O Outro Lado Da Escuridão
34 Romeu...
Notas iniciais
-Shun eu...
-Cala a boca! antes eu estava só e não reagiria caso me pegassem, mas agora há outras pessoas envolvidas e não permitirei que as prejudique! Disse baixo na orelha do Russo apertando ainda mais a faca em seu pescoço. -faça sinal dispensando seus amigos!
-eu vim sozinho, além disso estou afastado das investigações. Falou o loiro. -reli a ficha do Dr Saga e, só hoje, percebi que ele tem um irmão gêmeo, depois foi só investigar mais um pouco e entendi que você esteve aqui o tempo todo.
-você até que demorou para perceber! Agora entregue-me sua arma ou não hesitarei em cortar seu pescoço!
-você não seria capaz de fazer isso, mas estou desarmado, vim encontrá-lo pois...o Russo paralisou ao sentir a mão leve porém firme do outro apalpando seu corpo revistando-o e com esforço conteve um gemido ao sentir a mão roçando sua virilha.
-Shun confie em mim, acredito em sua inocencia e por isso estou aqui.
Após alguns instantes refletindo, Shun afastou-se do detetive e, com um empurrão, o jogou para dentro do quarto ficando de frente para o loiro, não pode deixar de observar e admirar sua beleza e persistência enquanto Hyoga não parava de analisar cada detalhe do menor, seu cabelo estava novamente Castanho, sua aparência estava saudável e seus grandes olhos verdes pareciam mais brilhantes...
-debaixo da cama já! Disse Shun o empurrando para debaixo do móvel enquanto se jogava na cama fingindo dormir. Mesmo sem entender, Hyoga o obedeceu e, pouco depois a porta foi aberta.
Nesse instante, Saga entrou no quarto. Desde que fora aceito por Shun, tentava recuperar cada minuto perdido de todas as formas e isso incluía ir durante a madrugada ver se ele estava coberto já que a noite fazia frio e algumas vezes o rapaz adormecera com a janela aberta.
-que imprudência meu filho! Disse Saga ao ver Shun “dormindo”, ele estava só com a calça do pijama, a janela e as cortinas estavam abertas...Saga fechou-as e, pegando o edredom que estava jogado no chão, cobriu o filho e apagou a luz do abajur saindo em seguida.
Hyoga permanecia imóvel porém sua mente fervilhava, em um momento, Shun quase o degola e, no outro, o protege. Se bem que ele deveria estar protegendo o pai...ao perceber que Saga já fora, saiu do esconderijo soltando um suspiro de alivio.
-Detetive, deixe minha família fora disso ou não responderei por meus atos. Disse Shun sério.
-já disse, acredito em sua inocência; tentei reabrir o caso mas fui barrado. Mas agora tenho uma pista concreta para começar a agir mas preciso que confie em mim e me ajude, unidos resolveremos esse mistério. Disse o loiro com voz animada
-que pista é essa? Perguntou o menor desconfiado, -não sou mais o idiota que jogaram naquela prisão...
-Fenrir. Disse Hyoga seco.
-como? Perguntou Shun
-você recebeu um e-mail dele marcando um encontro não é mesmo?
-por acaso você é esse tal Fenrir?
-não! Há algumas semanas, fui procurado por ele que se dizia representante de duas pessoas importantes; ontem ele chegou trazendo uma das peças que faltavam nesse quebra-cabeça.
-afinal eu não compreendo, disse Shun sentando na beira da cama ao lado do loiro, -quem é esse Fenrir na verdade e qual o interesse dele?
-Shun, eu sei que é muito confuso mas acredite, estamos quase no fim dessa estória. Nisso Hyoga segura a mão do menor que o fita entre confuso e envergonhado. E o loiro prossegue: -Misty e Afrodite são os culpados mas para provar isso temos que lutar juntos! Shun tenta se afastar mas o detetive o impede, nisso Shun suspira, sentia-se nervoso com aquele contato tão inocente mas ao mesmo tempo tão...importante? Era como se o fato do loiro acreditar em sua inocência o tivesse deixado mais leve e...feliz. Hyoga por sua vez tinha tanta coisa que queria dizer mas as palavras faltavam e também não seria idiota de se declarar apaixonado depois de tudo o que fizera mas não iria desistir...
-e quem são essas pessoas que ele representa?
-eu gostaria de poder contar mas, é melhor que o próprio Fenrir e a pessoa que veio com ele expliquem, confesso que ainda estou confuso com tudo o que me foi dito; mas por favor acredite em mim, estarei por perto no dia do encontro, não deixarei que nada mais de ruim te aconteça...
ao ouvir isso Shun praticamente pulou da cama se afastando enquanto o loiro praguejava mentalmente “droga, eu e minha boca grande!”
-eu preciso pensar...não posso arriscar ainda mais meu pai e meu tio eles podem perder tudo que levaram a vida inteira para construir.
-Shun, eu entendo sua reação mas tente ver pelo meu ângulo, as provas contra você eram muito consistentes, se não fosse pelo dossiê do Shiryu jamais poderia encontrar aquelas brechas. Aquele filho da mãe apesar de mau caráter era um excelente detetive...disse o loiro dando de ombros.
-era? Como assim? Perguntou Shun sem entender.
-ah! É verdade, você não teria como saber...Shiryu foi encontrado morto em um carro, a boca estava cheia de penas de corvos. Não conseguimos descobrir ainda quem foi mas, queria deixar claro que foi por vingança....Shun? O que foi? Perguntou o loiro ao perceber a expressão preocupada de Shun; O rapaz ao ouvir sobre as penas imediatamente lembrou de uma pessoa: “Jamian, foi ele! Foi vingança por Shiryu ter me traído.”
-Shun?
-ah? Desculpe-me é que, Shiryu era o melhor amigo de uma pessoa muito importante para mim. Disse olhando para a correntinha que Seiya o havia dado. Ouvir aquilo causou um mal estar no detetive que não gostou do tom sentimental usado pelo menor.
-Importante como? perguntou enciumado.
-um amigo que me ajudou muito...disse Shun de modo vago.
-tenho que ir, disse Hyoga, logo a rua ficará movimentada e não posso ser visto saindo daqui dessa forma. eu...posso voltar logo a noite? Tem umas coisas que gostaria de te mostrar...
após pensar por um instante disse: -tudo bem, mas se tentar me enganar...
-já sei, você mostrou do que é capaz Shun! Acredite, estou do seu lado. Até a noite!
-até! Disse Shun e ficou observando enquanto o loiro voltava pelo mesmo lugar por onde havia subido; ao voltar, deu de cara com Saga o observando
-Pai?! eu...
Enquanto isso lá fora, Hyoga sentia em sua testa o frio da pistola usada por Kanon, fora surpreendido pelo grego que o agarrou pelas costas.
-Detetive, não acha que temos problemas demais para ficar brincando de Romeu e Julieta?
-ah? Eu só...
-cale-se! Conversaremos lá dentro, se tentar qualquer movimento, farei um belo guisado de você pato Russo!
-VOCÊ FOI IMPRUDENTE SHUN! Disse Saga aborrecido,-Quem garante que ele não nos entregará? Ele é da Policia e você o fugitivo mais procurado do país! Acha que ele não quer o título de melhor policial?
Shun envergonhado, estava encolhido no sofá abraçando as próprias pernas, queria acreditar na sinceridade do loiro, aliás, acreditava...nisso Kanon entra trazendo Hyoga e o joga no meio da sala, num impulso, Shun levanta-se e vai até ele. -você está bem?perguntou. -sim, eu apenas não esperava...ao levantar a cabeça viu que tanto Kanon quanto Saga estavam armados com pistolas, mas o que o surpreendeu foi a semelhança entre os gêmeos.
-Dr Saga? perguntou para o que estava a sua frente.
-alternativa errada! Disse Kanon rindo
-mas vocês são idênticos!
-é o minimo esperado de gêmeos univitelinos. Disse Saga atrás dele.
-esperem, também não precisam zombar da minha cara! Disse Hyoga com raiva, odiava ser taxado de idiota...
-Shun, afaste-se dele! Ordenou Saga, sendo obedecido.
-Bem Romeu, pode começar a falar se quiser ter alguma chance de sair vivo daqui...disse Kanon...
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Apartamento de Hyoga
“Talvez aqui eu tenha um pouco de sossego!” pensava Camus ao entrar na garagem, mais uma vez havia discutido com Milo e pelo mesmo motivo: o ciúme quase doentio do loiro....já não sabia mais o que fazer, tinha um nome a zelar mas o grego não parecia entender e a cada dia o colocava em situações mais constrangedoras. “Mon Dieu! Bater o telefone na cara da Sr Elizabeth, uma típica old lady britânica!” tentou falar com o irmão mas este não o atendeu. “Merde! No dia em que preciso dele...mas aquilo também é meu!” depois da briga, foi direto para um bar e, após beber até relaxar, seu único desejo era um banho e uma cama confortável então foi para o apartamento de Hyoga.
Estranhou ao não ver o carro do loiro estacionado e foi informado na portaria que o mesmo saíra ainda pela madrugada.” o que o pato russo tá aprontando agora?” pensava com o resto de consciência que dispunha. Mas ao entrar no apartamento sua embriaguez começou milagrosamente a diminuir...”que limpeza é essa?” pensou ao perceber a organização do lugar. Como morava só e trabalhava muito, o apartamento do detetive ,apesar de não ser uma bagunça geral, nunca estava tão limpo e arrumado quanto naquele momento. Mas, se havia ainda algum álcool no sangue do ruivo, esse evaporou imediatamente com a visão que Camus teve ao abrir a porta do quarto de hóspedes: deitado na cama, um belo ser de longo cabelos loiros dormia; seu rosto tinha uma expressão suave e sua pele era branca e delicada. Camus não sabia o que pensar e nem o que fazer, nisso ainda de olhos fechados, Shaka falou: desculpe-me por ocupar sua cama...
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