O Outro Lado Da Escuridão
39 Momentos de paz - parte 1
Notas iniciais
—Isso é um absurdo, Camus! Gritou Milo ao chegarem em casa, logo se jogando no sofá.
—É a vida! Disse o francês dando de ombros e indo ao bar servir-se de um wisk, — Hyoga, não sei como, desenvolveu algum apego pelo fugitivo, agora é deixá-lo longe e esperar que essa insanidade passe...disse sentando-se próximo ao companheiro.
—Não acredito que perdi meu melhor agente...mas...talvez isso até facilite as coisas já que com certeza o pato irá atrás dele...é claro! Seguirei Hyoga e encontrarei o fugitivo! Disse Milo como se tivesse recebido uma revelação. — Mais tarde resolvo isso!
Notando o silêncio de Camus, lembrou-se da confusão no apartamento do detetive e ficou sem graça, principalmente ao ver o rosto inchado de seu Rubi.
—É...e..e ai? ainda está doendo muito o soco que te dei? Perguntou o loiro em tom manhoso se sentando.
—Não, o que mais me incomodou foi sua desconfiança, Milo! achar que eu o estaria traindo e ainda por cima no apartamento do meu irmão é o cúmulo. Pensei que haviamos acordado que, caso nos interessássemos por outras pessoas, seriamos honestos um com o outro.
—Eu nunca vou querer outro que não você meu ruivo! Disse Milo o abraçando, mas, tente ver o meu lado! Você sabe que eu sou ciumento, ai eu chego e te vejo com uma versão andrógena da Barbie e...
—Você não me viu com o Shaka! Eu estava tomando banho; você que concluiu besteira! cortou Camus.
—Tá, eu aumentei o que vi, bebi demais e perdi a cabeça...mas não vamos deixar isso nos afastar, eu sou todo seu e você é o MEU Rubi, vem cá...e o beijou da maneira mais sedutora que seus instintos o guiaram.
—Milo...espera, nós...
—Agora não, Camus...
Nisso o ruivo não teve como resistir, era sempre assim, eles eram assim, brigavam, discordavam, mas se completavam e se amavam...
Passaram-se vários dias desde o encontro ocorrido no apartamento de Hyoga; como Milo deixara bem claro que não livraria o detetive caso ele quisesse mesmo ajudar Shun, Hyoga decidiu se afastar da casa dos gêmeos antes que o cunhado começasse a relacionar os fatos, porém continuavam se comunicando por celular, algo que seria impossível se não fosse a ajuda de Camus.
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—Realmente, o pato é mais esperto do que pensei! Disse Milo após soprar uma baforada do cigarro.
—Fingirei que acredito se isso o faz feliz. Disse Camus se esticando para pegar o maço de cigarros em cima da cômoda, ele detestava esse mal hábito, porém a tensão do trabalho o fez voltar a fumar, mas ele se comprometeu a parar assim que resolvesse o caso Alfa.
Estavam deitados, cansados após o prazer e cada um fumava tentando transformar em fumaça o entrave que surgiu e que estava quebrando a harmonia entre eles. Milo prometeu prender Hyoga se ele ajudasse Shun e Camus por mais frio que parecesse jamais permitiria que tal fato ocorresse.
—O pato quase não sai de casa, não telefona, não manda e-mails e nem mensagens pelo celular, mas eu sei que ele mantém contato com o Amamiya, só não entendo é como! Até aqueles dois lá, o Shaka e o Fenrir, coloquei gente para vigiar se algum deles saia para algum canto, mas nada! Disse Milo contrariado.
—Não foi você mesmo quem disse que ele era seu melhor agente? Lógico que ele não facilitaria as coisas para o seu lado, ainda mais sabendo que estaria sob vigilância constante e estando, talvez, apaixonado. Disse o Ruivo apagando o cigarro no cinzeiro.
—É...é isso que fode, a paixão...o amor...eu entendo disso..disse o loiro colocando o cigarro no cinzeiro e abraçando o ruivo. — eu enfrento qualquer um por você, Camus, faço qualquer coisa...disse começando a beijar o pescoço alvo e já ficando disposto para mais diversão, no entanto Camus queria continuar falando sobre o irmão...
—Milo, espera! Não seria melhor dar uma chance ao Amamiya de provar se realmente é inocente? Hyoga deve ter elementos muito concretos para ter mudado seu conceito acerca desse caso, mesmo apaixonado, ele não é de agir por impulsos. De qualquer forma ele estaria em suas mãos...disse Camus cauteloso, teria que agir com cuidado ou seus problemas só piorariam. Pensando um pouco, Milo abriu um sorriso sacana e disse:
—É, pode ser, mas só vou pensar nisso depois...bem depois....
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—Então deixará de vê-lo? Enfim aprendeu algo comigo, Hyoga. Disse Camus enquanto tomava café.
—Camus, poupe-me de suas ironias, já tenho coisas demais para me irritar. Falou Hyoga pegando sua xícara.
Estavam no apartamento do detetive e conversavam animadamente; Fenrir alugara um apartamento e Shaka havia se mudado para lá, precisava manter-se em anonimato, o que seria impossível ali, principalmente depois da cena com o chefe de policia.
—Camus...afinal, de que lado você está? Vai me prender também? Perguntou o loiro.
—Hyoga, meu interesse é achar o dinheiro do Alfa, se ajudar o Amamiya for o meio de conseguir isso...não que esteja do lado dele, mas por enquanto não me proponho a ser inimigo.
—Já é algum progresso...era sobre isso que queria falar?
—Não, gostaria que fosse comigo fazer algumas compras. Disse o ruivo para surpresa de Hyoga.
—Compras? Nossa, a quanto tempo não saimos juntos para algo desse tipo...
—Verdade Hyoga, tenho ciência de que estou negligenciando meu papel de irmão mais velho, porém você sabe que me preocupo com seu bem estar. Disse o ruivo segurando a mão do mais novo, num gesto gentil, algo tão raro que Hyoga tratou de aproveitá-lo ao máximo.
—Nossa, então...vamos terminar de comer e vamos! Preciso mesmo comprar algumas coisas..
Aquela manhã foi como um sonho para o detetive, ter um momento a sós com seu idolo e sair como irmãos sempre fora motivo de alegria para Hyoga, porém eram momentos raros, principalmente depois que Milo apareceu na vida do ruivo e não desgrudava dele. Aos pouco foi se acostumando a ser sozinho, mas no fundo sentia falta. Por isso tratou de aproveitar, foram ao maior Shopping da cidade e entraram em todas as lojas; os dois chamavam atenção devido a aparência, tão parecidos e ao mesmo tempo diferentes.
Compraram muitas roupas e claro que o detetive buscou comprar peças parecidas com a do irmão, mas que fizessem seu estilo. Devido o calor, pararam para tomar sorvete e Camus então disse que esquecera algo numa das lojas e deixou o loiro cuidado dos pacotes.
“Camus está tramando algo, por mais que queira, sei que não foi por mim que fizemos tudo isso”. Pensou com certa mágoa; já ia procurar o ruivo quando o vê voltando trazendo mais uma sacola. “não lembrava que ele fosse tão consumista”...
—Achou o que havia esquecido? Perguntou curioso ao ver Camus desembrulhar uma caixa.
—Sim; havia esquecido de comprar isto. Falou o ruivo mostrando um par de celulares de marca popular, do tipo que só servia para telefonar e mandar sms.
—Camus, para quê comprou esses aparelhos tão simples se seu smartphone é top de linha? Disse o loiro olhando os aparelhos.
—Fique com um deles e entregue o outro ao Amamiya, os chips estão em meu nome, portanto não há chances de Milo mandar monitorá-los.
—Camus...eu...
—Eu sei que você está interessado nele e não ficaria longe por muito tempo; isso me traria muitos problemas não só com Milo, mas com o FBI principalmente. Conversem e trate de conseguir mais dados, verei o que posso conseguir, mas não pense que tenho acesso a tudo no FBI.
—Muito obrigado Camus! Disse o loiro ainda mais admirado com o irmão.
—Não agradeça, aja! Você é um detetive e tem que solucionar esse caso. Disse o ruivo com firmeza. Agora eu precisarei ter cuidado para que Milo não descubra ou haverá uma guerra de mil dias.
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