O Pequeno Cão do Mar
6 Valioso Segredo Revelado
Cap. 6
Valioso Segredo Revelado
– Por quê? Ele não pode gostar de mim!
– E por que não? Você não é comprometida! – Mei sorri e eu coro.
– Bom... "Falar do Edward agora talvez não seja a melhor opção..." Mas mesmo assim, não tem como; não gosto de compromissos forçados!
– E eu... Sempre detestei casamentos forçados, foi por isto que fugi de casa!... – espanto-me.
– Você fugiu de casa? – ela resmunga com afirmação, mastigando um doce – E ia se casar com quem?
– Com um barão rico que estava interessado em mim só porque sou bonita. Meu pai era o rei e concordou em me desposar em troca de dinheiro! Eu morei sozinha com ele desde que minha mãe morreu.
– Meu Deus! Então você é uma princesa? De que reino?
– Sou de Wined, mas não tem importância dentro deste navio.
– E por que não assumiu o reino no lugar do seu irmão?
– Eu ia assumir, mas como queriam me casar com um completo estranho eu me neguei e fugi! Aquele idiota do Ling só assumiu mesmo porque eu fui embora... E ainda sim nem isso ele fez; deixou o cargo para o seu tutor, o avô daquela sua conselheira, Ran Fan!
– E como encontrou Edgar e os outros?
– Na verdade, quando Sheska e eu entramos para a tripulação, Ed ainda não era o capitão. Estava em treinamento. Foi a Izumi que nos aceitou em seu navio quando contamos que precisávamos de um lugar para ficar.
– E suas habilidades são muito úteis! – rimos – Mas Sheska e você se conheciam?
– Não! Ela é de Edônio. A gente se viu porque ela foi para Wined com o pai e ele faleceu lá.
– Que triste... Ela não tinha me contado isto!
– Ela não gosta de falar muito sobre seu passado, nenhum de nós. É meio duro viver neste mundo! Nem todos têm sorte; o pai da Sheska era o único familiar que ela tinha, e ele foi um grande arqueólogo.
– E o que houve com os outros? Também foram contratados pela Izumi?
– É, mas o Denny e o Kain entraram depois que o Ed tomou o controle. Todos eles perderam quase toda a família em guerras por aí. O Hughes é um, em que só lhe resta sua esposa e a filha que ele visita uma vez a cada dois meses.
– O Alphonse também? – ela pensa um pouco.
– Ah, o Al também é órfão, pelo que eu ouvi dele mesmo.
– Você sabe então que tipo de cargo o Edgar tinha antes de virar pirata?
– Ai você me pegou! – coça a cabeça – É que ninguém sabe, ele é o mais fechado de todos. Mas você pode tentar perguntar para o Al. Eles são grandes amigos, os dois vivem juntos, então ele pode te contar alguma coisa!
– É isto que eu vou fazer! – levanto, mas logo nós duas caímos no chão com um impacto. Assustadas, subimos.
– Terra à vista! – grita Denny do topo do Ninho do Corvo, meio enjoado.
– Não precisa mais gritar agora que já paramos seu idiota! – berra Edgar.
Nós desembarcamos, mas Sheska e Meg ficam junto de Izumi no Star Gold. A névoa se dissipa por um instante e finalmente consigo enxergar o caminho para dar a rota. É possível ver, de leve, vários navios afundados, com alguns destroços espalhados no outro lado da praia. Como membro inevitável para a caçada eu preciso acompanhar o bando, a cada instante traduzindo os pontos do mapa com Edgar na minha cola.
– E esta árvore que não está listada no mapa? O que diz?
– Isto porque só estou traduzindo os pontos principais.
– Mas e se o que procuramos não estiver pela trilha?
– "o que"? – estranho, segurando o mapa – Ela não é um objeto! A garota deve estar assustada!
– Que seja, mas você devia estar prestando atenção em todas as rotas desse mapa!
– Então por que ela traçaria este maldito caminho? – aponto adiante, uma ladeira larga.
– Capitão!... – Alphonse chama uma vez, baixo.
– Eu não sei por que ainda me preocupo com você!
– É porque percebeu que não pode se virar sem mim!
– Capitão!... – Al chama de novo, sacudindo uma mão.
– Preciso de você? – ri – Mas eu pude me virar muito bem antes de você entrar no meu navio. O que me diz?
– Digo que é um pirata tarado, arrogante e nanico!
– Capitão! – eleva o tom de voz. Olhamos para ele.
– O que foi Al? – gritamos juntos e o vemos apontando, com um sorriso nervoso, aos militares da marinha que nos rodeiam. O mais próximo de nós é o Envy.
– "Esse infeliz!" – ranjo os dentes. Edgar põe uma mão na espada da cintura.
– Wi... – uma voz começa, mas não termina a frase. Quase tenho um troço quando olho para o lado e vejo minha prima, Peace, ruiva de cabelos longos dos olhos escuros, agarrada por trás pelo ajudante do líder, Wrath.
– Que conveniente. Parece que o pedido de socorro desta pirralha nos fez um grande favor! – Envy se aproxima devagar e me agarra pelo pulso, afastando-me de Edgar – Quem diria que você ainda está viva...!
– Olhe quem está aqui... – o capitão puxa as duas espadas da cintura e sorri – Se ela está viva não é por você!
– Suas insinuações não me intimidam pirata! – saca sua arma – Vocês estão em desvantagem, rendam-se!
– Não se atrevam a fazerem isto! – indago, chamando a atenção de todos. Envy aperta meu braço.
– Não me diga que você está agora do lado deles, minha cara?
– Antes eles do que um mau caráter como você, Envy! – Edgar aproveita a situação e atinge o braço de Envy com a outra ponta da espada. Ele me solta e geme, segurando-o.
– Não toque na dama senhor, ela me pertence agora! – Envy ri.
– Então que tal uma luta pela jovem, quem ganhar leva tudo!
– "Ótimo, virei outra vez um alvo de cobiça...!" – assopro um fio de cabelo solto do coque.
– A espada faz o homem, labrego! – Edgar joga uma das armas no chão.
– Vejamos capitão!... – começam a lutar. O grupo do Envy nos cerca e cumprimenta a tripulação, que retribui antes que o choque de espadas se inicie, dando-me chance de me esconder e agarrar Wrath por trás com uma faca do aposento de Edgar. Peace sai correndo, mas Al a segura. Todos param e encaram seu sorriso assustador.
– Alphonse, o que é isto? – olha meio de lado.
– Chama-se motim de um só, meu caro capitão! – põe uma adaga na frente do pescoço de Peace – Senhorita Wendy, seja uma boa menina e largue o oficial da marinha!
– Não mesmo! – respondo, sem nem me dar conta de nada. Ele se sacode – Fique quieto, senão você morre! – sussurro para ele. O garoto, talvez dois ou três anos mais novo, obedece.
– Pense duas vezes Edgar; mande sua tripulação largar as armas e que a garota o solte, caso não queira que ela morra junto com o seu bando!
Edgar olha para os piratas. Todos detidos! Ele está com a espada no pescoço do Envy, que aponta a sua ao estômago dele. Olha para mim. Meu olhar está tão firme quanto o dele. Sem nem pensar duas vezes, gira sua lâmina e guarda na bainha atrás das costas, retirando todas as armas e olhando seriamente para mim. Peace solta um gemido... Expiro indignada, largando a faca no chão e me afastando.
– Ótimo!... – Al solta Peace, que corre na minha direção. Quase no mesmo instante em que Wrath ordena com a mão a soltura dos piratas sou pega por trás por um soldado-recruta.
– Vamos levar a senhorita no lugar da sua liberdade, pirata! – indaga. Alphonse se adianta e guarda a adaga.
– Nossa ordem não foi esta, e você sabe muito bem disto!
– Mas eu tenho certeza de que o rei gostaria muito mais de ter a filha da antiga rainha Riza no lugar de um reles pirata de alguns milhões! – todo mundo paralisa. Na minha mente a música "Era uma vez".
– A filha de Riza? – Wrath estranha – Como conseguiu esta informação, vice-almirante?
– Ora Wrath, foi para isto que infiltrei Alphonse como membro da tripulação... – sorri – Mas foi Armstrong que ouviu quando desembarcaram no albergue da velha Pinako!
– "Eu sabia que não devia confiar naquele armário!"
– Vamos terminar com isto... – Envy toca meu queixo. Edgar abre um sorriso.
– Já falei para não tocar nela, almofadinha! – bate as mãos. Uma faísca sai da batida e a névoa cobre o clarão.
Continua...
Fale com o autor