Notas iniciais
Heeyy pessoal Então, mil perdões pela demora. De verdade. Tive muitos problemas e não consegui postar antes :(. Bom acho que vocês não estão interessados nisso né? Aqui vai o capitulo, espero realmente que gostem.

Faltavam três dias para o baile do clube Tiradentes. Era engraçado, mas me senti um pouco boba lembrando das minhas antigas preocupações. Brinquei um pouco com os guardanapos azuis da cafeteria que ficava próxima a nossa casa, tentando manter minhas mãos ocupadas para esconder o nervosismo. Eu tinha uma missão simples. Conseguir a maior quantidade de informações possíveis com o pai de Cato. Eu não sabia como iria fazer isso, mas tinha certeza de que não seria fácil.

Eu nunca tinha convivido muito com ele. O Coronel Mellark não era um homem muito presente na vida dos filhos. Tudo que eu sabia sobre ele é que ele tinha tido três crianças. Cato, Peeta e uma menina, a irmã mais velha dos Mellark que eu mal conhecera. Quando fiquei próxima de Cato, Melanie já era uma lembrança distante, morta e suprimida da vida da família. Eu me lembro que Cato mencionara que o pai tinha levado Peeta para os Estados Unidos no mesmo ano em que Melanie morrera. Cato sempre falava com orgulho do coronel Silvio, que era um militar de corpo e alma.

Fora esses pequenos detalhes, eu não tiha mais informações sobre a família Mellark, da importância deles ou qualquer outra coisa que fizesse com que eles fossem vizados pela resistência. Felizmente, Hazelle organizara um encontro que me ajudaria a elucidar exatamente o que eles queriam com a família do meu amigo.

Olhei pelo que pareceu a mileonésima vez para o relógio da parede. Faltavam 5 minutos para as seis. 5 minutos para o horário marcado. As pessoas no local conversavam animadamente, aproveitando o final do dia antes do toque de recolher. Ouvi um barulho na porta e sorri ao ver duas figuras entrando, me sentindo estúpida pelo alivio de vê-las.

Era estranho, mas mesmo tendo vidas tão diferentes, Hazelle e Johanna me pareceram extremamente parecidas quando entraram no local. As duas com os cabelos longos e negros e as calças folgadas. Tão diferentes das mocinhas com saias comportadas e cabelos curtos tentando ser americanas e as novas Jacks Kennedys como as garotas que eu conhecia e que estariam no baile. Quando Hazelle me contou que eu conhecia umas das companheiras que a ajudavam na resistência supus que fosse Johanna. Ela era a única pessoa que eu conhecia que teria coragem de se envolver em algo tão perigoso. Eu não estava errada.

Hazelle me lançou um sorriso enquanto pedia um expresso para o garçom. Johanna apenas sentou lá calada. Desde que fora atacada pelos soldados na faculdade parecia viver em um mundo próprio. Rue me contara que a garota já terminara com dois namorados até o momento. Nenhuma de nós sabia bem como lidar com ela. O engraçado era que ela parecia uma pessoa totalmente diferente agora, mais centrada, enquanto estava envolvida em tentar derrubar regimes nos quais ela não acreditava.

–Então Katniss, como andam as coisas na faculdade? Muitas aulas?

–Bastante. Os professores parecem estar cada vez mais ocupados.

Hazelle assentiu, entendendo a mensagem. “Ainda há muito soldados patrulhando a faculdade. Muitos professores estão sendo demitidos ou desaparecem de uma hora para outra”.

As duas mal tinham tocado no café quando viram um fusca azul dobrando a esquina. Ele estacionou do outro lado da cafeteria, de uma forma tão inocente que não suspeitaria que era da resisitência se não fosse pelos olhares de Johanna e Hazelle. Nos levantamos juntas e Johanna foi pagar os cafés enquanto segui com Hazelle até o fusca.

A mãe de Gale me deu um abraço e entrei no automóvel.

–Boa sorte – Desejou enquanto fechava a porta e johanna entrava no banco do carona, parecendo ter feito isso mail vezes. Sorri confiante para Hazelle que continou me acenando na esquina, enquanto dobrávamos a rua em direção a Zona sul da cidade.

O Motorista era um homem ruivo, jovem assim como eu . Parecia não ter mais do que 26 anos. Ele tinha o sorriso de alguém que sabe que é bonito, os olhos dele traiam um bom humor nato. Apenas o cumprimeitei. Fui aconselhada a não falar muito, nem perguntar para onde estávamos indo, então a viagem transcorreu em silêncio. O único som era o do rádio tocando uma música triste. Uma daquelas cantoras do Rio de Janeiro, eu não lembrava o nome.

20 minutos depois chegamos em descampado que ficava perto da praia de Ipanema. Senti o vento gelado do inicio da noite penetrar minha jaqueta. Me repreendi por ter escolhido o vestido azul. Minha mãe tinha razão quando dizia que nunca estavamos preparados para o outono gaúcho,quente uma hora, em outras congelante.

O local onde estávamos era ermo. A beira do guaiba, parecia mais um pequeno sitio do que um lugar no meio da cidade. Entre o rio e as árvores havia uma cabana com as luzes acesas. Era um lugar lindo.

Um homem de meia idade saiu da casa ao ouvir o barulho do fusca. Ele tinha os cabelos negros escondidos embaixo de uma toca. Eu imaginei que ele poderia estar vestindo algo como um poncho ou bombacha, mas ele contrariou minhas expectativas vestindo uma simples calça jeans. Ele claramente não era alguém que ligava para o que os outros pensavam. Um cachorro vinha correndo em seus pés. Quando ele nos viu lá de um sorriso e pude sentir o bafo de álcool emanando dele a distãncia.

–Haymitch- cumprimentou Johanna- Não acredito que já está bebado.

Haymitch revirou os olhos.

– Tem para você lá dentro- resmungou ele apontando para a casa. Johanna deu o primeiro sorriso verdadeiro que a vi dar em meses.

–Certo. Essa é Katniss, nossa espiã. Esses são Finnick e Haymitch. Agora que já fiz as apresentações…

E ela seguiu em direção a casa, provavelmente para pegar a tão sonhada garrafa do que quer fosse, desde que tivesse uma dose generosa de álcool. Fiquei parada lá, olhando para os dois, sem saber se seguia Johanna para dentro da casa ou não.

–Então…Essa é a garota da qual Hazelle e Johanna falaram? — falou Haymitch claramente avaliando — Ela não é jovem demais para estar aqui? Huum….ajeitadinha demais?

“Ajeitadinha demais”.Era engraçado como eu parecia nunca caber na perspectiva das pessoas. Deixei que a raiva penetrasse em meu coração e encarei Haymitch da forma mais tranquila que pude.

–E você deve ser velho demais ou bêbado demais para ter esquecido a primeira lição que alguém em um grupo clandestino deve aprender- Respondeu Katniss mordaz- Nunca julgue pelas aparências.

Finnick assobiu e Haymitch me encarou, parecendo pela primeira vez ter gostado do que viu. Sorri para Finnick e segui Johanna para dentro da casa.

A Casa era aconchegante. Pequena e simples. Havia apenas um fogão, uma mesa no centro e dois quartos para dentro. Não havia sala. Três pessoas estavam lá sentadas, conversando amigavelmente. Johanna entre elas bebendo um gole da bebida de Haymitch que eu percebi era um conhaque barato.

–Ótimo-falou Haymitch atrás de mim- Já que estão todos aqui podemos começar nossa reunião. Essa é a garota da qual Hazelle falou.

As cabeças prontamente se voltaram para a minha direção, menos Johanna que parecia mais entertida em olha a garrafa. Me repreendi por sentir minhas buchechas quentes. Fiz o possível para sustentar o olhar daquelas pessoas.

–Olá- cumprimentou um homem moreno. Ele parecia alguém que tinha sido criado no interior e passar a vida ao ar livre.Era forte e a pele dele tinha o mesmo tom do cacau que minha mãe derretia para fazer os biscoitos de Hannuka. Ele não parecia ter mais do que 27- Tresh ao seu dispor.

Sorri para ele. O outro homem me olhou com curiosidade e abriu um sorriso que me fez sentir da mesma forma de quando eu me aproximava uma fogueira. Era caloroso, mas algo nele fazia todos os meus sentindos gritarem perigo, perigo.

–Então Plutarch- falou Haymitch para o homem que ainda me encarava- Que tal nos por a par de tudo o que você sabe e o que pretende com Katniss.

Plutarch pigarreou e olhou para todos de forma teatral.

–Certo. Katniss, como você deve saber estamos num momento complicado e crucial do nosso país. O que nós temiamos aconteceu. Jango fez um governo tão terrivel que toda a população ficou contra ele e as forças armadas aproveitaram e fizeram o que elas estavam querendo há dez anos. Agora eles controlam tudo.

–Mas isso vai durar pouco não?- comentei esperançosa- Vamos ter eleições no final do ano. O Kubischek já garantiu que pretende concorrer de novo.

Haymitch soltou um risinho maroto.

–Você acredita nisso mesmo garota?- Perguntou ele

Mordi o lábio, me sentindo perdida.

–É isso que queremos garantir Katniss. Mas temos suspeitas de que as forças armadas não vão entregar o poder tão alegremente assim. E é por isso que precisamos de você. O coronel Mellark conhece pessoas do alto escalão, sabemos que você conhece os filhos dele..

–Cato. Sim, mas ele é apenas meu amigo. Não tenho tanta intimidade assim.

Tresh colocou os braços em cima da mesa, se aproximando numa atitude conspiratória.

–Nós precisamos é que você fique de olho no Mellark mais novo.

Olhei para eles sem entender. Nenhum deles parecia captar minha confusão.

– O irmão de Cato? Mas ele acabou de chegar e…

De repente tudo fez sentindo. O garoto tinha vindo dos Estados Unidos, um dos principais interessados em manter os militares no poder. O coronel Mellark provavelmente tinha algo destinado ao filho caçula. E Peeta Mellark poderia saber mais do que aqueles estranhos olhos azuis davam a entender.

–Ele veio dos Estados Unidos- Tresh confirmou minhas suspeitas.

Assenti.

–Certo. Vou ficar de olho neles, vou me entrosar e vou descobrir o que estão tramando.

Haymitch seguiu até a ponta da mesa, bem na minha frente. Encheu seu copo de conhaque e me encarou sério.

–Você tem certeza de que consegue fazer isso? Tem certeza de que quer fazer isso?

Olhei para Johanna. Pela primeira vez ela parecia prestar atenção ao assunto e me encarou também. Acho que ela entendeu porque eu estava ali. “Nunca mais vai acontecer Jo. Eu juro”

–Absoluta.

O velho para minha surpresa assentiu e me serviu um gole da bebida.

–Ótimo, beba.

–Não, eu não bebo- falei lembrando de todos os sermões do meu pai sobre álcool.

Haymitch me olhou desconfiado.

–Talvez, deva. Você é uma nova pessoa agora.

Ele tinha razão. Eu tinha deixado de ser a pessoa que sempre aceitava tudo de cabeça baixa. Tinha me tornado uma guerrilheira. Então aceitei a bebida. Assim que o líquido quente entrou pela minha garganta não me contive e guspi. Todos começaram a rir. Não me contive e ri junto, me sentindo em casa depois de muito tempo.

Notas finais
Então? O que acharam? Espero realmente que tenham gostado. Por favor, não esqueçam de me dizer o que estão achando. A opinião de vocês é vital. Se acham que eu tenho que continuar, parar, ir vender sorvete na esquina.... preciso saber. Beijos seus lindos