela noticia.

— Alô, Pedro?

— Oi meu amor, como foi de viagem?

— Foi entediante, mas finalmente cheguei, você não vai acreditar, esse lugar é incrível.

— Eu imagino – ele deu uma risadinha – e então? Conseguiu convencer os seus pais a deixarem você passar o réveillon aqui com a gente?

— É sobre isso mesmo que eu queria falar, você não vai acreditar, mas meu tio falou que eu podia chamar a sua família para passar o ano novo aqui com a gente, não é o máximo?

— É sim, meu bem, mas eu acho que não vai dar...

— Por que, Peu?

— Minha tia está aqui com a gente, e ela está muito mal de saúde, sabe?

— Ah, entendo – sua voz soava triste – mas pelo menos você vai passar a tarde aqui comigo amanhã, certo?

— Sim, sim. Agora eu preciso ir, minha mãe está me chamando, nos vemos amanhã, tá? Me liga antes de dormir

— Ligo sim, amor, beijo.

E então ela se levantou do sofá e foi de encontro aos seus pais e seu tio que agora estavam conversando na cozinha.

— Ah, vejo que minha linda sobrinha finalmente está aqui, agora podemos começar o tour pela casa.

E então Marcos mostrou toda a propriedade. Falou que embora ela ficasse longe de qualquer cidade, estava bem protegida, pois além das câmeras de segurança e da cerca elétrica, haviam também quatro seguranças armados do lado de fora que impediriam qualquer um de entrar ali.

A casa era enorme, tinha cinco suítes, todas tinham uma cama king size, uma televisão gigante e uma escrivaninha com um computador de ultima geração, além disso, todos tinham uma parede de vidro que dava vista para uma enorme piscina, e mais ao fundo, o mar.

Do outro lado do corredor ficavam as salas de estar e jantar, a cozinha e a biblioteca de Marcos, era o único cômodo da casa que tinha uma aparência antiga por dentro, eram paredes e mais paredes cobertas com livros, no meio havia uma imponente escrivaninha com três monitores no centro.

Por fim, quando acabaram o tour, uma das empregadas de Marcos veio avisar a eles que o almoço estava pronto, sentaram-se e comeram lagosta vendo o mar pela janela.

Depois de almoçarem, foram até a praia ficar sentados no bar da piscina, tudo aquilo parecia um resort cinco estrelas, Laura estava amando ficar ali, mas pensou em como seria mais divertido, se ao invés de estar ali com seu tio chato e seus pais estivesse com seu namorado e seus amigos.

Quando já eram umas quatro horas, ela pediu licença a todos e foi até a praia e ficou andando na areia, próxima a agua. Quando passou da área que delimitava a propriedade, viu dois homens de terno num carro que ficava colado ao muro da propriedade, de inicio ela se assustou, mas pensou que aqueles provavelmente eram os seguranças de seu tio. Deu meia volta e foi de encontro a sua família.

Assim que anoiteceu todos subiram e foram tomar banho, Marcos disse que teria que ir à cidade para resolver um problema do trabalho e então falou que Laura e seus pais poderiam assistir à um filme na sala de televisão enquanto isso.

Jantaram e começaram o filme, com quinze minutos seu pai já havia adormecido, ela então se despediu da mãe e foi até o seu quarto. Lembrou da promessa de ligar para Pedro que havia feito e então sacou o telefone e discou, porém ele não atendeu.

Ficou em seu celular até o sono bater e quando viu, já era de manhã, tinha esquecido de fechar as cortinas do quarto.

Eram cinco e meia e ela olhou para o seu celular e lá estavam quatro ligações perdidas de Pedro, a primeira tinha sido às duas da manhã e a ultima às quatro, ficou preocupada e então discou. Novamente ele não atendeu. Ela achou melhor então mandar-lhe uma mensagem.

Peu, tentei te ligar antes de dormir, mas você não atendeu. Tudo bem. Mas quando puder me liga, vou te mandar também a localização para você vir se ainda quiser, te amo e não esquece de me ligar, pelo amor de deus.

Então ela decidiu sair do quarto para tomar café da manhã, quando chegou na sala, lá estava o seu tio sentado na mesa, quando a viu ele sorriu, o mesmo sorriso enigmático da tarde anterior.

— Oi, Lau, dormiu bem?

— Sim, tio, dormi.

— Então que horas seu namorado chega?

— Eu não sei, na verdade. Ele não respondeu minhas ultimas ligações.

— Que pena, querida. Azar o dele, se não valorizar, vai acabar perdendo um mulherão desses.

Laura se sentia muito incomodada com aquilo, então achou melhor falar para o tio, seria melhor do que guardar para si.

— Tio...

— O que foi, minha linda?

— Eu não... – ela hesitou, mas, determinada, prosseguiu – Eu queria pedir que o senhor parasse de falar assim comigo, eu me sinto um pouco incomodada com alguém mais velho que eu falando assim com uma menor, sei que não é sua intenção, mas acho que me incomoda.

— Ah, me desculpe – respondeu ele, docilmente – não sabia que você se sentia assim, peço mil perdões, é realmente muito estranho parando para pensar – Ele coçou o queixo, realmente parecia envergonhado por ter agido daquela forma – sinto muito tê-la feito se sentir assim, para compensar queria te oferecer uma coisa.

Ela parecia assustada com a atitude dele, com certeza o seu respeito pelo tio cresceu muito naquela situação. Então ele tirou chaves de um carro do bolso e as balançou.

— Eu não conto para os seus pais que você deu uma voltinha nele

Laura sorriu, agradeceu e pegou as chaves.

Depois de alguns minutos dirigindo o carro pelas estradas da propriedade, seu celular tocou, ela parou o carro e atendeu, era Pedro.

— Oi amor, me desculpa não ter atendido, é que minha tia ontem piorou e a gente acabou tendo que levar ela para o hospital, mas ela já está melhor.

— Ah, Peu, sinto muito por isso, se não quiser mais vir aqui hoje eu entendo, não vejo problema nenhum.

— Não, meu amor, acho até bom eu ir, para tirar isso um pouco da cabeça, devo chegar ai mais ou menos meio dia.

— Tudo bem, vou estar te esperando.

Depois disso, ela voltou para a casa e estacionou o carro, devolveu as chaves ao tio e voltou para o seu quarto. Assistiu à umas series e acabou pegando no sono de novo.

Acordou com a sua mãe chamando-a para almoçar, havia dormido a manhã inteira, juntaram-se ao seu tio e seu pai na mesa e começaram a almoçar, Marcos perguntava a Lucio como estava o trabalho, ele respondeu e devolveu a pergunta, mas Marcos não se aprofundou muito em sua resposta.

Quando chegou a sobremesa, o telefone de Marcos tocou e ele desbloqueou.

— Parece que temos um convidado – e virou o telefone, lá estava a imagem do carro de Pedro do lado de fora da casa.

— É ele – Laura levantou da mesa e foi até o lado de fora da casa, esperar por Pedro.

Pedro chegou, estacionou o carro, saiu e abraçou a namorada, cumprimentou a todos e almoçou, Laura o fez companhia.

— Então, Peu, como está a sua Tia?

— Ela piorou um pouco ontem, mas a médica disse que foi só um susto, ainda bem.

— Sim, foi até bom você vir, que esquece um pouco isso, preciso te mostrar a casa toda, tudo aqui é maravilhoso.

— Eu só achei estranho ficar assim no meio do nada, seu tio trabalha com o que mesmo? Quero ter essa mesma profissão.

Laura riu.

— Ah, ele é produtor, trabalha com televisão ou algo do tipo, mas nunca falou muito a fundo do seu trabalho, nem mesmo para o meu pai, mas pelo que parece ele usa um nome falso para evitar que as pessoas fiquem pedindo muitas coisas para ele.

— Então você que é Pedro – Seu tio chegou apertando o ombro do garoto – ela me falou de você, se sinta em casa, jovem.

— Muito obrigado, senhor – falou o garoto de boca cheia, Laura lhe olhou torto mas depois ela e o tio deram risada.

Passaram a tarde na piscina e na praia, colocando a conversa em dia e quando deu umas quatro e meia, reuniram-se à família no bar da piscina.

— Seu Marcos, Seu Lucio, Dona Ana, muito obrigado pelo convite, achei a casa incrível, mas agora tenho que ir, passar o ano novo com meus pais e minha tia, foi um prazer estar aqui hoje com vocês

— O prazer foi nosso, garoto, inclusive queria falar com vocês dois – Marcos levantou-se e puxou os dois pelos ombros, enquanto os pais de Laura pareciam confusos no bar. – Então, gostaram, não é?

— Sim tio, o senhor foi muito gentil por ter deixado ele vir para cá hoje.

— Queria propor a vocês o seguinte, vocês já vão embora amanhã de tarde, não é Laura? – Ela concordou com a cabeça – eu vou ficar aqui até dia sete, depois vou ter que voltar para a cidade para estrear um programa novo, se quiserem podem vir, chamem amigos se desejarem também, a casa é de vocês, só cheguem antes que eu saia para poder dar as chaves à vocês.

— Nossa tio, você é demais – Disse Laura, abraçando o tio que ficou um pouco sem graça, vou falar para os meus pais.

Depois de conversarem com os pais de Laura sobre aquilo, e após muita relutância da parte deles, conseguiram o aval para passarem uma semana com os amigos ali.

Laura e Marcos foram levar Pedro até o seu carro para se despedirem, o tio ficou na varanda da casa e a menina foi até o carro com o namorado, deu-lhe um adeus e desejou um feliz ano novo, se beijaram e o garoto foi embora.

A menina ia voltando até onde os pais estavam, quando não pode deixar de ouvir, o tio conversando em inglês com alguém ao telefone. Falava algo sobre um novo programa, que estrearia dali a uma semana. Então ela tomou consciência de que o tio não fazia um trabalho local, mas sim algo de escalas globais, por isso que tinha dinheiro o suficiente para comprar uma casa daquele tamanho. Uma boa parte de seu mistério caia para ela ali.

A virada foi maravilhosa para ela, imaginou como seria aquele ano, já que começaria de uma forma tão sensacional com sete dias só com os amigos naquele paraíso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.