O Outro Lado Da Escuridão
40 Momentos de paz....e maquinações.
Casa dos gêmeos
A cada dia que passava, Shun sentia-se pior, o tal Fenrir desmarcara o encontro e não mais manteve contato; já Hyoga, falava com ele por celular, porém eram conversas breves, mesmo o loiro dizendo não haver perigo de terem as conversas rastreadas, não confiava plenamente. Jamais permitiria que os gêmeos fossem prejudicados por sua causa..tinha medo, confiara no detetive sem qualquer garantia de que não seria enganado como fora pelos outros...”não, Hyoga não é igual a eles!” pensava o rapaz, mas sua mente continuava confusa...
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—É muito arriscado, Hyoga! Disse Shun ao receber o celular de presente do loiro.
—Não, Shun! Não estão em meu nome nem o aparelho e nem os chips, não há motivo para rastrearem esses números e além disso...disse o loiro se aproximando do menor e falando próximo ao seu ouvido – Eu sou o mocinho da história lembra? Se preciso, darei um jeito de te salvar. O que deixou Shun com um ar pensativo.
—Não teme que eu possa eliminá-lo? Perguntou o olhando de modo triste.
—Não, respondeu o outro que gentilmente tocou em seu rosto com a ponta dos dedos. — acho que você é capaz de se sacrificar para ajudar alguém se preciso...
—Não diga o que não sabe, a prisão transforma qualquer pessoa em um destruidor!
Falou Shun afastando-se do loiro e dando-lhe as costas. Sentia-se mal por Hyoga vê-lo como um anjo sendo que matara um homem e o pior, não sentia o menor remorso por isso...
—Espera, Shun; aconteceu alguma coisa na prisão? O que te fizeram? Perguntou o loiro ansioso, sabia que muitas violações aos direitos humanos aconteciam nas prisões e, imaginar que algo acontecera a Shun foi como um soco no estômago.
—Nada, deixa para lá Hyoga...então Milo está disposto a tudo para me capturar...realmente, não podemos mais nos ver.
—Sim... mas nos falaremos todos os dias, eu prometo!
—Enquanto isso, continuarei investigando seguindo as pistas do dossiê do Shiryu, Saga e Kanon me ajudarão.
—Shun, por favor não se precipite! Eu também estou investigando e precisamos aproveitar que aqui você está bem e...
—Estou bem? Cortou o outro, — Como pode ter tanta certeza, Hyoga?
Shun não estava bem, ainda era um prisioneiro, mesmo que na companhia dos gêmeos, uma família maravilhosa que talvez não tivesse conhecido se não fosse todo esse caos em sua vida...”foi uma das poucas coisas boas que me aconteceram desde então...” mas ainda estava preso e seu nome contando na lista dos mais procurados pela polícia e FBI.
—Hyoga, sinto que sou uma ameaça ao meu pai e ao meu tio; sinto-me uma fera que fugiu do zoológico e que está lutando para sobreviver, como posso estar bem? Só estarei bem quando provar quem matou Andrea e limpar minha honra e de minha família!
Disse Shun num desabafo e notou que chorava, sentiu então os braços fortes do detetive o enlaçando e deixou-se ficar ali, sentindo o perfume e o calor daquele homem que passara a amar...
—Eu sei, Shun! O que quis dizer foi para que você não cometa qualquer loucura enquanto estou longe. E nisso eles estavam prestes a se beijar quando a voz autoritária de Saga quebrou o clima..
—Ele não fará nada sem o meu consentimento! Disse o médico olhando para o loiro com cara de poucos amigos.
—PAI! Disse Shun afastando-se rapidamente do detetive.
—Olá Saga! Cumprimentou o Russo um tanto sem jeito.
—Detetive...Eu procuro ser um homem esclarecido e busco acompanhar o que determina a modernidade, mas essa sua “mania” de entrar na minha casa a qualquer hora não me agrada! E dessa vez quase o pego com a boca onde não devia. Disse olhando para Shun que ficou vermelho de vergonha.
—Vim me despedir, Milo me afastou do caso e ainda ameaçou me prender se eu tentar intervir, trouxe um celular para Shun, assim manteremos contato. E não se preocupe, não tem perigo de serem rastreados.
—Já sabe que se nos trair será um homem morto, não é pato? Disse Kanon que estava recostado à porta.
—Dou-lhes minha palavra, estou do lado de Shun. E o olhar que o detetive lhe dirigiu desfez qualquer duvida que tivesse até então...
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Campus Universitário
—Bem, por hoje encerramos! Amanhã discutiremos a morfologia das áreas próximas ao círculo de fogo. Disse Kanon, ao finalizar mais um turno de aula.
Fora contratado em caráter de urgência para substituir um professor que se acidentara; apesar de achar cansativo, Kanon adorava lecionar e estimular a curiosidade de seus alunos sobre a grandeza do oceano e seus mistérios. Olhou para o relógio e como viu que teria tempo o bastante para fazer um lanche antes de começar a próxima turma saiu, mas estava com a sensação de que era seguido por alguém.
O caminho até a lanchonete era um pouco longo, pois ficava depois do estacionamento, e encontrava-se vazio; afinal era uma sexta-feira à noite, a maioria dos alunos dava um jeito de sair mais cedo ou mesmo matavam as aulas...Kanon caminhava depressa e, por mais que olhasse, não havia ninguém atrás de si.
Sentiu-se aliviado ao chegar ao seu destino e perceber que estava imaginando coisas. “estou começando a pirar, agora entendo o que Shun sente, parece que serei atacado a qualquer momento!” pensava enquanto tomava a segunda xícara de café; terminou de comer, pagou a conta e voltava já se sentindo melhor. “ se eu pensar besteira perderei o rumo” foi quando escutou alguém o chamar e, ao se virar para onde vinha o chamado, sentiu algo bater em seu rosto e desmaiou....
—Um já foi, agora é a vez do doutorzinho de merda e o puto do Amamyia virá até mim!
Disse o homem o jogando o professor inconsciente dentro de um carro e partindo o mais rápido que pode...
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Hospital Central
—Setor de cirurgia, boa noite!...dizia a telefonista atendendo a uma ligação.
—O paciente do leito 12 está em observação e... Era a enfermeira dando informações a familiares preocupados...
O plantão havia começado às 18h como sempre, mas ainda estava calmo; os casos graves começavam a chegar com frequência após a meia noite, quando a bebida e a imprudência se encontravam depois das festas... apesar de já estar habituado àquela falsa tranquilidade que precedia o trabalho intenso, Saga sentia-se angustiado. Sabia que Shun estava bem e Kanon estava na na universidade, mesmo assim algo o preocupava.
“Estou estressado, é só isso!” pensava, e tentava se concentrar no caso do próximo paciente.
—Doutor Saga, o procedimento desse paciente está marcado para daqui a uma hora; trouxe o prontuário como solicitou. Disse a Secretária se aproximando e entregando o documento.
—Obrigado!
Estava concentrado na leitura quando sentiu o celular vibrar e, ao olhar, estranhou ser uma mensagem de Kanon. Sabia que o irmão não era de escrever, preferindo ligar e dizer uma de suas gracinhas junto com a informação.
SAGA, VENHA RÁPIDO, ESTOU NO ESTACIONAMENTO E É URGENTE, TEM A VER COM O S!
—Aconteceu algo com Shun?! Deve ser grave! Dizia a si mesmo indo em direção a saída do setor.
—Doutor o...
—Agora não! Já volto! Disse sem olhar para a enfermeira.
Correu o mais rápido que pode, sempre ligando para o irmão, porém ele não atendia; ao chegar ao estacionamento, sentiu alivio ao ouvir o toque do celular de Kanon e correu até o carro de onde vinha o som, ao se aproximar, encontrou o gêmeo desacordado e com o rosto sangrando.
—Kanon! O que...o médico parou ao sentir uma pancada em sua nuca e caiu desacordado aos pés do agressor...
—Muito bem, agora só falta você Amamyia; vai me pagar por todas as humilhações que tenho passado! Disse Radamanhtys enquanto jogava Saga para dentro do carro junto ao irmão.
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