O Passado Sempre Volta

40 Capítulo 39: Xeque-Mate.


Notas iniciais
Penúltimo capítulo uuuh

Um ano atrás:

Invado a casa onde Blue esteve se escondendo este tempo todo e assim que entro, há alguns homens, sentados e conversando. Eles nem sequer notaram a minha entrada de tão despreocupados que estão e com isso, fora fácil eliminá-los. Matei os seis capangas que trabalhavam para Blue.

Eu irei deixar Blue sem nada e irei torturá-lo. Depois disto, eu poderei matá-lo. Por isso, arrasto os corpos dos homens e escondo atrás do sofá. Após isto, pego a bolsa que trouxe comigo que contém diversos instrumentos que possam ser usados para torturar.

Com tudo em seu devido lugar, eu apago a luz da casa e aguardo ansiosamente pelo momento que Blue me veja. Duvido muito que desta vez irá sorrir ao me ver. Duvido muito que ficará feliz em estar perto de mim. Muito pelo contrário, ele tentará fugir. Mas, não o permitirei.

As horas de Blue Jones estão contadas.

Apenas tive que esperar vinte minutos para que Blue retornasse à casa. Assim que entrou, ele foi até um interruptor para acender a luz e com isso, fechei a porta devagar, a trancando em seguida e guardando a chave em meu bolso.

—É sério que vocês dormiram? — Blue pergunta, acendendo a luz. No entanto, assim que me vê, ele paralisa no lugar.

—Sentiu minha falta, Blue? — Indago, abrindo um sorriso grande e indo em direção ao sofá.

—Rapazes! — Blue grita pelos seus capangas e se mantem o mais longe possível de mim.

—Está procurando por eles? — Pergunto apontando para trás do sofá e Blue se assusta assim que vê os corpos dele. Medo. Isto é o que sempre quis de Blue. — Ninguém irá te salvar. Ninguém irá me impedir de matá-lo. Será apenas eu e você – afirmo, caminhando lentamente em sua direção.

—Para trás! — Ele retira de sua cintura uma arma e aponta em minha direção. — Não se aproxime ou irei atirar em você! — Sua ameaça me faz rir.

— Acha mesmo que uma simples arma irá me impedir? — Questiono e em seguida, me agacho e chuto sua mão que está segurando a arma, fazendo-a cair. Blue tenta pegá-la do chão, mas eu o puxo pela camisa e o faço me encarar. — Dessa vez não fugirá, Blue!

Ousadamente, ele me acerta um soco no rosto. No entanto, a dor não chega aos pés do meu desejo de vingança, com isso, ao voltar com o meu rosto em sua direção, eu simplesmente devolvo um soco em sua barriga, com toda a força que possuo. Mas não só o acerto na barriga como também em seu queixo.

Desta forma, ele caiu no chão, pois não estou mais o segurando, no entanto, meus socos não param. Eu começo a bater em seu rosto seguidas vezes, uma vez mais forte que a outra. Sinto meus dedos doerem, mas o prazer de ver o rosto de Blue sangrando por culpa de meus socos domina o meu corpo inteiro.

Quando percebo que ele já não consegue ficar de olhos abertos, isso me enfurece, porque preciso dele consciente para tudo que eu fizer com ele.

— Você não vai desmaiar, Blue Jones! — Afirmo, balançando seu rosto, para impedir que desmaie. — Eu quero você acordado enquanto o torturo, enquanto o espanco, pois foi assim que tive que ficar enquanto sofria nas mãos dos seus capangas no quarto de punição. Eu irei fazê-lo desejar a morte, Blue. Exatamente como desejei.

Eu o arrasto pelo cabelo até a cadeira mais próxima. O escuto gemer de dor e também vejo ele tentar lutar para me impedir de arrastá-lo, mas falha miseravelmente, pois os socos que acertava em minhas costas, não chegavam aos pés do que recebi no meu treinamento.

Então, assim que o forço a se sentar em uma cadeira, o amarro com as cordas que deixei preparada (perto das cadeiras) e com isso, abro minha bolsa que possui os instrumentos. Os observo e escolho o alicate.

Nesses últimos anos sempre imaginei diversas maneiras de fazer Blue pagar. Diversos tipos de tortura para realizar nele. E em todas elas, eu saia rindo.

— Babydoll... — ele murmura, quando me viro para si e com o alicate em minha mão. — Eu...

— Cale a boca! — Vocifero, irritada. — Eu não quero ouvir sua voz. A ÚNICA COISA QUE QUERO OUVIR SÃO OS SEUS GRITOS DE DOR! — E com isso, arranco a unha de seu dedo. E seu grito é como música para os meus ouvidos.

Eu apenas troco de instrumento quando tiro todas as unhas da mão esquerda. O segundo objeto de tortura que decido usar é um canivete. Um simples canivete que cravo na mão direita. Acertando-a bem no meio e a deixando presa com a madeira da cadeira.

Os gritos de Blue simplesmente não param. Eu não o permito parar de gritar.

Por puro divertimento, eu pego uma faca e em seu braço, começo a cortar sua pele. Em questão de um segundo, retiro a pele cortada para fora. Fazendo-o berrar tão alto que simplesmente não consigo segurar a risada.

— Isto é dolorido? Isto te machuca? — Indago, ainda rindo. — Você não tem ideia do que planejei. Se considere um homem morto, Blue Jones!

Os olhos dele me encaram com medo. Puro medo. E ele sente isso porque está olhando para o meu pior lado. Para o monstro que me transformei.

Prossigo com a tortura durante minutos. Eu o queimo em diversas partes de seu corpo, depois corto as partes queimadas para fora e forço ele a mastigá-las. Então, somente quando percebo que ele não suportaria a dor, eu paro.

E para a surpresa dele, eu retiro as cordas que o mantém preso na cadeira e também a faca que havia enfiado em sua mão.

— Eu vou te dar uma chance, Blue Jones. Uma chance para fugir – falo, destrancando a única porta que poderá dar a saída dele. — Vai tentar?

Os olhos dele me encaram arregalados. No entanto, ele não decide me perguntar se estou falando sério ou não. Ele apenas começa a se levantar e em seguida, sai correndo após passar por mim.

Eu seguro o sorriso. A única parte que não torturei em Blue foram nas suas pernas, para que ele pudesse correr e fugir, igual a uma presa. Porque desta vez, eu sou a predadora.

Com isso, pego uma faca. E com ela, jogo com a maior força na direção de Blue que corre em linha reta. No instante seguinte, eu o vejo cair. Acertei perfeitamente em suas costas.

Caminho lentamente em direção a ele, enquanto o vejo tentar retirar a faca de si. No entanto, não consegue e quem faz isso para ele, sou eu. Puxo a faca com tudo e em seguida a coloco na perna dele.

— Acabou, Blue. Eu venci – declaro. E com isso, começo a chutá-lo no rosto. É desta forma que pretendo matá-lo. Espancado.

— FELICITY! — Ouço me chamarem, mas não paro de bater em Blue. — FELICITY, PARE! — E então sinto uma mão me puxar para trás, fazendo meus olhos avistarem Sweet Pea e Batman. — Não pode matá-lo – Sweet diz, olhando-me profundamente.

— Por que não? — Inquiro, furiosa. — Ele matou diversas mulheres, matou Amber, Blondie e SUA IRMÃ!

— Sim! Ele matou minha irmã e mesmo assim, eu estou aqui, te pedindo para não o matar! — Ela afirma, preocupada. — Felicity, há outra maneira em vez de matá-lo.

— E qual seria? — A olho inquisitivamente. — Prendê-lo?

— Sim – Batman responde por ela. — Se o enviarmos para cadeia, ele passará o resto da vida preso. Enquanto você estará livre e será a vencedora.

Livre. Esta palavra já fora usada tantas vezes por mim e também bastante desejada. E eu nunca obtive a sensação verdadeira desta palavra. Ser livre significa ter liberdade. E isso nunca tive em minha vida.

Antes mesmo de ser aprisionada por Blue, eu era presa por causa de meu pai. Nunca pude ser de fato livre. Eu precisava me conter em tudo, precisava ser inferior aos outros para não chamar atenção. Precisava passar despercebida. Foi desta forma que cresci.

Até minha mãe me impedia de fazer certas coisas, pois tinha medo que algo me acontecesse – claro que ela nunca disse com clareza essas palavras, mas em seu olhar, sempre quando eu fazia algo bom, ela me dizia para não repetir isto na frente de alguém.

Sempre tive que me esconder. Me limitar.

Meus pensamentos param assim que ouço Blue se mexer, para tentar se levantar.

— Aonde pensa que está indo? — Inquiro, virando-me para ele e puxando a faca de sua perna, colocando-a em sua garganta.

— Felicity! — Sweet Pea exclama. — Não o mate!

— Você não entende, este é o jeito mais garantido! — Afirmo, convicta.

Subitamente, o som da sirene da polícia ecoa pelo local e então avisto os carros.

— Chamaram a polícia? — Inquiro, furiosa.

— Você não nos deu escolha, Felicity – Sweet Pea diz, decepcionada. — Se matá-lo, você será presa. Vale mesmo a pena ir presa por matar Blue? Ele vale a sua vida?

— Como puderam fazer isso comigo? — Questiono, me sentindo traída.

— Da mesma maneira que mentiu para nós dois – ela responde de maneira fria. — Largue esta faca, Felicity. Deixe-o ser preso.

— Não! Ele pode escapar da prisão e matar mais pessoas! A melhor garantia de que ele não fará isso será o matando! Como não consegue entender? — A olho profundamente e desesperadamente. Preciso que ela me entenda.

— Se acha que isso acontecerá, Felicity – ela diz, se aproximando de mim e tocando em meu braço que está segurando a faca na garganta de Blue. — Façamos uma promessa – propõe, me fazendo frisar o cenho. — Eu prometo que se Blue Jones sair da prisão, eu irei atrás dele

— E eu irei com você — acrescento e ao mesmo tempo cedendo. — E quando o encontrarmos, vamos matá-lo.

— Sim, nós vamos matá-lo – ela concorda. — Eu prometo isso para você.

— Eu também prometo isso a você — digo, retirando a faca da garganta de Blue.

— Temos que ir – Batman diz, puxando nós duas para longe.

— Espere, preciso confirmar que a polícia o prendeu — peço, escondendo-nos atrás de um carro para observar.

Assim que a polícia chega com suas viaturas, diversos policiais saem de seus carros e vão em direção a Blue que continua caído no chão.

— Blue Jones, você está sendo preso por homicídios e sequestro de mulheres... — eu não presto mais atenção no que o policial diz, pois apenas uma coisa ecoa em minha mente:

Blue Jones está preso.

Atualmente:

Eu não entendo nada do que está acontecendo. Como é possível Blue estar liderando um grupo de assassinos?

— Felicity, nós temos que ir – Sara me desperta do transe e a vejo jogar a corda de pano que fez pela janela. — São apenas três andares até chegarmos ao chão. Acha que consegue fazer isso com apenas uma mão? — Assinto. — Então, é melhor nós irmos.

— Espere, Sara. Mas e o time? Selina? Sammy? Oliver? Você os avisou? — Pergunto, olhando-a preocupada.

— Assim que descobri, eu mandei uma mensagem para eles – ela diz, se aproximando de mim. — Pedi para que eles ficassem em segurança e garanti que iria conseguir te tirar daqui – ela pega a minha mão. — Então, é melhor começarmos a descer. Você irá primeiro.

— Obrigada, Sara – a agradeço e vou até a janela.

Sem medo, começo a descer devagar e com dificuldade. No entanto, assim que sei que a altura não é perigosa caso eu caia, começo a descer rapidamente, pois quanto mais tempo eu demorar, mais as chances de Sara ser pega por minha causa.

— Muito bem, Felicity – ela diz, começando a descer juntamente comigo. Sem querer, acabo me atrapalhando e caio com tudo no chão. — Felicity?! — Ela me chama, mas com a voz baixa para não chamar a atenção. A vejo descer rapidamente e com facilidade por ter as duas mãos funcionando bem.

— Eu estou bem – falo, me levantando do chão e ignorando a dor que sinto em minhas costas graças a caída. — Temos que continuar.

— Aquele carro – ela aponta para um automóvel preto. — Entre dentro dele – concordo e ando rapidamente em direção a ele.

A porta do carro está aberta e percebo que a chave está conectada. Sento-me no lado do motorista, pois acredito que não será eu quem irá dirigir.

Volto o meu olhar para Sara que acaba de chegar ao chão e atrás dela, vejo homens usando um capuz que já me dão ideia de onde eles pertencem.

— Sara! — Berro, desesperada. — Corra! — Ela olha rapidamente para trás e entende o que quero dizer com o meu pedido. Sem hesitar, a vejo correr em minha direção.

Um dos homens retira da sua cintura um tipo de faca e arremessa na direção da Sara.

— Cuidado! — Aviso-a rapidamente, ajudando-a desviar da faca.

Do jeito que a situação está, nós não conseguiremos sair antes que ela entre no carro.

Com este pensamento, sento-me na parte do motorista e ligo o carro. Trato de dar a partida e acelero, indo em direção a Sara.

— Sai da frente! — Grito para ela. A vejo franzir o cenho, mas assim que percebe que não irei parar, ela salta para o lado e com isso, consigo atropelar os dois homens que estavam atrás dela. — Entre no carro, Sara — peço, dando ré e parando ao lado que ela está.

— Não precisa mandar duas vezes – ela abre a porta e entra na parte de trás de mim.

Olho para frente e vejo que há mais três homens. Eles devem ter ouvido o som e vieram correndo para nos impedir. Noto que eles puxam suas facas e correm em nossa direção. Começo a dar ré e em sequência, faço uma manobra para nós virarmos de lado para eles, no entanto, consigo ouvir o barulho de algo nos acertar.

— Deixa que eu cuido deles – Sara diz e com isso, noto que os homens se prenderam na parte de trás do carro. — Trate de continuar dirigindo – e eu assinto.

Consigo observar pelo retrovisor Sara matar os três homens, pois ela havia pegado a faca que o assassino tentou acertar nela enquanto corria. Entretanto, um deles conseguiu acertar sua faca no rosto dela antes que fosse direto para o chão.

— Você está bem, Sara? — Questiono, mas não consigo mais tirar o olhar das ruas, pois agora estou desviando dos carros e indo em direção a arque.

— Sim – sua resposta é curta e isto me preocupa. — Continue dirigindo para arque. É lá onde o time deve estar.

Sem delongas, acelerei o carro e nos levei até a arque em questão de dez minutos. Nós abandonamos o carro uma rua antes do nosso esconderijo, para caso o localizem.

E assim que saio do carro, vejo o que o assassino fez no rosto de Sara. Um grande corte, iniciando em sua sobrancelha, passando pelo nariz e finalizando na bochecha. Isto não a matará, mas deixará cicatriz que até com maquiagem será difícil de esconder.

No entanto, ela não reclama e tampouco comenta algo. Apenas seguimos em frente e entramos dentro da arque. Queria dizer algo, mas não conseguia. Nenhum agradecimento seria suficiente para o que fez por mim.

Quando a porta do elevador se abre, o pessoal surge em nossa frente. Todos estão aqui.

— Sara! — Laurel exclama, colocando a mão em sua boca – O que fizeram com o seu rosto?

— Eu tive sorte – ela fala, caminhando e desviando da irmã. — Isto não chega aos pés do que poderia ter me acontecido se Felicity não tivesse me avisado da faca que estava para acertar minhas costas – Sara pega o kit médico e começa a se tratar.

— Felicity! — Selina vem em minha direção e me abraça. — Não tem ideia do quão preocupada fiquei! — E assim que se afasta, ela me olha, sentindo-se culpada. — Desculpe por não acreditar em você em relação a Blue.

— Não tem problema – digo, sem ressentimento. — Nem eu estava acreditando em mim mesma – dou de ombros. — No entanto, nós temos que resolver esta situação. Sara contou a vocês sobre ele estar liderando um grupo de assassinos?

Todos assentem.

— Assim que soubemos, saímos rapidamente do hospital. Ela nos aconselhou a não os enfrentar, caso quiséssemos que ninguém morresse – Diggle conta.

— Não tem ideia do quão difícil foi ter que ir embora sem você — Oliver fala, vindo até mim e beijando levemente a minha cabeça. — Mas eu sabia que Sara iria conseguir te tirar do hospital em segurança — os olhos dele vão em direção a Sara. — Obrigado.

— De nad... — a resposta dela é cortada pelo som de alarme.

Esse som acontece apenas quando alguém está invandindo, por isso, colocamos em posição de defesa. No entanto, após segundos e ninguém aparecer, decido conferir o que está acontecendo. Vou até aos computadores e observo todas as câmeras.

Não há ninguém tentando nos invadir. Com isso, desligo o alarme.

— O que acabou de acontecer? — Inquira Rocket, frisando o cenho. Em seguida, o pessoal logo vem atrás para tentar compreender o que está acontecendo.

— Alguém entrou o local? — Laurel pergunta, ficando atrás de mim e olhando as câmeras.

— Não — respondo. — Esse alarme é realmente de invasão. Contudo, não era para invadir a nós, e sim, a polícia – digito rapidamente e coloco em todas as telas do computador a visão do departamento policial.

— Não pode ser – Roy murmura, chocado. — Como conseguiram isso? — Ele pergunta, se referindo ao fato de que todos os policiais estão presos nas celas, enquanto Blue está sentado e gravando algo, já os seus assassinos estão apenas observando.

— Acho que como conseguiram não importa. O que importa é o porquê de fazerem isso – Sara diz, com o semblante de quem está pensando em diversas coisas – Liguem a TV. Blue está gravando algo e deve ser para nós.

A Thea liga a TV no mesmo instante.

— Boa tarde, cidadãos de Starling City! — E a imagem do rosto de Blue aparece perfeitamente. — Acharam mesmo que iriam conseguir se livrar de mim? — Ele gargalha e assim que para de rir, seu rosto fica sério. — A situação é a seguinte: Não há ninguém para protegê-los. O departamento da polícia está sob o meu domínio igual as saídas e entradas da cidade. Resumindo, vocês estão presos em minhas mãos. O único jeito de saírem vivos é se entregarem Felicity Smoak para mim. Se em uma hora, eu não a tiver comigo, iniciarei um massacre e com isso, a cidade passará a ser apenas um cemitério, pois matarei todos. Tic tac – ao finalizar de falar, a transmissão é terminada.

Nós ficamos em silêncio por segundos. Todos refletindo sobre o que está acontecendo.

— Não podemos entregar a Fel! — Sammy declara, chamando a nossa atenção.

— Ah, não se preocupe comigo, meu pequeno príncipe – digo, indo abraçá-lo. No entanto, a sua frase me faz pensar em uma coisa que é perigosa, mas útil. — A única pessoa que irá me entregar para Blue será Sara – declaro subitamente.

— O quê?! — Inquira todos juntos, menos Sara. Seu olhar se encontra com o meu. E é como se conversássemos silenciosamente.

— Que ideia absurda é esta, Felicity? — Oliver me olha inquisitivamente.

— Sara nunca seria capaz de te trair desta forma! — Laurel afirma, com os olhos arregalados.

— Ela seria sim, se por minha causa, você estivesse correndo perigo de novo – Me afasto de Sammy e vou ao lado de Sara. — Que tal continuar o plano, Sara? Você estava com isso na mente desde que matou aqueles assassinos, não é? — A vejo assentir.

— A Liga dos Assassinos não são apenas bons, eles são excepcionais. As pessoas que fazem parte da liga são os melhores dos melhores. Nós nunca conseguiremos vencê-los, pois estão em mais. E eles não se importam em jogar sujo – ela declara. — A única maneira de garantirmos que não percamos nenhuma vida é entregando Felicity para Blue.

— Vocês duas estão loucas? — Selina inquira, preocupada. — Como isso pode ser um plano? Assim que Blue colocar as mãos em Felicity, ele desaparecerá com ela!

— Nós não vamos entregá-la de verdade, Selina – Sara trata de deixar claro. — Eu irei conversar com Blue, irei dizer que trairei Felicity, pois a vida dela não é importante para mim, a única coisa que me importa de verdade é manter minha irmã em segurança. E vocês irão fingir que não sabem disso e nós vamos tentar enfrentar os assassinos, porém, eu sedarei Felicity e a entregarei para Blue, enquanto vocês tentarão se soltar para me impedir de entregá-la. E assim que ela estiver nos braços dele, ela cortará a garganta de Blue. Com ele morto, os assassinos irão embora, pois eles estão aqui apenas seguindo ordens – Sara finaliza de explicar. – Todos de acordo?

— Este plano é perigoso e incerto – Oliver diz, pensando. – Blue poderia recusar o seu acordo e usá-la como isca, pois para falar com ele, você teria que entrar no ninho da cobra.

— Não é incerto – eu falo calma – Blue está desesperado. Ele fará de tudo para me ter. E se aceitar uma proposta de Sara for à maneira mais fácil, ele aceitará. Eu sou a fraqueza de Blue. E por isso será melhor para mim se aproximar dele e o matar.

— Vocês falando desta forma parece ser simples de vencermos – Roy comenta, coçando sua cabeça.

— E é! – Sara afirma. – Os assassinos da Liga irão embora assim que eliminarmos Blue. É assim que funcionam. Se o líder da operação morre, não há razão para lutar por alguém morto.

— Este é o único plano que temos, pois qualquer coisa que fizermos, resultará na morte de muitas pessoas – Bruce declara. – Precisamos garantir que mais nenhum inocente morra.

— Então, Sara, é melhor se preparar para atuar, porque Blue precisa acreditar em suas mentiras – Selina aconselha. – Enquanto o restante de nós vamos nos arrumar para lutarmos.

— E eu e Thea? – Sammy pergunta frustrado. – Nós também queremos fazer algo para ajudar!

— Vocês irão – digo, inclinando-me para ficar à altura do pequeno. – Assim que conseguirmos eliminar Blue, vocês soltaram os polícias que estão presos, está bem? – Ele assente contente pela missão dada.

— Todo mundo sabe o que fazer? – Inquira Oliver. Todos nós concordamos. – Ótimo, agora vamos nos preparar.

Com isso, cada um foi para seu lado. Sara abraçou Laurel e eu apenas lhe dei um aceno de cabeça. Sei que ela conseguirá o acordo com Blue.

Eu vou ao meu quarto, para vestir o meu uniforme. Assim que entro no quarto, pego o meu celular e digito uma mensagem:

’’Preciso de ajuda’’.

Encaminho a mensagem, sabendo que conseguirei reforço caso algo não saia da maneira que queremos. Com isso, trato de colocar o aparelho em cima da cabeceira e decido me aprontar. No entanto, Oliver entra repentinamente em meu quarto.

— Aconteceu alguma coisa? – Pergunto, ficando de frente para ele e frisando o cenho, confusa.

— Só queria conversar com você antes de nós entrarmos nesta loucura – o observo dar de ombros. – Está preparada para isso? Para pôr fim à vida de Blue?

— Estou há muito tempo, Oliver – declaro e sento em minha cama. – Mas confesso que tenho medo.

— Medo? – Ele se senta ao meu lado. – Do que sente medo?

— Eu passei os últimos oito anos da minha vida desejando matá-lo. E ele estava certo, Oliver. Blue foi o motivo pelo qual eu não me matei. Foi ele quem colocou um propósito em minha vida. E assim que eu o fizer, assim que realizar o meu desejo de vingança, o que sobrará? Um monstro? Porque sabe que fiz coisas horríveis para alcançar o que tanto queria.

— Não, Felicity. Está errada – Oliver toca sua mão em meu rosto, fazendo-me olhá-lo. – Blue nunca foi o motivo pelo qual você não se matou. Eu ouvi a sua história. Eu ouvi pelo tudo que passou e só tenho uma certeza de tudo que me contou: você ainda está viva porque não desistiu.

— Não desisti? – Eu acabo rindo. – Oliver, o que mais fiz nesses últimos anos além de desejar a morte de Blue, foi desistir. Meu pai me abandonou em uma casa de prostituição e eu desisti de viver. E está sendo assim desde então. Eu desisti de viver quando vi Amber ser morta na minha frente, eu desisti de viver quando descobri que as meninas que salvei nunca tinham saído livre, eu desisti de viver quando achava que Rocket tinha morrido, eu desisti de viver quando Blue tocou em mim. Passei os últimos anos desistindo.

— Aí é que se engana, Felicity – o polegar de Oliver acaricia minhas bochechas. – Desistir significa abrir mão. Significa não lutar mais ou estar morto. E você, minha rainha guerreira, nunca abriu mão de lutar pela sua liberdade. Você jamais desistiu, Felicity. Você apenas se cansou naqueles momentos. E ficou parada por um tempo. Mas depois voltava a lutar, voltava a tentar. É por isso que digo que Blue não colocou nenhum propósito em sua vida. Você já lutava antes mesmo de conhecê-lo. Quer saber o seu real propósito, Felicity? Lutar pela liberdade. Seja sua ou de outra pessoa. Você é uma rainha guerreira que não gosta de ver as pessoas presas e sofrendo.

— Mas e se eu me tornar um monstro, Oliver? Blue queria que eu me tornasse uma pessoa fria e sem emoção. E se assim que eu o matá-lo, ele conseguir o que tanto desejou?

— Eu não irei deixar – Oliver subitamente se desvencilha de mim e se ajoelha na minha frente. – Eu prometo a você, Felicity Smoak, que nunca a deixarei se tornar uma pessoa fria e sem emoção, mas se caso isso acontecer, ficarei noite após noite lutando para trazer seus sentimentos de volta! – Ele pega minhas duas mãos e deposita um beije leve em cada uma. – Eu prometo.

— Oliver... — fico sem palavras diante de sua promessa. Eu apenas o puxo para cima para que nossos lábios se encontrem um com outro.

Nosso beijo vai aumentando como uma avalanche e sem perceber, as mãos de Oliver estão dentro de minha blusa, enquanto as minhas passeiam pelas costas dele.

— Felicity – de repente, ele para o nosso beijo e seus olhos me fitam com intensidade. – Desculpe-me, eu não queria me aproveitar.

— Se aproveitar? – Pergunto, frisando o cenho. E então, entendo que está se referindo as suas mãos que estavam acariciando minha barriga. – Está tudo bem, Oliver.

— Não, não está. Você foi abusada. E eu estava me aproveitando do nosso beijo. Eu estava agindo igual Blue – eu pouso minha mão em seu rosto.

— Você não estava fazendo nada igual a ele – o olho com ternura. – Oliver, eu amo você e eu quero você. Esta é a diferença entre o que aconteceu comigo e o que está acontecendo agora.

— Eu não quero fazer nada que te machuque ou que não queira, Felicity. – diz, pegando em minha mão e beijando delicadamente. — Além do mais, acredito que este não seja o momento apropriado. Você merece estar em uma cama enorme, com flores e velas acessas.

— Não existe o momento certo para nós, Oliver. Sempre estaremos ocupados enfrentando alguma coisa. Se não for Blue, será algum outro vilão. É por isso que a gente tem que criar o momento, pois caso o contrário, ele nunca chegará para nós — eu o puxo para que volte a me beijar. — Eu amo você e quero saber como é ser amada profundamente.

— Eu também amo você, minha rainha guerreira – com sua declaração, volta a me beijar ainda mais intenso.

Os segundos seguintes foram mágicos, cheios de amor e paixão. Ele me tocava com delicadeza, olhava-me como se fosse algo raro e me trazia uma segurança jamais sentida.

Quando nos unimos e senti os beijos de ternura em meu pescoço, sabia que este era o significado de um amor intenso, pois o sentimento parecia me devorar e ao mesmo tempo me fazer voar. Um amor profundo.

Assim que acabamos, eu deitei minha cabeça no peito de Oliver e ficamos em silêncio por alguns segundos. Ele acariciava meu cabelo, enquanto eu passava meus dedos pelas cicatrizes dele.

— Sei que não podemos ficar aqui para sempre, mas manterei este momento eterno em minhas memórias — Oliver diz, beijando minha cabeça. — Eu amo você.

— Eu também amo você — me inclino para beijar seus lábios. E em seguida, me levanto da cama. — Agora nós temos que ir – ele assente e faz o mesmo que eu.

Peguei minhas peças intimas e comecei vesti-las, Oliver faz o mesmo, porém, inclui as outras roupas, pois não pode sair do meu quarto apenas de cueca. Portanto, ao estar vestido, ele me dá um último beijo e sai.

Começo a vestir o meu uniforme, mas não coloco a máscara. Saio de meu quarto e vou em direção das vozes que ouço conversar. Minha visão é tomada pelo pessoal já vestidos com seus devidos uniformes e armaduras.

— Sara ainda não chegou? — Inquiro, percebendo que é a única a não estar aqui.

— Não. E eu estou preocupada – Laurel responde.

— Nós temos apenas quinze minutos, Felicity – Selina fala, olhando-me com preocupação. — O que faremos caso Sara não conseguir?

— Ela vai conseguir – garanto, com certeza. — Só temos que esperar.

— Fico contente em saber que ao menos alguém acredita que sou capaz – A voz de Sara ecoa distante e avistamos alguns metros de distância de nós. — Ficaram preocupados?

— Ainda bem que está viva – Laurel corre até a irmã e abraça.

— Mas não continuaremos assim por muito tempo se não colocarmos nosso plano em ação — ela declara. — Eu estive com Blue e pelo que pude contar pelo olhar, são mais de cem assassinos da liga com ele.

— Ele aceitou o acordo? — Pergunto, ansiosa.

— Sim. Só precisei dizer diversas coisas em relação a você e pronto, caiu como pato em relação a minha traição. Vou apenas colocar meu uniforme, enquanto vocês preparam a seringa e a pequena faca que darão a Felicity – ao terminar de contar, Sara trata de ir em direção ao seu quarto para se vestir.

Com a certeza que vamos realizar o plano, Laurel vai atrás da seringa e Diggle decide pegar o pequeno instrumento cortante.

— Acho que deve estar sentindo falta disto – Selina diz, vindo até mim e segurando uma espada. A minha espada. — Nós a encontramos caída no terraço do prédio — lembro-me de tê-la deixado para trás quando enfrentei Oliver naquele lugar.

— Obrigada — agradeço, pegando-a e colocando em minhas costas.

— Estão todos prontos? — Oliver surge, já vestido com o seu uniforme e ao lado dele, está Sara também uniformizada.

— Aqui está a seringa — Laurel entrega à irmã — Dentro do conteúdo há apenas água.

— Esta é a única faca pequena que temos – Diggle declara, vindo até mim e me entregando. — É melhor guardá-la na cintura. — Assinto e faço o que aconselha.

— Agora tudo está pronto – Sara comenta. — É melhor nós irmos.

Sem delongas, cada um se despediu de Thea e Sammy e depois saíram da arque.

— Fel – meu pequeno príncipe chama. — Você vai voltar, não é?

— Claro – o beijo na bochecha. — Voltarei correndo para você assim que matar Blue.

— Cuide da Fel por mim, Oliver – ele pede para Oliver que anui.

— Esta é a minha prioridade.

Com isso, terminamos de nos despedir e nós dois saímos do esconderijo, entrando em seguida dentro de um carro. Assim que estou sentada, decido pôr minha máscara, mas Oliver toca em minha mão.

— Deixe-me colocar em você — seu pedido é confuso para mim, mas não o interrompo. Dou a ele a máscara e permito que coloque em mim. — Eu não acredito que nunca percebi que era você a Babydoll. Seus olhos são únicos.

— O amor às vezes nos cega – estalo a língua, explicando-o. — Foi por isso que nunca cogitou a ideia de nós duas sermos a mesma pessoa.

Após minha fala, nós não conversamos mais. Decidimos ficar em silêncio e pensantes, pois, se estivermos certos, esta será a última batalha contra Blue. Não haverá mais enrolações, ou ele vence ou nós vencemos. A maior certeza do que esta prestes acontecer é que alguém irá perder. E eu farei de tudo para que seja Blue.

Assim que nos aproximamos do departamento da polícia, os carros foram estacionados. O time Arrow e Batman estavam em carros distintos. Enquanto eu, Oliver, Sara, Laurel e Diggle estávamos em um, Sweet Pea, Rocket e Batman estavam em outro.

— Agora o que fazemos? — Laurel murmura para mim.

— Atuamos – respondo-a e no segundo seguinte, grito: — EU ESTOU AQUI, BLUE! VOCÊ NÃO QUERIA A MIM? VENHA ME PEGAR!

— O que está fazendo?! — Selina inquira, achando-me louca.

— Ele precisa achar que estamos aqui para enfrentá-lo – explico. — Que não me entregarão e tampouco desistirão de lutar.

O som de diversos passos chama a nossa atenção. Em questão de segundos, muitos homens aparecem. Alguns estão atrás de nós e outros na frente. Eles apenas nos circulam e aguardam. O time inteiro se coloca em posição de ataque.

— Olha só, a gatinha tem garras — Ouço a voz de Blue e não demoro a vê-lo. — Mas ainda sim, continua sendo apenas uma gatinha.

— Por que não vem até mim e me deixa mostrá-lo o que sou capaz? — Ameaço, retirando de minhas costas a minha espada. — Você está ferrado, Blue.

Ele gargalha maldosamente. Ao parar de rir, seus olhos voltam para mim.

— Devo dizer o mesmo para você, Babydoll – Declara afiado. — Se quer uma luta, então, lhe darei uma luta. Homens, por favor, só deixe ela viva, o restante pode matar.

— Você não tem coragem de sujar as próprias mãos, Blue! — Berro em desafio. E também ando na direção dele, porém, sinto um braço me parar.

— Não sabe a hora de calar a boca, Felicity?! — Sara me inquira irritada e assim, a vejo retirar uma seringa de sua cintura.

— Sara, o que você... — não completo minha fala, pois ela aplica em mim a seringa. No mesmo instante, finjo-me desmaiar, exatamente como o plano.

— Sara! — Laurel é a primeira a exclamar. — O que está fazendo?!

— Garantindo que você fique segura! — Ela responde, me arrastando para frente.

— Não posso deixá-la fazer isso — Ouço a voz de Oliver.

— Nós não vamos permitir que entregue Felicity para Blue! — A voz de Selina sai alterada. Gostaria de ver as expressões de cada um, mas tenho que continuar fingindo que estou desmaiada. No entanto, não duvido que estão fingindo muito bem.

— Vocês não podem me impedir – Sara declara e ouço sons de passos. — Prenda-os – ela ordena aos assassinos. E com isso, continuo a ser arrastada.

— Sara, como pode estar fazendo isso com a gente? Com Felicity? — Oliver berra, transmitindo dor. Escuto sons de tentativas de lutas.

— Estou fazendo a mesma coisa que ela nos fez ao continuar mentindo para nós!

— Sara, por favor, não faça isso – choraminga Selina e o barulho de tentativas de luta continuam. Eles provavelmente devem estar tentando lutar para parecer mais real.

— Parem de lutar, caso o contrário, irão morrer! — Sara vocifera e em seguida, sinto meu corpo ser empurrado para alguém. — Pronto, você a tem. Agora leve-a consigo enquanto seus assassinos ainda os segura.

Eu sinto meu coração palpitar mais rápido. As mãos de Blue me pegam e ele está praticamente me abraçando. Só preciso esperar pelo momento.

— Sabe, Sara, eu agradeço por ter feito a parte do acordo – Blue diz com humor. — Mas infelizmente, não poderei fazer a minha parte.

— O que está dizendo?

— Assassinos, os matem! — Ele dá a ordem e no mesmo instante, trato de pegar a faca da minha cintura e rasgar o pescoço dele.

Contudo, meu movimento é parado.

Abro meus olhos instintivamente e eles se encontram com os de Blue.

— Oh, que surpresa, a bela adormecida acordou – o vejo rir e em seguida retirar a faca da minha mão, enquanto com a sua mão aperta o meu pulso que havia cortado. — Achou mesmo que eu cairia nesta farsa, Babydoll?

— Sim, afinal, você é bem burro – respondo-o, soltando-me dele.

— É aí que se engana – ele brinca com a minha faca. — Eu aprendi muitas coisas no tempo que estive preso. Um dessas coisas é lutar. E você queria que eu sujasse minhas mãos.

E então, ele vem para cima de mim, tentando-me esfaquear. Desvio a tempo de impedir de ser cortada, mas, com a minha atenção na faca, recebo um soco no rosto e em seguida uma rasteira na perna.

O soco que foi dado em meu rosto me fez olhar para o lado, resultando em eu ver o pessoal. Todos estão lutando. Os assassinos vão para cima na intenção de matar sem piedade alguma. O time inteiro está com dificuldade, até mesmo Rocket e Bruce que possuem armaduras estão limitados, pois ambos estão circulados por muitos homens.

Volto minha atenção a Blue que ainda continua com a faca, tentando me acertar. Ele me acerta diversos socos e chutes, mas não consegue cravar o instrumento em mim.

Quando o pego fazendo um movimento errado, consigo obter a faca de volta para mim. Assim que estava prestes a acertá-lo, paro ao ouvir o grito de dor que pertence a Selina.

O assassino a socou no estomago e em um movimento rápido, o vejo puxar a faca para cortar a garganta dela. E nesse mesmo instante, arremesso a minha faca na cabeça dele, fazendo-o cair duro no chão.

Volto meu olhar para Blue e vejo que está fugindo. Se ele escapar, o time inteiro irá morrer. Os assassinos estão em mais, tanto eu quanto Selina e Laurel estamos ainda nos recuperando dos ferimentos da última vez que o enfrentamos.

É questão de tempo para que sejamos dominados.

Um som estridente ecoa pela rua. É uma música alta e acompanhada de um carro correndo em nossa direção. E assim que avisto quem dirige, percebo que a ajuda chegou.

O automóvel atropela alguns homens e subitamente, explode. Fazendo todo mundo cair no chão. No entanto, não demoramos para voltarmos a ficar em pé, só desta vez, o time inteiro se juntou, fazendo cobrindo as costas um do outro.

— Temos algum plano para sairmos vivo daqui? — Selina pergunta gritando.

— Esperarmos por ajuda – respondo no mesmo nível para que ouça.

— Ajuda de quem? Do Batman? Opa, espera, ele já está aqui! — Roy comenta sarcástico.

Subitamente, alguns assassinos começam a cair no chão. Um por um de maneira estranha. E assim que ouço uma risada, percebo que a minha ajuda chegou.

— É aqui onde está acontecendo uma festa?! — Arlequina surge, com o semblante risonho e o seu tão famoso taco de beisebol.

— E que estavam precisam de pessoas para agitar as coisas? — Hera está ao lado da loirinha. E sem perder tempo, faz suas plantas nascerem do chão e grande parte delas são carnívoras e venenosas.

— Esta é a ajuda que estávamos esperando? — Diggle inquira, surpreso pelas duas mulheres a sua frente.

Do mesmo jeito que nós conseguimos ajuda, mais assassinos chegaram. E com isso, todos começamos a lutarmos.

— Cuidado! — Berro para Selina que está com seus movimentos lentos graças ao novo ferimento. Um dos assassinos ia acertá-la pelas costas, mas consigo cortar a mão dele fora antes que consiga apunha-la.

— Felicity! — Quem me grita é Rocket e ao me virar um corpo cai em cima de mim. Eu também ia ser acertada nas costas se ela não tivesse o matado.

E a luta continuou. Enquanto Bruce, Oliver, Diggle e Roy enfrentavam separadamente os assassinos. Todas nós mulheres decidimos nos unir.

Cada uma protegia a outra, facilitando o trabalho. Quando uma desviava de algo, a outra ia para cima na chance de atacar e também proteger.

Se esta situação não fosse de vida ou morte, eu pararia por um instante e ficaria emocionada ao ver as mulheres que participaram de minha vida lutarem lado a lado. No entanto, não tenho tempo para isso.

— Felicity, você precisa ir atrás de Blue! — Selina ordena e nossos olhos se encontram por um curto período. — E fazer o que prometemos!

— Nós te damos cobertura – Sara diz, socando um cara. — Lembre-se do que disse em relação aos assassinos da liga – ela se refere ao fato de que se Blue cair, esta luta chegará ao fim no mesmo momento.

— Pode deixar – digo, girando minha espada no ar e cortando um homem na barriga. — Blue Jones morre hoje – e com isso guardo a espada nas costas e corro, desviando-me de todos os assassinos que tentam vir até mim. E também é fácil fazer isso, pois Hera de longe impedia com suas plantas de que se aproximassem de mim.

Observo e procuro por Blue que havia corrido para longe, no entanto, assim que percebeu que mais assassinos estavam a caminho, ele parou e apenas assistiu. Blue nunca resistiria ao gosto de ver a sua vitória com os próprios olhos.

Assim que avisto Blue, corro na direção dele. Infelizmente, ele também me vê, porém, não foge. Me espera chegar perto e o vejo puxar uma seringa.

— Somos apenas nós dois – Ele diz. — Ninguém irá salvá-la.

— Eu não preciso de ajuda — afirmo, indo para cima dele e desviando da tentativa dele em me fazer apagar. — Se for para ser salva, eu faço este trabalho por mim mesma.

— Você, Felicity, fora sempre tão inocente. Não há como você se salvar. Não há como impedir do que irá te acontecer – sua frase não me faz sentido. — Tudo o que nós fizemos nesses últimos oito anos não passaram de um jogo de xadrez. Eu dei todas as minhas peças para tê-la onde exatamente quero. Você está em xeque, minha Babydoll.

— Eu não ligo para nada do que diz! — Vocifero, acertando um chute em sua mão, forçando a derrubar a seringa. No mesmo segundo que ela cai, eu piso em cima dela. — Eu apenas quero que você morra!

— Se me matar, estará matando a si mesma, Babydoll. Sem mim, a sua existência é inútil — ele tenta mexer com minha cabeça, ao perceber que falhou em tentar me dominar, que falhou como sempre esteve destinado a falhar. Ele nunca me venceria.

— Na verdade, é ao contrário, Blue. Sem mim, você é inútil. E sabe disso – acerto uma joelhada no estomago dele e em seguida lhe dou um soco nas costelas. — Não consegue nem se defender. Não consegue fazer nada. Completamente descartável.

— Você não pode me matar – ele ri e em seus dentes há sangue. — Eu sei que tem muitas perguntas e que somente eu posso respondê-las! — Sua risada continua. De raiva, início uma sequência de socos em seu rosto. — Bata-me mais! Contudo, quero que saiba que eu não vou deixar você! Eu sou o seu dono! Sou o motivo da sua existência. Sou o motivo pelo qual ainda está viva até agora!

— Eu não quero respostas, Blue. Eu quero ser livre – Declaro, soltando-o no chão e no mesmo segundo, pegando a espada de minhas costas. — E você é a chave para minha liberdade.

Um olhou para o outro. Em seus olhos podia ver desafio. Ele não acha que serei corajosa para isso. No entanto, eu ergo a minha espada o mais alto para pegar impulso e...

— Felicity, espere! — Ouço a voz de Oliver e com isso, ainda não mato Blue.

— O que aconteceu, Oliver? — Inquiro, virando meu rosto em sua direção e percebendo que seu arco está apontado para mim. — Não posso deixá-la fazer isso.

— O quê?! — Sinto-me confusa. — Você não me deixará matá-lo?!

— Não a deixarei que faça isso sozinha, Felicity – ele diz e puxa o arco com tudo. A flecha, que até então achei estar mirada em mim, acerta o peito de Blue. — Nós dois vamos matar Blue Jones. Nós dois teremos o sangue dele em nossas mãos. No entanto, nenhum de nós nos transformaremos em monstros.

Eu assinto e sem delongas, faço o que desejei por anos.

— Se isto é realmente um jogo de xadrez – eu levanto novamente minha espada. — Só lhe digo uma coisa: Xeque-mate.

— Babydoll, você.... não... pod... — e desta forma, eu acabo com a dor que ele sente. Com a minha espada, corto a cabeça dele e a vejo rolar pelo chão.

Blue Jones está morto. Para sempre.