O Passado Sempre Volta
9 Capítulo 8: Uma chance.
Notas iniciais

Você mal sabe, eu sei que você está machucada
Enquanto eu finjo dormir
Oito anos atrás:
Eu estou cansada, na realidade exausta. Ficar a noite inteira suportando Blue e seus homens dando em cima de mim se resulta nisso. O pior é que ainda não comi nada, será que demora muito tempo para morrer de fome? Porque não sei o que fazer, se eu não conseguir colocar o meu plano em ação, logo serei abusada e eu prefiro morrer a ser submetida a isso.
Quando abro a porta do meu dormitório, uma mão tampa minha boca e me puxa para dentro do quarto, a porta se fecha e a luz acende. Meu coração se acelera.
Mas são apenas as meninas.
— O que estão fazendo acordadas? – pergunto tentando acalmar minha respiração.
— Estávamos esperando você. Não conseguia dormir sabendo que estava lá por culpa minha. – Amber disse. – Ele te machucou?
— Não. – nem precisava me explicar quem era o ‘’ele’’ que ela está se referindo.
— Pode nos contar a verdade. – Rocket fala carinhosa. – Confie em nós, será melhor se desabafar.
— É sério, ele não fez nada. – as meninas se entreolharam confusas.
— Isso é impossível, você quebrou uma das regras dele. – Sweet revira os olhos. – Algo ele te fez.
— Sim, está certa. Ele fez algo. – suspiro. – Ele me beijou.
Um silêncio surge depois do meu desabafo. Elas me encaram como se o que eu tivesse falado fosse impossível, como se eu estivesse mentindo. Achei que elas fossem compreender, achei que fossem me ajudar, mas, por que estão hesitando? Por que sinto que elas estão escondendo algo de mim? Uma vontade louca está quase me vencendo, eu quero gritar com elas, gritar e obrigá-las a me contar qualquer coisa que está as incomodando, no entanto, não grito.
— Ela merece saber. – Blondie fala como se estivesse pedindo permissão. – Temos que contar a ela.
— Podem falar. – Sweet permite. Pelo visto, ela é líder aqui.
— Babydoll, houve uma vez que uma mulher se apaixonou por Blue. – Rocket declara com nojo. – Não sei como, mas, aconteceu. A madame descobriu e todas nós notamos que ela ama ele. No entanto, não sabemos como aconteceu, só sabemos que no dia seguinte, depois de madame descobrir, aquela mulher foi encontrada morta. Disseram que um dos homens com qual ela ficou naquela noite a matou. Mas ninguém acredita nessa história.
— Não estou entendendo. – franzo o cenho tentando entender o que isso significa.
— Se a madame matou a garota que era apaixonada por Blue, imagine o que vai fazer com a garota que está se envolvendo com ele? – Amber pergunta cautelosa.
— Eu não estou me envolvendo com ele! – olho espantada para elas. Como podem me acusar de algo assim?
— Blue nunca tocou em nenhuma garota, Babydoll. – Rocket tenta soar passiva.
— Como sabem? Talvez ele já fizesse isso e a garota decidiu não contar.
São tantas meninas que não da para se saber. Seria impossível entre tantas mulheres, eu ser a única azarada a ser tocada por ele, me recuso a aceitar isso. Não tinha como elas saberem e não sei como elas parecem estar tão surpresas, duvido que Blue nunca queira tocar em seus brinquedos.
— Se já aconteceu isso com alguma outra mulher, ela foi mais esperta que você. – Sweet disse fria. – É melhor torcer para que a madame não descubra.
— Então me ajude a nós tirar daqui! – afirmo esperançosa.
— Do que está falando? – Amber levanta sua sobrancelha.
— Eu tenho um plano, podemos sair daqui. – falo baixo para evitar que minha ideia sair desse quarto.
— Puff, pare de se iludir. – comenta Sweet.
— Não ligue para ela. Continue, por favor. – pede Rocket.
Começo a dizer o meu plano, todas as elas escutam atentamente, até mesmo Sweet Pea quer saber o quanto louca eu estou sendo. Falo como elas podem me ajudar, pois elas apenas precisam convencer alguém a nós tirar daqui ou fazer uma denuncia desse lugar. Quando termino de contar, as reações parecem positivas, apenas Sweet olha para mim com irritação.
— E-e-eu a-acho que tenho alguém que posso tentar convencer. – Blondie disse gaguejando.
— Isso é maravilhoso! Mas seria melhor ainda se todas tivessem. – falo ainda mais animada.
— Que interessante, nós vamos nos arriscar enquanto você fica ai, intocável. – pude perceber ironia na voz de Sweet.
— Blue não encontrou alguém que pague o suficiente por mim, mas, isso não quer dizer que não estou tentando. – tento argumentar.
— Sabe o que eu acho? – ela se levanta da cama e para em minha frente. – Acho que tudo isso que está fazendo não passa de uma idiotice, não vai dar certo.
— Se tem tanta certeza que não dará, por que insiste em convencer a gente? – tento soar desinteressada. – Deixe que nós lhe mostremos o contrário. Eu tenho certeza de que vai dar certo! – mostro veemência.
— Não permitirei que elas arrisquem suas vidas por sua causa. Uma causa sem noção, esse plano foi o mais absurdo que ouvi e olha que ouvi vários planos de mulheres diferentes. – ela cruza os braços.
— Ninguém arriscará vida de ninguém. – Rocket se aproximou da irmã. – Acredite nesse plano, está na hora de sairmos daqui.
— Não posso deixar que morram.
— Já estamos mortas. – pela primeira vez vejo tristeza no olhar de Rocket.
Eu sei o motivo de Sweet Pea não permitir que façamos esse plano, haverá muitos riscos. Se Blue descobrir, ele irá nos punir ou até mesmo nos matar. É realmente algo arriscado, entretanto, eu prefiro arriscar minha vida tentando nos salvar do que ficar aqui tentando sobreviver até ele perceber que nós não servimos mais para nada. Morrer lutando ou morrer sem tentar?
— Está bem. – Sweet declara. – Eu apoiarei. Não me faça se arrepender da minha decisão, Babydoll.
— Prometo que não irá. – sorrio para ela e de volta recebo um olhar cansado.
— Acho que todas nós temos alguém que podemos convencer. – Blondie sussurra dando um sorriso pequeno.
— Então é melhor descansarmos. Amanhã tentamos colocar o plano em ação.
Ninguém contraria a ideia de Rocket para descasarmos. Confesso que demorei muito para cair no sono, minha cabeça estava agitada. Se o plano falhasse e colocasse as meninas em perigo, a culpa seria minha. Eu iria conseguir viver com essa culpa? Não, eu não precisarei viver com esse sentimento. Tenho certeza que dará certo. Não vai demorar muito para sairmos daqui.
Atualmente:
Não tive tempo de fazer muita coisa.
Depois de avistar Blue sentado com seu sorriso maléfico, outras pessoas surgiram e me arrastaram para dentro do meu apartamento, trancaram a porta quando todos já estavam dentro. Esse ato me lembrou de quando meu pai me abandonou naquele hospício, homens vieram até mim e me tiraram a força do carro. Só consegui gritar uma vez por ajuda na esperança de que algum vizinho tivesse escutado, pois, eu não tenho mais chances de gritar, um deles tampou a minha boca.
— Como pode ser tão boba, Babydoll? Sério? Usou seu nome verdadeiro e esperou que eu não fosse conseguir te rastrear? – Blue solta uma risada áspera.
Eu nem pude responder sua ironia, porque um dos homens me socou no rosto sem piedade. Tentei me defender, mas, não tinha como. Eu consigo contar cinco homens antes de levar mais um soco, dessa vez foi em meu estomago. Eu não consigo fazer nada. Meus braços e pernas estão sendo segurados e mesmo que eu desprendesse, duvido que hesitem em me derrubar com força no chão. Eles não estão aqui para pegar leve comigo.
Minha visão já está começando a ficar embaçada, entretanto, consigo ouvir o som da porta se arrebentando e posso ver Oliver entrando. Seus olhos caiem sobre o meu rosto e sua expressão fica sombria. Dois homens tentam atacá-lo, mas, com rapidez ele desvia deles e os desmaia. Uma preocupação enorme surge dentro de mim: E se alguém conseguir prendê-lo? Com essa preocupação começo a tentar me soltar, mordo a mão do rapaz que está tampando minha boca e com a dor, ele recua para trás e solta meu braço, com isso consigo soltar uma das minhas pernas e chutar com força o homem da minha frente que cai no chão gemendo de dor. Meu braço estava sendo tão forçado que achei que iria se quebrar, mas não quebrou. Uso a minha mão solta e soco o rapaz que está segurando meu outro braço. Os homens não tentam me prender de novo e vão cuidar de Oliver, talvez Blue não explicasse para esses homens que eu era perigosa ou preferiram me ignorar. Só sei que isso me dá uma oportunidade: Eu posso tentar matar Blue por estar desprotegido.
Mas, preciso ignorar essa chance, pois escuto um grito de dor vindo de Oliver. Eu não posso arriscar sua vida para conseguir uma vingança.
Coloco meus pensamentos em ordem e ando em direção a ele que está lutando contra três. Pego um abajur e acerto a cabeça de um, isso facilita o trabalho de Oliver em limpar os outros dois. Sem hesitar, Oliver pega minha mão e nós faz correr.
— Ainda não acabou, Felicity Smoak! – berra Blue e arrisco dar uma ultimada olhada para ele. Seus olhos estão com diversão. Realmente, nada acabou.
Como eu pude ser tão estúpida? Eu não devia ter voltado para meu apartamento! Ele tinha visto a luta no telhado do prédio e com isso sabia que eu estava aqui. Com esse meu erro, quase que o arqueiro foi morto. Fico feliz que Oliver não tenha ido embora e tenha me ajudado, mas, entreguei a informação de que Oliver Queen é um bom lutador, não vai demorar muito para Blue juntar as peças e adivinhar que ele é o Arqueiro-Verde. Merda.
Quando saímos do meu apartamento, corremos em direção ao meu carro e aceleramos. Abandonamos meu carro em uma rua sem saída. Se eles conseguiram rastrear meu apartamento, não deve ser difícil rastrear meu automóvel. Fomos andando até o esconderijo e só lá eu me senti mais segura.
— Felicity, fizeram algo a mais com você? – Oliver pergunta se aproximando de mim para ver meus roxos. Eu queria dizer que não tinha com que se preocupar, eu ficaria bem, contudo, não consegui dizer, na realidade meus olhos lacrimejaram e faço algo que não fazia a um bom tempo.
Eu começo a chorar.
Não consigo segurar as minhas lagrimas e Oliver me faz sentir pior ainda, pois me puxa para perto dele e me permite chorar sem dizer nada. Parece que evitar chorar por tantos anos resulta nisso. Mas por que eu estou chorando? Pela minha mãe que a decepcionei tanto? Pela minha irmã que só agora consigo perceber o quanto eu sou culpada em sua morte? Por meu pai que foi um monstro? Não. Eu estou chorando de raiva. Raiva por Blue sair impune, por me fazer lembrar as coisas horríveis do meu passado, me lembra do que perdi e enquanto ele estiver solto, nunca poderei me esquecer dos meus demônios.
As lagrimas param e só com isso percebo que eu estava chorando no peito de Oliver. Afasto-me atordoada e digo a primeira coisa idiota que vem em minha mente:
— Desculpe. Você que sofreu mais, mas quem está se lamentando sou eu. – dou risada mesmo sem achar graça alguma.
— Não tem problema, agora deixe-me ver seus machucados. – ele se aproxima e eu recuo
— Não, não precisa. E-estou bem, eles apenas me acertaram alguns socos, nada comparado ao que fizeram com você. — não queria que ele se preocupasse comigo e que nem me tocasse. Seu toque me deixa ligeiramente perdida.
— Felicity, não precisa parecer forte para mim. – fala calmo. – Deixe-me olhar. – pede novamente.
— Está bem. – suspiro.
Seus olhos começam a avaliar meu rosto. Eu nem quero saber como eu estou parecendo, provavelmente maquiagem borrada, cabelo bagunçado, olhos vermelhos por chorar e um rosto com marcas roxas pelos golpes dos socos.
— Não está tão mal. – fala adivinhando meu pensamento.
— Não precisa mentir, sei que está ruim. – ele deixa escapar um sorriso e vira-se de costas para pegar o kit medico que é geralmente usado no resto da equipe, não em mim. – Obrigada por me salvar. – agradeço encarando seu rosto que está concentrado em fazer um curativo na minha testa.
— Não foi nada demais. – declara sem olhar para mim.
— É sério Oliver, obrigada. – insisto novamente. Parte de mim está agradecendo por hoje e a outra parte está agradecendo por ele ter me colocado em sua vida, por confiar em mim, mesmo que eu não merecesse.
— Você sabe que eu nunca deixarei nada acontecer com você, não sabe? – agora ele fala olhando para meus olhos. Apenas concordo, eu sei desde o momento em que ele me permitiu entrar no time. – Droga, eles cortaram seu lábio.
Minha mente para de pensar quando ele começa a passar algodão no corte que está em meu lábio. Seus olhos estão fixos e concentrados em meus lábios, mas, posso perceber que ele está tenso. Já eu? Eu estou me sentindo nas nuvens por estar sendo cuidada por Oliver Queen. Mas eu não devo ter esses pensamentos, então trato de tentar puxar um assunto para afastar esses pensamentos.
— Oliv...
— Shiiu. – ele me interrompe. – Me deixe acabar aqui. – corta a minha tentativa. Agora eu não posso me responsabilizar pelos meus pensamentos, eu tinha tentado afastar, mas não funcionou. – Pronto. O que queria falar? – pergunta jogando fora o algodão.
— Eu ia falar para me deixar cuidar do seu ferimento. – aponto para o corte que há em seu braço.
Enquanto os homens apenas usaram seus punhos para me ferir, eles opinaram em usar facas para atacar Oliver, no que resultou em pequenos cortes.
— Isto daqui? Não é nada. – ele dá de ombros.
— Ai, Oliver. Você cuidou dos meus machucados, agora me deixe cuidar dos seus. – peço.
— Felicity, eu sempre me machuco, já você não. É algo raro quando isso acontece, não podia perder a oportunidade de cuidar da senhorita. – seus olhos estão concentrados em colocar a linha na agulha. – Além do mais, é melhor trocar de roupa, use algo mais relaxado. – muda de assunto.
— É tem razão, vou dar uma olhada e ver se as meninas deixaram alguma peça de roupa.
— Acho que não vai caber.
— Por que acha isso? – franzo o cenho. Ele tinha acabado de me ofender?
— Talvez sirva, mas acho que não. Sua estrutura corporal é maior da que de Laurel e Sara.
— Está me chamando de gorda? – finjo estar ofendida.
— Não, claro que não. Seu corpo é perfeito, só que tem mais compleição do que elas. – tenta se desculpar me fazendo rir.
Mordo meu lábio ao me tocar que ele se referiu ao corpo como ‘’perfeito’’. Foque, me advirto. Prefiro não dizer mais nada e procurar por uma roupa que fique bem em mim, não demora muito para eu encontrar e trato logo de tirar o vestido. Uma camisa de manga longa na cor branca, uma calça moletom larga na cor preta. Encontrei essas peças dentro do armário de Roy, então aproveito e pego um edredom xadrez que está com cheiro de um perfume muito bom. Na hora que volto, Oliver está finalizando de fechar seu corte.
— Feliz? – pergunto dando uma girada para mostrar a roupa que tinha pegado.
— Onde pegou isso?
— Do armário de Roy.
— Elas são minhas e esse edredom também. – abre um pequeno sorriso de lado.
— Whow, mas por que suas coisas estão nas coisas de Roy? – falo rindo.
— Digamos que preciso de mais espaço. – apenas concord com a cabeça. – Felicity, você sabe o motivo daqueles caras terem te pegado? – seu rosto fica sombrio novamente.
— Não, não sei. – menti. – Mas eu reconheci um deles.
Eu não posso contar a verdade, contudo, pelo menos posso dar a ele algumas informações de Blue.
— Quem?
— Aquele homem, o que ficou vendo você lutar com as duas mulheres. Ele estava no meu apartamento e vendo-o mais de perto e ao vivo, pude reconhecê-lo. Quando eu morava em Gotham City, ele seqüestrava algumas mulheres e as fazia trabalhar como prostitutas. Demorei a lembrar, porque faz anos que morei lá. – tento soar convincente.
— Você acha que ele estava no seu apartamento para te seqüestrar? – apenas dou de ombro e finjo não saber. – Nunca comentou que morou em Gotham City.
— Não achava necessário. – e eu sempre tento esquecer.
— Está bem, o melhor a fazermos é você ficar aqui, onde é seguro. – quero saber como Oliver consegue mudar de um tópico para o outro. Mas, irei perguntar outra hora, pois agora preciso saber como diabos eu irei dormir aqui.
— Oliver, eu adoro minha cadeira, entretanto, ela só serve para se sentar. – falo irônica.
— Eu tenho um colchão onde possa dormir. – fala tranquilo.
— Da onde você tirou um?
— Não tirei de lugar nenhum, uso ele para dormir.
Então Oliver está dormindo em nosso esconderijo e eu nem tinha me tocado? Caramba, ultimamente estou muito desconcentrada. Será que eu estava deixando passar mais coisas? Daqui a pouco, Roy vai surgir e contar que seu relacionamento com Thea está completando um ano, mesmo eu sabendo que faz pouco tempo que eles estão juntos.
— Espere, você está dormindo aqui desde aquele dia? – pergunto confusa.
— Qual dia, Felicity? – agora ele parece não entender.
— Naquele em que eu vim para o esconderijo usar nossos computadores para conseguir informações mais rápidas. Você já estava aqui dentro e mentiu dizendo que precisava de algo, por isso tinha chegado tão cedo. – concluo minha hipótese.
— É aquele dia em que você entrou cantando? Qual musica era mesmo?
— Sunday Morning. – reviro os olhos. – Não fuja do assunto. Você está ou não morando aqui desde aquele dia?
— Estou, Felicity. Não precisa se preocupar. Sabia que canta bem? – usa minha cantoria como desculpa.
— Sim, eu sei. – hoje nós não precisamos discutir por algo que eu deveria ter percebido há tempos. – Mas você tinha que ouvir minha mãe cantando, ela cantava tão bem que você podia ficar escutando o dia inteiro. – sorrio ao me lembrar dela.
— Não posso opinar por nada, nunca a escutei. – fala carinhosamente comigo. – Ela ainda canta? – sua pergunta foi inocente, mas me feriu como um corte.
— Não. Ela morreu. – disse evasiva. – Acho melhor dormirmos. – mudo de assunto por me sentir desconfortável.
Eu ainda amo minha mãe, entretanto, falar dela só me causa dor. Espero que algum dia eu consiga falar dela sem senti tristeza, mas não creio que será hoje. Oliver deve ter percebido meu desconforto, pois opinou em não insistir no assunto, ele sabe que nunca fui fã de falarmos do passado. Às vezes acho que ele se irrita por eu ser tão misteriosa, creio eu, que ele não deve gostar de outra pessoa conseguindo esconder o passado igual ele esconde o que aconteceu na ilha.
Oliver me mostrou onde fica seu colchão e falou para eu descansar, amanha iríamos pesquisar mais sobre Blue. Senti-me meio má por estar roubando seu único lugar em que ele pode relaxar, então falei para ficar com os travesseiros, com muita resistência ele aceito minha proposta. Para minha infelicidade, ele irá dormir no chão duro, com dois travesseiros e uma coberta fina. Mas fazer o que? Eu não podia dizê-lo para tentarmos ficar no mesmo colchão, provavelmente eu não conseguiria dormir sabendo que estávamos deitados juntos.
Apenas fecho meus olhos e esvazio a mente. Eu preciso dormir.
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