O Outro Lado de Susana

1 Voltando para Nárnia


Já se passou um ano que voltamos de Nárnia. Eu fico me perguntando se um dia ainda voltaremos para lá, e quando voltaríamos.

A vida na Inglaterra estava péssima! Nós já havíamos perdido nosso pai na guerra e há dois meses nossa mãe havia partido por causa de uma doença muito grave. A situação estava sendo pior para Lúcia, que pela primeira vez estava indo para um internato.

Estávamos na estação, o trem das meninas já estava chegando e depois de meia-hora o dos meninos também ia chegar. Nós estavamos rodeados por uma pilha de malas, e agora finalmente percebemos que as férias tinham acabado.

Não havia mais ninguém, além de nós na plataforma, estava bastante silencioso, até que de repente Lúcia deu um grito agudo e rápido.

-O que aconteceu, Lúcia? -perguntou Edmundo, soltando depois um ruído parecido com "hã".

-Mas que coisa... -Disse Pedro interrompendo a frase dizendo- Susana! Você quer parar de me puxar?

-Mas eu nem toquei em você! -eu respondi.

-Eu também senti alguém me puxando! -disse Edmundo um pouco assustado.

-O que está acontecendo?-Perguntou Lúcia.

-Rápido! Todos de mãos dadas!-Eu disse sem saber o que estava acontecendo.

Passou um instante e de repente a estação e toda a bagagem havia desaparcido. Estávamos os quatro ainda de mãos dadas em um lugar cheio de árvores, tão cheio que mal conseguiamos nos mexer.

-Será que voltamos para Nárnia? -perguntou Lúcia, com a voz até um pouco esperançosa.

-Podemos estar em qualquer lugar, Lú. -Respondeu Pedro.

-Em qual outro lugar nós podemos estar?! Claro que voltamos para Nárnia! Estou tão feliz! -disse Lúcia.

-Aqui não parece Nárnia. -disse Edmundo com toda razão.

-Eu não lembro de todas essas árvores juntas em Nárnia. É melhor nós sairmos daqui. -Eu disse.

-Concordo com a Susana! Vamos ver o que mais tem aqui. -Disse Pedro.

Nós andamos bastante até chegar a uma praia, nós ficamos olhando maravilhados até que Edmundo disse:

-É bem melhor do que estar em um trem abafado e apertado!

Cinco minutos depois já estávamos todos descalços correndo pela água fria e transparente. Durante algum tempo só se ouviu o barulho da água até que eu disse:

-Nós não podemos ficar aqui por muito tempo. A fome não vai demorar! Temos que fazer alguns planos.

-Nós temos os sanduíches que trouxemos para a viagem! -lembrou Edmundo

-É mesmo, mas neste momento eu quero mais é beber água do que comer! — Disse Lúcia.

-É melhor nós irmos procurar uma fonte de água, vamos andar pela praia até encontrar uma. -Eu disse.

Nós fomos caminhando ao longo da praia por muito tempo até que Edmundo disse:

-Isso não vai adiantar em nada! Nós estamos numa ilha!

-Olhe! O que é aquilo? É um riacho! É um riacho! -gritou Lúcia

Quando encontramos o riacho matamos a nossa sede e fomos comer os sanduíches que tinhamos preparados para a viagem, mas um sanduíche não foi bem o suficiente para matar a fome depois de uma caminhada tão longa.

-É melhor nós explorarmos a mata, podemos encontrar frutas ou outras coisas para comer.

-Concordo com você, Susana. Vamos! -disse Pedro.

Depois de adentrarmos a mata e andarmos bastante nós avistamos uma macieira, era uma grande árvore cheia de maçãs douradas e suculentas. Quando nós olhamos em volta vimos que haviam várias macieiras.

-Hey! O que é aquilo? -eu perguntei apontando para frente.

-É um muro, um muro velho de Pedra. -disse Pedro

Nós fomos abrindo caminho entre as árvores até chegarmos ao muro. Ele era muito antigo, estava em ruínas, cheio de musgos e outras plantas. Nós fomos andando por ali e encontramos um arco onde deveria haver um portão antigamente, depois de passarmos pelo arco, nós nos encontramos num local aberto, cercado de muros, não havia árvores, só mato rasteiro, ficamos aliviados de poder esticar os braços e as pernas.

-Isto era um castelo! -eu disse.

Notas finais
Alguém? .-.