O Pecado Mora ao Lado
11 Vá em paz, ou não tanto assim
Notas iniciais
“Rosie com certeza sabe disfarçar como ninguém.”
Revirei os olhos com a mensagem recém–mandada pelo Marcus e sorri sabendo que ele tinha entendido o recado, com certeza a lerda era a Rosie que tentava explicar pra Katherine porque ela inventou aquilo sem dizer muitos detalhes.
“Faça aproveito”
Respondi a mensagem e logo recebi outra.
“O que eu tenho que fazer? Ela foi atrás de comida está lá na cozinha”.
Nem parece que só na semana passada, ficou com três no mesmo dia.
“Qual é, vai atrás dela, você sabe essas coisas que meninos fazem... O pegador aqui é você”.
– Mel o que tanto fala nesse celular? É com o Viz....
– Não é com ninguém – cortei Rosie que só então se deu conta de que quase disse “vizinho”, Matt ia me encher de perguntas – Lembra Rosie, que não é ninguém.
– Ah sim, com ninguém.
Logo tinha outro sms.
“Tá’ vou chegar por trás, eu não presto mesmo”
“Vai achando que ela é suas negas”
“Você sabe Mel, sempre gostei das morenas”.
Mal notei que já estava em frete ao meu prédio, porque todos vieram pra cá mesmo? E porque a Rosie suportava mais a Katherine do que a Alice? As duas já estavam rindo juntas ALÁ, perdi mesmo.
– E ai Matt vai me trocar por ela também? – disse baixo – Perdi minha melhor amiga.
Dessa vez gritei, e notei que Rosie pareceu ficar triste, então puxei ela do lado da Katherine deixando minha prima com cara de tacho.
– O que? Ta’ achando que é fácil assim? É MINHA melhor amiga.
– Qual é até sua melhor amiga me prefere – Ela disse e um sorriso cínico no rosto – Rosie sim sabe escolher em quem confiar.
– Espera ai, isso é uma competição? Por favor, é ridículo me colocar nessa situação sendo que é claro que eu escolheria a Mel sem precisar pensar.
– Katherine você vai embora quando? – Matt entrou no meio antes que eu pudesse dar mais uma linda resposta a ela.
– É verdade, quando?
– Assim que pegar o Felipe que inclusive me seguiu ontem no twitter e me adicionou no facebook ops inclusive já até passei meu número por dm.
– Quem é Felipe? – Matt franziu as sobrancelhas da forma que eu sabia que ele iria reagir.
Senti meu chão rodar, suas palavras me atingiram como uma faca, quer dizer então que além do Josh ela queria também o Felipe? Minhas amigas e depois? Minha vida?
– Quero você fora da minha casa, ainda hoje.
Entrei no meu prédio e logo subi as escadas acabei esbarrando alguém mas nem me dei o trabalho de olhar quem era, deixando todos, inclusive meus melhores amigos parados no mesmo lugar, não queria falar com ninguém, não queria ouvir ninguém, só queria que tudo que ela me disse fosse mentira e que todos não escolhessem sempre ela, céus como podemos amar uma pessoa e ao mesmo tempo odiarmos?
Parei em frente a porta da minha casa e acabei indo na direção ao lado, suspirei antes de bater mas não deixei o medo tomar conta, bati na porta e logo em seguida notei a campainha e a toquei fazendo um barulho bem mais divertido que a minha, acabei tocando novamente, e de novo e mais uma vez, bem ninguém atendeu.
Frustrada voltei pra minha casa, mas antes olhei para o local que a segundos atrás estava minha prima e meus amigos e só encontrei Katherine conversando com alguém, senti minhas bochechas queimaram de raiva quando notei quem era e infelizmente era o dono do casaco que havia furtado.
Corri pro meu quarto batendo em todas as portas, minha mãe já estava gritando comigo, mas me tranquei e parei no mesmo lugar, respirei fundo e virei para encarar meu quarto e me surpreendi quando vi duas pessoas paradas ali, encarei o ruivo meio gordinho. Eles me olhavam estáticos e minha expressão em resposta foi algo parecido com 'Que foi? Nunca viu?

Matt riu, enquanto a loira voltou a mudar as fotos do meu mural em uma ordem que só ela entendia, me joguei na cama e comecei a gritar, fechei os olhos e gritei o mais alto que pude.
– Vai se internar maluca! – senti o peso da almofada em direção a minha cabeça e gritei mais alto ainda, peguei meu travesseiro e taquei na Rosie que já estava também rindo.
Logo começamos uma guerra de travesseiros. Era guerra mesmo, usava toda a minha força jogando as almofadas naqueles seres e eles não faziam muito diferente de mim, joguei um olhar cúmplice pra Rosie e ela entendeu o recado. Pegamos dois dos travesseiros na minha cama e usamos toda nossa força para jogar no Matt e ele nem se mexeu pelo contrário usou seu olhar assassino e jogou em nós duas mais almofadas que podíamos contar, nem sabia quantas eu tinha no quarto mas, descobri que eram muitas. Eu fui a primeira a cair pelo impacto que elas vinham, Rosie logo foi a próxima e assim jogando a última almofada nela Matt se jogou no chão e entramos em uma crise de risadas intermináveis.
– Se Alice estivesse aqui você ia ver gordo ruivo – A voz abafada da minha querida amiga loira saiu como um suspiro o que nos fez rir mais.
– Verdade, ela ia acabar com você.
Ainda rindo, levantei da cama e me direcionei pra sacada do meu quarto, disfarçadamente olhei para o pátio do prédio e novamente os vi. Patéticos isso sim, não po
pude conter minha raiva dos dois, Felipe era assim, era só aparecer carne nova e ele ia atrás como se fosse um urubu em volta de carniça. Eles riam, e ela tocava no braço dele, e aquilo me irritava. Muito.
– Quando será que ela vai aprender Mel?
Não notei quando Matt e Rosie estavam ao meu lado, olhando a mesma cena que eu.
– Não sei Matt, sinceramente desisto dela.
– Espera? Isso é sério? – Era nítido a empolgação na voz da Rosie – Precisamos de uma vingança então.
Sorri com o pensamento, pouco me importava agora se ele era minha prima ou a madre Teresa, vingança... Ah essa palavra mexe comigo.
– Você sabe Rosie, se procurar vingança no Google é Waldorf que irá aparecer.
– Bom galera eu vou indo – adorava Matt por ele saber que em certas horas precisava somente das minhas amigas. E essa era uma delas.
– Te levo até a porta.
Matt se despediu da Rosie com um abraço e levei ele até a porta ainda sorrindo diabolicamente.
– Espero que filme tudo que você fazer, quero ver isso.
– Não se preocupe – Disse o abraçando, e logo em seguida o vi descer as escadas.
– Mellany – Rosie gritou da sacada e eu corri até ela já pensando ser algum bicho que ela tem nojo, medo, pavor e etc.
– O que foi
Não precisei da resposta dela, olhei para baixo e encontrei minha outra melhor amiga, Alice estava radiante – como sempre – mas não era isso que me surpreendeu, ela estava discutindo com a Katherine, até aí normal, ela estava avançando sobre ela, até aí tudo bem. Ela estava jogando minha prima no chão e pisando em cima dela. Acho melhor descer.
Não por ela, mas pela Alice.
Passei pelo meu quarto olhando meu reflexo no espelho ainda estava bonita, então desci as escadas correndo e fui ao pátio. Quando cheguei lá Matt segurava os pulsos da Katherine e Felipe a cintura da Alice. Menos mal, melhor que ele segurar a cintura da minha prima.
– O que está acontecendo aqui.
Não gritei, mas minha voz saiu autoritária o suficiente para silenciar os gritos das duas.
– Essa louca da sua amiga chegou me ofendendo, eu apenas correspondi.
–Não perguntei a você, prima. Alice?
– Não gosto dela, ela não gosta de mim e então BUUM deu nisso.
Eu queria rir tanto, mas não podia.
– Se você não gosta de mim não me importa tem várias pessoas que gostam e bem mais interessantes.
A vadia cujo prima só faltou engolir o Felipe pelos olhos. Paciência volte cadê você?
– Já pensou em crescer Katherine? Sempre a mesma coisa... Não se toca que já tem 14 anos e não é mais criança?
– Ela me disse que tinha 15 – Felipe estava confuso pela expressão mas parecia se divertir com aquilo.
– E eu tenho, na semana que vem mas tenho.
– Fica pior ainda, chega de atitudes infantis.
– Alice também é infantil.
– Por favor me solta pra eu mostrar minha infantilidade a ela.
Felipe riu e a segurou com mais força.
– Que bagunça é essa aqui?
Pronto, só faltava mesmo o Logan para a confusão começar.
– Felipe porque está agarrando a Alice? Achei que tinha pegado a Mel eu ia pegar
– Logan, agora não. Ajuda a segurar ela aqui.
– Não preciso que me segurem, podem soltar não vou tocar nela já estou suja o suficiente depois de sair daqui vou ter que passar em algum clínico especializado para doenças desse nível.
Não aguentei e comecei a rir fui seguida por todas as pessoas presente exceto a pessoa pela qual a ofensa se dirigia; olhei para o lado e Rosie tinha se juntado a nós com um sorriso imenso.
– Mesmo que precisasse disso você não teria dinheiro para tal clínico – Agora só a risada da Katherine era ouvida. Ela percebeu pois logo se recompôs.
Matt a soltou assim que Felipe afrouxou os braços finos de Alice, minha melhor se moveu para o lado da Rosie que a olhava como se dissesse com os olhos "é assim que se faz".
Me direcionei até minha prima e a encarei nos olhos, os mesmos castanhos que os meus, talvez nossa única semelhança era essa cor, mas os dela não tinham nada, nenhum sentimento, nenhuma expressão. Ela não demonstrava nada.
– Você não entende não é? Ninguém aqui se importa com o dinheiro que você tem, ninguém se importa com o que você é, diferente das pessoas que convivem dia a dia com você, essas pessoas, meus amigos, meus vizinhos, meus pais e eu só aturamos você porque sabemos que é uma coitada que gosta de chamar atenção, só que agora você vai ter o que quer bem longe de mim. Ficou claro?
Disse cada palavra devagar para ficar muito bem claro, cruzei os braços quando reparei que todos me olhavam. Os olhos da pessoa a minha frente estavam vermelhos, eu sabia que ela não ia chorar, eu podia ter dito mais coisa do que eu sei, não que eu seja assim, ela pedia.
– Transparente.
E ela saiu, subiu as escadas – o que era raro porque mesmo morando no segundo andar ela sempre ia de elevador – usei toda minha educação e fui cumprimentar o Logan e novamente me despedi do Matt. Iria esperar a infeliz descer para subir para minha casa e queria fazer isso ficando com as minhas amigas, pena que não foi possível.
É ele tinha que vir falar comigo.
– Mellany sobre isso eu queria dizer
– Não precisa dizer, na verdade nem tem o que dizer.
– Eu sei, mas queria que tivesse.
Não me pergunte o porquê, só sei que estava com muita raiva dele por ser tão bonito! Como alguém pode? Os mesmos cabelos castanhos que qualquer pessoa pode ter, os olhos claros com um brilho de menino que isso só ele tinha, o sorriso torto e sem graça, os lábios tão convidativos, sem contar o corpo completamente malhado e sem defeitos algum.
Me culpei por pensar assim, sorte que alguém tinha que nos atrapalhar ou me salvar.
– Eu sei que vocês são fofos e eu sou team tchu.. – repreendida pelo meu olhar Alice não terminou a frase – Ok Mel, será que posso roubar ela de você? Claro que quando você quiser pode a ter de volta, menos agora.
– Fê depois nos falamos, pode ser? – Ele parecia confuso com tudo que a Alice disse mas, quem não?
– Claro, passa em casa mais tarde – dito isso beijou meu rosto e não pude deixar de me sentir decepcionada, não o olhei quando foi em direção a saída do prédio, aonde ele iria?
– É tão estranho não é? – Apenas concordei com a Rosie enquanto ia em direção a um banquinho ali perto as duas me seguiram.
– É como dizem; Beijo no rosto é estranho quando duas bocas já se conhecem.
Não pude evitar de olhar pasma para Alice e entrar em um ataque de risos junto com a Rosie.
– Gente eu li isso de manhã!
– E quem foi a idiota que postou isso? – Alice abriu um sorriso tão demoníaco que fez eu me arrepender da pergunta.
– Uma das retardadas que eu stalkeio diariamente, você sabe aquela que está junto do Logan na foto de perfil.
– Eu não tenho o Logan para saber isso – Disse como se fosse óbvio.
– Eu também não – Rosie disse no mesmo tom despreocupado que o meu.
– Ah, eu também não.
Eu iria rir mais se o familiar prisma prata não estivesse entrado no prédio em direção ao estacionamento. Mal pude conter um sorriso, era meu tio ele veio buscar a coisa ruim, não me leve a mal eu odeio minha prima mais amo muito meu tio.
– Eu vou primeiro seu tio precisa saber quem é a filha que tem.
– Se aquieta aí estranha – falando em coisa ruim, a mesma já tinha descido em estava com as duas malas que eu não tinha notado que tinha trago, ela não ousou me olhar. Alice não respondeu nada, o que agradeci e muito, meu tio veio andando até nós me deu um abraço e disse um "oi" tímido a minhas amigas, ele pegou as malas da filha enquanto ela ia em direção ao carro.
– Mellany mil desculpas por ela.
– Não se preocupe tio, o senhor não tem culpa.
– Ah eu acho que tem, se tivesse educado como deveria talvez ela não fosse tão egocêntrica
– E mimada – Alice completou.
– E feia.
– Chega vocês duas.
– Elas têm razão, eu acho, seu pai está? – Neguei com a cabeça – Diga a ele que depois eu volto para falar com ele, tchau Mel tchau amigas da Mel.
Dito isso ele voltou para o carro e saiu do prédio buzinando. Enfim paz.
Claro que não.
– Vamos – Disse Alice já indo em direção às escadas onde ela sabia que seria seguida.
– Porque está correndo? – Rosie reclamou
– Temos umas coisas para aprontar, ou você acha que eu vou deixar ela ir assim sem pagar? Ou sofrer por algo?
– Você claramente não existe.
– Claro que vocês não fariam nada sem mim, eu sou demais – Alice se gabou pela última vez no dia, pelo menos era o que eu esperava.
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