O Pior Pesadelo de Annabeth Chase
30 Capítulo 29 - Discussões e... Visitas?!
Notas iniciais
Pulei a janela do corredor do meu quarto que dava para a escada de emergência.
Fui até o banco, tirei o máximo de dinheiro que pude, não era muito, mas bastava.
Então, entrei em um táxi qualquer e fiz a ligação que nunca pensei que iria fazer.
O telefone chamou, e então a voz firme de um homem atendeu.
–Alô, Pai? Sou eu, Annabeth!
–Olá, Annabeth! O que houve?
–Pai, nunca te pedi nada, mas eu imploro, posso passar uns dias com você?
–Claro, mas o que aconteceu?
–Depois eu te conto, não quero falar sobre isso agora.
–Tudo bem, filha. Mas me responde uma coisa... Tem algo com o fato da sua mãe estar se casando?
–Co-como você sabe?
–Recebi um convite. – Ele disse.
Ah, então já fazia tempo que eles sabiam que iriam se casar...
–Ok... Mas, por favor, posso ir para a sua casa?
–Claro que pode! Mas, Annabeth, como irá fazer isso?
–Pai, relaxa!
Ele suspirou e por fim disse:
–Tudo bem... Tome cuidado, Annie. — Trinquei os dentes com o apelido, parte porque odeio apelidos e a outra parte... Me fazia lembrar Percy.
–Ok, pai. Tchau.
–Tchau, Annabeth.
Encerrei a ligação e falei para o taxista, que me olhava com ansiedade e raiva:
–Aeroporto, por favor.
Então seguimos viagem. Comprei a minha passagem e fiquei vendo o tempo voar durante a viagem... Pensando nele...
[...]
Bem, já se fazia 18 horas desde que fugi de casa, peguei o avião e cheguei a São Francisco. Sim, Annabeth Chase fez a coisa mais idiota que pode, voou para o outro lado do país.
–Filha. -Meu pai bateu na porta do quarto de hóspedes.
–Entre.
–Sua mãe está no telefone. Quer atender?
Uma batalha em minha mente começou. E se eu pego o telefone? Ou se eu peço ao meu pai para que ele diga que não irei falar com ela? Bem, decidi que ela merecia uma explicação, afinal, ela ainda era minha mãe, eu querendo ou não...
–Irei atender, sim. – e peguei o aparelho.
–Oi, Atena. – disse.
–Filha! — Ela parecia estar chorando.
–Não me chame de filha, Atena!
–Annabeth! Por favor, volte!
–Não. Desculpe, mas eu não voltar.
–Não tem essa! Eu sou sua mãe! Você vai fazer o que eu mandar!
–Mães de verdade não querem que seus filhos nunca tenham existido!
–Annabeth! Eu nunca disse que não queria que você tivesse nascido!
–Ah é? Então o que foi aquilo com "gostaria de não ter conhecido Frederick"?
–Aquilo... — A ouvi ficar sem palavras. — Como você sabe?
Fugiu da minha pergunta com outra pergunta? Essa era Atena mesmo?
–Você tem que se lembrar de que as paredes em casa não são a prova de som!
–Filha...
–Já chega! Seus minutos acabaram Atena. Sinto em informar que sua ligação não prestou para nada!
Eu sei, estava sendo fria com ela, mas na hora eu não me importei.
–Anna... – Disse ela e eu desliguei o telefone.
Joguei-me na cama, chorando. Eu ainda a amava, mas... Era muito difícil pra mim.
[...]
Só percebi que dormi quando acordei com batidas na porta.
–Sim? — Falei sonolenta.
–Venha logo! Seu pai me fez te chamar. — Falou grossa da bruxa que é minha madrasta.
–Estou indo! – disse.
Levantei-me, dei uma olhada no espelho, meu nariz e olhos estavam vermelhos e inchados, além da minha cara de sono e meu cabelo rebelde, estava super embaraçado. Suspirei e peguei um pente, comecei a trabalhar em meu cabelo e fui ao banheiro para lavar o rosto.
Abri a porta do quarto e as luzes me cegaram.
–Ah! — Gritei quando me abaixei de um carrinho, provavelmente atirado por um dos meus irmãos. Bufei e fui até a sala de jantar. — Boa noite. — Tentei ser educada.
–Annie. — Cumprimentou meu pai.
–Pai, por favor, eu não gosto de apelidos.
–Annabeth, seu pai te chama como quiser. — Falou minha madrasta.
Quem ela pensava que era para falar assim comigo?
–Jessica, apenas estou informando-o que não gosto de coisas assim e fico facilmente irritada com isso. — Além de uma explicação, também era um aviso, o "isso" não se referia aos apelidos, mas também a ela.
–Annabeth.- Ralhou Frederick. — Não fale assim com sua mãe.
Mãe? Como assim? Ela não é minha mãe!
–Minha madrasta. — Corrigi.
–Sua nova mãe. — Olhei para ele com uma expressão de "hein?" — Você fugiu da casa da sua mãe, disposta a ter uma nova vida, portanto Jessica é sua mãe a partir de agora.
Como assim? Cadê aquele Frederick que se negava a aceitar que eu chamasse de Tia a Afrodite, pois respeitava os "rótulos" de parentescos? Cadê aquele que falava comigo? Nunca brigava? Era divertido e sempre com um sorriso no rosto? E que não como a sua nova postura, de homem sério, bravo e coloca a sua esposa acima de tudo, não admitindo olharem para ela de modo não amigável? Algo que nunca fez com a minha mãe, inclusive, foi por isso que eles se separaram. Atena reclamava que ele a colocava em último, não lhe dava atenção, olhava mais para a colega de trabalho dele do que para ela. Aliás, o nome da mulher era... Jessica!
Tudo se conectou, meu pai estava traindo minha mãe com ela! Isso tudo foi há cinco anos, a mesma idade das pestes, os meus irmãos! Eu sempre via essa mulher em minhas visitas ao trabalho do meu pai, depois da separação ele ia à Nova Iorque com pouca frequência e me levava para passear, não falávamos muito, eu me sentia uma garota totalmente feliz, tendo um bom tempo com o seu pai.
Levantei-me rapidamente da mesa, tão rápido que a cadeira caiu atrás de mim.
–Annabeth! — Falou, ou melhor, gritou bravo meu pai. — Nessa casa não nos retiramos assim! Aqui não é como lá em Nova Iorque! Como garotinha mimada que faz o que quer, quando quer!
–Desculpe papai, não estou mais com fome. — Me desculpei logo, antes que fosse expulsa e caso isso acontecesse eu teria que voltar para a casa de Atena. Não queria fazer isso.
Voltei para o quarto furiosa e chateada, lágrimas vinham e eu tentava conte-las.
No final, eu também fui traída pelo meu pai. Não seria melhor voltar à casa da minha mãe?
Ele não disse que queria que você não tivesse nascido! Ele não quer você longe. Falou a outra parte da minha mente.
Mas, ele mentiu ainda mais que a minha mãe! Ele não é mais o mesmo!
E sua mãe? É a mesma? Ela continua te elogiando quando faz algo genial? Ela agora só se importa com sua nova família!
Sabendo que nenhuma das partes ia vencer essa briga, fui dormir, mesmo acabando de acordar.
Foi difícil pegar no sono, mas quando dormi, notei que meu sonho era horrível.
Eu estava em um lugar branco, com duas imagens que eram como luzes em névoa.
A primeira era a minha mãe, Poseidon, Percy e um bebê no Central Park, felizes.
A segunda era Frederick, Jessica e os gêmeos no apartamento brincando e rindo.
Pude perceber que em nenhuma das cenas eu existia, nem me encaixava.
[...]
Estava dormindo quando senti alguém me cutucar.
–Annabeth? – Disse a pessoa e eu tenho de admitir, conhecia aquela voz.
–Você aqui? – Perguntei, só então abri meus olhos. E então, focalizei o rosto da pessoa que tinha me acordado.
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