O Pecado Mora ao Lado
7 Gostei da atitude
Notas iniciais
Mellany P.O. V's.
Poderia estar me divertindo e mesmo assim me sentia culpada. Vir em baladas? Não era algo que eu faria por espontânea vontade e o pior de tudo era saber que estava gostando. Olhei para o lugar que Josh estava, atrás da mesa de som. Não pude deixar de revirar os olhos quando vi minha prima ao seu lado brincando de ser DJ enquanto ele mordia seu pescoço.
Parei de olhar para não vomitar.
Alice e Rosie conversam animadas e riam da cena anterior, é elas também viram. De fininho sai de perto das duas e sentei no bar pedindo um energético com refrigerante afinal eu nunca bebia coisas alcoólicas, rapidamente ele me trouxe o pedido e comecei a olhar ao redor e parei ao meu lado, queria acabar com Josh por ter mentido e não me dito que ele estava aqui.
Felipe estava com um copo de uísque na mão, sentado, com expressão de tédio, o casaco do seu time de Rugby grande indo até o inicio da calça escura, os cabelos tão bagunçados como eu me lembrava, os olhos fixos no seu copo, a boca molhada pelo líquido do copo, tão convidativo. Tentei disfarçar para que ele não me visse até que uma garota chegou perto dele e perguntou se ele namorava e tudo que ele disse foi "Não estou disponível" a menina saiu quase chorando e qual é, ele poderia ter sido mais rude. Aproveitando que ele não notou minha presença resolvi falar.
– Então, você não respondeu a pergunta da moça. — Minha voz saiu baixa, procurei um foco para os meus olhos que não fosse ele, e até que o bar estava bem interessante.
– Disse o que ela queria ouvir. — A voz rouca estava baixa e desanimada e não pude evitar olhar em sua direção e é ele ainda não percebeu que era eu.
– É um antissocial?
– Qual é Mel você sabe que eu sei que está ai desde que sentou. — Suspirei surpresa mais acabei sorrindo e ele finalmente me olhou — O que faz aqui?
– Arrastada pelas amigas e você?
– Arrastado pelo primo. — respondeu imitando minha voz e em seguida rindo — Pena que ele se deu melhor que eu.
– Achei que gostasse disso. — Fiz um gesto indicando o local.
– Porque achou isso?
– Seu twitter. — No momento que disse aquilo me arrependi, droga.
– Ah então você olha meu Twitter e nem ao menos me segue?
– O assunto nem era esse. — respondi me levantando — Vai ficar aí a noite toda ou podemos dançar?
– Eu não sei dançar. — despejou as palavras trêmulas — Só dança escocesa.
– A pergunta não foi essa. — puxei sua mão — Sabe, você é quase um atleta não aguento te puxar.
– Mellany Mellany Mellany... — Resmungou terminando o líquido do copo e me seguindo para a pista de dança.
Wake me up estava quase no fim quando chegamos à pista de dança, recomecei a dançar enquanto ele ficava parado, de braços cruzados apenas me olhando. Parei de dançar e imitei seu gesto em uma falsa posição de aborrecimento.
– Não me olha assim — Ele gritou por causa do som alto. — Te disse que não sei dançar.
– Todos sabem dançar — Falei alto me aproximando. — Só coloca a mão na minha cintura.
Ele sorriu e Feel so close começava a tocar, suas mãos pesadas apertaram minha cintura com força enquanto eu me movia de acordo com a música, indo com meu corpo de um lado para o outro fazendo ele se inclinar junto, meu sorriso se abriu ainda mais quando vi que ele começou a se soltar, dançava naturalmente tentando esquecer os meus problemas, de tudo que passei; tentando me esquecer de Dave. Aproximei-me colocando minhas mãos no seu pescoço me sentindo feliz e empolgada ao som de Calvin Harris, quase cai quando ele me puxou para ele com força, ri de sua atitude enquanto continuamos dançando e ele foi se soltando aos poucos, eu adorava essa música por elas ser lenta e rápida ao mesmo tempo, e gostava também do DJ não mudar por total o seu formato, Josh era realmente muito bom nisso, ou vai ver ele estava tão ocupado com a Katherine que não se preocupou em alterar a música.
A última parte lenta da música estava perto e se possível nos colamos ainda mais, e quando a batida recomeçou tentei me separar em vão, pois com a força que estava sendo segurada não foi possível me distanciar muito, desisti de sair dali e acabei deitando minha cabeça no seu pescoço já não me movendo conforme a música e não via necessidade.
– I Feel so close to you right now. — Cantou baixinho no meu ouvido, esperei quieta pra que ele continuasse o que não ocorreu. Outra música começou a tocar e essa eu não reconheci então, queria sair daquela pista.
– Cansei de dançar.
– Você só dançou uma música.
– Eu sei, vamos sair daqui? — Voltei a encarar seu rosto e acabei sorrindo, sentindo uma vontade imensa de bagunçar seus cabelos ainda mais.
– Finalmente Mellany onde você se meteu? — Rosie gritou mais alto do que se esperava para o barulho.
– Rosie ela estava com o Felipe, e a propósito oi.
– Oi Alice.
– A desculpa Felipe não tinha te visto. — Rosie parecia constrangida com a situação.
– O que faz aqui?
– Alice! — Meu deus que vergonha — Ele veio por causa do Josh que é primo dele.
– Ah disso ela sabe Mel, ela não quer saber o que ele faz na boate e sim o que faz com você aqui.
– Na verdade Rosie, era o que ele faz na boate já que é claro que estavam dançando. — As bochechas da minha amiga loira ficaram mais vermelhas que um tomate — Agora não vamos atrapalhá-los.
– Podemos sair daqui? — Gritei já saindo do local ainda com segurando a mão dele, sabia que estava sendo seguida, o bar era o único lugar que o som não era tão alto e foi ali que eu fui, parei de frente com a bancada e quando me virei não via mais minhas duas amigas, olhei para os lados e notei que a mão que estava presa na minha havia sido solta, é isso tinha me perdido de todos.
Estava prestes a sair a procura de alguém e ir pra casa, estava cansada e perdi a vontade de ficar ali, e o pior era que nem me lembrava por onde tinha entrado. Irritada tudo que me restou foi sentar em um dos banquinhos do bar, e quando o fiz fui tão burra que acabei sentando em alguém, me virei para pedir desculpas e sair correndo – literalmente – quando notei quem era, e como ele ria, e ria de mim.
– Não tem graça Felipe! O que você está fazendo parado ai? – tentei parecer brava mais estava rindo de mim mesma, como uma pessoa vai sentar em um lugar sem olhar se alguém já fez isso? – Eu pensei que tinha sumido já ia embora.
– Quer ir embora? Diz que sim e vamos agora, eu te levo, vem vamos dar tchau pra todos e dessa vez vê se não solta da minha mão.
Concordei ficando vermelha, saímos a procura de três loucas e um DJ, uma louca achamos junto do DJ se agarrando como se o mundo fosse acabar e, contando com o fato que ele namora Katherine realmente estava fudida, as outras duas, estavam mais difícil com o tanto de pessoa que dançava ali, mesmo assim procuramos as duas por todo o local de cima a baixo e em cada canto e mesmo assim não encontramos, estava cansada de rodar de saltos por aquele lugar, já tinha decorado a boate inteira e nada delas.
– Melhor nós irmos. – Felipe gritou – Não vamos acha-las.
Não queria ir embora e deixar minhas amigas sozinhas, mas sei que elas não ficariam bravas comigo então apenas concordei com a cabeça e fomos em direção a saída, logo que saímos daquele lugar barulhento foi como se minha audição tivesse sido roubada, e o frio, céus estava tão frio, me arrependi por ter escolhido uma roupa que não me protegia nem um pouco do frio, mas era inicio de julho não era pra estar assim, o verão ainda estava na metade, essa ventania toda não era prevista o que fez com que, eu me encolhesse muito para andar.
– Então, alguém está com frio. – O som daquela voz parecia ter tirado toda a privacidade do silencio da rua não sei bem se comecei a tremer por causa do frio ou por causa disso, eu queria que fosse por causa do vídeo — Toma, veste isso.
Ele estava tão perto, mas não quanto eu queria que estivesse e o pior era me amaldiçoar por isso, me lembrei do que fizemos na sua casa e me arrependi no mesmo instante, a vergonha tomou conta de mim, e o nojo, nojo por ter transado com alguém que eu mal conhecia, por simplesmente ter me deixado levar pelo momento, e o Dave eu fiz pior que ele, eu o julguei tanto pra ter sido pior, pra ter feito pior. Meus olhos começaram a pesar, sentia as lágrimas ameaçarem vir a tona e respirei fundo. As coisas tinham ido longe de mais, fugiram do meu controle, as emoções estavam me controlando e não ao contrário e isso não era nada bom.
– Mel? Você está bem? – Virei o rosto em direção da voz, dois olhos pretos me encaravam aflitos, parecia ter saído de um transe, notei que seu casaco estava ao meu redor apenas assenti e continuamos o caminho em silencio, encaixei meus braços nas mangas extremamente longas para meus braços pequenos, a blusa quase ia até o fim do meu vestido e já não sentia o frio com tanta intensidade.
– Você continua tímida.
– Ah, estou só com um pouco de vergonha. — admiti — É o meu jeito.
– Vergonha de mim? Não precisa.
– É mais fácil falar, vou tentar ok? — Acrescentei com o pesar dos seus olhos.
O restante do caminho foi um completo silêncio, estávamos caminhando e em pouco tempo estaríamos no nosso condomínio, morava tão perto de praticamente tudo que achava um desperdício ter que andar de carro até algumas ruas da minha casa e pelo jeito, ele pensava o mesmo. Tudo ia bem até sentir minha perna esquerda bater em algo e em seguida perder o equilíbrio, deixei escapar um grito enquanto ia direto para o chão.
– Mellany cuidado, você está bem? Porque meninas tem mania de usar essas coisas altas.
– Mesmo que eu não goste de saltos, me deixam bonita, eu estou bem só doi aqui. — Apontei para o meu tornozelo onde uma marca vermelha começa a chamar atenção na minha perna extremamente branca.
– Vem cá, apoia em mim pra levantar. — Sem dizer nada apoiei um dos meus braços ao redor do seu pescoço enquanto ele me levantava com a mão firme em minha cintura — Consegue andar?
Em resposta dei dois passos e voltamos a andar, agora mais perto da minha casa.
– Mesmo que ache o contrário, você ficaria bem mais bonita de vans, shortinhos e blusa longa. — Não pude evitar rir alto.
– Disse como um verdadeiro skatista.
– Ei! Eu sou um verdadeiro skatista.
– Não brinca? O que mais você faz, toca algum instrumento?
– Já que tocou no assunto, eu fiz aulas junto com o Logan logo quando ele também começou aprender, só que eu tinha outras prioridades.
– Posso até... imaginar quais são. — Minha voz falhou na última frase, meus olhos se negavam a ver aquilo. O que ele estava fazendo ali? Era pouco mais que três da manhã, ou tarde o suficiente pra ele estar parado em frente ao prédio dos amigos que não prestam. A última coisa que eu queria era ver o Dave de novo, ainda mais quando estava com o Felipe!
– É a segunda vez nesta noite que você fica com essa expressão vaga Mel, será que pode parar?
Estar ali, agarrada ao pescoço dele, com suas mãos na minha cintura segurando com força e me guiando era uma das melhores coisas que esta noite me proporcionara, mesmo mancando, então, quando vi que o Dave caminhava na nossa direção fiquei feliz quando continuamos a andar sem nos preocupar em deixar alguém muito bravo para trás. Seja lá o que ele fazia ali precisa a colocar na minha cabeça que não era algo que eu tenha haver.
– Se importa de pegar as chaves no bolso do casaco? — paramos em frente ao prédio que não era tão alto, apenas com 8 andares, era um prédio pequeno, com casas pequenas, morávamos em um bairro considerado estudantil, onde os recém formados alugavam um apartamento simples perto de qualquer faculdade, as escolas daqui também são as melhores e essa era uma das razões que meus pais usaram pra me arrastar até aqui — Mel? As chaves.
– Ah claro, me desculpe estava distraída.
– Nem reparei. — um sorriso brincava em seus lábios quando lhe entreguei a chave e entramos juntos no prédio, ainda apoiada e mancando devido a queda ridícula, subimos os dois lances de escadas em uma lentidão que não pareceu incomodar ele, paramos em frente as nossas portas e mais uma vez agradeci por morar no segundo andar, retirei meu braço que pendia ao redor de seu pescoço sentido o peso do meu corpo mesmo que sua mão continuasse em minha cintura, estava prestes a retirar o casaco mais resolvi esperar ele pedir, eu adorava blusas de frio masculinas, tinha várias dos meus amigos e algumas do Dave.
– Então... — Comecei a encarar seu rosto, os olhos fundos e escuros como duas pedras brilhantes, a pele branca e um sorriso lindo que eu acabaria sonhando com o mesmo, senti tanta vontade de bagunçar ainda mais os fios negros que acabei cedendo, levei minhas duas mãos aos cabelos rebeldes bagunçados e macios, ficando de frente pra ele, não estávamos perto e nem tão longe.
Fechei os olhos e comecei a movimentar meus dedos em volta dos fios, fazendo o carinho que era tão viciada, queria dar mais um passo e chegar mais perto, porém meu tornozelo não deixava e senti um alívio muito grande quando ele fez isso. Ainda de olhos fechados, senti a leveza do toque de seus dedos em minhas bochechas e sorri de lado, agradecendo por alguém entender meus sinais e finalmente por sentir seus lábios nos meus, procurando, desvendando cada detalhe que poderia. Não hesitei em corresponder, custa admitir que aquele gosto de bebida alcoólica com o dele próprio era simplesmente delicioso e ia acabar virando a minha perdição e isso, estava longe, bem longe de prestar.
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