Notas iniciais
Gente faz muito tempo que não escrevo nenhuma palavrinha se quer, mas estava determinada a escrever essa fic. Ela é muito diferente do que tudo que já escrevi, mas gosto bastante desse tipo de historia e talvez invista um pouco mais nesse estilo
Espero que vcs gostem

Dias atuais

Aos olhos do mundo a mansão Black era uma casa enigmática, tinha uma beleza acabada e decaída. Era amaldiçoada, as pessoas diziam, não tanto pela mansão, que hoje em dia parecia uma grande casa a mal assombrada, e sim pela praça que havia bem a sua frente. A praça, a rua e a mansão, que misteriosamente era a única residência que havia no lugar, pareciam um cenário perfeito para uma história de terror. Tudo naquele lugar, que um dia fora um local alegre, onde crianças iam brincar e idosos costumavam dar uma caminhada agora é uma parte da cidade onde as pessoas faziam todo o possível para evitar. Mesmo que a praça ajudasse as pessoas a cortarem um longo caminho entre uma ponta e outra do bairro, mesmo que as ruas desertas fossem as mais apropriadas para praticar variadas tipos de atividades ao ar livre, só os mais ousados e corajosos de atreviam a passar por lá, ou os mais burros, como os mais antigos costumava dizer. A praça era de tamanho médio, algumas árvores suntuosas, mas que não davam nem flores, nem frutos, apenas rugiam quando a noite chegava e começava a ventar. Contudo, não eram as árvores assustadoras, ou até mesmo as pequenas estátuas de anjos com asas quebradas que fazia com que o lugar parecesse sombrio, não, eram os brinquedos, os brinquedos obscuramente quebrados.

A praça foi projetada com um pequeno parque onde as crianças poderiam brincar. Brinquedos simples e comuns como escorrega, balanços, gangorras, todos atualmente destruídos. Alças soltas, bancos contorcidos, poderia ser obra de algum grupo de adolescentes rebeldes, pensaria qualquer pessoa estranha que passasse por ali. Mas os moradores sabiam que isso não havia sido obra de nenhuma mão jovem, e sim, das forças malignas que rondavam o parque.

'' Ouvi dizer que o parque foi construído em cima de um cemitério de ossos de crianças'' — Thymmot Vermont, quebrou a perna enquanto se balançava e acorda arrebentou ''acidentalmente'' em outubro de 1958

'' Isso é obra do espírito de Maria Hill, uma menina que desapareceu a mais de duzentos anos, dizem que foi enterrada em uma das árvores'' Claire Smith, quebrou o braço enquanto brincava no escorrega em janeiro de 1959

'' As pessoas não acreditam, mas para mim isso é obra daqueles Blacks, aquela gente estranha que ninguém nunca vê.'' Stela Ritter, mãe de Joahanna, morta em um misterioso acidente em agosto de 1960.

7 de abril de 1958

Dizem que a primeira palavra que Bellatrix, a mais velha das irmãs Black, disse quando aprendeu a falar foi não. A menina amava dizer não para tudo e todos. A palavra saia de sua boca com fluidez e naturalidade, em contrapartida, não também era a palavra que mais odiava ouvir.

— Eu quero ir brincar Loss- resmungou a menina para Loss, o elfo domestico que era responsável por seus cuidados, que consistia em fazer todas as suas vontades e impedir que Bellatrix incomodasse os pais- Porque eu não posso ir lá fora?

— Porque aquelas crianças seão crianças trouxas senhorita Bellatrix, são impuras a senhorita é uma Black não pode se misturar com elas- explicou o elfo torcendo para que a menina não tivesse mais um de seus acessos de raiva, o que era comum quando era contrariada- Porque não brinca com suas irmãzinhas? A senhorita sabe pode fazer o que quiser, contanto que seja na mansão.

Bellatrix sabia que isso não era verdade, ela podia não fazer o que quisesse, apesar de conseguir fazer a maioria das coisas que desejava, mas existia uma regra que não podia ser quebrada de nenhuma forma, a regra mais importante da casa que era: nunca, jamais, sobre hipótese alguma incomodar os pais. Principalmente a mãe, Druella, que vivia deitada na cama cansada demais para fazer qualquer coisa que não fosse dormir, bebe ou chorar. Bellatrix não entendia porque a mãe era assim, mas também já não se importava mais, agora seu interesse era em sair e explorar o mundo. Ou no caso, a praça que existia em frente a mansão, que para seus sete anos já era aventura o suficiente. Mas Loss estava firme em sua decisão de não permiti.

Elfo idiota, pensou, ela já havia tentado de tudo, batido, se jogado no chão, gritado e até lhe jogado água fervente, mas nada adiantou. Então ela o resolveu fazer uma das coisas que mais detestava, esperar. E ela esperou, esperou até que a última criança trouxa fosse embora do parque e voltou a perguntar:

— E agora Loss? Não tem mais trouxas no parque, será que posso ir agora?

— Não senhoria Bellatrix, os trouxas são seres imundos e a senhorita não deve tocar em absolutamente nada que eles tocarem para não se contaminar- respondeu Loss, com medo do que veria a seguir. Entretanto, por mais medo que tivesse da criança, sabia que nada que Bellatriz pudesse fazer contra ele poderia ser comparado com que Cygnos faria caso descobrisse que a filha estava se misturando com crianças trouxas ou qualquer coisa semelhante.

Trouxas idiotas, eles existem só para estragar a minha vida resmungou a menina enquanto batia os pés de volta a mansão.

Bellatrix era uma criança feia, mirrada e antipática. Magra demais, seus ossos saltavam pela sua pele sem vida, seus cabelos eram de um preto fosco, diferente da maioria dos Black que tinham os cabelos negros e brilhosos. A única coisa bonita na sua aparência eram os olhos, que eram de um azul ciano, como mar em pequenas profundidades.

Sua aparência refletia sua personalidade, era impaciente e mimada, e gostava de beliscar suas irmãs quando ninguém estava olhando, o que era quase sempre, já que tirando Loss ninguém prestava realmente atenção as meninas Black. Porém, maltratar as irmãs já não era mais tão interessante já que Narcisa era pequena demais para reagir e só fazia chorar sem parar, o que a fez concluir que não havia som mais irritante do que choro de bebê. E Andromeda, dois (anos) mais nova, a idolatrava e a perseguia por toda parte independente do que Bellatrix fizesse. Ela precisava de uma nova distração, algo para ocupar a mente, sair das grades da mansão era exatamente o que queria.

Bellatrix passava o dia olhando fixamente para aquelas crianças trouxas brincando e se divertindo, ela sabia o que era trouxa, significava ser sem magia, mas não entendia porque isso deveria ser um problema já que ela ainda não tinha nenhum poder magico mesmo sabendo ser uma bruxa. Ela não queria ser uma bruxa, se isso significava não poder ser livre. No início ela sentia inveja das crianças trouxas, elas podiam sair e se misturar enquanto ela não tinha ninguém além das chatas das suas irmãs e sua vida se limitava as grades daquela casa. Depois de um tempo a inveja passou a ser raiva. Ela odiava os trouxas e queria que todos eles morressem, se eles não existissem, ela poderia fazer o que quisesse.

Bellatrix passou a ir todos os dias até o portão do castelo desejando o fim das crianças trouxas para que a praça pudesse ser só sua, esse pensamento passou a ser tão intenso e recorrente que um dia, enquanto olhava fixamente para um menino trouxa que balançava alegremente o balanço quebrou. A corrente de ferro que o prendia se partiu, fazendo com que o menino caísse e começasse a chorar.

Aquilo foi muito estranho, Bellatrix sentiu algo inusitado em seu corpo, como se uma energia tivesse saindo dentro dela, um poder e gostou muito da sensação.

Será que ela havia sido mesmo a responsável por isso? O acontecimento ficou martelando em sua cabeça durante toda a noite, e no dia seguinte resolveu que iria fazer um teste. Começou a pensar com todas as forças que a menina que brincava no escorrega cairia, olhava sem nem ao menos piscar sussurrando, cai, cai, cai e apos algum tempo a escada pelo qual a criança subia se partiu. Ela viu o sangue, e ouviu o choro e então sorriu. Já que não poderia brincar com os trouxas nem estar onde eles estavam, se divertiria com eles de outra forma.

Um ano depois as crianças passaram a ir cada vez menos a praça, Bellatrix teve que se controlar, pois percebeu que se quebrasse todos os brinquedos as crianças não viriam mais, então começou a fazer com que caíssem quando estavam correndo. Além das crianças outras vítimas perfeitas do que ela chamava pequenas travessuras eram os velhinhos que iam caminhar, ela adorava fazer com que caíssem porque diferente dos mais jovens, demoravam muito mais para levantar. Passou também a fazer com que as árvores balançassem, adorava quando um galho se partia bem na cabeça de alguém.

— Porque passa o tempo todo olhando as crianças trouxas Trix? Sabe que não podemos brincar com elas.

Ouviu a voz de Andromeda, a fazendo despertar do transe.

— Ai garota já falei para não me assustar, e também para não me chamar assim.

A menina a encarou com desconfiança, ela sabia que a irma aprontava algo, mas não iria se meter, aprendeu cedo que quando se tratava de Bellatrix era melhor não ficar no caminho.

— Só via dizer que o homem esta aqui- Andromeda disse virando as costas e seguindo seu caminho.

O homem a qual se referia era Tom Riddle, Bellatrix não sabia o motivo, mas nos últimos meses ele havia começado a frequentar a mansão da família trazendo com ele outros seguidores que incluíam seus tios Orion e Walburga. Bellatrix odiava a presença dos primos insuportáveis, mas se alegrava quando sabia que Tom viria, de alguma forma a presença dele a atraia.

Ele era jovem e bonito. Tinha os cabelos de avelã e os olhos negros, um andar elegante e provavelmente um discurso ótimo, já que até sua mãe, que raramente saia do quarto, se arrumava e sorria ao ouvir ele falar. Bellatrix não tinha ideia do que se tratava, é claro, já que era só uma criança e não poderia participar de reuniões de adultos, na verdade, nunca nem havia sido apresentada a Tom Ridler, mas o espiava pelo lado de fora da janela sempre que ele chegava e ficava o observando se movimentar. E por mais que a atração que sentia por observar aquele estranho fosse intensa, naquele dia decidiu que não cederia a tentação de ir atrás dele, estava empenhada demais em seu mais novo desafio, queria derrubar uma árvore inteira. Ela já estava tentando a algum tempo, conseguira fazer algumas balançarem, derrubado um galho e outro, mas aparentemente derrubar uma árvore inteira exigia uma força que ela ainda não tinha. Ainda, pensou. Hoje Tom Ridler teria que esperar.

A menina não tinha ideia de quanto tempo estava ali, franzia a testa com tanta força que já estava sentindo dor de cabeça, quando novamente uma voz a assustou:

— Senti sua falta na reunião de hoje- ouviu uma voz áspera e forte dizer.

Por um momento Bellatrix sentiu seu coração parar de bater, era Tom Riddle, bem ali na sua frente.

— Eu..., eu...- ela não sabia o que dizer. Porque aquele homem estava falando com ela? Como ele sabia seu nome?

— Sei que você costuma espiar, mas hoje não foi, vim saber o motivo e a encontrei encarando o portão. O que uma praça tem para ser tão mais interessante assim do que a minha presença em sua casa?

Bellatrix ficou estasiada. Então ele sabia, sabia que ela o espiava e foi procura-la.

— Não é a praça- respondeu Bellatrix recuperando a voz- São as pessoas.

— Os trouxas?

— Humhum

— Gosta deles?

— Não- Ela não tinha ideia de qual seria a reação do homem a sua resposta, mas sabia que não adiantaria mentir, não para ele.

Para sua surpresa ele sorriu.

— Então, porque perde tanto tempo os observando?- quis saber curioso

Bellatrix pensou por um tempo, o que ela fazia era um segredo, uma coisa só dela, nunca havia contado para ninguém, mas Tom Ridler não era qualquer pessoa, disso ela sabia.

— Gosto de fazer coisas- confessou quase inaudível.

— Que tipo de coisas?

— Gosto de machucar eles, como fazer com que eles caiam e tropecem.

— E você pode fazer isso? Pode fazer com que se machuquem?- Questionou com um tom desafiador.

Então Bella apenas se virou novamente para a praça e com muita concentração fez com que um galho de uma árvore se partisse em cima de uma senhora que passeava com o cachorro. A senhora não caiu automaticamente, o galho era leve, mas o cachorro ficou agitado correndo como louco e derrubando a própria dona.

— Interessante....muito interessante- Disse Tom observando a menina com um olhar mais atento.

— E você? O que pode fazer?-perguntou Bellatrix com ousadia

— Quer ver o que posso fazer?- Repetiu Tom sorrindo, os adultos não costumavam o desafiar assim.

Bellatrix sacudiu a cabeça cheia de expectativas, então Tom se virou e olhou na direção de uma mulher que empurrava a filha no balanço. Às duas sorriam, a menina se arriscava a soltar uma das mãos do balanço enquanto a mãe empurrava com cuidado até que VUUUP, um barulho estrondoso e a menina havia sido arremessada a cinco metros de distância. A mulher gritava desesperada, crianças choravam e adultos corriam… Bellatrix se assustou por um momento, mas aquele caos todo parecia muito mais interessante do que uma simples queda do escorrega.

— Ela morreu?- quis saber

— Acredito que sim- respondeu Tom friamente.

Um silêncio se instaurou entre eles por um breve período, até que o homem perguntou com seriedade -Porque não gosta de trouxas Bellatrix?

— Porque não me deixam ser livres- respondeu à menina rapidamente, pensando em tudo que não podia fazer devido aos trouxas. Não era só a praça, seus pais não permitiam que fosse em nenhum outro lugar da cidade que não fosse a casa dos tios. Segundo eles, toda a cidade era impura por causa da presença dos trouxas- O mundo seria um lugar muito melhor sem eles- concluiu.

— Boa menina- Tom disse acariciando seus cabelos em um gesto que poderia ser tudo, menos afeto.

Ninguém nunca havia lhe tido isso, de fato ela não era uma boa menina, nem mesmo quando tentou ser, mas gostou de ser chamada assim.

— Posso te fazer livre, se quiser, dos trouxas — Propôs Tom.

— Eu quero- Bellatrix respondeu sem pensar duas vezes.

— Estaria disposta a quê?

— A qualquer coisa

— Faria tudo o que eu pedisse?

— Sim

— Então temos um pacto- disse Tom para sua mais nova menina dos olhos.

— Um pacto?

— Sim, você promete fazer tudo o que eu pedir e eu te prometo um mundo sem trouxas.

— Então temos pacto- respondeu Bellatrix com seu sorriso alucinado. Um mundo sem trouxas. Liberdade, era tudo que mais ansiava.

Notas finais
Gente Bellatrix a própria Matilda, só que na versão malvada hahaha
bjs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!