Ele estava lá! Pela sua cara, acho que estava querendo me bater... Ou não. Mesmo assim, tenho plena certeza de que ele não gostou muito de mim. E a culpa é toda do Shiroyama!

Arrumei minhas coisas e desci, chegando rapidamente ao portão. Parei no momento em que o seu olhar caiu sobre mim. Ele sorriu.

— Porque está aqui...? — tentei não parecer tão nervoso ao falar.

— Fiquei te esperando, achei que sairia tarde e poderia ser perigoso para alguem como você, — ele parou, me olhando de cima a baixo e alargou mais ainda o sorriso, seria aquilo uma aprovação a minha boa aparência? — voltar para casa, sozinho.

Preocupação. Era assim que eu chamava aquilo. E, para alguem como ele, era realmente adorável. Mas fiquei realmente surpreso com a resposta, porém achei melhor não falar nada e apenas aceitar tal companhia, afinal... Que mal ele poderia me fazer? E além disso ele me passava confiança, mesmo com a sua aparência de valentão.

~

Durante todo o percurso até a minha casa, ficamos em silêncio. Eu não fazia a minima ideia do que ele pensava ou não, mas eu me perguntava mentalmente: Porque Akira havia se mudado para a minha escola no meio do ano? Expulsão? E se havia sido, qual a razão? Claro, visivelmente ele não é a melhor pessoa do mundo, mas... Vejam só: Ele está acompanhando um (quase) estranho até em casa só porque está preocupado!

— Vai em frente, Matsumoto... Pode perguntar.

— Hum?

— Pergunte oquê você que saber...

— Err... Hn... Bem, você foi expulso da outra escola?

— Fui. — respondeu, simples e absurdamente calmo.

— Ah, então... Se você não se importar com a minha curiosidade... Por que?

— Digamos que tenha a ver com o meu trabalho.

Meus olhos ficaram do tamanho de pratos enquanto eu imaginei todas as coisas mais terriveis do mundo.

— Oh, meu Deus... não me diga que você é um hitman¹ ou que trabalha para a Yakuza.

Ele riu, negando com a cabeça. Céus, seu sorriso era tão meigo e espontaneo!

— Não, não, Matsumoto-

— Ruki. — cortei-o.

— Como?

— Ruki. Quero que você me chame de Ruki.

Ele tornou a sorrir e eu ja estava começando a ficar mau acostumado com aquilo.

— Tudo bem, Ruki. — Gostei de ouvir meu apelido saindo no timbre de sua voz, era como uma melodia para mim. — Não, nunca peguei em uma arma em toda a minha vida. Juro.

Ele fez uma cruz com os dedos indicadores das mãos, e em seguida, beijou-a. Não entendi muito aquilo, mas ri. Ele riu juntamente e paramos. Só então notei que ja haviamos chegado ao meu prédio.

— Ah, Ruki... então você mora aqui?

— É.

— Moramos proximo um ao outro e aqui é até caminho pra minha casa. — sorriu.

Fiquei meio contrariado ao chegar, e um turbilhão de pensamentos me invadiu a mente: Será que ele me trataria da mesma forma amanhã? Será que me ignoraria? Será que nós seriamos bons amigos, assim como eu sou amigo do Aoi? Aquilo me deixou realmente preocupado.

— Nee, Ruki... — sua voz me tirou dos devaneios e só assim fitei seu rosto. — Nos vemos amanhã?

— Claro, Suzuki! — sorri um tanto euforico e até mesmo sem jeito. Talvez por, pela primeira vez, ter pronunciado seu nome (sobrenome,na verdade).

Ele aproximou-se e sussurrou em meu ouvido.

— Oh, me chame de Reita, por favor...

— Ahhn...err...hum, Reita!

Ele riu, notando meu nervosismo pela sua aproximação. Saiu caminhando e eu continuei parado até me situar novamente.

— Tome cuidado no caminho de casa, Suz-...Reita! — gritei, sorrindo bobo.

Ele, simplesmente ergueu a mão até a altura da cabeça, como num sinal de que havia escutado, e depois \'guardou-a\' devolta no bolso, sumindo no fim da rua. Fiquei imaginando que tipo de trabalho era o dele, para provocar uma expulsão escolar, mas \'acordei\' quando ouvi a tranca eletronica do portão, destravar.

— Obrigado. — disse ao porteiro, ja entrando.

~

Meu sorriso se desfez no mesmo instante em que pus os pés no apartamento. Ser abusado sexualmente, pelo padrasto, durante seis... Não, sete anos não era a coisa mais agradavel do mundo, mas eu sempre recebia ameaças de que, se contasse a alguem... Eu morreria. E sabia que era verdade — ja havia visto a arma. A unica coisa que eu poderia fazer era fingir que estava tudo bem... mas eu estava começando a me encher daquilo. Argh!

Notas finais
¹: pra quem não sabe,Hitman é um atirador de elite. :D

Alem disso...CAPITULO LIXO! Ç____Ç~