Eu tenho sonhos
Objetivos
Desejo de fazer algo que admiro
Pelas minhas próprias mãos
Admirar minha obra como admiro a de outros.

Mas é difícil
Não é impossível, mas consigo torná-lo
E ao ter que passar pelo mar
Eu pego um barco e equipo com o necessário
Mas no meio do caminho eu furo
Faço buracos em sua carcaça para me afundar
Sorrindo, engando a mim mesmo.

As vezes me sinto assim
Ou pior
E esse "às vezes" piora cada vez mais
E de novo e de novo vou sumindo
Perdendo a opacidade daquilo que almejo
E o entardecer vai de encontro ao desespero
E vou lacrimejando de volta a lugar nenhum.

Um drama muito grande
Mas confesso estar sóbrio e ciente disso
E mesmo que seja um drama e que eu consiga mudar a mim
Não consigo enxergar como um problema crescente.

Não dá para esquecer de algo que se torna, cada vez mais, parte de ti.