Três anos depois...

Estava sentado no sofá. Já havia me acostumado aos filetes mornos queimando meu rosto. Afinal, com tanto tempo como não me acostumaria? Desde Akira não tinha mais me relacionado. Não por falta de oportunidade, pois opção era o que não me faltava.

Tanta coisa havia acontecido desde aquele tempo. Yuu e eu havíamos nos mudado, e agora morávamos num apartamento maior e melhor − morando juntos podíamos dividir os custos, já que não é fácil achar apartamento bom e caro. Yuu estava ajudando Kai no restaurando. Não, Kai e Miyavi não haviam rompido, mas o tatuado agora trabalhava como musico de carreira solo. Os dois continuavam juntos, e muito bem. Reita fora embora... e Uruha, sendo seu primo mais novo e morando em Tokyo aos cuidados do de faixa, havia voltado com ele para Kanagawa, já que os pais não deixariam que ele morasse sozinho.

E, sobre o caso de meu padrasto, bem... Fiquei sabendo que após algum tempo depois de nossa ultima conversa, minha mãe começou a “não bater muito bem da cabeça”. Foi internada por alguns meses e umas duas semanas depois da sua “recuperação” começou a usar drogas − no começo dizendo ser receita medicinal. E, bem... Ela acabou se entregando no meu lugar, mesmo sabendo que havia sido eu − é, eu sabia que ela sabia, mesmo sendo uma mãe horrível, ela era minha mãe e as mães sempre sabem de tudo.

Sabe, acho que essa era a única razão pela qual eu posso agradece-la. Ser um fora-da-lei é tão emocionante e tudo o mais...

Ah, e é claro que eu não poderia esquecer de mencionar como foi minha vida depois que Akira se foi.

Eu havia começado a fazer faculdade de musica, que sempre foi o meu sonho, desde os onze anos de idade. Para paga-la, também trabalhava no restaurante com Kai, como garçom. O lugar havia mudado e crescido bastante, já nem me lembro mais de como ele era antes das mudanças começarem, mas seja como fosse, estava mais lindo agora. E como era freqüentado por apenas pessoas da alta sociedade o salário era ótimo. Dava pra pagar a faculdade, os custos do apartamento e ainda sobrava dinheiro para gastar comigo mesmo.

E nem preciso contar como Aoi ficou quando soube que Uruha ia embora, né? Os dois estavam tão próximos que eu desconfiava que não estivesse acontecendo nada entre eles, pois se estava, eu não sabia. Ninguém tinha me contado nada e eu ainda não tinha feito curso para ler as mentes dos outros ou adivinhar coisas.

E eu? Como eu fiquei quando Reita foi embora? Ah... Me lembro bem desse dia.

Aoi havia acabado de me ligar, avisando que Reita estava no aeroporto, assim como todos os outros, e já estava pronto para entrar na sala de embarque, despedindo-se. Ele ia embora? Então era isso que ele queria me dizer? Senti um buraco se abrir no chão abaixo de mim. Eu finalmente decido perdoa-lo e ele simplesmente vai embora?

Com a roupa que estava, saí de casa correndo o máximo que minhas pernas agüentavam. O aeroporto não era longe, mas mesmo assim levei quinze minutos para chegar lá. Quinze minutos que foram suficientes para que o avião já estivesse saindo. Aoi estava sentado em uma das cadeiras do lugar, as mãos cobriam-lhe o rosto e a cabeça estava baixa, enquanto apoiava os cotovelos nas pernas, com a coluna levemente curvada para frente. Ele estava... chorando? Por Uruha? Definitivamente os dois estavam tendo algo. Kai e Miyavi estavam ao seu lado, o mais baixo dos dois fazendo um afago em seu ombro, como que para conforta-lo.

Foi então que me dei conta de que Reita também já havia ido. E eu nem pude dizer que o perdoava. Que ainda o amava... Que sempre amaria. Deixei que os filetes quentes escorressem pelo meu rosto, enquanto cobria-o com as mãos.

Eu sei. É ridículo ainda ama-lo, mesmo depois de tanto tempo, mas eu não posso evitar. Aoi vive me dando noticias dele e mesmo tendo seu telefone e seu e-mail... Eu não tinha coragem de falar com ele.

Patético, não?

~

Acordei com o celular tocando. Aoi havia ido para o restaurante um pouco mais cedo que o de costume − a pedido de Kai − e, estranhamente, me ligava. Com toda a minha não tão boa-vontade estiquei o braço até o criado-mudo e peguei o aparelho.

− Alô?

− Ruki? Você pode vir aqui no restaurante? A gente preparou uma coisa pra você.

Estranhei aquilo novamente, mas mesmo assim assenti e desliguei, indo me arrumar. Levantei-me, fiz a higiene matinal e vesti a primeira roupa que vi pela frente, eu sempre acordava de péssimo humor. Desci pelo elevador e ao sair do prédio tive a surpresa de ser “ensacado”. Com a lerdeza matutina eu ainda não havia tido reação nenhuma e mal sabia o que estava acontecendo. Só tomai consciência quando senti-me ser carregado de um carro: eu estava sendo seqüestrado.

Comecei a me desesperar e gritei que me soltassem, caso contrário eu jogaria uma praga neles − não que eu fosse um bruxo nem nada do tipo, só estava dizendo o que vinha a minha cabeça naquele momento. Me debati, tentando soltar-me dele. O carro começou a andar, enquanto um dos caras que me seqüestraram amarrava meus pulsos e tornozelos, aproveitando o fato de o saco negro só cobrir minha cabeça.

Logo quando ele achou que já era seguro, tirou o saco de minha cabeça. Tive que me segurar pra não rir: ele estava com uma meia-calça na cabeça, mas como não havia cortado-a, as pernas dela estavam soltas, deixando-o parecido com um coelho. Mesmo com o pano fino, notei que seu rosto me era familiar, mas só o reconheci quando desci os olhos para seu corpo. Era o pergaminho-humano.

− Miyavi, o que diabos est...?!

Não pude terminar a frase, pois o desgraçado levou um lenço com alguma substancia de cheiro forte ao meu nariz e boca, e acabei perdendo a consciência.

~

Quando acordei já estava escuro la fora, pude ver pelo vidro da janela do restaurante. Cheguei até a me assustar quando lembrei que antes estava no carro e agora... Eu acordava deitado no chão do restaurante de Kai. E me assustei mais ainda ao notar que ele estava vazio.

Minha roupa havia sido trocada por um... Um tipo de paletó estampado, e meu cabelo − que nos últimos tempos estava num tom de castanho médio − estava todo arrumado com as pontinhas para cima.*

Fiquei imaginando como eles − àquela altura eu já havia descoberto que meu seqüestradores eram na verdade Miyavi, Kai e Aoi −haviam feito tudo aquilo sem me acordar, mas isso não vinha ao caso no momento. Havia um enorme caminho de flores à minha frente, que levava até a sacada do restaurante. Dentre elas tinham alguns cartões que, até então eu não vira o que diziam. O que, pelos demônios do inferno, era aquilo?

De qualquer forma... Comecei a caminhar e ler os pequenos pedaços de papel enfeitado.

“Ruki...”

“ Eu sei que fui um idiota... “

“ Um covarde...

“ Por fugir daquele jeito... “

Sorri, já tendo noção de quem seria. Então ele tinha voltado...

“ Mas, sabe... “

“ Nesse tempo...”

“ Nesse três anos... “

“ Eu percebi algumas coisas... “

“ Que eu deveria ter ficado satisfeito em ter você comigo. “

“ Que eu era um idiota por ter ficado com aquela mulher por causa do dinheiro dela... “

“ E que eu não vivo longe de você. Que de maneira alguma eu existo sem você na minha vida. “

“ Eu te amo. “

− Então... me desculpa?

Ouvi aquela voz que há tanto tempo não escutava quando cheguei a sacada. Ele estava la, e tinha em mãos um lindo buquê. A maneira como ele me sorria era tão infantil... Tão linda.

Olhei para trás e vi minha “equipe de apoio” ali, mas notei que Uruha não estava com eles... Talvez tivesse decidido ficar por Kanagawa mesmo. Sorri para eles e sussurrei um “obrigado”, virando-me de volta para Reita. Ele ainda me olhava do mesmo jeito de instantes atrás.Não pude evitar de sorrir também. Sorri como um bobo apaixonado. As lágrimas escaparam sem que eu percebesse. Finalmente saí de meu transe temporário e corri na direção do mais alto, que imediatamente soltou o buquê.

Meus braços se ataram em seu pescoço e eu o beijei de forma desesperadamente carinhosa, ao mesmo tempo que necessitada. E sua boca ainda tinha o mesmo gosto doce de antes, assim como seus lábios a mesma textura macia.

Quando o ar faltou a nós dois, nos afastamos minimamente, somente para nos olharmos. Eu tinha plena noção de que estava corado e meu rosto provavelmente devia estar manchado pelo delineador em meus olhos. Saí da ponta dos pés, deixando meu rosto descer e escondendo-o na curva de seu pescoço.

− Mais calmo agora? − Perguntou, apertando os braços em minha cintura e que eu nem havia notado quando ele havia colocado-os ali.

Assenti com um resmungo baixo, sentindo a vibração que vinha de sua garganta enquanto ele soltava uma risada boba.

Vagamente lembrei de algo que já há algum tempo eu estava querendo conta-lo.

− Aki...? − chamei baixo, com a voz abafada por conta de seu pescoço.

− Sim?

− Lembra daquele jogo da gente... ? Aquela aposta de quando tudo começou?

− O que tem ela?

− Você a perdeu.

Ele pareceu pensar por um tempo.

− Como assim?

− Bem... A aposta era que eu me apaixonasse por você em uma semana, quando na verdade, eu já me apaixonara desde que eu te vi entrar pela porta da sala de aula.

Me afastei dele para poder encara-lo e ele parecia surpreso com o que eu havia dito. Sorri inocente para ele, tendo uma retribuição e abraçando-o novamente, agora com a cabeça deitada em sei peito.

− Aki...?

− Sim?

− Eu te amo.

Dessa vez ele afastou-se de mim, segurou meu rosto com as mãos e abaixou-se para poder ficar da minha altura. Nossos lábios se uniram novamente e ao afastar-se, ele sussurrou:

− Eu também te amo, Taka.

GAME OVER

CONTINUE?

YES[x] NO[ ]

~

Pois é, galerinha q

A gente chegou ao final de \" O Perdedor\". D:

Eu queria agradecer a todo mundo que leu, a todo mundo que não leu q, a todo mundo que mandou review, a todo mundo que leu e NÃO mandou review, ao nyah e a quem me deu umas idéias...

Queria também dar os ultimos avisos da temporada q:

Primeiro: o nome da segunda parte de \"O Perdedor\" é \" O Insistente\". Lembrando que é a historia do Aoi e do Uruha. A fic foi escrita em pov\'s alternados e tem também direito à um epilogo.

Segundo: Quem quiser que eu avise quando a fic for postada, me manda uma mensagem no Nyah, ou um scrap no orkut, ou até mesmo pede nos reviews, ok? <3

Eu vou ficando por aqui. Espero que tenham gostado da fic e os agradecimentos são do fundo do meu coração.

Bye, e kissu pra todo mundo. Feliz Natal e um Ótimo ano novo.

*: Ruki mode Guren. *-*/ /Yumimelembroudepor *Sim,tinhaesquecidodeporosignificadodoasteristo* kehe q

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!