Notas iniciais
Essa aqui é uma tradução da minha fic em inglês Taka's Nightmare que foi postada no ao3, a Espero que gostem, boa leitura

Todos os Kamitani sabiam que o Taka era um péssimo mentiroso, por isso que quando ele — após ver uma animação aleatória que supostamente não era para crianças — escondeu o rosto em um de seus bichos de pelúcia e tremeu mesmo que não estivesse frio, era óbvio que estava apavorado.

Na opinião de Hayato, o filme nem era tão assustador assim, todavia, para uma criança, poderia ser meio exagerado com as cenas tensas e o sangue.

Se a mãe deles visse seu irmão assim, iria ser um problema. Ela ficaria muito irritada e falaria no ouvido dele por horas, porque ambos sabiam que o Taka era fácil de assustar — todavia, em sua defesa, o pirralho era o único que queria ver o filme de qualquer jeito e, como Hayato não estava com energia para lutar contra o pestinha irritante, ele apenas o deixou ver o filme, cansado demais para se importar com as consequências.

Com um suspiro, Hayato cutucou o seu irmão para ganhar a atenção dele e recebeu um olhar assustado em resposta.

— Taka, você está com medo? — Ele perguntou, apenas para ver o que a criança iria dizer, porque era óbvio que a resposta era sim.

Seu irmão o olhou, o medo bem evidente em suas orbes.

— Não. — Taka respondeu numa pequena, quebrada voz. Um minuto de silêncio passou antes dele forçar um sorriso no rosto. — Garotos grandes não ficam com medo.

Hayato quase deixou a frase mentira da porra escapar de sua boca, quase. Não seria nem um pouco divertido se sua mãe o escutasse repetindo isso depois, então se controlou.

— Você tem certeza? — Ele não queria ter que acordar mais tarde apenas para tentar o confortar porque Taka estava mentindo.

— Sim, eu sou um garoto grande e não estou com medo.

O garoto mais velho apenas o encarou com uma expressão inexpressiva por um pequeno momento e, quando Taka provou que poderia ser tão teimoso quanto a mãe deles, ele apenas suspirou.

— Okay. Então é hora de se arrumar para ir dormir.

Depois que eles escovaram os dentes, Hayato foi para o quarto de Taka e colocou seu irmãozinho, que agora tinha sua espada de plástico na mão, na cama.

Ele deixou o abajur ligado e, com um simples “boa noite”, o deixou no quarto, sem checar se o mais novo já estava dormindo.

Num primeiro momento, Taka sentiu que estava seguro. Tinha sua espada nas mãos e seu cobertor era um bom lugar para se esconder, então as criaturas do filme não iriam o achar, mesmo que procurassem muito bem. Ele até mesmo começou a se sentir sonolento enquanto segurava seu brinquedo favorito, porém Taka não contava com o fato de que alguns monstros preferem procurar crianças em seus sonhos.

Por isso que, quando começou a sonhar sobre ser o ranger vermelho em uma grande aventura, ele realmente achou que era um garoto grande, mas infelizmente, Taka não era.

Demorou apenas alguns segundos para as criaturas do filme começarem a invadir seu sonho. Elas estavam o procurando, tentando lhe pegar. Ele já não era mais o ranger vermelho e não tinha poder nenhum para se defender dos monstros.

Inicialmente, Taka tentou correr para longe, porém percebeu que não conseguia se afastar. Era como se alguma coisa estivesse o segurando no lugar, tão perto das criaturas, mesmo que ele estivesse tentando o seu melhor para se afastar.

De repente, ele já não estava mais tocando o chão. Um dos monstros o tinha agarrado pela camisa e agora ele estava olhando diretamente para o rosto feio dele.

Mesmo dormindo profundamente, Taka ainda sim sentiu uma sensação quente e úmida em suas pernas.

A criatura assustadora abriu os lábios, o levando cada vez mais perto para sua boca escancarada e, então, apenas quando estava prestes a engoli-lo por inteiro, ele acordou.

Seu coração estava latejando tão forte e as lágrimas estavam acumuladas em seus olhos, todavia Taka percebeu com um pouco de alívio que tinha sido tudo apenas um vívido pesadelo.

O abajur ainda estava aceso e ele conseguia ver agora o que a umidade que estava sentindo realmente era. Taka tinha se mijado enquanto dormia.

Sua mãe não ficaria contente em saber que ele tinha feito xixi na cama pela segunda noite seguida.

Ao retirar o cobertor de cima de si e sair da cama, ele procurou pelo seu guarda roupa para pegar uma nova roupa. Quando ele abriu a gaveta de cuecas, ele pegou o primeiro tecido que sentiu sob a mão e mudou a peça suja pela seca.

Já que sua cama também estava molhada e não mais sentia-se seguro sozinho, Taka fez o que normalmente fazia: ele foi para o quarto do seu nii-chan. Não existia lugar mais seguro no mundo que o quarto do Hayato, com exceção talvez o quarto da mãe deles.

O corredor estava escuro, todavia Taka sabia que era uma pequena caminhada, então não se preocupou muito com as sombras estranhas na parede. Ele foi direto para o cômodo do seu irmão.

Era como mágica. No momento em que ele pisou lá Taka se sentiu seguro. Mesmo que o quarto estivesse mais escuro que o corredor — porque seu nii-chan acordava facilmente com a luz que passava nas janelas quando estavam abertas — ele sabia que os monstros não podiam o pegar agora.

Com um pouco de dificuldade, Taka achou um jeito de se aproximar da cama do Hayato e subiu no colchão, provavelmente caindo em alguma parte de seu nii-chan no processo. Ele se escondeu no cobertor que o mais velho estava usando, deitando bem perto das costas de Hayato.

Só demorou um minuto até que Taka pegasse no sono.

[—]

Depois de uma merecida noite das garotas com as amigas, Kamitani Shizuka finalmente estava em casa e, como de costume, ela foi checar seus bebês para ter certeza de que eles estavam bem.

Porém, no momento em que ela foi para o quarto do Taka, achou uma cama desfeita e roupas no chão — e era impressão sua ou o quarto estava fedendo?

Não vendo nenhum sinal de seu filho mais novo, ela foi direto para o quarto de Hayato, pronta para lhe dar uma sacudida e começar um monólogo sobre como ele devia prestar atenção no seu irmão. Para a sorte dele, ela não precisou fazer nada disso. No momento em que abriu a porta Shizuka achou o Taka deitado perto do filho mais velho.

O coração dela se aqueceu com a cena, e mesmo que não fosse uma das mais bonitas — pois o pé de Taka estava no rosto de Hayato e o caçulinha estava babando nos lençóis — ainda sim era uma bem rara de se ver.

Com um pequeno sorriso, Shizuka fechou a porta e decidiu deixar os questionamentos de o porquê o quarto de Taka estar uma bagunça e o motivo para estarem dividindo a cama para a manhã seguinte.

Notas finais
Eu quero agradecer a @krful pela bela capa, super boiolinha aaaa, e ao @Letum pela maravilhosa betagem, me ajudou bastante na bagunça que ficou a tradução aaa Enfim, espero que tenham gostado, a
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!