O Pequeno Rei.
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Uma chamada perdida.
Nova tentativa.
Um rosto na tela
Cabelos bagunçados, barba por fazer.
Acordou agora, conclui distraidamente.
Sorriso tímido, voz mansa.
É seguro ou disfarça?
Não importa, olha a camisa.
Como era? Não se lembra.
Mas imagina ele a vestindo apressado para atender a chamada.
Tenta não olhar a imagem.
“Concentra na conversa" diz a si mesma.
A boca se move, os olhinhos piscam,
Será que a barba pinica?
Disfarça, se distrai com a sala, mas aquela voz a atrai.
Olha sem querer olhar, ele percebeu?
Uma parte sua diz que sim. Esperança boba, diz a outra.
Palavras trocadas, chamada encerrada, coração acelerado.
O que aconteceu?
Olha, vê, é visto.
De novo.
Outra vez.
Mais uma.
Um café, uma palavra, uma resposta,
um olhar, olhos que se encontram, se enxergam
Se conhecem, se reconhecem, se conectam.
O mundo balança, gira, acende, apaga, muda.
Tudo está igual, não aconteceu nada.
Mas foi recíproco. Ela sabe, ele também.
Livros, capas, histórias, sonhos.
Livros, olhares, música.
Livros, palavras, olhares, palavras.
Livros, casa, um caso.
Sonho, ilusão ou futuro?
Tudo. Não aconteceu nada.
Um corredor.
Uma porta. (Fechada)
Um olhar, um sorriso.
Uma promessa. Ou foi um convite?
O mundo não é o mesmo, mas não aconteceu nada.
Pessoas, vozes, o assunto.
Todos sabem. Todos sentem. Todos veem.
Menos eles. Ou viram e não querem enxergar.
Viram e não querem falar.
Viram e não querem tentar.
Olhares, palavras, livros.
Casas, lares, amigos.
Café, almoço, conversa.
Mais conversa, mais comida, mais assunto.
Mais olhares.
Um gesto.
Um toque.
Um beijo?
Um olhar, um toque, um beijo.
Palavras sussurradas, um lanche, um gesto, um toque e um beijo.
E outro. E mais um. E mais outros.
Um até amanhã, um tchau, um adeus, um nunca mais.
Nunca mais.
O dia é igual.
O mundo é igual.
Ela não é igual.
Algo acontecia, algo aconteceu,
Algo não acontece mais.
Nunca mais.
Notas finais
Diga se gostou.
Obrigada pelo seu tempo.
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