O Outro Lado Da Escuridão
19 Encontros Explosivos – Parte III - Verdades vindo
Notas iniciais
P.s1: estamos quase na reta final, mais uns 6 capítulos eu acho e vamos descobrir o mistério...
P.s2: contém uma cena meio perva...
P.s3: não sei escrever cena perva, me digam o que acharam..
Tarde...
Ao terminar de ler o dossiê, Shun já sabia por onde começar: Aioria. Segundo Shiryu, o contador estava fraudando o Alfa havia anos e o rombo era considerável apesar de não precisar o quanto havia sido roubado. “ isso eu descubro...e Andrea confiava plenamente nele!” pensava enquanto seguia de ônibus para Wall Street...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“Marin, por que não consigo te deixar apesar de tudo o que você me faz? Por acaso não tenho mais amor próprio?” se perguntava Aioria saindo do trabalho, Marin tinha um novo amante, os sinais eram claros: lingerie nova, bom humor e saídas para “se distrair” “não sou mais homem, sou um covarde e por isso ela não me ama mais!” suspirou pesado. Chegando ao estacionamento, entrou no carro ainda distraído quando sentiu algo frio no pescoço e pelo espelho viu um rapaz de cabelos negros e sorriso ameaçador que segurava uma pistola. — Aioria! a quanto tempo meu amigo! — Shun? O que você... — cala a boca e dirija, passe o celular e nada de gracinhas ou acabo contigo aqui mesmo....
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
– O senhor não pode fazer isso! Disse Hyoga revoltado, precisamos reabrir o caso Alfa, Shun é inocente e temos que fazer algo, agora que temos provas não podemos esconder isso!
– Pare Hyoga! disse Milo aborrecido, Pato, não sei qual o feitiço que aquele cara jogou em você mas você não tá regulando bem! Escondendo provas? Não estamos escondendo nada! Alias chamar de provas um monte de disse-me-diz arrumados por um detetive traíra? E levantou os braços num gesto teatral. — Olha Hyoga, Shun TE fez de idiota DUAS vezes, não só a você como o departamento inteiro, eu disse que o mandaria embora se você o deixasse fugir naquele dia mas como não foi sua culpa terá uma nova chance, pegue Shun e o prenda, essa é a sua missão e esqueça esse maldito dossiê e o caso Alfa!
– Milo seu loiro idiota! Por que é tão difícil entender? Andrea foi mesmo morto, acontece que ninguém queria que ele deixasse de ser o vilão da história!
– Hyoga! gritou Milo colérico o que deixou o inspetor preocupado, — escute bem, ninguém se importou com isso na época e eu não me importo com isso agora! E se não passar a me respeitar eu esqueço de quem você é irmão e o mando passar uma temporada no xadrez por homofobia, injuria e desacato a autoridade superior, fui claro?
– Sim senhor! Peço permissão para me retirar. Disse Hyoga nervoso. — Permissão concedida! Disse Milo com a imponência devida ao seu cargo de chefe de policia.
Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Deitado no sofá em sua sala, Hyoga se permitiu pensar no que estava acontecendo. Quando pegou o caso Amamiya estava com vontade de capturá-lo, assim como os outros, o odiava pelo que havia ajudado o companheiro a fazer, roubar dos pobres...mas a medida que avaliava seu comportamento e principalmente depois da ligação que Shun fizera pedindo para que o escutasse, o ódio foi dando lugar a pena e finalmente admiração. Quando o encontrou no metrô, os olhares se encontrando teve certeza, o olhar gritava “inocente”! Era um olhar triste mas determinado... “ em outra situação, outra vida, eu poderia amá-lo...se é que eu já...” levantou-se de súbito para não completar o pensamento e pegou a cópia do dossiê que Shiryu havia lhe entregue. — se eu fosse Shun, por onde começaria? Perguntou-se um momento e então uma ideia veio a mente – claro! Aioria! E saiu apresado. “preciso encontrá-lo primeiro”...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Noite...
Estavam num galpão abandonado em New Jersey; Shun terminava de amarrar os pés de Aioria, já havia algemado as mãos do contador ao poste mas decidiu amarrar os pés para evitar qualquer golpe “baixo”. Aioria permanecia sem reação, sabia que sua hora havia chegado e não bancaria o covarde, não dessa vez...
– Agora sim podemos conversar leão grego ou melhor, rato grego! disse Shun com uma seriedade que impressionou o contador. – O que fiz foi por amor, por Marin acredite! — que se danem os seus motivos! Quanto você roubou de Andrea? — eu não roubei o máscara eu ai!...shun o havia acertado com o cabo da pistola quebrando seu nariz. — se disser mais uma mentira eu estouro seus miolos, duvida? — o que aconteceu com você Shun? Não é mais o mesmo! Disse Aioria sentindo o gosto de sangue na boca. — o que aconteceu comigo?! E Shun começou a rir, um riso misturado com lágrimas, ele ria e chorava ao mesmo tempo... — você não sabe o inferno que vivi esse tempo todo! O Shun que vocês conheceram ou melhor, o bolinho de arroz, não era assim que me tratavam pelas costas?morreu no primeiro dia em que pôs os pés em Bedford...e agora diga o quanto roubou de Andrea! — 15 milhões, disse o contador, no total ao longo dos anos mas não roubei Máscara, roubei do Alfa, mas eu ia devolver!
– sério? E por que não devolveu hein santinho? Ironizou Shun. — eu estava endividado, Marin gastava tudo o que eu ganhava e chegou ao ponto de pegar dinheiro com agiotas, quanto mais dinheiro eu conseguia, mais ela gastava e mais eles nos perseguiam até que ameaçaram matá-la! Disse Aioria nervoso lembrando do que havia passado, era verdade, todos os dias a violência psicológica era intensa e mesmo assim Marin não tomava jeito... — e Andrea descobriu o roubo? — Sim, eu pensava que a comissão tivesse descoberto mas Máscara era mais esperto... — e por isso o matou! Para se safar da cadeia! Disse Shun já destravando a pistola. — matar? de onde tirou que ele foi morto? Ele se matou! O laudo comprovou e... — foi uma farsa, ele estava morto quando foi jogado ao mar, os peritos não quiseram se comprometer e atestaram suicídio.
– nossa, eu jamais podia imaginar isso... mas eu não o matei! disse Aioria, errei ao roubar o Alfa mas Máscara era meu amigo! — mentira! Você não roubou só 15 milhões, você roubou tudo e o matou para sair impune! — não! Eu juro, você tem todo o direito de se vingar, mate-me por ter roubado os 15 milhões do Alfa mas sou inocente na morte dele! — mentiroso! O que fazia com um assassino chamado Asterion então? — Asterion? Certo, ele é um assassino mas não o chamei para matar Máscara e sim o agiota que estava me ameaçando, eu já havia pago tudo mas ele queria ações do Alfa e disse que estupraria e mataria Marin na minha frente se eu não fizesse o que ele mandava por isso o contratei para fazer o serviço, eu amo Marin mais que a mim mesmo, prefiro morrer a não tê-la perto de mim, pode parecer doentio mas é o que sinto! Gritou e começou a chorar desesperado.
Passados alguns minutos, foi se acalmando e olhou para Shun que estava sentado no chão com o olhar perdido, nisso ele pode perceber como o bolinho de arroz estava diferente, os cabelos tingidos de preto combinavam com a pele pálida, reparou que os braços estavam mais musculosos; agora ele estava com aparência mais masculina, usava camisa de banda de rock, jeans e tênis pretos, lembrava muito o irmão Ikki...- Shun, até hoje me sinto culpado pelo que fiz, mas se alguém tinha motivos para ver Máscara morto, esse alguém era o Shura! — Sei que Shura estava com raiva porque Andrea não o quis ajudar com as dividas de jogo. — não era apenas raiva, era ódio e não era só por causa das dividas de jogo, Máscara o estava chantageando para que aprovasse no senado tudo o que ele quisesse! Shura já não aguentava mais...- mentira! Andrea jamais faria isso com um amigo! Aioria sorriu, ali era o velho bolinho de arroz falando, tão inocente e apaixonado por Andrea quanto ele mesmo por sua devassa Marin. — Shun, fale com um homem chamado Aioros e talvez ele o ajude... — Aioros? Quem é ele? Perguntou Shun notando a semelhança dos nomes e o modo constrangido como Aioria havia falado. — quem é ele? Bem...disse o grego olhando para o chão – ele é meu irmão mais velho...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
“Shun espero que não tenha feito uma besteira!” pensava Hyoga enquanto entregava a décima xícara de chá a Marin. Ele fora falar com Aioria mas quando chegou, Marin estava desesperada porque o marido havia sumido desde que saíra do trabalho, já passava da meia noite e nem sinal dele e o celular estava desligado. Já ia avisar a equipe quando o contador chegou, o nariz estava ponteado e a roupa suja de sangue. — AIORIA! Gritou Marin agarrando-o com força e chorando, eu tive tanto medo de te perder! Me perdoa por tudo meu amor! Disse e o abraçava com força. Aioria ficou nas nuvens diante dessa demonstração de amor e a beijou como um galã de cinema, enquanto isso um aliviado investigador tentava analisar o que havia acontecido...- cof cof, fez o loiro para que lembrassem de sua presença ali, — desculpem me pela intromissão mas o que aconteceu com o senhor? — um acidente, escorreguei e cai de cara no chão, como o pronto socorro estava lotado demorei e não quis preocupar Marin...e quem é o senhor? Acho que o conheço... — investigador Hyoga Yanovick. — oh! Não sabia que meu atraso traria tantos prooblemas...disse Aioria cauteloso. — na verdade vim conversar com o senhor mas isso pode ficar para outra hora, ainda bem que está seguro agora e com licença, sei o caminho até a porta. Disse já se retirando quando se virou e perguntou – Shun tentou entrar em contato com o senhor? — comigo? Quase gritou Aioria, Não, por quê? — por nada! Boa noite! “Shun me perdoou, não vou traí-lo como fiz antes!” pensou Aioria ainda abraçado a sua devassa mas amada esposa...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Dia seguinte...
Em um confortável apartamento na Quinta avenida, um belo homem corria na moderna esteira eletrônica, o suor o encharcava mas ele parecia feliz, corria ao som de Just Like Heaven, do The Cure. — isso lá é música para se fazer exercícios? Dizia seu eterno namorado enquanto o observava correndo. — eu gosto! Além disso é a nossa música lembra? — claro! E justamente por isso merecia ser ouvida em um momento mais...intimo...dizia ele desligando a esteira o que quase o derrubava de cara no aparelho – ora seu...mas era calado pelo beijo e dai era puxado para a cama e se amavam até a exaustão. As lembranças desses momentos o deixavam feliz e ajudavam a suportar a saudade que sentia quando ele estava longe. Desligou a esteira e foi até a janela para se acalmar da corrida e respirar o ar da noite que chegava. Passou a mão no rosto tirando a faixa vermelha que usava na testa, estava ensopada de suor assim como o cabelo castanho e volumoso, seus olhos castanhos tinham um brilho de tranquilidade e alegria, ele transmitia alegria e confiança mas isso não era verdade, ele não era plenamente feliz.
Aioros era arquiteto e viera para os EUA muitos anos antes que o irmão Aioria, fora expulso de casa e da família; os tradicionais Abnara jamais aceitaram o fato do seu primogênito ser gay e o deserdaram.
Pouco se importava com o dinheiro, o que doía era o fato de lhe terem tirado o amor do irmão Aioria. Ele o amava desde que nasceu, porém os pais fizeram a cabeça do menino contra si e ele passou a desprezá-lo. Quando soube que o irmão estava na América foi procurá-lo para explicar o que havia acontecido porém só encontrou desprezo e vergonha por parte de seu leãozinho, apelido carinhoso que o havia dado desde bebê. Desde então não se falavam, Aioros preferiu deixar que o tempo fizesse sua parte... — preciso me ajeitar, logo ele chega! Disse afastando as lembranças. Já estava na porta do banheiro quando ouviu a porta abrindo, foi até a sala e encarou o amado que lhe sorria e já se aproximava – oi...começou a dizer mas o outro já o beijava com força e o abraçava possessivo, — também estava com saudades disse Aioros se afastando um pouco. — vamos logo Aioros, nem imagina o quanto sinto sua falta! — eu tô suado começou a reclamar mas o namorado já o estava empurrando para o sofá, o desejo o consumindo. — eu te amo até coberto de lama! Disse enquanto o beijava, — eu também te amo! Nossa situação é um absurdo mas eu te amo de qualquer jeito! Disse Aioros. Ouvindo aquilo o outro parou e se afastou um pouco, encarava os olhos castanho de Aioros com adoração e tristeza, segurando o queixo do amado – Aioros, eu sei que você merece alguém melhor que eu, mas não duvide dos meus sentimentos, você é a única pessoa que eu amei e amo em toda a minha vida! — eu sei disso, nunca duvidei de você, eu também te amo Shura! E o puxou para outro beijo
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Dois dias depois...
Ele admirava os três homens nus e algemados na enorme cama; todos lindos mas cada um com sua beleza peculiar sendo que seu preferido era o do meio, os cabelos vermelhos como sangue, a pele clara e macia, macia até demais para um homem mas, ele é Francês e os franceses trazem o DNA da beleza em si! Mas por hora ia se divertir com o pequeno príncipe oriental, — vou te mostrar do que um homem de verdade é capaz de fazer! Disse e estalou o chicote que trazia consigo enquanto Shun debatia-se tentando se soltar e gritava que era inocente, isso só o deixava mais excitado. Olhava o corpo pequeno e delicado, tão branco e frágil como uma bailarina de caixinha de música...no entanto aquela voz rouca e com sotaque forte que tanto adorava o estava chamando – vem cá Mon Amour! Mas nisso outra voz, a do outro homem, se fez ouvir – nada disso! Eu primeiro! Disse o grego loiro, Milo -não, eu primeiro! Dizia Camus e eles começaram a discutir para saber quem seria possuído por ele primeiro e isso o deixava tão excitado que estava sentindo dor, não aguentaria muito tempo... — calma eu dou conta dos três! Mas agora fiquem quietinhos e se divirtam com a visão, vou comer esse pequeno príncipe oriental primeiro! E encarou Shun que se debateu ainda mais ao ver o tamanho de seu falo totalmente ereto enquanto os outros dois lambiam os lábios com luxuria. — alteza, você vai me contar até o que vai acontecer no futuro! E se jogou sobre o corpo do menor que tremia e se encolhia enquanto era mordido, chupado e... — O SENHOR ESTÁ BEM? Perguntou a bibliotecária nervosa tirando Radamanthys de seu delirio. — TÔ! QUER ME DEIXAR EM PAZ, NÃO PRECISO DE SUA AJUDA! Gritou furioso – seu grosso! Eu só fiquei preocupada.... disse a mulher se afastando nervosa. Desde que Camus o havia afastado do caso Alfa, investigava por conta própria e usava a biblioteca pública como base. — Afrodite você me paga! dizia entre dentes – você envenenou Camus contra mim, mas quando Shun Amamiya me levar até a grana eu me livro de você e Camus vai ter que me engolir e com um sorriso sacana acrescentou – literalmente! Radamanthys sempre desejou o ruivo Francês mas este sempre fingiu não notar seu interesse, era doente pelo loiro burro grego e isso era uma afronta! — Camus, por você eu aturo aquele imbecil...se bem que ele é bem gostosinho...pensava saindo da biblioteca, não tinha mais clima para trabalhar...
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
– e por que veio até mim? Perguntou Aioros desconfiado olhando para o policial sentado a sua frente. “ Que cara estranho! Pensou, o policial era baixinho e com cara de inteligente, deve ser bom em investigação porque pegar bandido nem em seu sonhos mais felizes!” — parece que o Senhor e o Senador Shura são amigos a longa data, disse o policial de forma segura. — digamos que sim, respondeu o moreno um tanto incomodado – mas o que quer saber especificamente? -há quanto tempo se conhecem? Desde a adolescência — ah uma amizade muito antiga já, então ele se sente a vontade para conversar qualquer coisa com o senhor.. — pode me chamar de Aioros e sim temos esse nível de intimidade, não há segredos entre nós! — certo, e alguma vez ele falou sobre as relações que mantinha com Andrea Giglio? — Andrea? Disse o homem nervoso “ele sabe de algo! Pensou Shun” — bom, dizia que eram amigos... — sim, mas em algum momento ele falou que teve um desentendimento com o Senhor Andrea motivado pelas recusa deste em lhe emprestar o dinheiro para quitar dividas de jogo? — como sabe disso? Perguntou espantado, “então a carreira politica de Shura estava arruinada! pensava Aioros”, — Olhe Aioros, gostaria que me contasse o que sabe sobre o relacionamento entre Shura e Andrea, temos indícios de que o Senador estava sendo chantageado mas ainda não entendemos o que ele, com um passado tão limpo, teria a esconder para que fosse vitima de tão humilhante situação. Shun disse essas palavras sentindo como se cada uma fosse uma faca entrando em sua pele mas precisava ser convincente...ainda atordoado Aioros considerou as palavras do policial, talvez se a obsessão politica acabasse, Shura voltaria a ser o seu amado por completo... — é verdade, Andrea o estava chantageando e por minha culpa. — sua culpa? Por quê? — Shura e eu somos amantes há 10 anos. Mal disfarçando a surpresa, Shun não precisou perguntar detalhes, o moreno precisava falar, já não aguentava aquela situação – nos conhecemos desde a adolescência e sempre nos gostamos, mas ele sempre teve ambição politica, nos afastamos por um tempo e há 10 anos nos reencontramos e não conseguimos mais ficar longe um do outro, mesmo ele casando, tendo filhos e traindo a mulher com outras eu sempre fui o único que ele amou. Vivíamos felizes apesar de tudo até que Andrea descobriu e passou a chantageá-lo dizendo que iria contar tudo aos jornais e ainda me deportaria de volta para a Grécia sem chances de voltar caso não o obedecesse, ele tinha que aprovar tudo que Andrea queria mesmo que fosse prejudicial ao país. Quando soubemos que ele havia se suicidado nossa! Parecia que estávamos saindo do inferno, foi o dia mais feliz da minha vida! Disse Aioros. — bem, sei que vai parecer absurdo mas, acha que Shura teria coragem de matar Andrea? — matar? Perguntou o moreno Mas se ele cometeu suicídio! — foi um erro! Disse o policial, ele já estava morto quando foi jogado ao mar, acha que Shura faria isso? — impossível! Disse Aioros, -no dia em que tudo aconteceu, Shura e eu estávamos almoçando com correligionários no clube da praia e de lá saímos para a minha casa na praia, marcamos de nos encontrar no clube e fingiríamos que havia sido coincidência, assim poderíamos ficar juntos sem chamar atenção afinal, aqui poucos sabem de minha orientação sexual e mesmo os que sabem prezam a capacidade de Shura ser fiel a uma “amizade de infância” — certo, disse o policial terminando suas anotações obrigado por colaborar não se preocupe que Shura nunca saberá que o senhor me deu essas informações. — tudo bem, sabe, foi bom falar sobre isso, muito tempo calado...- compreendo Aioros e espero que vocês possam ficar juntos no final. Abrindo um sorriso largo Aioros agradeceu. Shun já estava saindo quando foi chamado pelo moreno – olha Albiore, acredito que já saiba mas, EU acho que havia outra pessoa capaz de matar Andrea sem hesitar... — e quem seria? Perguntou Shun ansioso – ora, o amante dele! — ah, desculpe-me mas Andrea não tinha amante! — Claro que tinha! Mu Gyangtse! Eles foram amantes até que Andrea se cansou da diversão e voltou arrependido para o companheiro Shun Amamiya que nunca desconfiou do que acontecia a suas costas... — Você tem certeza disso? Disse Shun nervoso – claro! Shura só não usou isso contra ele porque era mais “aceitável” que máscara, já sendo homossexual trocasse seu companheiro por outro do que um suposto macho alfa que defende a dignidade da família trocar a mulher por um homem! Você não sabia? — não...mas muito obrigado pela informação, com licença.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Uma semana depois...
“Por que, Andrea? Por que fez isso comigo?” pensava Shun ainda triste, entre uma garfada e outra na macarronada feita por Nachi. Depois que descobrira a traição de Andrea, passara dias trancado em seu novo esconderijo, não queria viver, não tinha mais. por que lutar, ficou trancado até que a fome o venceu, olhou novamente o dossiê tentando encontrar algum alento — Eu ainda preciso provar minha inocência, além disso, Aioros disse que Andrea se arrependeu e isso é verdade...saiu para comprar alguma coisa para comer quando encontrou com Nachi e ele o intimou a ir jantar em seu apartamento naquela noite, mesmo não morando mais no mesmo bairro, costumava frequentar a casa do travesti por ser seu amigo, o único que se permitiu fazer desde que saíra de Bedford...- e então lindinho como está o meu banquete? Perguntou Nachi juntando as mãos no rosto e fazendo um biquinho afetado. — está uma delícia! Disse Shun sincero, ele cozinhava muito bem e seria um grande Chef se tivesse tido oportunidade, sempre que podia, preparava algum prato diferente e Shun era sua cobaia favorita. — olha lindinho, ele começou a falar ficando sério, preparei isso tudo porque hoje é nossa despedida; o Zeros, aquele cara que você quase matou pra me defender lembra? Soube ontem na lavanderia que ele te jurou de morte e por isso você não pode mais vir aqui! Shun ia abrir a boca pra dizer algo mas foi interrompido pelo dedo de Nachi em sua boca em sinal de silencio, — além disso, a policia pode aparecer a qualquer momento já que os vizinhos começaram a observar, aqui não é mais seguro pra você Shun Amamiya!
Ele ficou estupefato, olhando para Nachi como se visse um fantasma – então você sabe? Desde quando? — desde que ofereceram a recompensa, ficava olhando as fotos nos jornais e ai foi só juntar um mais um! Você apareceu do nada, só sai a noite e nunca quis um programa comigo! Disse com ar divertido fingindo raiva. — então por que não me denunciou para pegar a grana? Perguntou Shun ainda confuso. — por que? Ora lindinho! Por que você é meu amigo! Sempre me tratou como gente. Sabe, nunca fui bem tratado por ninguém até te conhecer, você me respeita, me ouve e, naquele dia, quase matou um cara pra me salvar mesmo com a policia do país inteiro atrás de você! Não tem dinheiro no mundo que valha ter um amigo de verdade e eu te considero meu amigo! Disse limpando as lágrimas, Shun o abraçou forte chorando também, de alegria por ter mais um amigo de verdade além de Seyia, Jamian e Cársius e de tristeza por ter que deixá-lo, mas ele estava certo, era para seu bem... — nunca vou esquecer o que fez por mim Nachi, quando tudo isso acabar eu volto e vou tirá-lo daqui, eu juro! — certo, vou esperar, torcer e cobrar viu? Se não cumprir sua palavra denuncio nos jornais que você me engravidou e não quer pagar pensão! Kkkkkkkkkk – eu juro! E agora vamos comer porque a macarronada tá esfriando!
Continuaram comendo e conversando; Shun contou sobre a traição de Andrea e ouviu os conselhos de Nachi para esquecer aquele erro, afinal ele havia voltado! Ouvir isso deixou Shun menos triste, estavam tranquilos quando alguém começou a apertar a campainha como um desesperado. — tá esperando visita? Perguntou Shun — não! Eu nunca trago clientes pra cá, vou ver quem é. E o desesperado continuava apertando a campainha — já vou! Eu não sou surdo porra! Mas não teve tempo de abrir a porta, ela foi arrombada por Zeros que invadiu o local já atirando, Nachi foi atingido na cabeça e caiu morto. — NÃO! Gritou Shun da porta da cozinha ao ver o amigo ferido mas não teve tempo, Zeros avançava disparando, Shun voltou para cozinha e pulava a janela quando foi atingido nas costas, na escada de emergência e ia descendo pulando o mais rápido que podia, Zeros continuava o perseguindo e disparando e Shun se encolhia no canto da parede, sentia o ar faltando e o gosto de sangue na boca. — não posso parar, não posso morrer agora! Estava no segundo andar quando foi atingido novamente nas costas e na perna, com isso se desequilibrou e caiu dentro da lixeira. — pensou que ia fugir de mim era seu filho da puta? Ninguém humilha o grande Zeros sem pagar um alto preço por isso! Shun gemia, além dos tiros e da queda, havia batido a cabeça em algo duro que estava dentro da lixeira. — É o meu fim? Não aguento mais, Ikki, me espere, já eu chego... e desmaiou – agora vai pro inferno! Disse Zeros apontando para o coração de Shun quando ouviu a sirene da policia. — merda! E saiu correndo – ele não vai sobreviver mesmo! Disse enquanto corria, entrou num bueiro e sumiu.
O policial Roger estava a caminho de uma reunião na delegacia quando a central pelo rádio avisou sobre o tiroteio, — merda! Eu mereço...preparou a pistola e ouviu os tiros vindos de uma rua lateral, ligou a sirene e as luzes altas e viu quando alguém correu e sumiu no chão. — esses ratos sempre se escondem no esgoto...desceu da viatura segurando a pistola e uma lanterna, cauteloso foi andando até onde o cara estava antes mas não viu nenhum corpo -e então?... iluminou a lixeira com a lanterna e viu que havia alguém dentro, olhando bem percebeu que o peito ainda subia e descia -Ele ainda tá vivo! Correu até a viatura e chamou o socorro médico e avisou Milo sobre o caso. — o plantão começou animado hein? Quem é a vitima? Perguntou Milo – Sei lá! Não me pareceu conhecido....
Notas finais
p.s:não me deixem só...
Fale com o autor