O Perdedor

10 Quinto dia.


Notas iniciais
Vão me matar, quando souberem o que o Reitão faz q

Como eu havia previsto, não preguei o olho a noite toda. Aoi já estava ficando preocupado comigo. Dizia para que eu cancelasse a aposta, para relaxar mais, para esquecer isso e deixar esse orgulho bobo de lado. E falava isso mesmo sabendo que eu não o faria.

A conseqüência de passar a noite toda acordado, veio de manhã. Eu dormi durante a aula toda. Toda mesmo! Aoi e Reita quase tiveram que me carregar até em casa.

~

Eu e Reita nos despedimos de Aoi no meio do caminho. Mesmo que tivesse bastante trabalho da escola a se feito, aquilo ainda era uma aposta. Eu queria para-la, mas meu orgulho IDIOTA não deixava de jeito nenhum. E, alem disso, faltavam só três dias pra que acabasse, mesmo.

Reita foi como um anti-depressivo pra mim. Até mesmo fez com que eu esquecesse do assassinato do meu padrasto, que, aliás, não tive noticias desde então.

− Reiiiita, — grunhi – me diz em que você trabalha! Isso ta me matando, droga!

− Não posso. – respondeu, rindo.

− Por que não? – perguntei, falsamente magoado.

− Tudo bem, tudo bem... Eu conto. MAS PRIMEIRO PROMETA QUE NÃO VAI RIR!

Apenas assenti com a cabeça. Meus olhos brilhavam como os olhos de uma criança que vê um brinquedo novo na vitrine de uma loja. Ele pigarreou e, desviando o olhar, disse:

− Eu... Sou acompanhante. Marido de aluguel, sabe?

Fiquei fitando-o por um tempo, sério. Aquela frase ecoando na minha cabeça. Não pude evitar soltar uma gargalhada realmente alta, após raciocinar o que havia sido me dito.

− Seu... seu... Hahaha... Seu loiro pervertido!

− VOCÊ PROMETEU QUE NÃO IA RIR, TAKANORI! – Praticamente berrou, corando completamente e me fazendo rir ainda mais.

Quando eu já podia respirar normalmente e minha barriga não doía mais, voltamos a andar, e eu me voltei para ele, perguntando:

− Quanto você costuma cobrar?

− Depende do caso.

Tive alguns espasmos de riso, tendo que parar por causa do olhar, digamos... Ameaçador, que ele me lançou.

− Para alguém como eu...

− Seria de graça. – ele riu.

− Eu vou entender isso como uma indireta de que eu sou gostoso. – brinquei.

Mas admito, por dentro eu me preocupava com esse trabalho de Akira. E se ele conhecesse alguém melhor do que eu?

− Ruki... – Chamou baixo.

− Hum? – Respondi, acordando de meus devaneios.

− Não se preocupe. Eu não vou mais trabalhar com isso. Estou com minha ultima cliente e assim que terminar minha parte eu deixo isso de lado e vou procurar algo mais... Decente.

As vezes eu acho que Reita lê minha mente.

− Tudo bem, eu n-

− Não minta. – cortou-me.

− Reita... Por que te expulsaram? Seu trabalho não tem nada demais... Em parte.

− Acharam que eu era travesti...

Nós dois rimos.

− Aonde vamos hoje? – perguntei.

− Lugar nenhum em especial. Nós podíamos só... Caminhar e, talvez, se você for um bom menino e se comportar bem, eu te pague um sorvete.

Aquilo chegou a mim com certa malicia e eu sorri cínico para ele.

− Reitaaa... Acho bom você escolher melhor as suas palavras... – cantarolei, rindo.

− Ah, e eu é que sou o pervertido?!

~

− Hn... Eu acho repugnante essa historia de fazer sexo por dinheiro. – Falei, voltando a atenção novamente ao sorvete, ao terminar a frase.

Estávamos sentados em um dos bancos da sorveteria. Reita já havia terminado seu sorvete à uma meia hora, só eu não tinha nem chegado a metade ainda.

− Só fiz sexo no trabalho umas duas vezes. Três no máximo, e foi por opção minha. − comentou.

− Mas Reita, você não acha que é novo demais para ser acompanhante?

− E você não acha que é novo demais pra saber de tanta coisa. – destacou bem a ultima parte, e eu entendi o que ele quis dizer com aquilo.

− Idiota! – Ri. – Não sou novo demais. Já sou quase maior de idade! – Falei num tom manhoso e infantil.

Rimos até cansar e, quando paramos, ele segurou meu queixo com bastante firmeza e passou o polegar no canto da minha boca.

− Tente comer sem se sujar tanto. Assim até parece uma criança. – comentou, zombeteiro.

− Cale a boca, seu pedófilo! – falei, entrando na brincadeira.

− Foi você quem me seduziu! – riu.

Novamente não parávamos de rir. Tirei uma ultima colherada do sorvete e joguei-o no lixo, mesmo sabendo que havia sido um desperdício.

~

De fato, aquela semana estava sendo... Linda. E não tinha palavra melhor para descrevê-la.

Reita sempre me deixava em casa, como já era de costume. Eu normalmente conversava sobre como havia sido o dia, com Yuu.

Naquele mesmo dia, quando cheguei em casa, tive uma enorme surpresa: minha mãe estava lá e, por Deus... O que diabos ela havia feito à Yuu para ele estar tão sério e melancólico?

− O que você quer aqui? − perguntei, tentando ao máximo não me descontrolar.

− Vá arrumar suas coisas. Nós vamos para casa.

Yuu estava encostado no batente da porta da cozinha, os braços cruzados sobre o peito. Ele me olhava como se pedisse para que eu tivesse calma.

− E quem é você para achar que pode mandar em mim? – cerrei os punhos, olhando para a mulher sentada a minha frente. – Porque, pelo que eu me lembre, você nunca se importou comigo e depois que meu pai morreu, ainda passou a me tratar pior. Ah, é... E me desculpe, mas você nem ao menos me queria naquela casa, quando se casou com aquele velho. Por que ainda usa o sobrenome do meu pai?! Pra dizer que já foi mulher do senhor Matsumoto, só porque ele era poderoso e isso e aquilo...?! Eu deveria ter contado para ele que a vi com aquele idiota na cama, quando tive oportunidade! Você me dá nojo, sabia?!

− Querido... Não é isso. Por favor, pare de falar essas coisas. – pediu, baixo.

− Ah, agora eu sou o filhinho querido?! Que bonito você passar a notar a existência do seu filho assim de uma hora pra outra, sem nem ao menos saber o que ele passou. Merece um prêmio, VAMOS TODOS APLAUDÍ-LA! – eu batia palmas e ria cinicamente para ela. – Quer saber como chamo essa sua preocupação repentina? Medo. A senhora tem medo de ficar sozinha. E eu tenho certeza que se aceitasse voltar pra casa, no dia que você arrumasse um outro... “Marido”, iria me por pra fora, de novo. Então, se não for pedir muito, a senhora poderia se retirar? Se não percebeu, você não é bem vinda aqui.

− Takanori! Não fale assim comigo!

Ela levantou-se e ergueu a mão para me bater. Instintivamente fechei os olhos sem reagir, já esperando que a dor viesse, mas estranhei ela demorar tanto assim. Os abri novamente e vi que Aoi segurava o pulso de minha mãe.

− Eu não sei se a senhora ouviu, mas Takanori pediu que a senhora se retirasse.- Sua voz era firme, como se ele ameaçasse bater nela a qualquer momento.

Ela não falou nem tentou fazer mais nada. Simplesmente saiu dali, batendo a porta quase explosivamente.

Eu me sentia tão... Bem. Tão leve por dentro que tudo que fiz foi rir. Rir feito um louco.

− Ruki... Tudo bem? – Aoi pousou a mão em meu ombro, num afago discreto.

− Tudo perfeitamente bem, Aoi.

Eu o puxei para um abraço e ele o correspondeu. Pude ver que um sorriso verdadeiro formou-se em seus lábios.

Sim, eu estava realmente feliz por ter finalmente enfrentado minha mãe. Me sentia livre. As coisas não poderiam estar se saindo melhor para mim. Não mesmo!

Notas finais
Nota mental: Parar de escrever as fics no caderno pra depois não ter preguiça de digitar. Hn,
MINHAS LEITORAS MARAVILHOSAAAS... Desculpa pela demora. ;-;~
Mas trago-lhes novidades! A segunda parte de "O Perdedor" ja está sendo escrita. A vingança do nosso baixinho está proxima! *-*
Pra quem não sabe, a segunda parte do perdedor vai ser a historia do Uruha e do Aoi.