O Passado Das Granger
3 Capítulo 3 - A culpa é do diário!
Notas iniciais
Quantas vezes pensamos que em um momento de nossa vida, tudo está indo tão horrivelmente errado, que nada mais poderia piorar? E no entanto, tudo parece ficar pior... É quase como se estivéssemos desafiando a alguém, e dizendo “Tá legal, eu entendi, estou no fundo do poço, mas pode mandar mais desafios que eu aguento.”, mas isto não passa de uma mentira, um momento de adrenalina, porque não... Não iremos aguentar mais nenhuma reviravolta negativa naquele momento.
Sendo sincera, eu só tive dois momentos em minha vida que a situação era tão terrível que me fez sentir assim, claro que, sendo uma criança de onze anos a primeira não foi tão horrível quanto minha imaginação fez parecer, entretanto, posso com toda a certeza afirmar, que me encontro no pior momento de todos e quando achei que nada mais poderia dar errado, eis que a vida me surpreende como sempre fez.
Bom, é muito provável que você meu caro diário, não compreenda meus rabiscos apressados e desconexos, neste momento de loucura, pois bem, talvez seja melhor iniciar este relato do começo, afinal nem sei quanto tempo ficarei presa nestes tuneis escuros e úmidos, visto que me escondo de uma besta terrível, a qual além de tudo representa meu segundo maior medo de todo o mundo.
Pois bem, toda esta situação horripilante teve inicio após eu iniciar meus estudos em Hogwarts, a escola de magia e bruxaria que minha irmã mais velha Hermione Granger frequenta. Pode imaginar minha alegria e surpresa ao descobrir que eu também era uma bruxa? Nunca houve tal fato como ter duas bruxas numa família de trouxas, pois, o único outro caso fora de uma família em que um dos pais era um “aborto”, fato que me fez desconfiar da situação... Claro, que nem pensei muito a respeito, quando fui informada de meus dons ou até mesmo leva ao beco diagonal para comprar meus materiais. Tudo parecia tão mágico e incrivelmente impressionante que deixei meu lado racional guardado a sete chaves, com medo que tudo aquilo desaparecesse. Mas por óbvio, que nunca podemos deixar nosso lado mais curioso trancado, e esse talvez tenha sido meu erro, pois, por conta de tais indagações profundas e investigações, acabei deixando passar por mim o fato de minha melhor amiga Gina Weasley, estar agindo estranhamente e sumir por vários períodos de tempo, e quando isso chegou a minha atenção já era tarde para agir do modo mais eloquente, restando apenas o modo irracional de ajeitar a situação. Sinceramente, o modo irracional não me parece mais tão correto, visto que, me encontro presa por agir antes de pensar, Mia provavelmente iria ter um ataque se descobrisse sobre isso, mas visto que a mesma encontrasse petrificada, eu não deveria estar muito preocupada com isto.
Mas voltando ao meu relato, o inicio do ano começou tão normal como poderia numa escola de magia e bruxaria, tirando o fato de Harry e Rony (amigos de Mia, e a paixão e irmão de minha amiga Gina) terem vindo a escola com o carro voador do Sr. Weasley, mas realmente isto não foi lá muito importante, tirando o fato de ter sido hilário ver o gritador que a Sra. Wesleay mandou para o Rony, nunca vi alguém ficar tão vermelho na minha vida, mas parece que isso não é tão difícil para um Weasley aparentemente. Certo, parece que comecei a divagar novamente com algo que não esta relacionado ao motivo de eu estar presa num túnel subterrâneo escondido nas dependências da escola a espera de uma brecha para ajudar Gina, mas realmente é tão fácil divagar com estas penas que escrevem por você. Isso me leva a retroceder para o dia seguinte de minha chegada a Hogwarts.
– Ahh Kath... Você viu como ele me encarou com aqueles olhos esmeraldas incríveis?
– Não Gina, mas vi como ele te olhou estranhamente, enquanto você ficava em frente a ele e não saia de lá. Realmente, daqui a pouco Harry pensará que você tem problemas graves. – Suspirei pela milésima vez em menos de 5 minutos, já que Gina não parava de divagar sobre Harry Potter.
– Pare de ser desmancha-prazeres Kath. Você apenas está com inveja de meu romance com o garoto mais incrível daqui. – a ruiva pôs as mãos em frente ao seu rosto, dando um suspiro apaixonado, e juro que achei que ela estava ficando realmente louca.
– Nyah... Em primeiro lugar Harry não faz meu estilo, em segundo lugar temos onze anos, nem ao menos deveríamos pensar nesse tipo de coisas. E em terceiro lugar, não há romance nenhum entre vocês. – disse já me exasperando um pouco, visto que tive que aturar os melodramas dela desde cedo.
– Ah é? Então porque ele me cumprimenta toda vez que me vê? – Gina estava com uma expressão de satisfação no rosto, como se tivesse me apontado algo que demonstrasse como era óbvio que Harry gostava dela.
– Não sei... Talvez por você ser a irmãzinha do melhor amigo dele?- respondi com minha melhor expressão de “Hellooooo... Isso não é óbvio?”
– Então porque ele não TE cumprimenta? Você é afinal, a irmãzinha da melhor amiga dele. – ela respondeu com um sorriso de satisfação.
– Ele me cumprimenta, mas você está tão ocupada suspirando por ele que nem nota. – respondi com tédio, enquanto folheava alguns livros que tinha trazido de casa comigo, livros trouxas que tinha ganhado de meu avô, e que eu tratava como um tesouro.
– I-isso não é justo. – Gina respondeu dando-se por vencida e fazendo beicinho.
– Bom, e por que você não relaxa um pouco e dá um espaço ao Harry? Meninos nunca pensam em romance antes do 14 anos.
– Como você pode saber?
– Minha mãe me disse. – respondi dando de ombros, como se isso fosse o melhor motivo para confirmar a verdade da afirmação, afinal, mãe nunca erra e Gina parecia pensar assim também, pois deu-se por vencida e deitou-se em sua cama.
– E então, o que tá fazendo? – perguntou-me entediada
– Procurando pistas. – respondi com naturalidade
–Pistas? – questionou-me curiosa
– Sim... Pistas, sobre minha família... Ainda estou encucada por também ser bruxa. – Disse com o cenho franzido
– Sim, realmente é estranho, algo assim nunca tinha acontecido. Ao menos, não que eu tenha ouvido falar. – concordou comigo, e após isso foi ate sua mala, ajeitar os livros para as aulas, sendo que hoje era sábado, segunda iniciaríamos nossas aulas. – Que estranho. – comentou
– O que foi? – questionei curiosa
– Nada.. É só esse livro preto, não me lembro de tê-lo. – respondeu me mostrando o livro e eu inclinei a cabeça.
– É um diário, na verdade, pode ter vindo de brinde com os livros que você comprou ou o colocaram por engano. – respondi fazendo pouco caso, mas mal sabia eu que aquele diário era o início do pesadelo de Gina, naquele ano.
– Pode ser... Vou ver sobre ele mais tarde, ah... Ouvi Fred e George conversando, parece que eles pensam em pedir sua ajuda com alguma de suas brincadeiras.
– Ah seria divertido, mas creio que seria melhor deixar para o próximo ano, Hermione viraria uma fera se descobrisse que estou fazendo travessuras no primeiro ano em Hogwarts. – Respondi com uma careta
– Isso é de certeza. – Ela respondeu rindo. – E o que você irá fazer amanhã? É mais um dia de folga, antes das aulas iniciarem.
– Hum... Ainda não tenho certeza, talvez pegar meus horários e depois dar uma olhada na biblioteca, talvez haja algo referente a alguma situação parecida com a minha por lá. – dei de ombros, e por um segundo achei ter visto Gina decepcionada, mas logo a impressão passou. – E você?
– Acho que irei analisar este diário, depois de encontrar um lugar com boa paisagem.
– Boa paisagem significa, com um Harry Potter a vista? – provoquei-a rindo
–Exatamente.
Rimos um pouco e acabamos por ir dormir, no dia seguinte fui a biblioteca mas não havia nada na parte normal que pudesse me ajudar em minha pesquisa, no entanto, havia outra parte que eu podia olhar, mas para isso precisaria de algum tipo de plano... Cansada e sem resultados voltei para o meu dormitório, sem notar a falta de Gina no ambiente, ou como ela voltara atordoada e amedrontada mais tarde, se eu ao menos tivesse prestado atenção naquele momento, muita coisa poderia ter sido evitada.
Na manhã seguinte, Gina não estava em nenhum lugar por perto quando acordei, então acabei me arrumando rapidamente e indo procura-la no grande salão para o café da manhã, e felizmente ela já encontrava-se lá com os gêmeos comendo.
– Bom dia ruivinhos. – cumprimentei-os com um grande sorriso e um beijo estalado na bochecha da Gina, que apenas me mostrou a língua enquanto eu sentava.
– Bom dia morena. – Os gêmeos responderam em uníssono. – Então, qual será a primeira aula das nossas garotas preferidas? – Fred no perguntou, me fazendo revirar os olhos.
– Cuidado Fred... Não queremos ser alvos de suas namoradas por escutarem tais palavras. – Falei com uma piscadela. – E nossa primeira aula será transfiguração... Ao menos não iniciamos com poções. – Falei, afinal eu já odiava o professor Snape pelos comentários que ouvi sobre ele.
– Olha só George... Nossa pequena aprendiz já sabe reconhecer os professores mais entediantes pelo jeito.
Fred e George continuaram com suas palhaçadas por um tempo, me fazendo rir assim como a Gina, já que nós duas entravamos na brincadeira junto a eles.
– Droga! – exclamei em certo momento, lembrando que tinha esquecido minha pena na biblioteca no dia anterior, fazendo os três se sobressaltarem – Ah desculpa, só lembrei que esqueci algo na biblioteca, eu vou lá pegar, te encontro na sala Gina. – falei apressada, pegando minhas coisas e saindo correndo em direção a biblioteca, ouvindo apenas o comentário de George “É essa não nega de quem é irmã”, o que me fez concordar levemente com o mesmo.
Sabe, caro diário, eu realmente não deveria estar escrevendo em você, visto que as situações desse ano foram causados por um diário das trevas, no entanto, se eu não desabafar com algo, antes de tomar uma atitude por aqui, sinto que poderia ter sido em vão e minhas descobertas e aventuras do ano, não chegariam a minha irmã, caso o pior aconteça... O que não é improvável dada minha situação, mas enfim, continuando de onde parei. Eu estava tão apressada que mal olhava para o caminho que seguia, me fazendo esbarrar em alguém no momento em que virei um dos corredores, e te digo, a sorte não estava ao meu lado aquele dia.
– Ai! – exclamei ao cair.
– Caramba... Não olha por onde anda não? – ouvi a voz de um garoto, e então olhei para cima, para me deparar com os olhos azuis acinzentados que não saiam de minha mente desde que os encarei pela primeira vez no beco diagonal. – Ah... Não deveria ficar surpreso, uma sangue-ruim feito você não teve nem saber o que é olhar por onde está indo. – ele falou de um modo grosseiro, e fazendo cara de nojo em minha direção, me fazendo arfar em choque com o insulto, enquanto dois gordos atrás dele riam de suas palavras idiotas.
– Hum... Sinto muito por isso, mas não pensei que ia acabar me deparando e pegando germes de um puro-sangue mimado filhinho de papai, que precisa de capangas até mesmo para olhar seu caminho para si. Embora, um conselho... Encontre uns mais eficiente, porque seus dois amiguinhos ai, estão mais preocupados com os bolinhos do café da manhã do que com o caminho que você anda... Mas não dá pra culpa-los né? Você não irá se deparar com ninguém pior que você mesmo, em seu caminho. – Falei com os olhos estreitados, numa falsa calma, enquanto tirava o pó de minha roupa e pegava minha coisas, passando lentamente ao lado do loiro e batendo propositalmente meu ombro com o dele, enquanto o mesmo me encarava sem palavras. – Bom, espero não ter o azar de cruzar com vocês novamente... Até mais.
Eu nem ao menos sabia o que tinha me dado para falar o que falei, ou porque de me bater mentalmente por isso, no entanto, o resto do meu dia passou no automático, pois só conseguia pensar naquele encontro e nem sabia o porque, mais eu odiava profundamente aquele loiro, e queria fazê-lo pagar pelo insulto... O que me levaria a pedir ajuda de Fred e de George, por conta disso esperei impacientemente para o almoço, mas perdi minha oportunidade, visto que tudo o que se falava em todo o refeitório era na aula de DCAT do segundo ano, e como o Harry falou com uma cobra e mandou-a atacar um menino, embora nenhum de nós acreditou nisso, Harry seria incapaz de tal coisa. O que me deixou mesmo satisfeita, fora o fato de que Harry atingira Draco (o qual descobri ser o loiro mal amado) várias vezes naquela aula, me fazendo deixar quieto a minha “vingança”.
Após esses acontecimentos mais interessantes de meus primeiros dias, os próximos foram monótonos, cheio de deveres e estudos, além da minha pesquisa articular e planejamento de entrar na área restrita, no entanto, após alguns meses de aula, a situação realmente começou a piorar, alunos aparecendo petrificados, e os primeiristas foram deixados no escuro, sem saber da verdade. Mas então ocorreu... Eu fui lançada ao meio ao caos quando a informação de que Hermione fora petrificada surgiu e o comentário da volta de algum herdeiro da sonserina veio a tona. Naquele momento as peças começaram a serem montadas, e eu me toquei que tanto minha irmã quanto minha melhor amiga precisavam de mim, e diário... Eu fiz o pior que poderia ter feito, num momento de impulso... De raiva e medo... Segui as pistas sozinhas e parei aqui, e agora me encontro presa no maior dilema que poderia, de olhos vendados e acostumando com meu entorno, e agora darei o grande passo... Enfrentar meu segundo maior medo para bem dos meus amigos, e agora deixo a ti estas informações, se tudo der certo, prossigo meu relato do que aconteceu aqui... Senão, obrigada por guardar minhas memórias, dúvidas e receios.
KATHERINE LYRA GRANGER
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