O Penhasco
1 One Shot
http://www.youtube.com/watch?v=0sxPQvqnZdQ Ouvir com esta música.
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ela corria, corria, onde iria dar aquela estrada? Ela sabia.
Corria. Continuava a correr, cansada, mas continuava. Era a última vez.
E ela corria. E ela relembrava tudo. Toda a dor do momento. Ela relembrava que em tempos ela tinha sido feliz. Ela tinha rido, e sorrido. Ela tinha chorado de alegria. Mas isso tudo noutra vida. Ela não podia mais ver-se a ela própria a perder-se em si. Ela não chorava, ela não conseguia. Ela apenas sentia um profundo vazio dentro dela. Ela apenas sentia a tristeza da rejeição, da perca. Ela sentia que não era bem-vinda aqui. Ela sentia, sobretudo, o desvanecer da esperança que ainda tinha. E ela olhava para trás, ela não via ninguém a correr para a salvar. Não a via a mãe, o irmão, e nem o pai. Não via a sua '' melhor amiga '' e nem Ele. Não via nada. E apenas a brisa calma a acompanhava. Ela olhou para os seus braços: Macios, sem nenhuma cicatriz. Ela sempre fora forte, determinada. Mas ela não aguentou. Ela TEM que morrer.
Ela olha para cima, para o céu. Uma ou duas lágrimas caiem.
Ela ia morrendo. Aos poucos, lentamente, devagarinho. Ela morria por dentro.
Para quê viver, se não somos úteis a ninguém?
Para quê, se somos uma pedra no sapato de toda a gente?
Para quê, quando já não sabemos quem somos?
Para quê?
E ela chegou ao destino. O enorme penhasco.
Ela admirava as ondas. Ela sentia que era ali o seu lugar. Ninguém daria por sua falta.
E pulou.
Seria arrependimento? Não; ela própria escolheu o seu final. Ela finalmente chorou antes de embater em uma das rochas pontiagudas. Sangue, água, lágrimas. Morrendo... Lentamente...
Agora sim. Estava livre.
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