O Outro Lado Da Lua
63 2x16 - Um passo mais perto
Notas iniciais
Hoje vou postar só este, por que ainda tenho que escrever. Espero que gostem! ^^
Estava tudo planejado.
Leah, Quil, Embry, Rosalie e Emmett já estavam à espreita nas Montanhas Rochosas. Jared também fora com eles.
As passagens estavam compradas. Minha identidade falsa e passaporte (adquiridos com a ajuda de Bella) já estavam em minhas mãos. Então, agora eu era oficialmente Agatha Clearwater, 21 anos, filha de Sue e Harry Clearwater. Este último era um pouco estranho. O nome de uma pessoa que eu não conheci e que já morrera constava como meu pai...
Apesar de não precisarmos levar tanta coisa, Alice insistiu para que eu pegasse algumas roupas com ela. Ela me explicou que o tempo estaria bem frio no Canadá, mesmo que ainda não estivéssemos no inverno, então tive que me render aos casacos e afins. Afinal, agora eu sentia frio graças à loura psicopata.
De acordo com os relatos de Emmett e Rosalie, Joham havia construído uma espécie de abrigo dentro das montanhas. Eles observaram alguns vampiros entrando e saindo de lá, mas nunca o próprio Joham ou Emily. O ambiente era perigoso, mas também fornecia bons lugares para esconderijos. O que seria bom, já que uma das condições de Jacob para me deixar ir era eu ficar em um lugar seguro.
Edward e Bella decidiram levar Renesmee. Eles não queriam deixá-la aqui e todos pensaram que o lugar menos provável para ela estar, era o lugar mais seguro. Então, eu e ela ficaríamos escondidas num chalé perto das montanhas enquanto todos lutavam. Mas Edward e Bella tiveram um pequeno debate sobre isso: quem deveria ficar conosco no chalé? Bella era uma parte crucial na batalha por causa do seu escudo. E Edward era indispensável com seu talento de ler mentes, no caso de alguma surpresa da parte do nosso cientista louco.
Então foi decidido que Carlisle ficaria conosco e, só por precaução, Leah daria uma passada pelo nosso esconderijo de vez em quando.
Estávamos quase no fim da tarde quando Joham ligou. Jacob falou com ele – e ameaçou quebrar cada parte dele se Seth estivesse ferido –, mas o psicopata garantiu que Seth não teria lesão alguma. Que ele prezava muito a nossa espécie e exatamente por isso queria estudar o líder da nossa matilha. Eu quis matar o cara pelo telefone quando ouvi isso.
Enfim, nós iríamos fazer a troca em dois dias. Joham disse que esperava Jacob sozinho para encontrá-lo. Nós passamos a tarde acertando os últimos detalhes do plano. Jacob já estava cansado de planejar – ele era o tipo de cara que gosta mais da ação. Mas os Cullen queriam que tudo saísse exatamente como nós queríamos e eu estava nessa com eles.
Jasper andava me irritando desde que ele apoiara tanto Jacob no plano de fingir se entregar, e eu não negava o fato de que se pudesse iria arrancar a cabeça dele por apoiar Jacob nessa loucura. Mas ele não ligava quando eu rangia os dentes cada vez que ele dava um palpite em como Jacob deveria enganar Joham, pelo contrário ele pareceu intrigado com as emoções que sentia emanar de mim.
–Como é? – perguntei quando ele tocou no assunto.
–Suas emoções são confusas. – ele esclareceu com um ligeiro ar de humor – É como se estivessem todas embaralhadas e você não tivesse muito controle sobre elas... Isso é comum ou é apenas a ansiedade do momento?
Ele parecia achar graça daquilo. Eu, no entanto não achava nada engraçado. Eu não era assim...
–Eu controlo muito bem minhas emoções. – murmurei.
–Não, não controla. – ele discordou calmamente. – É por isso que meu irmão não pode ler seus pensamentos. Por que elas controlam suas ações.
Oh. Então era por isso que Edward não lia minha mente? Estranho.
Jacob me observou pelo canto do olho e eu evitei encará-lo. Eu não queria que ele ficasse com medo de eu dar para trás no nosso acordo por causa da minha mania de agir sem pensar. Não é que eu fosse irresponsável de propósito, mas quando as situações são muito perigosas eu tendo a colocar os outros acima de mim. A ironia era que agora eu estava impedida de ajudar os outros por ter tentado ajudar alguém.
–Agatha, Jacob – chamou Carlisle no pé da escada. – Podem me acompanhar até meu escritório por um instante?
Seguimos Carlisle até o cômodo e quando o adentramos pude realmente ver o quanto esforço Carlisle estava pondo para estudar aquele veneno; havia papéis por toda a parte e desenhos do que eu só pude presumir que fossem cromossomos. O frasco com o veneno ainda jazia em sua mesa. Tive uma súbita vontade de pegar a coisa e tacar na parede, mas Jacob interrompeu meu devaneio ao perguntar:
–E então, o que houve?
Carlisle nos observou seriamente.
–Bem, como vocês sabem, eu venho estudando o veneno que Joham criou. E acho que agora finalmente entendi como ele funciona.
–É mesmo? – arfei.
–Sim. – ele assentiu. – O que mais me intrigava nesse composto era como ele poderia funcionar no organismo de um transmorfo. Pelo o que eu entendi o que faz vocês se transformarem é a magia no sangue de vocês; então como algo químico poderia anular algo tão poderoso?
–Não anulou. – interveio Jacob. – A curandeira da nossa aldeia disse que Agatha tem o controle dessa magia. – ele deu de ombros. – Tanto que ela se transformou ontem.
–Exatamente. – concordou Carlisle. – Mas eu estudei o sangue de Agatha e achei a resposta. Lembra quando lhe falei sobre seus cromossomos, Jacob?
Jake assentiu e eu olhei de um para o outro, meio perdida.
–Os lobos têm 24 pares de cromossomos. – explicou Carlisle.
–E o que isso quer dizer? – perguntei. Pra mim não fazia sentido. Pelo o que eu pude estudar de biologia na escola, só entendi que ter um cromossomo a mais te fazia diferente do resto. Mas eu não precisava de biologia para saber que os lobos eram muito mais diferentes.
–Quer dizer, que se Joham teve acesso ao DNA de algum de vocês, só o que ele precisava fazer era criar uma substância que danificasse esse par extra de cromossomo.
Olhei para Jacob e ele parecia tão confuso quanto eu.
–É claro que isso não afeta o fato de que você tem a magia no sangue. – continuou ele. – É por isso que conseguiu se transformar, mas isso deve ter lhe causado algum esforço, não?
–Causou. – murmurei me lembrando do quanto tive que forçar para explodir em lobo. – Mas eu ainda não entendo. Como foi que ele fez com que o veneno de vampiro não fosse letal?
–Bem, é difícil explicar. É mais ou menos como o conceito do veneno de uma cobra, que é usado para a própria cura. Joham precisou modificar o veneno para que ele não fosse inteiramente letal, embora, tenha dado errado.
–Então, quer dizer que Agatha não vai mais poder se transformar? – perguntou Jacob preocupadamente.
Carlisle olhou bem para mim e expressou pesar ao responder:
–O seu corpo está fragilizado demais devido ao esforço que seu organismo fez para se transformar e curar o seu ferimento. Você vai se recuperar e em breve vai poder ter a saúde de uma pessoa normal, mas... – ele hesitou.
–Mas eu não posso mais tentar me transformar, não é? – eu disse com a voz quebrando.
–Sinto muito. – disse o doutor. – Eu posso continuar procurando por uma cura, mas a melhor chance de achá-la é tendo acesso aos conhecimentos de Joham.
E para ter acesso aos conhecimentos de Joham, primeiro teríamos que matá-lo. Isso era óbvio. Então, minha cura era mais um motivo para Jacob estar tão ansioso para acabar com tudo isso. E isso era mais um motivo para eu ficar completamente preocupada.
Amanhã de manhã pegaríamos um avião para Calgary. Alice, Carlisle, Esme e Jasper foram à frente para arrumar a casa e tudo o mais. Nós iríamos com Edward, Bella e Renesmee. Então eu e Jacob voltamos para a aldeia para nos despedirmos de Sue e Billy. Além de lidar com a preocupação com Seth, Sue ficou seriamente assustada quando disse que eu iria junto para a batalha. Depois disso resolvi não tocar no assunto da minha incapacidade de me transformar. Ela não precisava de mais isso na cabeça.
Fui para o meu quarto com Jacob em meus calcanhares. Sentei-me na cama, colocando as mãos na cabeça. Jacob sentou ao meu lado e tirou puxou meus pulsos delicadamente, e depois passou seus braços ao meu redor.
–Você está tão fria. – ele comentou. – Está se sentindo bem?
–Sim. É só que eu estou preocupada com a Sue.
Ele beijou a minha testa.
–Eu sei. Acho que ela está tendo que aguentar mais do que pode. – ele me olhou diretamente nos olhos. – E acho que você também, não é? Você ficou muito quieta depois de tudo aquilo que Carlisle disse.
–Não tem nada a ser dito, Jake. Isso não importa agora.
–É claro que importa. Isso é sério.
Suspirei. Encostei minha cabeça em seu ombro, absorvendo seu calor e o perfume da sua pele. Eu não queria que ele fosse embora. Não queria me separar de Jacob por que sabia que amanhã era o começo de algo que estaria fora do meu controle. Mas não podia ficar pensando nisso agora senão acabaria enlouquecendo. E eu queria mais do que tudo aproveitar esse momento aqui com Jacob. Antes que ele escapasse das minhas mãos como parecia que estava prestes a fazer.
Jacob pegou meu rosto com as duas mãos e me forçou a fitar seus olhos negros.
–Vai dar tudo certo. As coisas vão voltar ao normal, eu prometo.
***
Meus dedos torciam-se nervosamente enquanto o avião decolava. Eu não me sentia muito bem. Meu estomago revirava-se inquietantemente e eu atribuí isso ao meu nervosismo crescente em relação à batalha.
Mas também eu não era a única a me sentir assim. Quando olhei para o outro lado do corredor, pude ver Bella acalmando uma angustiada Renesmee. É claro que ela estava assim. A cada minuto que passava era cada vez mais difícil não pensar na terrível situação em que Seth se encontrava.
Senti Jacob me observando e tentei não parecer assustada. Ele deu um meio sorriso e colocou a mão em cima das minhas para impedir que eu continuasse a retorcê-las. Depois ele ergueu a outra e acariciou o meu rosto.
–Você está bem? Quase não dormiu ontem à noite.
–Tá tudo bem. – respondi virando o rosto na palma dele. – Só estou preocupada.
–Fica tranquila. Amanhã tudo isso vai estar terminado.
É. Só que o meu medo era de como isso tudo ia acabar.
Depois de uma hora e quinze minutos nós já estávamos aterrissando. Quando desembarcamos no aeroporto foi meio confuso; havia tantas pessoas lá e falavam tantas línguas diferentes. Turistas demais. Quando saímos do aeroporto cheio resolvi esclarecer minha dúvida.
–Ei, por que Joham viria para uma cidade com tantos turistas? – perguntei para ninguém em particular.
Foi Edward quem respondeu.
–Por que ele deve estar transformando alguns deles. – ele deu um meio sorriso sombrio. – Desaparecimentos durante viagens para o exterior são comuns.
–Mas como vocês vão lutar com tanta gente visitando as montanhas? – perguntou Renesmee.
–Eles visitam os parques nacionais. Nós vamos estar bem no meio da floresta, em um local não permitido aos turistas. – explicou Edward.
–Ali estão Carlisle e Alice. – apontou Bella. Eles vieram já com os carros – eu nem queria saber como eles haviam conseguido automóveis tão caros em tão pouco tempo – para seguirmos para a tal casa perto das Montanhas. Iríamos com Alice e os outros com Carlisle. Jacob estava louco para pegar o volante, mas aparentemente você tinha de ter habilitação internacional. Colocamos tudo nos carros e partimos.
Calgary era mesmo linda. Se não estivéssemos aqui para lutar contra um exército de vampiros e seu mentor psicopata, eu estaria muito animada em conhecer outro país. O clima ainda era frio como Alice dissera; nada muito diferente do de casa, mas o ar era seco. As estradas eram ladeadas por árvores e paisagens muito bonitas, mas logo viramos em uma estrada de terra meio escondida no meio de um bosque. Para falar a verdade era meio assustador estar em outro tipo de floresta que não fosse aquela conhecida. Quanto mais entrávamos na floresta, mais o carro sacolejava e dava trancos nas raízes do chão.
–Tenta não destruir o carro, Alice. – disse Jacob.
Ela deu um riso sarcástico.
–Para a sua informação, eu dirijo muito bem.
–É tô vendo.
Depois de mais uns quinze minutos, a luz do sol já não podia ser vista dada às árvores altas e juntas.
–Falta muito? – perguntei.
–Não. – ela respondeu. – Estamos quase lá.
Então, finalmente nós chegamos a um trecho onde havia um casebre de madeira, quase camuflado pelas árvores. Atrás dele, ao longe, era possível ver o enorme conjunto de montanhas cinza. Carlisle, Edward, Bella e Renesmee desceram do carro logo depois de nós.
–É um bom lugar para se esconder. – comentou Bella.
–Essa é a ideia. – disse Alice. – Nós a construímos aqui especificamente por causa da locação.
–Sério? Vocês construíram? – disse Jacob.
–É, Esme tem experiência com essas coisas.
Adentramos o casebre e eu tive que tirar meu chapéu para eles: construíram a coisa em uma noite e tinha tudo o que era preciso. Banheiro; cozinha; e o quarto tinha até duas camas bem confortáveis para mim e para Renesmee.
–Eles pensaram em tudo. – disse ela quando colocamos as bolsas nas camas.
–Nem me fale.
–Por quanto tempo iremos ficar aqui? – ela perguntou olhando para as camas.
–Sei lá. – respondi entendendo por que seu olhar pairava sobre as camas. Se a luta demorasse mais do que uma noite seria impossível conseguir dormir. – Acho que depende de quanto tempo vai levar para caçar os vampiros do exército.
–Acha que vão conseguir pegar o Seth? – ela estava temerosa.
–Acho sim. – respondi tentando colocar o máximo de segurança em minha voz. – Ele vai ficar bem.
Ela não ficou muito confiante. Não pude deixar de pensar nas inúmeras vezes que Jacob dizia que iria ficar tudo bem e eu não acreditava. Talvez todas as tentativas de se acalmar alguém numa situação dessas fossem infrutíferas. Talvez, a gente só dissesse esse tipo de coisa por que nós mesmos tentamos nos convencer de que no final tudo dará certo. Que vamos ter um final feliz.
E para falar a verdade, não era exatamente nisso que deveríamos acreditar?
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