Notas iniciais
É experimental. Espero que gostem e comentem. Desafio você a citar as referências!

Uma diferença cabível em qualquer sentido, cheia de emoções, Julieta mutila Romeo com palavras das quais se arrepende tão rápido quanto demorara em perceber sua admiração pelo belo rapaz. Ela o faz longe de seus olhos, porem próximos ao ouvido da ama que lhe criara – ama que a revela sobre a morte de Tebaldo. Este homem que era seu primo, e por mais que não seja transmitida em palavras, a raiva de Tebaldo por Romeo não parecia se estender meramente ao caso de intrigas entre os Montecchios e os Capuletos, o que justificaria sem duvidas a sua investida e procura de vingança banhada ao sangue do nobre Montecchio. Tebaldo poderia ter apreço pela filha de Capuleto, tão amável e bela, porem com olhos distantes.

Um rapaz levanta a mão.

–O senhor é James Goebbels, não é?

Ótimo, ele sabe quem sou. Devo ser mais famoso do que presumia.

–Sim! — inflava o peito com orgulho.

–Se tornou professor de literatura estrangeira por causa da critica de Antonielle?

–O que? – gaguejava

–Aquela sobre seu ultimo livro, lembra-se? Era sobre o romance que escreveu, Elend. Aquele sobre uma mulher no séc. XIX, sobre sua vida sofrida após a segunda revolução industrial e sobre seus conceitos de amor, algo sobre ela ser órfã... Lembra?

Grave o rosto deste garoto. Eu não posso me esquecer deste rosto. É a terceira turma que me reconhece, não posso perder este de vista!

Talvez, seja melhor fingir que está tudo bem...

–Claro, claro.

–Quer dizer que está aqui por causa do Antonielle?

James ergueu olhos que julgou ser ferozes, porem eram ferozes somente ao seu próprio ver, pois se olhasse a si mesmo, veria o quão fragilizado era seu aspecto.

Olhos profundos, de um azul que um dia fora cristalino, lábios finos e danificados pelo recente fumo, com aparência “sugada” como costumava dizer minha mãe, cabelos bastos opacos, acredito que se assemelhe mais a cor de areia, sem dizer desta barba que se torna proeminente a cada dia... Não tenho mais tanta paciência para raspar.

Porem os dias pertence a um outono, e na sala L-103 dava luz à vista de uma bela árvore desbotada pela janela, uma árvore de tronco largo e folhas amarelas.

Eu não sei que árvore é, mas com todos os diabos, ela é deprimente. Vejo a droga de uma madeira retorcida, folhas que parecem a bandeira do Canadá e estrutura semelhante àqueles banners ambientalistas que se vê em colégios. O que de fato não chega a ser nostálgico.

O céu permanecia com nuvens escuras ao fundo, em conjunto raios solares que se discorriam entre suas aberturas, fazendo do céu uma colcha de retalhos.

Merda!... Vai chover. E pensar que em uma universidade não há coberturas para o estacionamento, creio que o gênio que projetou isso não havia nem pensado nessa hipótese.

A sala era grande o suficiente para ser considerado um auditório, com bancadas e chão macio, uma espécie de tapete, com cadeiras confortáveis e um destaque direcionado a mesa na qual um professor poderia dar aulas e usufruir de tecnologias se assim desejasse.

Basicamente era uma versão maior da toca de um Hobbit, era arredondada em vários pontos e tinha tapetes e cadeiras confortáveis. Então é ao John que devo a falta de cobertura no estacionamento...

–Antonielle, o critico que te derrubou. Aquele que disse que Elend era um livro preenchido de clichês sem graça e que somente um bando de mulheres encalhadas ou ingênuas... Talvez tivesse outra coisa...

–Mas eu gostei do livro! – disse uma garota

Marcos Antonielle, sua palavras vis foram empregados em termos mais formais, na verdade. Sua critica era bastante forte, e sua opinião, parecia ser tão forte quanto à influência que tem Stephen King ao dizer que um livro de terror é bom. Ao pesar na balança, parece que King sabe muito mais que esse critico, porem não sou norte-americano. Visto que a fundamentação da obra possui conceitos idealizados de amor e romance, o fato é que James Goebbels não somente fez um corrente clichê, bem como todo seu enredo é baseado somente nisso, emitindo reações e concordado com os leitores, fazendo o que eles querem. Pois se um vilão ei de aparecer, ele atrapalhará o romance da protagonista sem que haja qualquer motivo forte o suficiente, como um obcecado, ele a incomodará até que – como todo vilão de clichês – terá uma punição no fim de cada livro. Não sendo o suficiente, a série segue esse rumo, não em três, mas em quatro livros. Sendo um personagem secundário e talvez o único que desperte interesse em toda série, o inventor Jones, que no ultimo livro derrama a “gota d’água” e começa a agir irracionalmente, repentinamente ficando louco quando bem convinha e fazendo o casal principal feliz para sempre. Uma obra da qual até mesmo sendo pago foi difícil de ler. Ou poderia transmitir as palavras do garoto de rosto gordo que está me indagando agora.

–Você é burra como as outras iludidas que tem por aí. Antonielle não o fez fracassar, só contou a verdade em sua critica!

Bam!... Um baque na mesa. Todos olharam para James.

James havia avançado em passos rápidos até o garoto, e com uma voz rouca, indagou com o indicador apontado.

–Qual é teu nome?

–Marlon. – hesitou por um momento com a cabeça levemente recuada para trás.

–Escuta aqui, Marlon. – o dedo indicador quase tocava o rosto do garoto – Se algum dia você escrever alguma coisa que seja publicada e tenha números de leitores mais relevantes que os meus, aí então você pode falar alguma coisa. Porem você não se formou e nem mesmo está perto de terminar um TCC, e se por um acaso de milagre um vadio que falta duas semanas da minha aula se formar, tudo o que você se tornará será um professor de literatura que nunca terá seu nome citado em uma critica, e pior, será um professor de merda!

–Ou fracassar em rede publica como você!

Estou ouvindo minha pulsação... Onde já havia escutado estas palavras? Talvez meu pai as tenha dito, ou meu editor, que em questão de personalidade não são muito diferentes. Nessa vida se ganha ou se perde, e no fim os vencedores pisam nos perdedores. Tenho contas a pagar, dívidas grandes, estou com o nome manchado. Rosália tenta fazer o melhor por nós dois... Agora todos me veem como um fracasso? Quando minha mãe vivia, lembro-me de ela ter pegado o meu primeiro livro, O Lobo de Weissesdorf, e o quanto riu com sua voz fraca, orgulhosa de seu filho, sem um cabelo na cabeça e com movimentos limitados emanava um fedor que percorria seus intestinos abertos, defecando somente através de bolsas e sendo cuidada até o fim de sua vida pelos médicos que eu ainda não conseguia pagar.

O que ela diria para mim agora?... Com seus olhos azuis já sem vida, apagados pela doença que a pegara ainda tão bem disposta, repentinamente matando-a!... Finalmente teu pai verá que você conseguiu, meu filho um escritor!

...

Meus olhos estão ardendo... Minha respiração está ofegante... Não estou conseguindo me acalmar, não é como nas ultimas vezes. Se acalme, você precisa desse emprego, em verdade, até o diretor fez questão de sua entrada! Se houver um erro, como acha que as coisas ficarão? Já não teve que trocar o carro? Rosália não vai dar conta de tudo com o salário de contadora da empresa...

O garoto de rosto gordo olhava James com olhar insolente, acreditando piamente que sua resposta deixara o escritor sem voz, começando a sorrir.

Sorrindo como meu pai fazia, como meu parente fizeram quando contava meu sonho. Um escritor é só um fracassado! Seja Engenheiro, seja médico, qualquer coisa!... Eles devem rir desta mesma maneira agora...

...

Não... Não... Eu não sou um fracassado. Minha obra está ótima. Antonielle não sabe de nada, meu pai não sabe de nada, a tia Helga muito menos, Geraldo não passa de um babaca!... Eles... Eles não sabem de nada! Eu não queria que isso acontecesse... Não queria... Pare de me olhar! Pare de me olhar!... PARE DE ME OLHAR ASSIM!

James pulou sobre o pescoço do universitário, arrastando-o para mesa de trás e pressionando os polegares sobre seu pomo de adão. Berrava roucamente com o rosto rubro de raiva e sacudia o pescoço do garoto violentamente.

–O QUE VOCÊ SABE?!

Um conjunto de alunos do sexo masculino o apartou do garoto enquanto James chorava e babava profusamente rosnando cheio de raiva e ódio.

–EU NÃO SOU FRACASSADO! NÃO SOU!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.