O Passado
1 Capítulo 1 - A Proposta
Notas iniciais
As personagens serão apresentadas por capítulos... Talvez uma ou mais em cada capítulo.Espero que lhes agrade. Até o próximoObs : Primeira fanfic aqui :3
Capítulo 1
– Estás ansiosa? — ouvia a voz de meu pai, me desconcentrando da janela e me pondo a encará-lo à minha frente.– Muito — respondo e ele sorri de forma divertida– Não te preocupes, estamos quase à chegar — diz sem deixar o sorriso sumir de seus lábios e eu assinto voltando a me concentrar na janela, esta estava meio embaçada, porém não impedia que minha visão pousasse sobre a linda paisagem do lado de fora. Tudo estava coberto pela neve que caíra na noite anterior, a grama era coberta pelo tom esbranquiçado que me fazia repercutir sobre sua origem e seu destino. Viera dos céus e breve iria desmanchar-se em gotículas de água pura e cristalina.– Pai — chamo Nicholas que logo retira os olhos dos papéis que organizava, deixando seus orbes amarelados pousarem sobre mim, seus olhos eram chamativos em meio aos fios castanhos de seu cabelo em desalinho. A cada vez que o olhava, sabia o porquê da escolha de minha falecida mãe.– Sim, querida? — me responde de uma forma interrogativa, dando um pequeno sorriso que me encantava, ele era um pai atencioso, e compreendia muito bem, mas como tudo, também possuía defeitos e um deles era, querer que eu me casasse cedo.– Me disseste que o sr. Black Field tem um filho, estou correta? — pergunto lembrando-me do que ele me dissera numa conversa sobre os Black Field.– Sim. O sr. Black Field tem um filho. Mas por que perguntastes? — questiona parecendo desconfiar da minha pergunta seguinte– Não pretendes que vá contigo, somente para conhecer este jovem ou pretendes? — questiono invasiva e meio receosa de sua resposta– Anne, não foste tu que passara quase um mês a perguntar-me, se permitia que viajasse comigo para um de meus destinos ? — questiona de uma forma afirmativa e eu assinto suspirando.– Sim papai. Perdoe-me por aborrecer-te com perguntas evasivas — abaixo a cabeça numa forma de desculpa.– Tudo bem. Mas se te preocupas com isto, Ian é um bom garoto — levanto minha cabeça e vejo ele sorrindo novamente e me atrevo a fazer o mesmoEle dá uma rápida desamassada em seu casaco azul escuro, de bolsos laterais fundos, os quais foram logo preenchidos por suas mãos aparentemente frias, ele vestia uma camisa branca social de botões, calças de montaria bege e botas de cano longo, por conta da neve.Eu estava trajada com um vestido que meu pai mandara fazer duas semanas antes, ele era num tom alaranjado, com pregas e botões em sua gola, assim igualmente no busto, possuía mangas compridas também detalhadas artesanalmente em púrpura bem claro, ele ia fechando, até minha cintura apertada pelo espartilho, e depois se abria liberando o espaço de minhas pernas, assim possuindo igualmente pregas em toda a circunferência de sua barra. Calçava um sapato preto, com um pequeno salto e detalhes dourados formando alguns desenhos. Tinha prendido meu cabelo num pequeno coque, envolvido por tranças, que aprendera com minha mãe, deixando ainda alguns de meus fios pretos soltos, caídos sobre minhas costas.Logo sinto o ritmo dos cavalos que puxavam a carruagem diminuir, torno a olhar pela janela e vejo que passávamos por um grande portão de ferro, ajeito-me mais em meu lugar e meu pai, guarda aqueles papéis em um tipo de pasta, quando percebe que estou o observando, abre mais um de seus sorrisos gentis.Passado mais alguns minutos, os cavalos param de tudo, assim presumi que a propriedade do sr. Black Field era bem extensa.O condutor da carruagem desce de seu assento e vem em direção à porta, eu sinto um pequeno frio percorrer-me a espinha, pois jamais tivera a oportunidade de conhecer famílias grandes.– E se meus modos não os agradar? — pergunto de súbito, olhando para meu pai, que franze levemente a testa, mas logo deixa mais um sorriso tomar conta de seus lábios.– Querida, tu encantaria até o rei mais poderoso que existe, és mui bela e culta. E também não te preocupes com coisas mínimas — ele diz tranquilizando-me um pouco maisO homem abre a porta e nesse instante vejo duas sombras paradas em frente à carruagem, a primeira era alta de um homem, e a segunda era um pouco menor, possivelmente de um garoto.Meu pai desce primeiramente, mas eu não tinha coragem de fazer o mesmo, ouço cumprimentos sendo feitos e logo uma outra voz, do cocheiro, Newan :
– Senhorita Iniahama, podes descer agora — ele me olha ainda dentro da carruagemEu dou uma rápida olhada para o lado de fora, e me levanto, seguro a mão de Newan e ele me ajuda a descer da carruagem, logo depois entrega-me as luvas brancas que deixara sobre o banco. Agradeço e ele faz uma reverência, voltando para o seu assento á frente da carruagem.– Podes deixar os cavalos no celeiro para descansarem — sigo a voz até um homem alto, de cabelos castanhos escuros, e olhos verdes, ele trajava um longo casaco que ia até a altura de seus joelhos, uma calça social preta, assim como o sapato em seus pés. Percebo logo que ele dirigia-se a Newan com seu comentário.Me coloco ao lado de meu pai, um pouco próximo á eles, o homem logo dirige seu olhar para nós, pousa os olhos sobre mim e sorri parecendo intrigado.– Então. Esta é a tua tão encantadora filha, Anne? — o homem olha para meu pai, que sorri com o comentário e eu fico um pouco nervosa.– Sim — percebo um certo orgulho na resposta de meu pai, que dá um pequeno sorriso pra mim, se voltando logo ao homem.– Anthony Black Field. É um prazer conhecê-la senhorita — o homem faz uma reverência tirando rápidamente a cartola que usava, depois a voltando novamente para sua cabeça.Eu apenas assinto baixando a cabeça um pouco e depois torno a levantar.– Como crescestes Ian — diz meu pai e eu dirigo o olhar para o destinatário do elogio.Um garoto de lindos e sedosos cabelos pretos que iam até a metade da altura de seus olhos, mas eram visualmente curtos. Seus olhos eram verdes como uma folha recém-nascida no rude galho de uma árvore. Ele estava à trajes de montaria, com uma blusa de gola alta branca e mangas compridas, um colete de cor vinho, bordado no colarinho do mesmo, com formas douradas, uma calça cinza de montaria, e as botas de cano longo que brilhavam, com certeza estas foram engrachadas pouco tempo antes de nossa chegada.– Querida este é aquele de quem te falei, o filho do sr. Black Field, Ian — meu pai olha para mim com um sorriso, que me fez voltar a encarar o jovem à nossa frente. Ele sorriu para mim, dando passos em minha direção, eu estranhei e ele terminou de se aproximar.Com pouco espaço nos separando, ele arqueou o corpo para frente, eu estava nervosa, e fiquei ainda mais quando senti uma mão quente, envolvendo a minha um pouco fria, ele segurara meus dedos com os seus, puxou minha mão levemente conduzindo-a em direção à seus lábios avermelhados pelo frio, chegando aos mesmos, percebo o doce frio tocando a minha mão num beijo de cumprimento, logo seguido por um pequeno suspiro que ao tocar as costas de minha mão, me fazia sentir seu hálito quente, meu corpo estremecera ao sentir, e um pequeno frio percorreu-me a espinha.– É um prazer conhecê-la senhorita Iniahama — ele levantara os orbes esverdeados para encarar-me, com aquela voz sedutora. Era incrível o atrevimento que aqueles olhos pareciam ter, silenciavam o receptor do elogio, o deixando sem uma resposta digna para o mesmo. Assim estara eu naquele momento. Desconcertada.Ele por sua vez, levanta seu corpo para a posição anterior — se colocando à minha frente e logo pondo-se a olhar-me de forma astuta e negligente.– Ian — chama Anthony, fazendo a atenção do filho se desviar para ele, assim como a minha.Percebo ele e meu pai, já na porta da grande propriedade.– Sim, pai — responde Ian de forma atenciosa– Eu e o senhor Iniahama temos um assunto à tratar, poderias levar a senhorita Anne, para conhecer a casa enquanto isso? — pergunta o sr. Black Field olhando para mim e em seguida para Ian que sorri.– Claro — responde ao pai ainda com aquele lindo sorriso em seu rosto– Obrigado. Fique a vontade senhorita Anne — diz sorrindo para mim e logo se vira para meu pai, eles logo entram me deixando ali, sozinha com aquele jovem encantador e culto. Um perfeito cavalheiro.– Então. Por onde a senhorita gostaria de começar a sua tão encantadora visita? — ele questiona se voltando para mim ainda com aquele sorriso que insistia em não abandonar seus rubros lábios, que chamavam tanto a atenção, quanto suas pupilas esverdeadas.Eu apenas ficara em silêncio, o fazendo ficar intrigado com a atitude, possivelmente surpreendente a ele.– É..... — ele dá uma rápida olhada de canto no chão e se volta para mim logo após — Perdoe-me por uma pergunta desnecessária, acho que gostarias de conhecer o jardim primeiramente estou correto? — faz um tipo de pergunta, apostando que minha resposta fosse um sim.Eu apenas estava ali, parada, apenas conseguia observá-lo, era o jovem mais bonito que já vira em anos.– Bom..... — ele agora estava desconcertado e um pouco desconfortável — Por aqui por favor — ele apoia uma de suas mãos em minhas costas, me guiando em direção á um amplo campo verdeChegamos a um jardim lindíssimo, a relva era coberta pela neve e por algumas gotículas de orvalho. Durante todo o caminho, o jovem Black Field tentava chamar-me a atenção, nisto porém não obtia sucesso, era como se desde que eu descera daquela carruagem, minha língua tivesse congelado, assim como certas partes dos troncos de algumas árvores que ali estavam.Logo percebo o desânimo e a rendição do jovem garoto, esta porém foi diferente do que eu pensara, ele abrira um sorriso e me olhara, logo proferindo aquelas palavras, algumas das mais doces que já ouvira :– Não me darás a honra de escutar-te dizer pelo menos algumas palavras?. Estou ansioso para que esta doce voz, provenientes de seus lábios, entre em contato com a minha audição, como uma melodia recém-saída de um instrumento em perfeita harmonia com os demais! — ele parara em minha frente, colocando a mão sobre meu rosto e acariciando meus lábios com seu polegar.Meu rosto estava rubro como os seus lábios, mas não pelo frio, estava completamente envergonhada e um pouco desconfortável. Era impressionante como nós dois estávamos opostos em cada uma das situações que tínhamos passado até àquele momento.– Estás a me deixar desconcertada — falo virando levemente o rosto para o outro lado, mas ainda podendo perceber um semblante intrigado se formar em sua face.– Por que? Pensava que uma dama como tu, estarias apta à receber todo tipo de elogio à sua beleza — ele sorri de novo e eu me volto para encará-lo ainda constrangida– Obrigado — agradeço com um meio sorriso– Sinto-me privilegiado com tão agradável companhia — ele puxa minha mão, depositando mais um beijo na mesma.Depois continuamos a caminhar pela gigantesca propriedade, agora eu já conversava mais á vontade com ele, descobri várias coisas à respeito do tão encantador rapaz, estava com seus 15 anos — eu tinha apenas 13, então talvez não tinha os mesmos assuntos a conversar, porém ele logo livrou-me desta ideia, dizendo que possuíamos muitas coisas em comum.Conversávamos variados assuntos, até a hora que uma das criadas veio a chamar-me, pois meu pai já iria voltar para a casa.Antes de despedir-me de Ian, como dissera que eu podia chamá-lo, ele pediu-me para acompanhá-lo à um passeio à cavalo, o qual faria dois dias depois, eu aceitei e meu pai deu permissão, porém, eu sabia que ele mandaria um dos empregados a vigiar-nos.Depois voltamos para casa, ou melhor nossa mansão, meu pai depois dos Black Field era o segundo mais rico de Pierre, na Dakota do Sul, porém minha mãe era japonesa, então eu teria puxado alguns de seus traços físicos, como seus olhos azuis.Naquele dia contei tudo a Natasha, como eu chamava de "Nana", era nossa empregada, ela me dissera que eu estava encantada com Ian, possivelmente até apaixonada, eu ri um pouco, mas no fundo sabia que aquilo tinha um pouco de verdade. Aquele jovem encantaria qualquer garota com aqueles olhos verdes hipnotizantes.–------1802 — Aqueles dois anos que haviam se passado, eram considerados os mais felizes para mim. Meu pai tinha permitido o meu namoro com Ian, meu lado vampira despertará no ano anterior, eu contei a Ian pensando que ele iria me abandonar, porém fora totalmente ao contrário, ele disse que ofereceria até seu sangue a mim.Eu ficava impressionada, ao quanto eu podia me apaixonar por aquele garoto a cada dia.– Anne, não fujas de mim — gritava Ian, enquanto eu corria rindo por entre as árvores daquele lindo bosque que havíamos encontrado semanas antes.– Não tenho culpa se me provocas tanto sr. Black Field — continuo a correr, segurando o longo vestido rosado que usava, de mangas longas e pregas.
– Espere — diz ele e eu paro, me escondendo atrás de uma árvore. Ele logo me alcança e me acha atrás da árvore, me prensa na mesma, e me dá um longo selinho, colocando uma das mechas de meu cabelo, atrás de minha orelha.Eu sorrio ao término do beijo e ele se põe a limpar um pouco de suas roupas, ele estava vestido com uma camisa branca com alguns botões, uma calça preta que era segurada por um suspensório, e suas botas de montaria preferidas. Logo que termina de se limpar, levanta os olhos para mim e percebo uma expressão séria.– O que acontece? — pergunto confusa se aquela expressão era de raiva, ele nunca ligara muito para minhas brincadeiras, pelo contrário, parecia gostar.– Se.... — começa me empurrando de volta para a árvore e se achegando mais — Eu te pedisse algo, tu recusarias? — pergunta bem perto de mim e eu faço uma expressão confusa.– Do que falas? — questiono esperando uma resposta digna– Farias ou não? — volta a reforçar sua pergunta anterior– Dependendo do que for e estiver ao meu alcance, e claro — começo a mexer com a gola de sua camisa — Se isso lhe fazer bem, não me importarei em fazer — termino o olhando fixamente nos olhos.– Se te pedistes para transformar-me, qual seria tua resposta? — ele segurara meu cotovelo direito, dando sustentação a meu braço, ao mesmo tempo, percebia um tom horripilante em sua questão.– Ian.... — sussurro seu nome, sem acreditar ainda no que ele me pedira — Você..... — continuava pasma ali, parada sem conseguir responder.– Por favor — implora me olhando– Mas, isso não é tão fácil quanto pensas, nós seres noturnos, somos perseguidos e os caçadores não descansarão até que estejamos todos mortos, por isso, não posso Ian — falo o olhando fundo nos olhos novamente– Acha que não sou capaz? — pergunta já se mostrando ofendido e eu nego com a cabeça– Por favor, não leve para o lado mal, mas não suportaria te perder, amo-te Ian — expresso tudo o que estava a sentir e ele abaixa a cabeça parecendo envergonhado.– Eu não quero forçá-la, mas quero viver contigo para a eternidade, pois eu a amo muito — ele coloca as duas mãos em meu rosto, acariciando minha bochecha direita.Depois de alguns minutos, ele continuara a insistir. Então resolvi fazer o seu gosto.– Está bem Ian, vou transformá-lo.–---------1803 — Um ano se passara depois de tudo aquilo, Ian agora era um vampiro, era igual a mim, ditava todas as regras que os vampiros devem seguir, e ele as seguia o mais correto possível que conseguia, porém ainda me preocupava com sua sede, ele estara todo esse tempo bebendo ou o meu sangue, ou de animais que caçavamos. Mas era difícil dizer que ele iria atacar um humano.Nos últimos tempos, havíamos recebido ameaças dos caçadores de vampiros, o Conselho mandara uma carta avisando a todos os vampiros, as medidas necessárias para a proteção de todos.Nesse tempo quase não podíamos sair de nossas casas, sem contar que as alcatéias também nos vigiavam dia e noite, esperando o momento certo para atacar, meu pai adoecera e estava de cama, nosso médico, o dr. Misawa, que viera do Japão junto a família de minha mãe, constara que meu pai tinha uma doença grave, que por mais que detestasse admitir, não tinha cura.Durante esse tempo, meu pai contou-me uma coisa que abalara tudo o que havia acontecido ou sobre o que eu acreditava, eu não era filha única como acreditara todo esse tempo, tinha mais 6 irmãs separadas de mim quando pequenas.Demorou mais de 4 meses para finalmente entender aquilo, mas depois daquela mentira, não seria mais a mesma com meu pai, no entanto, tentava ao máximo reprimir os impulsos de dizer tudo o que sentia, porém não os guardaria para sempre, então passei a contar meus problemas a única pessoa que confiava naquele momento. A Ian, que sempre me aconselhava da melhor forma.Depois de uns dias que eu finalmente aceitara o fato de ter irmãs, Nicholas forçava a ideia de encontrá-las para que morassem conosco, assim se passaram mais 3 meses, com esta procura.Ele parecia usar suas últimas forças para encontrar aquelas garotas, eu não obtinha mais atenção, assim passava a maioria do tempo em meu quarto, ou saía andar à cavalo com Ian.Nosso noivado estava próximo e não demoraríamos a nos casar, porém tudo fora interrompido naquele dia.Meu pai conseguira reunir todas as minhas irmãs :Sion IniahamaAyu IniahamaMomo IniahamaSaeko IniahamaRebeca Akuhime Iniahamae Tsukikami Iniahama, a única que eu mesma havia encontrado numa de minhas caminhadas, e a impressão que tive, foi que, eu era a primeira pessoa em quem ela confiara de verdade.Porém, eu teria que esperá-las, assim o fiz junto com um outro grupo de vampiros e com Ian.Mas, nesse dia aconteceu algo inesperado que mudou tudo de vez.Estávamos a esperar as garotas chegarem, mas uma das alcatéias próximas, fez um pacto com o grupo de caçadores que nos perseguia, e nos atacaram juntos.Lutamos todos juntos, até minhas irmãs, porém no meio da batalha, algo soou em meus ouvidos, algo que eu prefiria não ter escutado : Um tiro.Virei-me rápidamente e vi uma cena horrível, Ian caira ao chão com uma bala transpasando seu peito, uma poça de sangue logo se formou em baixo dele, eu corri até ele o amparando, mas já era tarde, nos seus últimos suspiros, ele sussurara a frase que minha mente gravou até hoje.– Te amo senhorita Anne — deu um pequeno sorriso e fechou para sempre os orbes esverdeados, pelos quais eu tinha me apaixonado, tudo nele era especial, mas naquele momento, tudo acabara.Entre lágrimas, lhe segredei a minha promessa :– Você será meu novamente Ian...... Juro!.Além de Ian, meu pai também falecera naquele dia, com um tiro no coração, duas balas de prata que guardo até hoje.–-----------------1804 — Aquele reprise terminara de passar em minha mente, aquele espelho em minha frente, me contava tudo o que queria saber, quem eu tinha me tornado, depois do sofrimento, ao olhar de todos, aquela Anne antiga, morrera junto com o pai e o namorado naquele dia, mas eu sabia que eu mesma, estava sufocando a garota sensível em meu peito e nos olhos cheio de lágrimas durante as noites de choro, escondidas dos olhos do resto do mundo.Tinha me tornado arrogante e calculista, eu mesma admitia isso, as únicas que ainda conheciam o valor de um sorriso meu, eram minhas irmãs, porém em momentos ruins — quase sempre — eu me fechava até para elas, lhes respondendo rudemente, sem lhes dar muita atenção.– Aperto mais senhorita? — pergunta a empregada com os laços do espartilho em mãos– Sim — respondo sem demonstrar muito ânimoEla termina de ajustar o mesmo, eu apenas a ignoro indo em direção ao meu armário.– Pegue aquele — falo para a empregada, apontando para o vestido branco de seda, forrado todo de um pano finíssimo, suas mangas cortavam meus ombros e era meu favorito.A mulher vai até lá e pega o mesmo da forma mais delicada possível e traz até mim de cabeça baixa, sem olhar-me nos olhos.– Seja mais culta, ou serei obrigada a despachar-te daqui — falo severamente e a mulher se encolhe um pouco mais em suas roupas um pouco encardidas.– Desculpe-me senhorita — diz ainda naquela posição– Pare de desculpar-se e ajude-me aqui — falo me colocando em frente ao espelho e ela logo vem praticamente forçada e começa a me ajudar a colocar o vestido.Depois de tudo pronto, aguardei um pouco mais em meu quarto, mandei a empregada sair e me sentei em minha poltrona, para ler um livro que já começara a ler alguns dias antes.Logo ouço batidas na porta, ignoro um pouco, mas a pessoa bate novamente.– Entre — digo sem tirar os olhos da página do livro, e a pessoa entra, vindo até minha frente e se pondo a me encarar.Termino a página e levanto os olhos para a pessoa em minha frente, vejo longos cabelos azuis reluzentes à luz do sol que saía preguiçosamente por entre as nuvens, entrando pelas janelas abertas de meu quarto. Aqueles lindos e lisos cabelos azuis, contrastavam com os olhos também azuis oceano.– Ohayo Onee-chan — fala a pequena garotinha vestida com um vestido comprido creme, com algumas pregas e botões, uma perfeita princesinha.– Ohayo Momo-chan — respondo sorrindo, a ela jamais demonstrara qualquer mau humor, tinha que lhe dar exemplo.– Aquele homem já chegou onee-chan — diz ela com uma expressão preocupada no rosto– Homem? — pergunto estranhando com a testa levemente franzida– Sim, aquele de cabelos albinos e olhos amarelados que vimos no povoado — responde cruzando as mãos frente ao pequeno corpo, ainda aparentemente de uma menina, apesar de já ter seus 15 anos.– Ah! KarlHeinz Sakamaki? — pergunto lembrando-me do homem citado por ela.– Este — confirma e vejo o sorriso voltar para seus lábios finos e rosados.– É verdade, Karl disse-me que viria hoje — falo fechando o livro e colocando-o sobre a mesa ao meu lado.– Então. Ele me disse que queria falar com todas nós — ela gesticula um tipo de ordem com o indicador levantado e fechando os olhos rapidamente.– Está bem — sorrio me levantando e dou uma pequena ajeitada no vestido.Saímos do quarto e descemos as escadas juntas, chegando lá, vejo Karl sentado num dos sofás junto com Shion, ela tem cabelos curtos albinos e um dos olhos azuis, pois o outro é sempre tampado pelo seu tapa-olho preto, porém Shion nunca comentou com nenhuma de nós o que havia acontecido, sempre que tentamos perguntar, ela acha uma forma de mudar de assunto.Enfim, chegamos perto deles, todas as minhas irmãs estavam ali, Karl nos percebe e nos olha, se levantando.– Bom dia senhorita Iniahama — diz fazendo uma pequena reverência– Bom dia senhor Sakamaki — respondo sorrindo de canto– É um prazer conhecê-la — diz também sorrindo– O prazer é meu. Mas o senhor tinha me dito que queria nos dizer algo — falo me sentando junto de Momo e ele faz o mesmo.– Sim. Eu tenho uma proposta para todas vocês. — diz com aquele ar irônico que me fazia ficar confusa– Uma proposta?[....]
Notas finais
Deixem seus comentários, e se quiserem acompanhem e favoritem a história.Até.Beijos
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