O Patrono Perdido
15 Capítulo 14: Uma Conclusão Precipitada
Notas iniciais
Já era quase meio-dia e Remo ainda não tinha acordado.
Dormia um sono profundo e inabalável, como se estivesse em coma ou até morto. Nenhuma parcela do seu tórax subia ou descia durante a respiração, e não havia expressão alguma no seu rosto. Mas morto não estava.
Ao contrário de fria, a sua pele estava quente como se houvesse um verdadeiro incêndio dentro do seu corpo; por todos os poros, ele transpirava, e alguns fios do seu cabelo curto estavam aderidos à pele úmida.
Se Sirius Black nunca o tivesse visto naquele estado ou não tivesse na mente o calendário lunar já praticamente decorado, talvez tivesse se assustado com a situação. Mas não era agora que passava a se dar conta de que estavam no primeiro dia da Lua Cheia, não. Na verdade, já vinha prevendo a transformação de Remo há alguns dias, e esse era também um dos motivos pelos quais o encontro na Casa dos Gritos não pudera esperar. Sirius simplesmente não aguentaria esperar sete dias para ter a primeira noite a sós com ele.
As suas transformações eram mesmo muito violentas. Mesmo ainda sendo manhã, ele já não parecia passar bem. Ficaria muito fraco durante toda aquela semana, e dormiria exatamente como dormia agora — em um sinistro estado de torpor.
Era difícil tomar a coragem de acordá-lo. Poucas coisas assustavam realmente Sirius Black, mas acordar Remo em um dia daqueles era uma das coisas verdadeiramente pavorosas que rondavam a sua mente.
A luz do Sol entrava pelas frestas da persiana de madeira que quase vedava totalmente as janelas da casa, e aquela luz incidia sobre ele. Enquanto Sirius já estava vestido, as roupas dele permaneciam jogadas a um canto do cômodo. Tudo o que havia sobre o seu corpo eram algumas roupas de cama desajeitadas, mas que – por uma infelicidade — serviam bem para encobri-lo.
Enquanto observava uma cena que provavelmente não voltaria a admirar tão cedo, o Black ouvia a conversa abafada de Pontas e Rabicho, que estavam do lado de fora da Casa dos Gritos. Era certo que eles estavam distantes da casa, mas próximos ao portão da fachada. Sirius conseguia ouvi-los como se estivessem ao seu lado.
Era sábado. Nos sábados livres, os Marotos e a maioria dos alunos de Hogwarts passavam a tarde em Hogsmeade. Tiago e Pedro tinham chegado há poucos minutos, mas Sirius ainda não tinha obtido êxito na missão de acordar Aluado. E nem queria. Talvez quisesse apenas continuar ali, observando-o sem incomodar, enquanto Remo prevalecia no mundo dos sonhos. Era o mundo no qual o Black também gostaria de estar, afinal. Mas a única coisa que queria menos do que acordá-lo era deixá-lo sozinho naquela casa, entregue aos tenebrosos sintomas da Licantropia.
Ao menos, se saísse, Remo talvez conseguisse se distrair.
“Remo”, murmurou pela segunda vez, sem esperanças de ser ouvido. Novamente, o menor não esboçou reação.
Incomodado, Sirius finalmente tomou a atitude de se aproximar e tocá-lo no braço. A sua temperatura estava tão alta, que Remo parecia mesmo estar em ebulição. Foi o choque térmico daquele toque que o despertou.
Os olhos cor de mel abriram-se em um ímpeto. As escleras estavam avermelhadas, dando a ele a aparência de alguém muito gripado ou que tivesse passado noites em claro.
A sua atenção voltou-se para Sirius, mas, no momento seguinte do seu despertar, pareceu não se lembrar do que fazia ali. Apoiou os próprios braços no chão e levantou o tronco, sentando-se. Correu o olhar brevemente pelo quarto e para si mesmo, coberto apenas com lençol e cobertor. Conforme sua consciência retornava, a expressão do seu rosto tornava-se mais pesada e preocupada. Ainda assim, continuava parecendo um tanto lesado pelo sono.
“Você não está bem”, concluiu Sirius. Era melhor falar qualquer coisa do que apenas assisti-lo recuperando as memórias da noite anterior.
Mas Remo não respondeu. Os olhos corriam de Sirius para os cobertores, dos cobertores para o chão, do chão para as suas próprias roupas, jogadas a um canto. Almofadinhas não conseguia ler os seus pensamentos, mas era quase como se pudesse fazê-lo; e não eram coisa boa.
“Quem está aí?”, perguntou ele, lançando um olhar desconfiado para a janela. A sua voz estava tão pesada quanto o restante da sua aparência.
“Rabicho e Pontas”, respondeu Sirius, mas rapidamente emendando: “Não fui eu que os chamei. Íamos passar o dia em Hogsmeade. É sábado.”
Lupin desviou os olhos e a sua mente pareceu desligar-se. Agora direcionava as íris cor de mel à sua roupa espalhada pelo piso, mas parecia mesmo era olhar para dentro – encarar a si mesmo, sem conseguir ver nada o que se passava do lado de fora. Sirius não era bom com aquele tipo de coisa. Não queria vê-lo se arrepender por terem passado a noite juntos. Devia ter previsto que aquilo, cedo ou tarde, aconteceria.
Tomado pelas ideias perturbadoras que agora ocupavam sua mente, Sirius levantou-se.
“Vou deixar você se trocar”, disse ele. E, sem esperar mais respostas – mesmo porque não as teria mesmo -, abriu a porta e desapareceu pelas escadas abaixo.
~*~*~
Uma ideia ruim. Uma ideia ruim qualquer, um plano adolescente que tinha ido longe demais. Era só aquilo que haviam feito. Não era grave.
Tentava convencer a si mesmo, mas obtinha muito pouco êxito. Não sabia se o calor vindo do seu corpo era fruto de uma transformação ou do ataque cardíaco que devia estar prestes a ter. Tinha ido longe demais. Longe demais.
Arrastou-se até suas vestes, ainda enrolado no cobertor. Era como se todas as forças dos seus braços e pernas tivessem sido sugadas pelo ato insano que tinha cometido há algumas horas; mas talvez fosse apenas a Lua Cheia causando efeitos precoces no seu organismo, antes mesmo de aparecer pelo céu. Talvez não tivesse sido assim tão grave.
Ouviu, há alguns metros, alguns barulhos diferentes. Sirius Black certamente havia encontrado agora Rabicho e Pontas. O que ele estaria dizendo? O que os outros estariam pensando? Não.
Se Remo realmente conhecia Sirius como pensava fazê-lo, o Black não contaria o ocorrido da noite anterior. Mas aquilo não impediria que os outros dois tirassem as suas próprias conclusões. Afinal, por que dois adolescentes claramente interessados um no outro dormiriam fora?
Lembrou-se do jantar na sala de Slughorn. E se Tiago e Pedro tivessem colaborado para tudo aquilo? Ah, sim.
Eles haviam colaborado, sim, agora as memórias pareciam mais claras na sua mente. Era possível que Remo tivesse deixado tão claro o seu interesse no Black, que todos do grupo tivessem percebido e resolvido ajudá-los?
O pânico aumentou dentro do seu peito. Tinham ido longe demais. Tentava erguer-se para vestir as calças, mas era inútil – desesperado em demorar mais, colocou-as sentado mesmo, com toda a dificuldade que se pudesse imaginar. Alterar o passado. Tinha alterado o passado.
Pouca diferença devia fazer dar um único beijo em Sirius, em um jardim afastado, sem ninguém por perto a não ser Severo Snape, sendo Snape uma pessoa à qual poucos davam créditos. Mas passar uma noite inteira com o Black; permitir que os seus sentimentos e os dele aumentassem; passar uma noite com ele na Casa dos Gritos, sem nem sequer tomar café da manhã no Salão Principal. Quantas pessoas podiam ter notado a sua ausência? Como podiam ter envolvido os outros Marotos naquela história, eles, que certamente agora já tinham consciência do ocorrido?
Apoiando-se na parede, colocou-se de pé. Terminou de se vestir, na velocidade mais alta em que era capaz de fazê-lo. Não podia amar Sirius Black. Não podia deixar que ele o amasse. Onde estava pretendendo chegar? Era um homem de trinta e cinco anos, perdido no passado e com os sentimentos – e ideias – totalmente desorientados, envolvendo um adolescente que nem sequer devia ter tido aquelas ideias. Mas se Remo não tivesse passado tanto tempo encarando-o e dando a entender as suas intenções, é claro que Sirius não teria feito tudo aquilo.
Quantas vidas poderiam passar a estar em jogo, depois de uma alteração drástica no passado como aquela? Com o peito agora cheio de culpa, concluiu novamente: tinham ido longe demais.
Agora vestido, aproximou-se da janela e tentou enxergar pela única e apertada fresta que permitia a visão ao mundo externo. A luz quase o cegou. Mas naquela cegueira, conseguiu identificar os três amigos ali, há pouca distância. Amigos que em poucos anos viriam a falecer ou se perder na vida. Amigos que precisavam da sua ajuda, e que ao invés de ajudá-lo, Remo prosseguia atendendo somente aos seus caprichos.
Suspirou, mas pouco conseguia expandir o seu tórax na inspiração, pois ele parecia comprimido por todos os lados, esmagando-o em remorso. Afastou-se da janela.
Não sabia se ainda tinha tempo. Não sabia se ainda tinha chances. Mas independente do que viesse a ocorrer, faria naquele dia o que já devia ter feito há muito tempo.
~*~*~
Os olhos azuis estavam estreitos na direção de Sirius. Não importava o que ele dissesse, Pontas simplesmente não conseguia entender o que estava se passando ali. A sua postura, os seus gestos, a sua forma de falar... Tudo em Sirius estava inacreditavelmente estranho. Algo muito errado devia estar acontecendo. Chegou a abrir a boca mais uma vez para perguntar de novo qual era o problema por trás da encenação, mas Rabicho sussurrou ao seu lado, apontando adiante:
“Aí vem ele!”
Aluado saiu da Casa dos Gritos cabisbaixo, quase encurvado, caminhando rapidamente como estivesse mesmo com pressa. A sua expressão era como a de alguém que estivesse vendo a luz do Sol após um ou dois dias dentro de uma cova.
“Não precisam falar de mim na terceira pessoa”, rosnou. “Eu estou bem aqui.”
“Desculpe”, murmurou Rabicho, com os olhinhos de rato arregalados na sua direção.
“Não estamos fazendo isso”, consertou Pontas rapidamente. “Estamos preocupados com você.”
De fato. A transpiração excessiva de Remo era visível mesmo a alguma distância. Era um dos efeitos da Licantropia, sem dúvida; naquela noite, Remo iria transformar-se. Mas não custava esperar que a carapuça servisse e que Aluado percebesse que era com seu comportamento que Tiago estava mais preocupado.
“Eu estou ótimo”, respondeu, irônico. Ele e Sirius não se encaravam.
Foi então que o clima passou a ficar realmente ruim ali, e Sirius Black fez algo que somente fazia com Tiago. Murmurou, à rápida velocidade e baixo volume que somente os Animagos ouvem, um desesperado “Vamos sair logo daqui”. Saíram.
*
O Sol estava alto no céu, indicando que estavam próximos ao meio-dia. Hogsmeade ficava relativamente cheia nos finais de semana, considerando que quase todos os alunos a partir do terceiro ano e que tinham devida autorização passavam o dia ali. De todos os recintos disponíveis na aldeia, o mais visitado era sempre o Três Vassouras, justamente o primeiro local ao qual os Marotos se dirigiam.
Naquele dia em especial, estava mais lotado que o comum. Em meio à atmosfera esfumaçada – e estava sempre esfumaçada, não importava a hora do dia – e por entre as mesas de madeira que se espremiam entre si, acumulavam-se garotos e garotas de todas as Casas e até pessoas que não eram de Hogwarts. Ainda assim, mesmo com a confusão típica do estabelecimento, os olhos atentos de Tiago logo identificaram Lílian Evans a um canto do pequeno salão do bar.
Os cabelos longos e ruivos estavam soltos como de costume, mas o sorriso que comumente ocupava os seus lábios não estava presente. Dispunha-se ao lado de Dorcas Meadowes e ambas sussurravam entre si – mas Lílian mais parecia ouvir com atenção ao que a outra dizia do que propriamente tomar a palavra.
Uma onda de preocupação tomou Tiago quando os quatro amigos se sentaram a uma mesa central. Não era possível que todos começassem a ter comportamentos estranhos. Sirius e Remo não faziam comentário algum sobre qualquer coisa que fosse, e agora também Lílian com aquela expressão tensa.
Bem, ela havia participado do plano dos Marotos; em geral, era uma boa cúmplice. Haviam forjado, em quarteto, a saída estratégica de Remo e Sirius do jantar do Clube do Slugue, e mesmo Dorcas não parecia ter se importado com a súbita fuga, já que não ficara desacompanhada. Mesmo assim, ela falava algo em tom de urgência à outra. Algo que Lílian estava surpresa ou confusa em ouvir. E a intuição de Tiago apontava para a possibilidade quase certeira de que aquele algo dizia respeito a Remo.
“Por que vocês não param de olhar pra lá?”, perguntou Rabicho, interessado, virando-se na direção da dupla de meninas ao canto.
Vocês.
Pontas voltou o olhar à mesa e identificou Remo desviando os olhos da dupla, constrangido. Estava claro que Tiago as encarava porque estava preocupado com o diálogo, mas por que Remo o fazia? Estreitou os olhos na sua direção, com a plena certeza de que o sentimento por Sirius já não era o seu maior segredo. Evidências apontavam cada vez mais para as suas atitudes inexplicáveis, e o próprio Potter já tinha bons palpites sobre a sua mudança súbita de personalidade – por mais que a droga de amigo que era Sirius Black se recusasse a assumir que também vinha notando a estranheza de Remo.
O Black costumava compartilhar sempre seus pensamentos Pontas, mas nos últimos dias ele não vinha mais agindo de tal modo. Talvez, não confiasse mais no Potter como costumava confiar. Preferia agir como cúmplice de Remo, se é que aquele realmente era Remo Lupin. As maiores chances eram de que não fosse.
Com o canto dos olhos, percebeu os de Sirius encarando, em silêncio, a imagem de Aluado.
“Eu nem estava olhando”, murmurou Remo, respondendo a Pettigrew.
“Nem eu”, retrucou Pontas, em alto e bom tom. Seu olhar ia de Remo a Sirius e de Sirius a Remo, e ambos pareciam estar em um clima tão tenso, que Tiago já sentia vontade de levantar e dar o fora dali sozinho. Mas antes que pudesse tomar qualquer atitude, Remo teve a atitude mais inacreditável que poderia vir a ter naquele momento.
“Preciso falar com uma pessoa”, disse ele.
E com a maior naturalidade, se é que aquilo era possível, ele ergueu-se da mesa e caminhou em direção a Lílian e Dorcas, deixando o trio restante na mesa com um conjunto de expressões perplexas.
“Ele só pode estar de brincadeira”, murmurou Tiago, fazendo um sinal negativo com a cabeça, como tentasse entender, à força, o que se passava ali. Dirigiu-se então a Sirius: “Você vai dizer o que está acontecendo”.
“Eu não sei”, respondeu Almofadinhas, desviando os olhos para um canto qualquer.
“Você disse que descobriria”, insistiu o outro. “Você foi conversar com ele, passou uma noite inteira com ele”, sussurrava, apontando na direção do mais alto com certo tom de ameaça. “Você sabe que eu sei que tem algo errado.”
“Eu não sei”, sussurrou o Black em retorno. Parecia realmente alterado com a atitude de Remo. “Ele dorme de um jeito e acorda de outro”, completou. “Eu não sei o que acontece com ele.”
“Não é ele. Esse não é Remo.”
“Como assim não é Remo?”, perguntou Pettigrew, que parecia entender menos a cada palavra.
Mas ninguém lhe deu atenção.
“Ele mesmo tentou me contar”, concluiu Tiago. Nesse instante, Sirius abriu mão de manter os olhos distantes e finalmente pareceu ter coragem de olhar o amigo de frente. “Disse que ganhou algo de presente. Alguma coisa que o transporta, e então ele perde a memória”.
Ao ouvir as suas últimas palavras, Sirius pareceu refletir por um momento. Perguntou apenas:
“Quando foi isso?”
“Na Sala Comunal. Há poucos dias (1). Você vai dizer, ou não vai?”
~*~*~
Almofadinhas permaneceu calado por um tempo. Tentava tomar coragem ou fôlego para dizer ao melhor amigo o que estava entalado na sua garganta. Não queria trair a confiança de Remo, mas já era tarde – sem a sua ajuda, Tiago já vinha juntando as pistas, e agora era certo que já tinha um palpite bem formado sobre o assunto. Escondendo a verdade, talvez Sirius prejudicasse mais a si mesmo... e a Remo. Talvez, se Tiago soubesse logo o que se passava, pudesse ajudá-los. Não era justo que colaborasse para o encontro deles, sem nem ao menos saber os reais fatos sobre Remo.
Não sabia ao certo o que fazer. Não podia escolher entre aqueles dois.
Lançou um olhar a Remo e percebeu que já estava ao lado de Lílian, e que Dorcas não estava mais na roda. O que ele estaria tentando fazer, exatamente?
Reconhecera um sentimento naqueles olhos cor de mel tão logo Remo despertara. Os sinais não eram apenas da Licantropia. Não eram apenas cansaço e calor que se apoderavam do seu corpo. Era algo tão mais profundo, que os outros Marotos não poderiam mesmo imaginar o motivo daquele comportamento. Não o conheciam como Sirius conhecia.
“Você vai dizer?”, perguntou Tiago mais uma vez. Ainda que estivesse visivelmente irritado, a sua intenção em perguntar era boa.
Com a atenção ainda voltada a Lupin, o Black respondeu:
“Ele está com medo.”
Estando agora o silêncio instalado na mesa, Sirius achou que fosse melhor olhá-lo realmente; permitir que tivesse a chance de ter toda a sua atenção quando recebesse a notícia pela qual esperava.
“Com medo de ter alterado o futuro”, concluiu.
Rabicho franziu o cenho na sua direção, mas Tiago permaneceu imóvel. A alguns metros dali, Remo Lupin conversava, tenso, com Lílian. E enquanto Sirius observava aquela cena e refletia sobre os seus últimos momentos com Aluado, nada mais lhe parecia tão estranho assim.
A julgar pelo motivo pelo qual Remo prosseguia voltando ao passado; a julgar pela sua constante preocupação em torno de tudo o que se passava naquela realidade; a julgar pelo que tinham vivido na noite anterior e pelas suas atitudes naquele dia, estava evidente: ele tentava consertar, em vão, algo referente àquele passado. E o seu plano, de alguma maneira, envolvia Lílian Evans.
(1): Nota de explicação: esse diálogo entre Tiago e Remo está no capítulo 5 (como fiquei muito tempo sem postar, achei melhor colocar essa nota, para caso alguém não se lembrasse do detalhe).
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