Notas iniciais
Ponto de vista do Kishibe.

É realmente muito bom poder jogar futebol normalmente com meus amigos outra vez, sem as regras incômodas do Quinto Setor. Ainda mais nós, da escola Kidokawa, que sempre foi conhecida pelo esporte e todos os membros do clube sempre carregaram uma grande responsabilidade quanto a isso.

Mesmo assim, eu fiquei feliz de carregar tamanha responsabilidade, me tornando o capitão do primeiro time. Entretanto, justamente sob a influência do Quinto Setor, os membros começaram a discutir e até a brigar entre si. Eu tentava de todo o jeito, mas simplesmente não conseguia impedir. Especialmente quando se tratava dos irmãos Taki.

Foi quando aquele homem chegou.

Em questão de dias, e claro, de uma partida bastante difícil contra a escola Raimon, ele conseguiu colocar ordem em tudo. Sem força. Sem agressividade. Apenas palavras. Essas que incentivavam a encontrar o nosso próprio caminho. Nosso próprio estilo de jogar futebol.

Até mesmo o irmão Taki mais velho, Sousuke, um dos mais chatos de convencer, cedeu.

E eu fiquei muito admirado com aquela pessoa que sempre sorria gentilmente se cruzássemos olhares.

Foi assim que Afuro Terumi ajudou a Kidokawa. Ou melhor, Aphrodi. Por alguma razão, ele prefere ser chamado pelo apelido que dizem que ele ganhou quando ainda estava mais ou menos na sétima série.

Mas diga-se de passagem... Não poderia existir um apelido melhor para ele.

Aqui na escola Kidokawa existem muitos alunos e professores populares. Modéstia á parte, eu até ganhei vários chocolates no dia de São Valentim. Fiquei muito agradecido e lisonjeado, mas por hora nenhuma garota me interessou... Er, nenhum garoto também. S-sim, ganhei de alguns deles.

Mas foi tamanho o furor na sala dos professores que até mesmo os alunos que nem estavam aí para trocar chocolates foram olhar a bagunça que tinha se instalado lá. Eu consegui ver... Oh, minha nossa! Eram centenas de chocolates e presentes de todas as formas e tamanhos na mesa do Terumi Kantoku!

- Oya... Não esperava tantos... – O kantoku simplesmente coçou a cabeça com o indicador e sorriu.

- Afuro-sensei, você JÁ esperava ganhar chocolates dos seus alunos? — Bufou a professora de matemática. Ela era um tanto rabugenta... Será que tinha inveja?

- Bem, sim... Isso sempre acontece, aonde quer que eu jogue, estude, trabalhe... – Ele apenas sorriu cordial, como se aquilo ali fosse a coisa mais normal do mundo.

Os outros professores simplesmente não souberam bem como reagir. Apenas pediram para que ele desse um jeito de guardar aquilo tudo em algum lugar, pois estava até atrapalhando a passagem.

Para dizer a verdade, bem que eu queria ter feito algo para o kantoku também... Mas fiquei pensando se não ficaria estranho, afinal sou um garoto, e bem mais novo. Mas... A verdade é que... Eu sou tão grato a ele... Meu coração até bate mais forte. E como eu disse antes, Aphrodi é um ótimo apelido para ele. Honestamente, acho que eu nunca tinha visto uma pessoa tão bonita. E homem, ainda por cima.

Tudo bem que eu já tive vários adversários de aparência muito boa, mas... O kantoku... Não sei como explicar. Ele tem uma aura diferente. Altiva. Brilhante. E gentil também. Digna de uma deusa... Neste caso, um deus, do amor e da beleza.

Mais tarde ainda pude ver algumas pessoas entregando presentes á ele. E aí eu senti aquilo. Um pequeno aperto no peito que todos dizem ter sentido quando viram sua pessoa amada ser cortejada por outra. Ou seja, ciúmes. Oh, isso não podia acontecer... Só que está acontecendo. Eu sou o capitão do time, eu sou um garoto, isto não está certo.

Não posso me apaixonar pelo kantoku! O que eu devo fazer se estas sensações continuarem? Não conseguirei nem me concentrar nos treinos e nas partidas? Isto não é nada bom!

Ah, eu gostaria de ter alguém para conversar a respeito. Mas é óbvio que tirariam com a minha cara. Eu até poderia confiar no irmão Taki mais novo, Yoshihiko. Mas pode ser que ele não entenda, ele é tão inocente.

Hngh, se o kantoku fosse casado, isso seria bem mais fácil. Era só pensar nos sentimentos da esposa dele que eu me controlaria. Mas como ele é livre e desempedido... Aliás é bem esquisito uma pessoa absurdamente bonita não ter alguém especial. Será que aconteceu algo com ele ou é simplesmente excesso de trabalho?

Em todo caso, chegou a hora do treino. A hora mais temida por mim no dia de hoje.

Notas finais
Oya: Expressão equivalente a "ora".
Kantoku: Técnico.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.