O Patrono Perdido

6 Capítulo 5: Um Erro de Contas


Notas iniciais
Oiii, leitores lindos *-* Venho muito feliz fazer a postagem de hoje, pois, apesar de ter ganhado poucos comentários, recebi uma recomendação que super me deixou feliz :3 Eu não amei esse capítulo da forma como saiu, mas não podia tirar nenhuma informação contida nele, portanto... Espero que gostem e boa leitura. Por favor, deixem comentários ao final.

Quando anoiteceu, os Marotos reuniam-se na Sala Comunal da Grifinória, juntamente com outros alunos, no momento que antecedia o jantar. Era comum que todos parecessem um tanto mais arrumados àquele horário, pois, depois de passarem o dia um tanto desleixados e cheios de aulas a cumprir, era justamente antes da última refeição do dia que tomavam longos banhos e se aprontavam para descer.

Era naquele momento também, depois de um dia inteiro ao lado dos melhores amigos, que Remo Lupin passava a ter a absoluta certeza de que ali era o seu lugar. Não se sentia mais desconfortável perto dos outros, como se fosse um turista vindo de outro lugar no tempo; agora, sentia-se plenamente situado na situação em que se encontrava, e gostava, mais do que nunca, de poder reviver a sua adolescência ao lado daquelas pessoas.

Os Marotos tratavam-no como se nunca tivesse sido afastado daquela realidade — com a exceção de Sirius Black, que permanecia um tanto irredutível no seu mau-humor -, e tendo sido acolhido pelo único grupo ao qual pertencera na vida, a felicidade de Lupin era quase plena.

Estava sentado sobre o maior dos sofás da Sala Comunal, bem em frente à lareira, e Tiago localizava-se logo ao seu lado, muito atento a todos os movimentos dentro do cômodo. Pedro e Sirius pareciam estar logo atrás, mas não se ouvia a voz de nenhum deles. Havia, no entanto, muitos outros alunos reunidos, e um deles era Lílian Evans, cujos cabelos ruivos chegavam até cintura, e a risada delicada encantava até mesmo quem não a conhecia.

Era sobre ela que os olhos de Remo momentaneamente permaneciam — não porque não tivesse previsto aquele reencontro, mas porque vê-la depois de catorze anos da sua morte era surpreendente mesmo tendo havido previsão. Era a primeira vez no dia que tinha conseguido tirar os olhos de Sirius, e agora quase parecia ter esquecido o que havia entre eles, tão distraído estava com o clima descontraído que o cômodo exalava.

Antes que se pudesse dar conta, porém, Tiago pareceu aproximar-se como um vulto silencioso e, provavelmente aproveitando o fato de estar a sós com Remo no sofá, fez menção de começar a dizer algo. Assim que se sentiu observado, Remo interviu, encarando-o também. O olhar que Tiago enviava-lhe era cheio de desconfiança.

"Você perdeu mesmo a memória?", perguntou ele.

Aluado soltou um suspiro de lamento. "Rabicho", bufou. "Foi ele quem te contou, não é?"

"Não foi só ele", esclareceu o Potter. "Faz alguns dias, você mudou, do nada. Em uma hora está normal, e na outra você volta a ficar estranho. Como se tivesse duas pessoas que se alternam dentro do corpo de uma só". Naquele instante, Remo pigarreou, antes de ouvir Tiago prosseguir: "Tem certeza de que não quer contar o que está acontecendo?"

Lupin pensou realmente em negar aquelas suposições — no entanto, como poderia? Se tinha mesmo voltado no tempo e reencontrado seus amigos que tão bem o conheciam, poderia manter a farsa por muito pouco tempo. Logo teria de contar pelo que vinha passando, e talvez causasse naqueles amigos a mesma preocupação que agora causava em Ninfadora, no seu tempo atual.

Não queria preocupar ninguém. Nem tampouco poderia enganá-los por muito tempo. Como então não mentir, e mesmo assim não dizer toda a verdade? Tentou pensar em algo, mas falhou. A cada instante que demorava para dar uma resposta, o olhar de Tiago parecia crescer em desconfiança.

Tratou de responder logo qualquer coisa.

"Tiago, eu... Sem querer, toquei em uma coisa que não devia. Não sei se foi uma armadilha ou algo que me enviaram como presente. Mas acho que é algo que me transporta..." e, ao que ele disse aquela palavra, o rosto de Pontas pareceu iluminar-se, como se ele estivesse agora entendendo o que o amigo dizia. "... me transporta pra algum outro lugar, em uma outra realidade. Então eu perco a memória, e não sei como agir".

Fez-se silêncio por algum tempo. Não se podia mais ler, pela expressão de Tiago, o que se passava nos seus pensamentos. Aquilo deixou Lupin um tanto apreensivo, mas, depois de alguns segundos, o maior riu e respondeu:

"Remo, você está tentando dizer que descobriu um nova droga?"

Ao vê-lo rindo, e frente àquela conclusão absurda, Lupin não pôde deixar de rir também, não conseguindo dizer mais nada. Pontas ainda ria, e continuava, convicto da sua hipótese:

"Você podia ter só dito, no duro, sabe? Não precisa ficar enrolando as palavras desse jeito". Quando parou de rir e apenas o sorriso de malícia permaneceu em torno dos seus lábios, o assunto mudou de rumo: "Mas Rabicho também disse que você quer fazer as pazes com Almofadinhas, e se for mesmo isso, eu posso te ajudar".

"Você pode?"

"Faça o que eu disser", respondeu ele. "E não me pergunte o motivo".

*

Remo Lupin viria a se lembrar muito pouco daquele jantar. Viu o Salão Principal ainda mais cheio de velas flutuantes, e a abóbada agora refletindo um céu absolutamente escuro e repleto de estrelas; viu brevemente os alimentos que se dispunham, e percebeu o corriqueiro barulho que os alunos de toda a Escola faziam quando se encontravam — mas pouco se deteve em qualquer um desses fatores. Sua mente permaneceu particularmente distante durante toda a refeição, e só ao fim dela é que sua atenção foi minimamente chamada, pois o Diretor postou-se frente ao grande tablado dos docentes, para fazer um comunicado.

O discurso, pelo mínimo de atenção que Remo lhe prestou, envolvia algumas palavras e sentenças, como: Na tarde de hoje... grande ataque ao Ministério da Magia... poucos minutos ... incendiaram três departamentos... três pessoas mortas... Lorde das Trevas se fortalecendo... ápice da primeira Guerra Bruxa... Ministério desestruturado... enviar dementadores nos pontos onde pode haver novos ataques... para nossa própria segurança...

Ao ouvir aquelas últimas palavras, Lupin fez um grande esforço para sair, enfim, do limite dos seus pensamentos e se atentar realmente ao que aquele homem dizia.

Alvo Dumbledore mantinha-se exatamente da forma como Remo se lembrava de tê-lo visto na última vez: grande barba e cabelos branco-reluzentes, e olhos azuis que mantinham-se serenos mesmo frente àquela notícia.

"Portanto", concluiu Dumbledore, "por mais que seja contra a minha vontade, a partir de amanhã os dementadores passarão a ocupar as entradas e saídas de Hogwarts. Foi-nos dada a certeza de que eles não atrapalhariam nossas atividades cotidianas, e estariam aqui somente como mais uma medida de segurança a alunos e professores. Ainda assim... Peço que tomem cuidado redobrado perto dos limites da Escola e, se puderem, evitem o encontro com os dementadores."

"Tendo consciência da gravidade atual da situação no Mundo Bruxo, eu e alguns docentes tomamos a responsabilidade de alterar o conteúdo lecionado aqui, de forma que novas matérias foram incluídas dentro da disciplina lecionada pelo Professor Malcolm Fletcher...", e nesse instante, apontou um homem muito ruivos e um tanto corcunda, sentado juntamente com outros docentes de Hogwarts; ele imediatamente se levantou e fez um aceno na direção dos alunos. "..., que, como vocês sabem, é Defesa Contra as Artes das Trevas. Para a maior segurança de todos na iminência da intensificação da Guerra, formaremos mais disciplinas optativas, com maior número de feitiços de defesa, para aqueles que tiverem interesse. Agora, boa noite, e vou me recolher."

Todos os alunos pareceram cair em desânimo ao ouvir aquela notícia, e mesmo os professores pareceram um tanto alterados. Seguindo o exemplo de Dumbledore, boa parte dos alunos presentes ergueram-se de suas mesas e encaminharam-se para seus respectivos dormitórios, pois o jantar havia terminado.

Em contrapartida ao desapontamento evidente no rosto dos colegas, a única sensação que Remo teve foi a de estar muito confuso, porque não se lembrava de ter havido dementadores ocupando Hogwarts antes da fuga de Sirius Black de Azkaban, em 1993. Era mais um dos fatos que não coincidiam com o que havia acontecido na realidade — e, portanto, mais um indício de que não podia ter voltado ao passado, e de que aquilo que estava vivendo provavelmente era apenas um sonho ou uma ilusão.

Assim que sentiu Tiago Potter chutando-o por debaixo da mesa, no entanto, Remo esqueceu aqueles pensamentos: parecia um chute muito real. Mas mais do que um chute, era um código. Um sinal que Tiago dava para que Remo fizesse o que haviam combinado.

"Bom...", bocejou Pontas, como se realmente estivesse com sono àquele horário. Ainda não era a hora obrigatória de recolhimento, e os Marotos costumavam ficar até o último minuto fora do dormitório, principalmente durante a noite; assim, aquilo pareceu um tanto estranho aos olhos de Pedro e Sirius. "Então, eu e Pedro estamos caindo fora". Dito isso, levantou-se da mesa.

"Nós estamos?", perguntou Rabicho, surpreso em ser intimado a deixar o Salão àquela hora.

"Sim", respondeu o maior, entre dentes, antes de puxar o pequeno Rabicho pela capa e obrigá-lo e levantar-se. "Quero tratar um assunto com você."

Um silêncio constrangedor pareceu instalar-se na mesa quase vazia da Grifinória quando Tiago e Pedro caminharam para fora do salão. Ainda assim, a alguma distância, podia-se ouvir a voz desengonçada de Rabicho dizendo algo como: "Que assunto é esse que você quer tratar?". Depois, não se ouviu mais nada além dos murmúrios de outros alunos, que ainda ecoavam pelo cômodo.

A mesa da Grifinória costumava ficar cheia até bem depois do término do jantar — mas, à frente de um comunicado daquele, era compreensível que quase nenhum aluno tivesse sobrado no local.

Após lidar com aquele silêncio por poucos minutos, Remo viu os olhos muito escuros de Sirius direcionados à sua pessoa; mas eram muito pouco convidativos. Na verdade, pareciam um tanto mais intolerantes, como se o mais alto estivesse com pouca paciência para ouvi-lo.

"Não pense que eu não sei que você quer falar alguma coisa", disse ele, com grande apatia.

"Eu quero", respondeu Aluado, um tanto tenso. Definitivamente não estava com muita vontade de proferir as palavras combinadas, mas, se Tiago tinha dito que aquilo funcionaria com Sirius Black, então provavelmente era a única saída plausível. "Sobre o jantar de sexta-feira... Eu estive pensando... Se você não quer ir comigo".

Ao ouvir aquelas palavras, de uma expressão absolutamente indiferente, o rosto de Sirius passou a uma de extrema incredulidade.

"Como é?", perguntou ele.

"Não é que eu ache que você vai aceitar", corrigiu-se o outro, constrangido. Mas, com aquelas palavras, ainda seguia o protocolo passado por Pontas. "Só pensei que você pudesse considerar a ideia".

"Você só pode estar brincando."

"Por quê?"

Com a pergunta, pela primeira vez, Almofadinhas pareceu atrapalhar-se, como se ele próprio não soubesse o motivo. Mas logo tratou de responder:

"Porque você tem que levar uma menina. E eu não iria nem se fosse uma."

"E por quê?", insistiu Remo, quase sentindo-se confiante: Sirius tinha exatamente a reação sobre a qual Tiago o prevenira. Ao ver que Almofadinhas ficava realmente incomodado com aquele assunto, acrescentou: "Se você me der um motivo, não te pergunto mais nada."

"Você quer mais motivos? Nós não nos falamos há dois meses".

Como assim, não se falavam há dois meses? Não era possível que não se falassem há dois meses.

De acordo com as contas que Remo havia feito, estavam no quinto ano de Hogwarts, e, se a sua memória não falhava, tinha sido no quinto ano, no mês de Agosto, que Tiago, Sirius e Pedro tinham se tornado Animagos. Segundo o calendário do Salão Principal, estavam em Outubro. Se estavam em Outubro e Sirius não lhe fazia companhia há dois meses, então aquilo só podia indicar que só tinham passado um único mês vivendo as aventuras como Marotos: Remo como lobisomem e os outros três como Animagos. E ainda havia mais.

Um único mês continha apenas uma única semana de Lua Cheia. Logo, em três meses desde as transformações em Animagos, os Marotos só haviam passado sete dias aproveitando os frutos daquelas transformações.

"O que houve com você?", perguntou Sirius, confuso, ao ver a expressão de assombro no rosto do outro. Era possível que Remo não se lembrasse do que havia ocorrido entre eles? Era possível que tivesse perdido a sua memória subitamente?

"Não pode ser...", balbuciava Remo. Na sua mente, as informações se sobrepunham, contradizendo-se. Mas que droga de realidade paralela poderia ser aquela? "Quero dizer... se vocês... se transformaram... Ou então, vocês não se transformaram...?"

Sirius parecia igualmente amedrontado com a reação do amigo, e mantinha na sua direção os olhos escuros arregalados, em surpresa. Ainda assim, pareceu entender aquela pergunta, e respondeu:

"Sim. Nós nos transformamos, por você. Pra acompanhar você na Lua Cheia. Há três meses."

"E nós não estamos nos divertindo?"

Almofadinhas deu um longo suspiro antes de responder novamente, agora desanimado: "Não...", murmurou ele. "Nós não estamos."

"Mas... Por quê? Por que brigamos? Por que brigamos bem agora?"

Aquilo não era certo; definitivamente, não podia estar certo. Remo voltava ao passado para tentar reviver a melhor época da sua vida, e agora descobria que pouco estava aproveitando a sua juventude? Ao invés de aproveitar as transformações dos amigos, permanecia sozinho durante a Lua Cheia?

Uma vez mais, as informações contradiziam a realidade vivenciada por ele. Ou estava mesmo em uma realidade simulada — ou seja, uma verdadeira ilusão–, ou a sua memória só podia estar mesmo muito falha.

"Nós não brigamos. Você simplesmente mudou, Remo. Do dia para a noite, você não nos acompanhou mais. Não nos seguiu como fazia, e não deixou que te seguíssemos. Você se destrói a cada transformação, e nós viramos o que somos hoje porque queríamos ajudar você. Mas você não nos deixa ir junto. Você passou a me ignorar há muitos dias, e não me dirige mais nenhuma palavra desde então."

Agora, finalmente surgia uma enxaqueca. Uma enxaqueca forte e destrutiva, que impedia Remo de pensar, e quase o impedia de falar.

"Eu não me lembro disso...", lamentou, mais para si mesmo do que para o amigo.

"Você só pode ter perdido a memória, se isso for mesmo verdade. Alguém deve ter feito isso com você", concluiu Sirius, lançando um olhar ameaçador à mesa dos sonserinos.

"E por que fiz isso? Por que me afastei de vocês?"

"Não foi de todos nós que você se afastou", explicou o maior, ao que Aluado pareceu muito interessado. "Quero dizer, você se afastou um pouco de todos, mas comigo foi diferente; muito pior. Você me tratava de um jeito e passou a me tratar de outro. E não sei o porquê; deve ter sido esse cargo. Essa porcaria de cargo de monitor afetou a sua cabeça".

"Não pode ser..."

Àquela altura, não havia quase nenhum aluno no Salão Principal, e já faltava poucos minutos para dar a hora de todos se recolherem, obrigatoriamente, a seus aposentos.

"Desculpe", murmurou Aluado finalmente. Sirius pareceu surpreso de ouvir aquele pedido, mas não esboçou reação alguma. "Me desculpe se eu fiz todas essas coisas. Eu tinha me esquecido também de que era monitor."

Almofadinhas então abriu um sorriso maldoso, mas discreto, antes de responder: "Se soubesse que você tinha esquecido da monitoria, eu não teria te lembrado. Mas, falando nisso...", iniciou ele novamente, e agora parecia estar com um humor muito melhor. "É melhor você nos mandar logo para o dormitório. Logo Filch aparece e você vai correr o risco de perder seu importante cargo, se é que isso te faz feliz."

"Outras coisas me fariam mais feliz", respondeu Lupin, sem nem sequer pensar no que estava dizendo. De alguma forma, as palavras simplesmente escaparam da sua boca — estava mesmo com muita dor de cabeça e não conseguia pensar claramente em nada; a frase tinha escapado justamente por ser a primeira e única que se tinha formulado em sua mente.

Havia, ainda assim, muita verdade naquelas palavras: se havia alguma coisa no mundo que poderia fazê-lo realmente feliz, era consertar aquela confusão; ter tempo de ficar e reestabelecer-se como quem realmente era, e divertir-se como achava que tinha se divertido quando os amigos se transformaram em Animagos.

Na verdade, o que faria mesmo Remo feliz seria apenas ficar, indefinidamente. Mas ainda haveria muito a impedi-lo.

*

Foi em alguns minutos que aqueles dois subiram a escadaria em rumo ao sétimo andar, onde se situava a Sala Comunal da Grifinória e todos os dormitórios da Casa. Mas a Remo pareceu um tempo excessivamente curto. Curto demais.

Sirius Black estava mais aberto à sua companhia, e agora conversava com ele como se nada de estranho tivesse acontecido. Em uma situação normal, depois de ficar tanto tempo fora de casa — e preocupando seus amigos vivos, do outro lado do Portal -, Lupin ficaria com grande remorso; mas agora, esquecia-se daqueles amigos.

E foi lembrar-se deles somente quando o maior, por uma infelicidade, entrou em um novo assunto.

"Mesmo que voltemos a nos falar igual antes", reiniciou ele, quando já alcançavam o quadro da Mulher Gorda, "acho melhor você levar Dorcas para seu jantar da sexta-feira. Você sabe, ela é menos polêmica do que eu", concluiu, rindo.

As pernas de Remo involuntariamente pararam quando ele viu e ouviu aquele nome. Dorcas. Dora.

Que estava fazendo? Aonde queria chegar?

O remorso tomou-o por completo. Já fazia mais de vinte e quatro horas que estava fora, e não havia sequer dado uma única notícia da sua sobrevivência.

Pensou em Ninfadora preocupada, sentada em uma cadeira na antiga casa de Sirius Black, à espera do seu retorno.

Sirius também olhou-o com alguma preocupação, pois agora Aluado parecia subitamente muito nervoso, sem motivos aparentes. Então, Remo viu o tamanho do estrago que estava fazendo: estava enganando ambos os lados. Estava enganando Sirius Black e os Marotos por não dizer toda a verdade sobre o que acontecia; e enganava também Ninfadora, Olho-Tonto e todos os membros da Ordem da Fênix por também não lhes dar satisfações, mesmo em vista do perigo que potencialmente todos poderiam estar correndo.

A razão falava contra o seu desejo de ficar. O mais sensato a fazer era partir, e provavelmente não mais voltar àquela insanidade que estava vivendo. Mas como agora poderia partir, se, mesmo o corpo sendo levado a uma distância incalculável pelo Portal, sua alma permaneceria ali?

Não havia escolha. Relutando contra a sua intuição e os seus sentimentos, Remo Lupin tomou a única atitude que um homem sensato poderia tomar.

"Sirius, por favor, preciso de novo da sua varinha". E aquela frase só pôde ser de fato concluída porque ele não o fitava nos olhos; se o fizesse, provavelmente não teria a coragem e nem tampouco a força de vontade para concluir aquele pedido.

Almofadinhas estranhou-o, mas, daquela vez, não negaria a varinha. Um tanto cabisbaixo, como se soubesse exatamente o que iria acontecer quando Remo a tocasse, ele sacou-a e estendeu-a ao amigo.

A muito contragosto, Lupin suspirou fundo antes de tocá-la. Não encostava mais na varinha por querer voltar ou por ter medo de ficar indefinidamente preso ao passado, não: agora, ele a tocava porque percebia que, quanto mais ficasse ali, menos teria a vontade de voltar para casa. Mas precisava voltar para casa.

Assim, e já em contato com o Portal, sua imagem desapareceu, rumando à antiga residência de Sirius, mas agora no ano de 1995.

Notas finais
Purfa, deixem comentários :(